terça-feira, 9 de outubro de 2018

MEMORIAL d"Os Demônios", por Milena Nascimento

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Hoje ela andava pela rua e pensava como a rua é limpa, sim a rua é mais limpa que o seu corpo andante que suja com seus pés torpes, ela pensou: o caminho é mais limpo do que o seu caminhar, a rua vai limpando-a limpando o corpo sujo o corpo binário, a rua pede outro corpo um corpo a deriva que experimenta a limpeza que a rua te dá ela é experiência que não acaba depois do primeiro gole ela te sustenta e nã te deixa cair na overdose da experiência: ela olha a rua, a primavera chegou limpando a cachaça visgada na calçada as flores estão verdeando, amarelando nessa primavera vermelha, ela prova, tem gosto de açúcar: a rua muda de cor às 14:00 quando ela passa e a rosa azul cai ao chão mais limpo que o seu corpo torpe, ela ensaia, ela entra no passeio ela agarra a arte pela mão se entorpecendo engolindo Dostoiévski e Shakespeare pela língua que vai azedando e adoçando a rua com seu corpo entorpecido. 




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Mísera válvula cardíaca em dobraduras purificadas de sangue mole azedo e fértil, é isso que eu sou a outra ademoníaca maçã de quatro com as pernas abertas e o cortiço espedaçado, de quatro com a cor amarela molhada de quatro melada azeda e podre é ela é o processo ilegal do meu cérebro poroso, do meu cérebro fritando, do meu cérebro, do meu cérebro eu digo: mentrona-me metrônomo-me agora. É ela virada na moita saindo em cena em cima da preta parindo um miolo oco, roxo inhame inchado feto oco meu preço é caro, minha mão nas entranhas da preta custa caro meu caro.
Na mesa de um Bar SP20: processo Os Demônios.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Ana Bento fala sobre a Mostra da oficina de Musicalização e Composição Coletiva



A Mostra que acontece na próxima terça-feira, é resultado de duas oficinas, uma realizada com os novos integrantes da Universidade LIVRE do Teatro Vila Velha e outra com músicos e artistas da cena baiana. Ambas para o aprofundamento de habilidades compositivas e pedagógicas ligadas à musicalização e ao universo da produção musical para teatro.

Formada em Educação Musical pelo Conservatório de Música de Viseu (Portugal ) e pós-graduada em Musicoterapia pelo Centro de Investigación Musicoterapéutica de Bilbao (Espanha), Bento propõe uma experiência de criação artística e de experimentação partilhada na qual se pretende promover a criatividade e o gosto pela música executada em grupo

TVV - Qual é a proposta da mostra e qual é a composição dela?

Ana Bento - A mostra, como o nome indica, é uma apresentação do trabalho desenvolvido ao longo duas últimas semanas com ambos os grupos. são pequenos resultados de vários processos experimentados no âmbito da criação e composição coletiva. O trabalho é apresentado em formato concerto, ainda que informal, e dele fazem parte canções interpretadas por todo o grupo e em ensembles menores (até solo), uma peça específica para percussão corporal, improvisação estruturada, entre outros. Para além de todo esse material co-criado ao longo das semanas de trabalho, incluímos na mostra um pequeno fragmento que trabalhamos de uma peça em coro que integrará o espetáculo Hamlet, que estreia em novembro no Vila.

TVV - Quantas pessoas formam o grupo e de quais linguagens são os integrantes? 
AB - É um grupo formado por músicos, atores, artistas que participaram especificamente na primeira semana de trabalho e o novo grupo da Universidade Livre do Teatro Vila Velha, uma média de 30 integrantes. A maioria ligada ao teatro, e também bailarinos.

TVV - Como é que tem sido a  experiência no Teatro Vila Velha com esses artistas?
AB - Tem sido uma experiência incrível. Cada lugar tem pessoas com uma identidade muito específica, tanto individualmente quanto em coletivo. Nesse trabalho, sendo ele um espaço de partilha, de troca de experiências e de experimentação, tem sido muito gratificante o contato com com artistas e alunos com uma riqueza cultural e musical tão própria e especial como é a cultura brasileira.

