quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Solo “Remedeia” explora limites da ficção e realidade a partir de mito grego

Espetáculo de Lara Duarte integra a programação do 14º Amostrão Vila Verão com apresentações nos dias 13 e 20 de janeiro, no Teatro Vila Velha



A atriz Lara Duarte leva ao palco do Teatro Vila Velha, nos dias 13 e 20 de janeiro, sextas-feiras, às 20h, o solo “Remedeia”, que integra a 14ª edição do Amostrão Vila Verão, festival que movimenta a cena cultural baiana durante os meses de janeiro e fevereiro com 50 apresentações de teatro, dança e música. A atriz revisita o mito de Medeia, da tragédia grega de Eurípedes, a partir de diálogo e interação com o público. 

O espetáculo integra a pesquisa artística "Tem Drama! Construções dramatúrgicas de uma realidade ficcionada", iniciada pela artista no grupo Teatro Base. “O trabalho propõe, em linhas gerais, o estudo teórico e prático do diálogo ficção-realidade. Adensa o estudo sobre a narrativa do mito, que até então serviu de pano de fundo e justificativa ficcional. Ou seja, dar sentido a uma história que perdeu o sentido”, explica Lara. Na encenação, é estabelecido um pacto com o público: por uma hora, todos são mães da atriz em cena, e a recepção desse público de mães é apaixonada-patológica tal qual as apresentações escolares. Acordo feito, a narrativa do mito é trabalhada por meio de dispositivos previamente estabelecidos e tudo acontece com base nessa troca. Em cena outros artistas criam luz, som, adereços e imagens a partir das proposições do público. 

A pesquisa iniciou-se através do Teatro Base, grupo de pesquisa sobre o método da atriz, e teve como primeiros resultados o experimento cênico “Medeia” – realizado na Casa de Iemanjá, em Salvador; a revista “A Letra M” -  Onde mulheres descreveram sua relação com o arquétipo MÃE, abordando temas como maternidade, aborto, ausência, ser filha, entre outros;  e o solo “Como Medéia Para Minha Mãe” – Realizado no Espaço Cultural da Barroquinha, em Salvador, em que a mãe da atriz-performer também estava em cena criando um paralelo entre o mito de Medéia e a trajetória biográfica mãe-filha de quem se separou ainda na infância. O solo “Como Medéia Para Minha Mãe” levantou questões acerca dos entendimentos sobre presença, performance, ancestralidade, recepção do público, acontecimentos e feminismos. Novas questões e interações surgem em “Remedeia”.


Fizemos algumas perguntas a Lara sobre este novo trabalho:

 
De que fala REMEDEIA?


- Reavaliar, recontar, remontar, rever o mito de medeia (tanto as ações que integram a peça de Eurípedes como o antes e o depois) e abrir um espaço de dialogo com o público a cerca da heroína trágica...


- Explorar as interações performer-público através da presença, da troca, do “em aberto” e repensar o espaço teatral enquanto um corpo capaz de propor novas realidades

- Colocar em foco a recepção e a performance do público e suas narrativas pessoais

O que há de novo ou de repetição em relação ao "Como medeia para minha mãe"?


É um processo de pesquisa continuada...  A partir da pesquisa “tem drama” outras formas de pensar dramaturgia me foram reveladas, formas que construíram também Oroboro e a Bunda de Simone, ganhando um caráter mais formal e objetivo em Como Medeia Para Minha Mãe... Uma dramaturgia que flerte com a realidade e a teatralidade ao mesmo tempo, sem definir muito bem onde começa um e termina o outro. Em “como medeia” tinha-se o recorte ficcional: o mito, e o recorte biográfico-real: minha história com minha mãe... Existe um lugar em que medeia e minha mãe se encontram num dialogo tão potente que eu só posso é dar passagem...

Na ficção me interessa a possibilidade de criar novas interações, novas realidades de propor dramaturgias que são ditas todo dia por aí e a gente nem vê.

- Por que mamãe te disse que remake é tendência?


Pergunta pra ela!



Ficha Técnica “REMEDEIA”


Criação e Performance: Lara Duarte e grande elenco
Colaboração artística: Olga Lamas e Daniel Guerra
Visualidades: Diego Alcântara
Sonorização: Mirela Gonzalez, Gleise Reis, Fábio Lima e Giovani Cidreira
Assistência sonora: Gustavo Carvalho
Dramaturgia: Lara Duarte
Voz em Off: Emanuel  Coutinho Lopes Junior
Iluminação: Pedro Dultra
Cartaz: Bruna Nolasco
Foto: Diego Tavares
 
Serviço

Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

REMEDEIA | Lara Duarte
13 e 20/01// sextas-feiras // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 12/01)
Teatro Vila Velha

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Baixista Luciano Calazans abre programação musical do 14º Amostrão Vila Verão


O show “Baixo, Café e Ciranda” chega ao palco do Vila com participação dos músicos Marcelo Brasil e Luizinho Assis
Vencedor do Grammy Latino e reconhecido como um dos mais expressivos baixistas da atual música brasileira, Luciano Calazans abre a programação musical do 14º Amostrão Vila Verão no dia 11 de janeiro, quarta-feira, às 20h, com o show “Baixo, Café e Ciranda”. Nesta segunda edição do projeto - a primeira contou com a participação de Saulo -, Luciano garante mais um show único e reluzente, comemorando seus 30 anos de carreira num concerto instrumental com os convidados Marcelo Brasil e Luizinho Assis, que formaram com ele o Serviço Despertador, no final do século passado. A programação musical do Amostrão ocupa as quartas-feiras de janeiro e fevereiro com nomes da música baiana, que trazem sempre convidados especiais. Os ingressos estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br e na bilhteria do Teatro Vila Velha.

