sexta-feira, 15 de junho de 2012

Documentário “Menino Joel” é exibido no Vila


O projeto A Cidade Que Queremos, parceria entre o Teatro Vila Velha e o Movimento Desocupa, exibiu, na última quarta-feira, no Cabaré dos Novos, o documentário “Menino Joel”, dirigido pelo cineasta Max Gaggino. Através de depoimentos de familiares e amigos, o documentário traça um perfil do menino Joel da Conceição Castro, que foi assassinado no Nordeste de Amaralina numa ação desastrosa de policiais militares. O filme mostra também a visão de especialistas sobre o caso, a repercussão que a tragédia teve na imprensa e faz refletir sobre a violência e o abuso de poder cometidos pelos homens de farda.

Com depoimentos fortes e chocantes, o documentário “Menino Joel” emociona e faz refletir sobre várias questões presentes no cotidiano de uma metrópole como Salvador. Ouvir a mãe de Joel (Mirian da Conceição) dizer que “o ventre sente falta do filho que gerou”, e o pai (Joel Castro “Mestre Ninha”) afirmar: “Não me calo porque eles (os policiais) já mataram uma parte de mim” é de impressionar e revoltar qualquer cidadão.


O cineasta e diretor do filme Max Gaggino, 27 anos, estava presente na exibição e falou sobre os motivos pelos quais resolveu contar a história. “Como cidadão, vi que algumas ações praticadas por policiais não podiam ser aceitas como normais. Convivi com pessoas do Nordeste de Amaralina que me contavam que os policiais as agrediam, eram violentos e elas, talvez por ignorância, não tomavam nenhuma atitude e ainda davam risada. Teve um dia que eu questionei: por que vocês estão rindo? Vocês não podem rir disso! Eles não podem fazer isso com vocês. Aí, elas deram risada de mim e falaram que lá era assim mesmo. Então, resolvi fazer o documentário para despertar as pessoas para este problema”.


O baiano Rodrigo Cavalcanti, 34 anos, produziu o documentário e endossa as palavras de Max. “A gente queria fazer um documentário de denúncia. O filme faz uma crítica à política e até hoje não conseguimos exibi-lo nos espaços que fazem parte da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT). É importante falar também que Joel só ganhou notoriedade porque ele foi garoto-propaganda do governo do estado. Milhares de Joéis morrem todos os dias por aí e ninguém fica sabendo”, lamentou.
Depois da exibição do documentário, aconteceu um bate-papo sobre as questões abordadas no filme e os espectadores falaram sobre as impressões que tiveram da obra.


Movimento Desocupa
O Movimento Desocupa é composto por pessoas da sociedade civil e tem como intuito refletir sobre os problemas de Salvador e, consequentemente, os do país. De acordo com Ícaro Vilaça, 24 anos, arquiteto e um dos integrantes da iniciativa, o movimento tem como principal objetivo manter viva a cidadania. “A cidade está numa situação de descalabro, de renúncia da cidadania. As ações do Desocupa contribuem para refletir sobre a cidade e para fazer valer a cidadania em caráter permanente”. 


A estudante de geografia da UFBA, Lorena Stephanie, 21 anos, acha importante iniciativas como essa, mas teme que só fique no âmbito da teoria. “A maioria só fica na teoria. Na prática, a galera sempre se volta a favor do poder dominante”, afirma. O estudante André Cerqueira, 21 anos, faz algumas ressalvas também: “Eu acho bacana e de suma importância, mas seria melhor se saísse desses espaços comuns, porque as pessoas sabem dos problemas, mas precisam participar das discussões também. Seria mais interessante levar os debates para Periperi, Cajazeiras, Nordeste de Amaralina. É muito mais objetivo e viável tentar mudar as coisas olhando no olho”.


*Texto: Raulino Júnior

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