TVV - o que você pôde perceber de singularidade numa terra musical como é Salvador?
AB - A música é sem dúvida algo que se sente, que corre nas veias deste povo, e não é uma música qualquer. Tem sempre um balanço próprio, tão enérgético quanto leve e é algo muito natural, como respirar.  Tudo é pretexto para balançar, para fazer música. E música é emoção, então também se sente no geral uma forma de estar muito própria, muito genuína e expressiva. 


Mostra gratuita da oficina de Musicalização e Composição Coletiva

Onde: Teatro Vila Velha - Av. Sete de Setembro, s/n - Passeio Público - Campo Grande, Salvador/BA.
Data: 28/08
Horário: 19h
Entrada gratuita
Contato: (71) 3083-4600

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

"É, o artista sonha dobrado"


Tiago Querino relembra o processo de montagem de A Última Virgem e reflete sobre a criação de seu personagem e o ofício do ator.

Foto: Alessandra Benini

Tinha acabado de voltar de Manaus e um amigo meu me chamou para uma confraternização na sua própria casa. Como sempre comi aquela água dura, fiquei chapado e acabei dormindo na casa do brother. Ao acordar com aquela ressaca deliciosa vou automaticamente mexer no celular e vejo uma mensagem no meu whatsapp. A mensagem era de um amigo\ator\diretor de teatro. Conversamos um pouco sobre o que cada um estava fazendo e os projetos futuros. No decorrer da prosa ele fala o seguinte: “Devo começar uma montagem nova em abril. Um Nelson Rodrigues. O Nelson será com o Vila Velha e a CTN....tem papel pra vc. Vou montar ‘Os sete gatinhos’, que completa 60 anos de estreia este ano. Mas com o título alternativo criado pelo próprio Nelson: ‘A Ultima Virgem’. Vou fazer algumas leituras, te aviso”. A ressaca passou na hora. Tomei um banho bem gelado, cantarolei músicas de Dorival Caymmi e fui para casa. No caminho de casa acrescentei Caetano Veloso ao repertório. Esperei ansioso a primeira leitura e, especialmente, o primeiro contato com o elenco. Alguns eu já conhecia, outros só de vista. A sensação da primeira leitura com pessoas que você não tem aproximação é a mesma coisa de ir ao primeiro dia de aula na época de escola ou ir pra um colégio novo. As pessoas não se olham, não se falam direito, quase um clima sem tempero no Tagine de Legumes. Hehehehehe.....Começamos os ensaios. O maestro escalonou os ensaios. A gente tinha uma dificuldade de juntar o elenco todo,  mesmo assim o processo foi leve. Isso graças ao nosso compositor que sabia reger os encontros com suavidade. Treinamos bastante, ensaiamos algumas manhãs e aos domingos também. Eu não curto ensaiar no horário da manhã. Mas pra fazer com que o show aconteça, a gente abre mão e abdica de tudo. Acordava de mau humor, tomava um cafezinho e ia pra batalha. Gosto de viver o processo todo. É importante pra mim. Lembro dos ensaios em dupla com Camila Castro à noite, de ficar no passeio público esperando o ensaio começar. Chegava cedo e trocava várias ideias com Newlton Olivieri. Adoro ouvir suas histórias e conselhos. Newtão é um querido. Nunca vou esquecer de voltar andando com Thauan Peralva Vivas para casa. A gente voltava falando do processo, de teatro, objetivos e sonhos.