O Baixo, instrumento principal de Luciano, o Café, que representa a informalidade e casualidade, e a Ciranda, que marca a rotatividade de lugares e convidados, comunicam a proposta do projeto. São encontros especiais com artistas que representam parte significativa da caminhada de Luciano Calazans, em apresentações originais que evidenciam o lado B da carreira dos convidados e ampliam para o público o conhecimento das possibilidades do contrabaixo elétrico, além de evidenciarem a pluralidade do trabalho artístico do anfitrião: diretor musical, arranjador, produtor, maestro, compositor, considerado o Jaco Pastorius brasileiro.

Luciano Calazans já dividiu o palco com artistas como Flávio Venturini, Marisa Monte, Ivete Sangalo, Lenine, Carlinhos Brown, Milton Nascimento, Fafá de Belém, Gilberto Gil, Salif Keita, Slanley Jordan e diversos outros. O seu nome consta na ficha técnica de mais de 500 álbuns gravados por artistas. Mas não pára por aí. No currículo, coleciona trabalhos variados, trilhas e composições. Também é dele o primeiro disco de um Baixista produzido no Estado da Bahia: o Contrabaixo Astral. A serviço do que ele veio fazer no mundo – arte - Luciano é um inquieto. Responde como professor, tanto por muitos músicos hoje já consagrados quanto no Projeto TAMAR, onde desde 2010 desenvolve um trabalho com crianças da região de Mata de São João; responde como produtor musical e diretor em diversas obras de artistas consagrados nacionalmente; e responde também como arranjador de grandes concertos sinfônicos e populares executados em Salvador e fora dela, inclusive pela OSBA e NEOJIBÁ. Em 2016, inovou e montou a sua própria Orquestra, a Soteropolifônica, nela também responde como maestro regente, além de gestor.

Sobre o Amostrão Vila Verão

Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, no Teatro Vila Velha, a 14ª edição do Amostrão Vila Verão apresenta ao público mais de 15 espetáculos e shows, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente. Os ingressos já estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br com preços promocionais para quem comprar antecipadamente. No Amostrão, há ainda espaço para quem quiser experimentar o fazer artístico através das Oficinas Vila Verão, que oferecem experiências em teatro, dança, música, audiovisual, circo, games, gastronomia, entre outras áreas, com inscrições no site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao. Realizado de forma independente pelo Teatro Vila Velha em parceria com a Carambola Produções, o 14º Amostrão Vila Verão movimenta a cena cultural baiana oferecendo alternativas de programação ao público soteropolitano e aos turistas, em um momento em que predominam festas e shows pré-carnavalescos.

Serviço:

Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

BAIXO, CAFÉ E CIRANDA | Luciano Calazans
11/01 // quarta-feira // 20h
R$40 e 20
R$30 e 15 (lote promocional até 10/01)
Teatro Vila Velha

“Anoitecidas” leva discussões sobre racismo, homofobia e intolerância religiosa ao 14º Amostrão Vila Verão


Espetáculo do grupo Teatro da Queda ocupa as terças-feiras de janeiro em festival realizado pelo Teatro Vila Velha

O espetáculo “Anoitecidas”, do grupo Teatro da Queda, apresenta-se nas terças-feiras de janeiro, dias 10, 17, 24 e 31/01, sempre às 20h, no Teatro Vila Velha. A montagem, dirigida por Thiago Romero, integra a programação do Amostrão Vila Verão 2017, festival que ocupa o Vila de terça a domingo, com mais de 50 apresentações de teatro, música e dança. Nas terças-feiras de fevereiro, dias 7 e 14/02, “Anoitecidas” cede espaço para outra montagem do Teatro da Queda, o solo “Kaiala”, com o ator Sulivã Bispo, indicado ao Prêmio Braskem de Teatro 2016 de melhor ator por este e outros trabalhos.

Em “Anoitecidas”, três personagens recriam a África, o Brasil, o homem, a mulher, o mito, o amor, o batuque do candomblé e desadormecem histórias. As personagens Koanza Aundê, Dandara Byonce e Mamma interpretadas pelos atores Anderson Danttas, Diogo Teixeira e Sulivã Bispo, encontram-se em um tempo imaterial e lançam mão de suas memórias. Segundo o diretor Thiago Romero, são vozes que ocupam o espaço, vozes muitas vezes caladas, silenciadas, que tornam o espetáculo lírico, passeando entre o drama e a comédia para discutir temas urgentes como racismo, intolerância religiosa, ancestralidade e homofobia.


O ano de 2016 foi de intensa produção artística para o grupo Teatro da Queda e rendeu indicações ao Prêmio Braskem de Teatro por diferentes trabalhos. Além da categoria melhor ator para Sulivã Bispo, pelo desempenho em “Kaiala” e “Rebola”, a companhia foi indicada em melhor espetáculo adulto, melhor direção (Thiago Romero) e melhor texto (Daniel Arcades) pelo espetáculo “Rebola”. O Teatro da Queda foi criado em 2004 na cidade do Rio de Janeiro, e em 2007 veio para Salvador. O grupo vem se aprofundando em pesquisas que possibilitem uma linguagem cênica reveladora no teatro, desafio proposto pelo diretor e ator Thiago Romero. As pesquisas visam também o diálogo entre as múltiplas linguagens artísticas como performance, dança contemporânea, cinema, artes plásticas e literatura, com o objetivo de suprir uma necessidade de estudar e experimentar novas possibilidades e fronteiras.

Sobre o Amostrão Vila Verão

O Teatro Vila Velha, como já é tradição, abre o ano de 2017 com uma intensa programação artística na 14ª edição do Amostrão Vila Verão. Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, mais de 15 espetáculos e shows ganham o palco do Vila, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente. Os ingressos já estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br com preços promocionais para quem comprar antecipadamente. No Amostrão, há ainda espaço para quem quiser experimentar o fazer artístico através das Oficinas Vila Verão, que oferecem experiências em teatro, dança, música, audiovisual, circo, games, gastronomia, entre outras áreas, com inscrições no site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao.

FICHA TÉCNICA “ ANOITECIDAS”:

Direção: Thiago Romero Textos: Daniel Arcades, Fernanda Julia, Lipe Costa, Marcelo Ricardo, Sulivã Bispo, Thaís de Oyá, Thiago Romero Elenco: Anderson Danttas, Diogo Teixeira e Sulivã Bispo Direção Musical: Gabriel Carneiro e Roquildes Junior Figurino: Thiago Romero Coreografia: Edeise Gomes Iluminação: Luiz Antônio Sena Jr Produção: Bergson Nunes, Diego Moreno, Luiz Antônio Sena Jr (DA GENTEProduções)

Serviço:

Amostrão Vila Verão 2017
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br
ANOITECIDAS | Teatro da Queda
10, 17, 24 e 31/01 // terças // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 9/01)
Teatro Vila Velha

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Romeu & Julieta por Elizabeth Ramos


Cena de "Romeu & Julieta". Foto: Diney Araujo

Assisti à nova encenação de Romeu e Julieta sob a direção de Márcio Meirelles, no Teatro Vila Velha. Mais uma vez, impressionou-me sua criatividade, pois Márcio vai além da superfície do texto, conhecido simplesmente como romântico, em torno amor impossível entre jovens. Aqui, o público é apresentado à desconstrução dessa simplicidade. A montagem confirma que Romeu e Julieta é também uma das peças mais obscenas de Shakespeare, em particular, com relação à linguagem da Ama, de Mercúcio e dos criados Gregório e Sansão, personagens irreverentes, donos de falar e gestos lascivos, que Márcio Meirelles traz ao palco com maestria.

No entanto, a linguagem lasciva não se limita a esses personagens. Mostra-se também de maneira indireta, metafórica, alusiva, repleta de eufemismos e jogos de palavras na fala de outros personagens, inclusive dos próprios protagonistas.

Ao apresentar esse aspecto ao público, Márcio Meirelles confirma que, associar a sexualidade à obscenidade vulgar significa adotar uma posição reducionista. A nova Romeu e Julieta nos apresenta o sexo de forma dramática, poética e não menos maliciosa.

Marcante é a decisão de Márcio de romper com a tradicional posição de um ator para cada personagem. Todos são Romeus, Julietas, Amas, Mercúcios... confirmando a pluralidade dos nossos papeis no mundo e rompendo com os maniqueísmos, traço tão próprio da produção de William Shakespeare. A plateia vê-se, pois, diante dos diversos jovens amantes que, contrariando todas as expectativas realizam seu amor, mas são destruídos pelas múltiplas forças hostis do destino e da sociedade.

Alguma coisa diferente do que encontramos nosso cotidiano hostil?
No mais, vale a pena assistir à peça e construir novas interpretações.

Parabéns, Márcio!

Beth Ramos*


*Elizabeth Ramos é Mestre e Doutora em Letras e Lingüística pela Universidade Federal da Bahia (1999 e 2003, respectivamente), onde é Professor Associado I, no Departamento de Letras Germânicas e no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura. Desenvolve pesquisa no campo dos Estudos Shakespearianos e da Tradução (literária e intersemiótica), dedicando-se, em particular, às relações entre literatura e cinema. Nesses campos, orienta alunos de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Em paralelo, dedica-se, esporadicamente, a pesquisas relacionadas a Graciliano Ramos. Em março de 2014, concluiu estágio de Pós-Doutorado na Univesidade de São Paulo (USP), onde desenvolveu pesquisa sobre a tradução da obscenidade na comédia shakespeariana.