Foto: Dan Figliuolo

É, o artista sonha dobrado. Por que não triplicado? O tempo ia passando e a estreia estava chegando. Aguardei a estreia, como um menino da divisão de base de um time de futebol, que espera o momento de jogar uma partida pelo time profissional. Dessa forma eu sabia que o terceiro sinal era o apito do juiz iniciando a partida. Sabia que tinha que disputar a bola com sangue no olho com o adversário. Mas no teatro eu não tenho adversário parceiro. Meus adversários não são os atores e o público. Meu oponente enquanto artista é o sistema capitalista, covarde e opressor. É ele que eu preciso vencer todos os dias. É esse sistema que me inquieta e me provoca. É por causa desse sistema que sou ator. A estreia chegou. Eu me encontro no camarim colocando o meu figurino. Não é o uniforme do Santos ou do Real Madrid. Mas eu visto branco. Só uso branco. Tenho dez ternos como esse. Uso um por dia. Chova ou faça sol. Vestido de Virgem começo a me maquiar. Percebo os meus colegas de trabalho através do espelho. Vejo em cada um, um jeito peculiar de ser. Vejo artistas. Sonhadores. Vejo um bando de loucos tentando melhorar o mundo. Acho que não vai ser dessa vez. Mas um dia a gente consegue. Acabo de fazer a maquiagem e desço para o palco. Pego a rolha de vinho que Fernanda Paquelet deu ao elenco e começo a falar meu texto com a rolha entre os dentes. Um ótimo exercício para a dicção. Tiro a rolha e procuro dizer meu texto. Percebo uma melhora na articulação. Obrigado Paquelet. Todos os dias eu faço isso. Faz parte para sempre do meu ritual antes de entrar em cena. Atores vão pro palco para fazer a roda e quem sabe gritar MERDA para dá sorte. Fizemos um círculo e nosso compositor pede a palavra. Acho que ele se emociona quando está com a gente de mão dada. Vejo ele feliz. Um dia quando ele acabou de falar com agente na roda, ele subiu a arquibancada e ficou olhando o grupo. O elenco estava se abraçando. Aí eu vi o Maestro com o brilho no olhar observando a gente. Tinha um leve sorriso na boca. Ali, eu vi o quanto ele gosta do que faz. O garimpeiro de sonhos nasceu para isso. Veio para fazer arte. Ao som de músicas antigas me concentro passando o texto. Sim. O mundo é um moinho. A vida é curta e passageira. Precisamos aproveita-la sem ranço. Tem muito ranço no teatro. Se Nelson Rodrigues tivesse vivo ia falar que "O câncer é um ranço evoluído". Queria conhecer Nelson pessoalmente. Falar de futebol e que o meu tricolor é melhor que o dele. Com essa provocação acho que poderia sair um texto de teatro. Os batimentos do coração aumentam com o segundo sinal. Hora de se posicionar. A voz de Grillo é como uma mensagem de Hemes\Exu\Fernanda Montenegro: “Desista! Não passe perto! Saia disso!(...) porque confundem teatro com liberdades, até com licenciosidade, com realização de sua opção sexual, com glórias, paetês, retrato no jornal, riqueza. Não sabe o que é isso aqui, então saia, saia da frente! Não ocupe espaço se depois vai ser bancário, vai ser doutor, vai ser diplomata, vai ser gari, enfim...Agora, se morrer porque não está fazendo isso, se adoecer, se ficar em tal desassossego que não tem nem como dormir, aí volte, aí venha aqui, mas se não passar por esse distanciamento e pela necessidade dessas tábuas aqui, não é do ramo!” É o verdadeiro barril de pólvora. É árduo. É laborioso pra chuchu. Contracenei muito com Camila. A troca foi linda e de muito aprendizado.


Foto: Dan Figliuolo

Com os outros atores eu troquei um mínimo olhar em cena. Eu aproveitava isso. Mas teatro também é processo e construção. Então me deliciava com os colegas nos bastidores. Eu captava a energia de cada um nos corredores do Teatro Vila Velha, nos camarins, nas coxias e até mesmo no bom dia e boa noite. Gratidão a esse elenco engenhoso. O corpo consumido por adrenalina da cabeça aos pés. Os acordes da música de Roberto Carlos preenchem todo o teatro. O ponto azul no palco é o meu destino. Em versos de malícia Aurora e Bibelot se engalfinham de sofreguidão. Assim a peleja no octógono levava uma hora e vinte. Tempo excelente para discutir questões importantes e necessárias com a sociedade. Agradeço a generosidade e humor do Garimpeiro de sonhos. Obrigado pela oportunidade de aprender com você. Vida longa ao ‘juntador de elenco’ = Celso Junior!

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Marcio Meirelles e Cristina Castro levam as experiências do Vila para o 17º Encuentro Internacional de Danza y Artes Contemporáneas “Crear en Libertad”, no Paraguai.