SOBRE ROMEU & JULIETA - por José Roberto O'Shea

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Cena de "Romeu & Julieta". Foto: Diney Araujo

A julgar pela concepção, preparação e pela encenação, em si, espectador nenhum sairá de casa em vão para assistir à montagem de Romeu e Julieta, dirigida por Marcio Meirelles, à frente dos participantes da Universidade Livre do Teatro Vila Velha.

Na coletânea de textos compilados no programa do espetáculo, Marcio assina um ensaio intitulado “N é a Cotovia é o Rouxinol”, de onde se depreende sua sofisticada e clara concepção -- plena consciência mesmo – acerca da complexidade de se montar Shakespeare, em geral, e R&J, em particular. No plano geral, montar Shakespeare, para Marcio, é atravessar “densas camadas de academicismo erudição inócua despolitização puritanismo lançadas com o tempo sobre um teatro popular político vivo ativo erótico violento cruel (sic)”. No plano específico, Marcio aponta que R&J costuma ser apresentada apenas “como uma comovente história de amor malsucedido” e, já sinalizando sua visão não-reducionista, propõe a peça como “uma luta entre gerações um confronto de gêneros uma disputa entre razão e paixão (sic)”. Mais do que um texto lírico e romântico, R&J é concebido por Marcio como “uma peça sobre as consequências do ódio da disputa política da quebra da ordem e da busca por uma nova ordem (sic)”.

Plenamente consciente da complexidade do desafio imposto por esse R&J que pretende ir além da dimensão lírica e romântica, Marcio investe na preparação do elenco e do espetáculo. No ensaio já citado, ele registra a imperiosa necessidade de se ter um elenco, e se refere ao jovem elenco da Universidade Livre, composto por atores em plena formação, uma trupe com idade média de 22 anos, sendo a maioria de 18 a 20. A fim de que essa montagem de R&J fosse transformada em experiência pedagógica e social para um elenco jovem e relativamente inexperiente, a preparação foi intensa, envolvendo um total de 65 colaboradores. Foram criados quatro experimentos, iniciando pelo estudo e interpretação de sonetos shakespearianos, passando por leituras diversas, discussão de espaços e chegando ao que se denominou “caminhada geográfica”, quando o grupo saiu às ruas, ao Campo Grande, como Montéquios e Capuletos, improvisando lutas e até distribuindo “romeus e julietas” (queijo com goiabada), testando ideias, ouvindo transeuntes. Esse tipo de preparação não apenas inseriu os jovens atores no conturbado contexto social e político que naquele momento os cercava, como ensejou a sempre desejada construção coletiva e colaborativa, o “teatro coral” que configura, precipuamente, a proposta engajada da Universidade Livre.

O resultado da “caminhada geográfica”, da ida às ruas, reforçou a concepção não-reducionista do encenador, que topicalizava a noção de confronto, de um confronto de todos nós, noção esta que, por sua vez, desaguou na bastante original ideia “SomosTodosRomeuEJulieta”, que, por seu turno, propiciou a igualmente original identidade visual do espetáculo, bem capturada no cartaz em preto e branco, com o ousado beijo de todas e todos. A partir dessa democratização temática, concebe o encenador: “todos amamos e somos vítimas do ódio e das disputas políticas q n levam em conta o bem estar coletivo e a nossa capacidade de amar (sic)”.

E dada essa democratização temática, se somos todos Romeu e Julieta, somos todos, Ama, Páris, Príncipe Éscalo, Frei Lourenço, etc. Portanto, na encenação desse R&J, coadunando-se com a proposta temática, temos uma atrevida e desafiadora democratização dos papéis: diversos atores desempenham os mesmos personagens, a despeito de gênero. Se, de início, esse doubling – aliás, “Elisabetano” -- talvez crie alguma dificuldade de compreensão para alguns espectadores, marcantes signos de figurino (por exemplo, guirlandas, uma guitarra, um manto, uma coroa, colares) logo promovem a elucidativa mediação do “truque”. O palco – novamente, “Elisabetano” – surge, leve e agil, ora como Verona, ora como Mântua, muitas vezes adornado, coreografado, pela eloquente (e nem sempre verbal) dramaturgia do povo da cidade e dos perplexos criados das duas abastadas famílias. E a democratização temática se traduz, ainda, na presença igualitária e solidária dos atores em cena, atuando ou enquanto espectadores, produzindo música e paisagem sonora diegética e extradiegética.

Diante dos desafios impostos e confrontados pelo encenador, não apenas espectador nenhum sairá ileso. Tampouco ator algum sairá imune desse intenso “processo como produto”, seja enquanto praticante de Arte Dramática, seja enquanto cidadão Livre.

05/01/2017
José Roberto O’Shea*

*O´Shea é bacharel pela Universidade do Texas, mestre em Literatura pela Universidade Americana e PhD em Literatura Inglesa e Norte-Americana pela Universidade de Norte Carolina. Como research fellow , realizou estágios de pós-doutoramento no Instituto Shakespeare da Universidade de Birmingham e na Universidade de Exeter.

Espetáculo "Romeu & Julieta" retorna aos palcos do Teatro Vila Velha

Cena da peça "Romeu & Julieta". Foto: Diney Araújo

Depois de levar 1.192 pessoas ao Teatro Vila Velha durante o último mês de dezembro, o espetáculo Romeu & Julieta, de William Shakespeare, sob direção do encenador Marcio Meirelles, retorna à cartaz como parte do 14º Amostrão Vila Verão, projeto que movimenta a cena cultural baiana durante a estação. A montagem ocupa o Teatro Vila Velha aos domingos de janeiro e fevereiro, sempre às 19h, até 12 de fevereiro. Os ingressos estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br.


O espetáculo, fruto de um longo ano de trabalho da universidade LIVRE do teatro vila velha, programa de formação de artistas mantido pelo teatro, leva à cena 24 atrizes e atores. A recepção do público e crítica foi positiva. "A julgar pela concepção, preparação e pela encenação, em si, espectador nenhum sairá de casa em vão para assistir à montagem de Romeu e Julieta, dirigida por Marcio Meirelles, à frente dos participantes da Universidade Livre do Teatro Vila Velha", escreveu José Roberto O'Shea, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, tradutor e especialista em literatura inglesa.

"Mais uma vez, impressionou-me sua criatividade, pois Márcio vai além da superfície do texto, conhecido simplesmente como romântico, em torno do amor impossível entre jovens. Aqui, o público é apresentado à desconstrução dessa simplicidade. A montagem confirma que Romeu e Julieta é também uma das peças mais obscenas de Shakespeare, em particular, com relação à linguagem da Ama, de Mercúcio e dos criados Gregório e Sansão, personagens irreverentes, donos de falar e gestos lascivos, que Márcio Meirelles traz ao palco com maestria", escreveu a professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal da Bahia, Elizabeth Ramos, especialista na obra de Shakespeare.

Em cena, diferentes atores e atrizes revezam-se na interpretação dos papéis, aspecto da montagem destacado pela jornalista e crítica teatral Eduarda Uzêda. "Não é fácil trabalhar com 24 atores jovens (a média de idade é de 22 anos), com pouca experiência teatral em obra canônica (em verso), mas o diretor concebe encenação ousada, onde os intérpretes desempenham vários papéis, de homens e mulheres, independente do sexo do personagem, além de dançar e tocar", escreveu, em crítica publicada no jornal A Tarde.


Outros desafios estiveram presentes no processo de montagem, que incluiu um longo e intenso trabalho de pesquisa, envolvendo consultas de diferentes textos, traduções, filmes, artigos e documentos que auxiliassem nas escolhas textuais para trechos diversos da obra. "A maior dificuldade para se montar um Shakespeare é atravessar todas as densas camadas de polimento, academicismo, erudição, despolitização, puritanismo lançadas com o tempo sobre um teatro popular, político, vivo, ativo, erótico, violento, cruel e recuperar tudo isso", declara o encenador Marcio Meirelles, que dirige pela sexta vez uma peça de Shakespeare. O resultado pode ser visto no palco.

Sobre o Amostrão Vila Verão

O Teatro Vila Velha, como já é tradição, abre o ano de 2017 com uma intensa programação artística na 14ª edição do Amostrão Vila Verão. Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, 15 espetáculos e shows ganham o palco do Vila, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente. Os ingressos já estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br com preços promocionais para quem comprar antecipadamente. No Amostrão, há ainda espaço para quem quiser experimentar o fazer artístico através das Oficinas Vila Verão, que oferecem experiências em teatro, dança, música, audiovisual, circo, games, gastronomia, entre outras áreas, com inscrições no site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao.

Realizado de forma independente pelo Teatro Vila Velha em parceria com a Carambola Produções, o 14º Amostrão Vila Verão movimenta a cena cultural baiana oferecendo alternativas de programação ao público soteropolitano e aos turistas, em um momento em que predominam festas e shows pré-carnavalescos.

Serviço

Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

Romeu & Julieta
8, 15, 22 e 29/01, 05 e 12/02 // domingos // 19h
R$ 40 e 20 (lote promocional por R$30 e 15 até 7/01)
Teatro Vila Velha

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Espetáculo “AVESSO” convida público infantojuvenil para o 14º Amostrão Vila Verão


Livremente inspirado na animação “Divertida Mente”, montagem recebeu três indicações ao Prêmio Braskem de Teatro 2016 e apresenta-se no Teatro Vila Velha a partir deste sábado

Um dos destaques da cena teatral baiana de 2016, o espetáculo infantojuvenil “AVESSO” retorna aos palcos de Salvador a partir deste sábado, 7 de janeiro, como parte do Amostrão Vila Verão 2017, festival realizado há 14 anos pelo Teatro Vila Velha. A montagem, que recebeu três indicações ao Prêmio Braskem de Teatro 2016 nas categorias melhor espetáculo infantojuvenil, melhor texto (Gildon Oliveira) e categoria especial, pelo cenário, figurino e adereços (Agamenon de Abreu), apresenta-se nos dias 7, 14 e 21 de janeiro, sempre às 16h, no palco principal do Teatro Vila Velha.