Marcio Meirelles, encenador e diretor artístico do Vila  e Cristina Castro, curadora, coreógrafa e diretora do VIVADANÇA Festival Internacionalparticipam do encontro que está acontecendo até dia 19 de setembro em Assunção e  conta com a presença de artistas do Paraguai, Espanha, Colômbia, Argentina e Brasil.
Cristina participa das mesas-redondas “Redes de Festivais, Programadores e Antena IBERESCENA Local” e "Internacionalização das Artes Cênicas", direcionadas a profissionais de dança, teatro, circo de outras linguagens cênicas. Ele também está ministrando, até sexta-feira o workshop Dança e Imagem - Corpo, Imagem, Dança.  São três dias trabalhando com os participantes, a partir de materiais sonoros e visuais, com o objetivo de estimular os encontros com o corpo, abrindo canais de comunicação a partir da abstração do movimento e dos universos poéticos de cada participante.

Já Marcio comanda o bate-papo Gestão Cultural e Políticas Culturais para a Cena e Mobilidade, voltada para gestores, programadores e profissionais das artes cênicas. Marcio Fala sobre sua experiência como gestor de políticas públicas, como diretor artístico do Vila e também sobre a experiência pedagógica da Universidade Livre do Teatro Vila Velha.
E a gente tá muito contente pelo fato de que nossas técnicas, experiências e filosofia de trabalho estejam sendo exercitadas e partilhadas com pessoas de realidades tão diversas.  J

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Memórias de Milena Nascimento

Texto 01 - Memorial


A formação na Universidade LIVRE do Teatro Vila Velha culminou no trabalho transdisciplinar do meu ser ator, ao contrário do que é pregado pelo imaginário dominante, esse ser intocável não existe, ele é totalmente corpóreo e matérico, é formado e transformado pelo trabalho braçal de todos os dias. A LIVRE foi causadora de mudanças  desse corpo e dessa mente.  
Pensar a atuação fora do palco é estar na portaria, na técnica, na comunicação, no figurino, é estar. Estar no teatro da escada ao café, da porta de vidro à plateia, do chuveiro ao bebedouro. 
O privilégio de estar em contato com o outro, aqueles que chegam para a troca de reinos de 9H às 13h, de 14às 18h e se for necessário, de 18h às 22h para que o público, nosso principal motivo, seja comunicado, transportado e transformado por essa magia que tenciona discursos. A universidade nos prepara para o ser ator na vida nos dando ferramentas palpáveis para continuar a carreira pensando o todo, transmutando o que vai além do palco, do protagonismo e do foco de luz, como eu disse anteriormente, o trabalho é diário, é braçal e requer disciplina.  


Texto 02 - Memorial -16/06/2017 


Encontro com Daniel Guerra, treinamento energético, a partir do teatro da exaustão de Grotowski, que fala sobre criar mecanismos para superar os limites racionais do corpo, um vetor (parte do corpo) que puxa outro e outro e assim canaliza-se a energia de cada movimento, continuamente, respirando e canalizando essa energia física que sai de cada vetor, para que mais tarde ao longo do exercício, vire uma expressão artística contínua e de mudanças e ligações de vetores, quando ultrapassamos as barreiras da mente é quando o inconsciente aparece, porque a mente bloqueia o corpo, nosso limite não é a sede, a fome e nem o cansaço, limites que nossa mente impõe. Quando não paramos em um bloqueio mental, passamos para uma camada mais interna do próprio corpo, superando a camada superficial. Grotowski fala que esse caminho é uma via negativa, que remove os bloqueios, o treinamento energético não ensina ao ator truques e técnicas, mas remover tudo aquilo que não é verdadeiro, que são resistências, geralmente construídas pela sociedade. Alguém pode experimentar esse treinamento buscando romper essa camada superficial, eu tive uma segunda chance de romper e foi assim que cheguei a essas impressões subjetivas. 
Matérico 
Lucidez 
Catarse  
Encharca  
Inconsciente  
Grita 
Fantasmas  
Corpo 
Saliva 
Fragiliza  
Arrebenta 
Prazer 
Vigora  
Demônios   
Esquece 
E da porta pra fora, tudo fica no chão. 