Dirigida por Guilherme Hunder, a montagem é livremente inspirada na animação “Divertida Mente”, vencedora do último Oscar e narra a história de uma cidade que foi dominada pelo medo, e cujos moradores estão paralisados devido à tamanha força desse sentimento. No enredo, a garota Cecília – personagem que, por ter suas amígdalas calcificadas, não sofre com o impacto do medo sob a cidade – assume a difícil tarefa de derrotá-lo e salvar a todos. No decorrer da história, a menina adentra a cabeça de seu pai e de sua irmã para conhecer seus verdadeiros medos e consegue libertar sua família e toda a cidade.

“Hoje nós vivemos mergulhados no medo, somos nós quem o provocamos e somos nós quem o propagamos, constituindo um enorme ciclo. Ao longo desse processo, o mais instigante e valioso foi buscar artifícios para tratar deste assunto tão relevante na atualidade para o público infantojuvenil, trazendo uma abordagem não somente do medo da criança, mas o que todos somos alvo e dependentes e ainda compreender a sua relevância para nossa existência”, comenta diretor do espetáculo, Guilherme Hunder, que recentemente dirigiu o infantojuvenil “Paco e o Tempo”, indicado ao Prêmio Braskem na categoria melhor espetáculo infantojuvenil - 2015. A produção “Avesso” conta ainda com orientação de Gil Vicente Tavares e direção musical de Ray Gouveia. Além disso, reúne 16 atores no elenco e uma banda que executa, ao vivo, as canções inéditas criadas para o espetáculo.

FICHA TÉCNICA
Texto - Gildon Oliveira
Direção - Guilherme Hunder
Diretores assistentes - Otávio Correia, Letícia Biachi e Isadora Werneck
Direção Musical - Ray Gouveia
Preparação corporal e coreografias - Daniela Botero Marulanda
Cenário, Figurinos e Maquiagem - Agamenon de Abreu
Iluminação - Marcus Lobo
Elenco - Bruna Lima, Catarine Barreto, Caíque Copque, Ceia Correia, Clara Troccoli, Fabiane Leal, Felipe Calicott, Felipe Vigne, Giovanna Boliveira, Hyago Matos, Izabella Vaz, Larissa Libório, Leonardo Teles, Natalyne Santos, Queila Queiroz, Sidnaldo Lopes.

Serviço:
Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

AVESSO | Cooxia Coletivo Teatral
7, 14, 21/01 // sábados // 16h
Teatro Vila Velha
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 para vendas até 6/01)
Classificação: Livre

Espetáculo Ó Paí, Ó! é um dos destaques do 14º Amostrão Vila Verão


Montagem do Bando de Teatro olodum comemora 25 em 2017

O espetáculo “Ó Paí, Ó!”, um dos maiores sucessos de público do teatro baiano, apresenta-se em todos os sábados de janeiro (7,14, 21 e 28/01), às 20h, no Teatro Vila Velha, como parte da 14ª edição do Amostrão Vila Verão. A montagem do Bando de Teatro Olodum tem direção de Márcio Meirelles e completa 25 anos de trajetória com versões no cinema e na televisão.

No palco, os personagens vivem um dia especial, a tradicional Terça da Benção, quando a movimentação na área é ampliada e também as alegrias e sofrimentos dos moradores de uma região estigmatizada e abandonada pelas autoridades. A realidade do Pelourinho Antigo é apresentada através desses moradores, que dividem o ambiente de um pequeno cortiço, tendo que enfrentar a intolerância de Dona Joana, a religiosa proprietária. São músicos, artistas plásticos, prostitutas, travestis, baianas de acarajé, proprietários de pequenos bares, associações comunitárias, blocos afros, personagens reais que, pouco a pouco, foram expulsos do local para dar espaço a um fictício shopping a céu aberto.

Foto: João Meirelles

Sobre o Amostrão Vila Verão

O Teatro Vila Velha, como já é tradição, abre o ano de 2017 com uma intensa programação artística na 14ª edição do Amostrão Vila Verão. Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, 15 espetáculos e shows ganham o palco do Vila, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente. Os ingressos já estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br com preços promocionais para quem comprar antecipadamente. No Amostrão, há ainda espaço para quem quiser experimentar o fazer artístico através das Oficinas Vila Verão, que oferecem experiências em teatro, dança, música, audiovisual, circo, games, gastronomia, entre outras áreas, com inscrições no site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao.

Realizado de forma independente pelo Teatro Vila Velha em parceria com a Carambola Produções, o 14º Amostrão Vila Verão movimenta a cena cultural baiana oferecendo alternativas de programação ao público soteropolitano e aos turistas, em um momento em que predominam festas e shows pré-carnavalescos.

Ficha Técnica:
Direção: Márcio Meirelles
Texto: Bando de Teatro Olodum e Marcio Meirelles
Coreografia: Zebrinha
Direção musical: Jarbas Bittencourt
Assistente de Direção musical: Ridson Reis
Iluminação: Rivaldo Rio
Téc de som: Jeferson Souza
Colegiado do Bando de Teatro Olodum: Cássia Valle, Fábio Santana, Jorge Washington, Ridson Reis e Valdinéia Soriano.
Produção: Valdinéia Soriano e Ridson Reis.

ELENCO:
Arlete Dias – Merry Star
Cássia Valle – Dona Raimunda
Ednaldo Muniz – Roberto Pitanga
Fábio Santana – Peixe Frito
Gerimias Mendes – Seu Gereba
Jamile Alves - Pisilene
Jorge Washington – Sr. Matias
Leno Sacramento – Maicon Gel
Merry Batista – Neuzão da Rocha
Rejane Maia –Maria - a baiana de acarajé
Ridson Reis – Raimundinho
Sergio Laurentino – Guarda
Valdinéia Soriano – Dona Maria, mulher de Reginaldo

ATORES CONVIDADOS:
Edvana Carvalho – Dona Lúcia
Edy Firenzza – Lord Black
Fabiana Milhas – Professora
Shirlei Sanjeva – Carmem
Lázaro Machado – Iolanda
Luciana Souza – Dona Joana
Renan Mota – Reginaldo
Tainara Silva – Menina do bar

MÚSICOS:
Yan Sant’ana
Turan Dias

Serviço:

Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br
Ó PAÍ, Ó! | Bando de Teatro Olodum
7, 14, 21 e 28/01 // sábados // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 6/01)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

14º Amostrão Vila Verão apresenta panorama da produção artística baiana em 2016, além de espetáculos consagrados


De 7 de janeiro a 18 de fevereiro, festival reúne 15 espetáculos de teatro, dança, música, além das tradicionais Oficinas Vila Verão

Romeu e Julieta, com encenação de Marcio Meirelles em cartaz aos domingos
Foto: Michelle Vivas
O Teatro Vila Velha, como já é tradição, abre o ano de 2017 com uma intensa programação artística na 14ª edição do Amostrão Vila Verão. Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, mais de 15 espetáculos e shows ganham o palco do Vila, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente. Os ingressos já estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br com preços promocionais para quem comprar antecipadamente. No Amostrão, há ainda espaço para quem quiser experimentar o fazer artístico através das Oficinas Vila Verão, que oferecem experiências em teatro, dança, música, audiovisual, circo, games, gastronomia, entre outras áreas, com inscrições no site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao.

A abertura do Amostrão acontece no primeiro sábado do ano, 7 de janeiro, com o infanto-juvenil Avesso, às 16h, e em seguida com o espetáculo Ó Paí, Ó!, do Bando de Teatro Olodum, às 20h. Avesso (apresentações em 7, 14 e 21/01, sábados, 16h), indicado ao Prêmio Braskem de Teatro 2016 nas categorias melhor espetáculo infantil, texto e especial, tem direção de Guilherme Huder e é inspirado no filme Divertida Mente. Já Ó Paí, Ó! (apresentações aos sábados de janeiro, 20h), dirigido por Marcio Meirelles, é um dos maiores sucessos de público do teatro baiano, e completa 25 anos de trajetória com versões no cinema e na televisão.
Espetáculo Infantil "Avesso" em cartaz todos os sábados de janeiro Às 16h
Entre as atrações de teatro que estrearam em 2016, estão ainda Romeu & Julieta (em cartaz aos domingos de janeiro e fevereiro, 19h), de Shakespeare, dirigida por Marcio Meirelles, assistida por mais de 1 mil espectadores no mês de dezembro e indicada ao Prêmio Braskem de Teatro de melhor direção; Na Coxia (todas as quintas, 20h), musical do Coletivo Quatro a partir de canções de Fábio Jr., que inaugurou e movimentou o Galpão Wilson Melo, no Forte do Barbalho, ao longo do último ano; Anoitecidas (terças de janeiro, 20h) e Kaiala (terças de fevereiro, 20h), do Teatro da Queda, ambas dirigidas por Thiago Romero, esta última pela qual o ator Sulivã Bispo foi indicado ao Prêmio Braskem de melhor ator.

Nas sextas-feiras do Amostrão, há espaço para espetáculos solos de artistas baianos, iniciando com Remedeia (13 e 20/01, 20h), da atriz Lara Duarte, que dá continuidade ao estudo sobre a narrativa do mito de Medeia; Mamba Negra (27/01 e 03/02, 20h), de Diego Alcântara, que bebe na estética afropunk e atmosfera dos quadrinhos e cria uma anti-heroína do mundo underground; e o Sarau do Poeta, espetáculo musical liderado por Jackson Costa a partir das obras de Caymmi, Amado, Gregório e Castro Alves, acompanhado de Joaquim Carvalho no violão e voz, Eddie Santana (Dinho) no violão e violino, e Sidney Argolo na percussão.