Texto 03 - Memória, processo: Romeu e Julieta.  13/12/2016 


Ao longo desse processo, eu fui polifônica, eu me deixei ser, ser dirigida, orientada, criticada, elogiada... Houve pontos positivos e negativos, eu prefiro começar pelos positivos, como o aprendizado do início ao fim, porque quando eu digo que me deixei ser, eu deixei que o processo acontecesse dentro de mim. Eu quis ser lapidada, teve o começo disso, mas eu quero que vire algo mais fino, ainda há muito que se trabalhar, mas nesse processo eu sinto que fui trabalhada até o ponto X de onde eu poderia ser nesse momento da minha vida.  

Os negativos são poucos, na verdade, talvez sejam negativos dentro de mim, pela forma como as coisas chegavam, eu sinto que deveria estar mais preparada quando o Diretor falava: "Você sabe Milena?", eu sempre dizia que sabia, mas com uma pitada de dúvida, talvez se eu tivesse compreendido o processo antes, eu não teria essa pitada de dúvida e estaria completamente preparada, mas também nunca "neguei fogo", respondia: "Sim" e ia de cabeça erguida, pronta pra errar e repetir...  

Minha instabilidade me preocupa, eu sinto que dentro de mim o fogo que acendo nos ensaios muda no palco, com o público. Não que seja ruim, mas sinto uma instabilidade que não sinto nos ensaios... Passaram quase duas semanas de peça e nunca riram de uma cena que não é pra rir, e nos dois últimos dias da segunda semana, riram... Ai vieram os questionamentos, eu comecei a me perguntar, a perguntar para o mundo, pra quem viu todos os dias, uns dizem uma coisa, outros dizem outras completamente opostas... Dai eu pensei, eu devo acreditar no meu Diretor, na assistente dele, que esteve ao lado também tentando descobrir o por quê? Ai ela me deu uma resposta que eu nem precisei pensar se era isso ou não, foi automático, - Você tem razão Chica... Dai parti para o trabalho novamente, não voltei pro zero, não perdi o que construí ate ali, mas tinha que resgatar aquilo que me levou até ali. "O meu corpo", eu precisava resgatar o corpo para a voz sair dali e ai sim tudo voltar ao seu devido lugar. Não me culpo por ter perdido algo, me alegro por estar consciente, por estar buscando aquela Ama, de dentro de mim, do meu corpo. Um coreógrafo falou pra mim: "Tire dai de dentro Milena, você tem tanta coisa ai dentro, você já tem um corpo". Então eu busquei, eu estou buscando na verdade. Eu só tenho a agradecer, foi um ano e tanto pra mim. O processo para o meu crescimento individual como pessoa foi mais forte que como atriz, como atriz está sendo uma consequência da transformação pessoal... Eu queria falar de tudo que aprendi mesmo, uma retrospectiva, o pé torcido na véspera, a fadiga, a loucura dos colegas, a minha loucura, é competição? Não é? Desmaios, eu não desmaiei? Uns falando, outros gritando, Milena, Milena, - Oi, eu estou aqui, estava sã o tempo inteiro, e era tudo que eu precisava, eu precisava estar sã, porque quanto mais em mim eu estava, mais na Ama eu estive, eu estou... 


Texto 04


vem-dor.  
dor. 
produzir na dor. 
 Não é ruim, desde que venha, venha forte nocauteando o peito do vermelho processo em dor. HÉCUBA rainha de Tróia tá chegando aqui agora sabia? chega ator atriz desespero risco alegria e dor processo, desarma coagula: dor.  
Foi-sendo: um prazer HÉCUBA.  


Texto 05


Deuses do momento, Deus contemporâneo, do capitalismo avassalador, Deus do grande poder hegemônico e mafioso: "DEUS ESTÁ MORTO". VIVA O "SUPER-HOMEM". Portanto, a "morte de Deus" é responsabilidade dos homens e o rumo para a libertação da sua invenção, do sobrenatural e da FALSA MORAL. A GENTE VAI CONTINUAR, OU ESTAREMOS RUMO A UM EPSTEMICÍDIO ACOMPANHADO DE GENOCÍDIO DO SÉCULO. ESSE LUGAR DE FALA NÃO VAI SER SILENCIADO, MAS ENQUANTO REPETIRMOS OS CRIMES HEDIONDOS DO INIMIGO, A BARBÁRIE NÃO VAI ACABAR.



Milena Nascimento é atriz na companhia Teatro dos Novos