Ainda em teatro, o Amostrão apresenta o infantojuvenil KODAK (sábados, 28/01, 04 e 11/02), solo de Neto Machado produzido pelo Dimenti que já viajou pelos mais importantes festivais de artes cênicas do país. Na peça, a partir de memórias de sua infância, o artista coloca para dançar personagens como monstros, heróis, ninjas e mangás que, em movimento, se distorcem e se modificam, estimulando uma reflexão sobre os estereótipos de gênero, de cidade e de mundo.

Entrando no clima do Amostrão Vila Verão, o Balé Jovem de Salvador traz muita dança aos sábados de fevereiro (4 e 11/02, 20h) com o Amostrão BJS, uma retrospectiva do ano de 2016 através de suas principais produções, apresentando uma diversidade de estilos coreográficos e abordagens estéticas da companhia. No palco, coreografias de Cristina Castro, Jorge Silva, Lia Robatto, Jorge Alencar, João Perene, Ramon Moura e Matias Santiago compõem os programas, interpretadas pelo afinado elenco do BJS.
Retrofoguetes realiza show 8/02 Foto: Uanderson Brittes

Há ainda espaço para música, que ocupa todas as quartas-feiras do Amostrão, com uma diversidade de propostas, sons e ritmos. Na primeira quarta (11/01, 20h) o músico Luciano Calazans, reconhecido como um dos maiores baixistas da música popular brasileira, apresenta o show Baixo, Café e Ciranda, com convidados especiais. No dia 18/01, 20h, acontece o LARGO, encontro de música expandida liderado pelos artistas João Milet Meirelles, Uru Pereira, Pedro Filho Amorim (Coletivo Beto Junior), Lia Cunha (Duna) e Leonardo França. No dia 25/01, às 20h, é a vez do grupo Tropical Selvagem, que convida para o show as cantoras Rebeca Matta, Manuela Rodrigues e Jadsa Castro. Em fevereiro, dia 08/02, 20h, é a vez do Retrofoguetes, um dos mais virtuosos e conceituados grupos de música instrumental do cenário independente, que traz no repertório faixas do seu mais novo disco, Enigmascope - Volume 1, lançado em 2016, além de trabalhos consagrados. Encerrando a programação musical do Amostrão, no dia 15/02, 20h, a cantora Jadsa Castro apresenta o show “Frenético”, baseado no EP Godê, em que é acompanhada pela banda MOOOOONSTRA, além de convidados especiais.

Realizado de forma independente pelo Teatro Vila Velha em parceria com a Carambola Produções, o 14º Amostrão Vila Verão movimenta a cena cultura baiana oferecendo alternativas de programação ao público soteropolitano e aos turistas, em um momento em que predominam festas e shows pré-carnavalescos.

Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

AVESSO | Na Cooxia Coletivo Teatral
7, 14, 21/01 // sábados // 16h
R$40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 6/01)

Ó PAÍ, Ó! | Bando de Teatro Olodum
7, 14, 21 e 28/01 // sábados // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 6/01)

ROMEU & JULIETA | Teatro Vila Velha
8, 15, 22 e 29/01, 05 e 12/02 // domingos // 19h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 7/01)

ANOITECIDAS | Teatro da Queda
10, 17, 24 e 31/01 // terças // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 9/01)

BAIXO, CAFÉ E CIRANDA | Luciano Calazans
11/01 // quarta // 20h // R$40 e 20
R$30 e 15 (lote promocional até 10/01)

NA COXIA - O MUSICAL | Coletivo Quatro
19, 26/01 e 02, 09, 16/02 // quintas // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 até 18/01)

REMEDEIA | Lara Duarte
13 e 20/01 // sextas // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 12/01)

LARGO | Encontro de música expandida
18/01 // quarta // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$20 e 10 até 17/01)

TROPICAL SELVAGEM | participação Manuela Rodrigues Rebeca Matta e Jadsa Castro
25/01 // quarta // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$20 e 10 até 24/01)

KODAK | Neto Machadoe Dimenti Produções
28/01, 4/02 e 11/02 // sábados // 16h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 27/01)

MAMBA NEGRA |  Diego Alcântara, Projeto Trilogia Da Encruzilhada
27/01 e 03/02 // sextas // 20h
 R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 26/01)

AMOSTRÃO BJS | Balé Jovem de Salvador
4/02 e 11/02 // sábados // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 3/02)

KAIALA | Teatro Da Queda
7 e 14/02 // terças // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 6/02)

RETROFOGUETES
8/02 // quarta // 20h //
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 7/02)

SARAU DO POETA | Jackson Costa
10 e 17/02 // sextas // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 9/02)

JADSA CASTRO
15/02 // quarta // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$20 e 10 até 14/02)