sexta-feira, 15 de maio de 2020

Vila Velha abre inscrições para cinco oficinas/experimento através de videoconferência online


Corpo, música, dramaturgia e jogos de interpretação são os temas desse novo formato pedagógico, que integra as mudanças do Novo Vila Virtual


Mesmo com seu prédio fechado desde o dia 18 de março, por conta das necessárias medidas de isolamento social, o Teatro Vila Velha sua equipe não parou de trabalhar. O Covid-19 desafia a humanidade e seus artistas a descobrir e experimentar novas formas de contato, de relação palco/plateia e de ensino e aprendizado. Estas e outras questões têm sido planejadas pela artistas e técnicos do Teatro, que propõe uma série de novos formatos, lugares de encontro e que está sendo chamado de Novo Vila Virtual. Em breve o Vila anuncia seus novos palcos, salas de ensaio e de exposição.

Duas dessas iniciativas começam ainda em maio. A partir da segunda-feira, dia 25, nosso programa de formação profissional, a Universidade LIVRE, retoma suas atividades oferecendo cinco Oficinas_experimento, que integram a formação de seus participantes, mas que também estão abertas para a participação do público. 

Elas duram dois meses e acontecem através de videoconferência, num ambiente em que é possível tocar conteúdos de texto, áudio e vídeo, além da interação em tempo real, entre todos os participantes.

As inscrições para as Oficinas _experimento já estão abertas no sympla, em: https://www.sympla.com.br/teatrovilavelha

AS CINCO OFICINAS_EXPERIMENTO




Dramaturgia LIVRE, com Fabrício Branco



A oficina propõe prática textual dramatúrgica através da leitura de textos, exercícios de criatividade e criação de cenas curtas.

A partir de 25 de maio e durante 08 semanas

Segunda e quartas

10h às 11h20

Acesso: através do aplicativo de videoconferência Zoom

Investimento: 02 parcelas de R$100

Inscrições em: https://bit.ly/2yRHlCc

Sobre Fabrício Branco: 
Fabrício Branco é autor e dramaturgo, além de ter bacharelado em Cinema, licenciatura em Letras e mestrado em Artes Cênicas. Entre seus trabalhos recentes, os espetáculos Solo (direção de Vinícius Arneiro), Modus Operandi (direção de Carmen Frenzel) e Na Parede da Memória (direção de Paulo Merisio).

Teatro de Variedades (para cabarés, vaudevilles e rebolados), com Miguel Campelo


A partir de gêneros clássicos como Teatro de Revista, Vaudeville, Circo, Teatro Musical, Cabarés e Burlesco, a oficina explorará a tradição dos espetáculos de variedades no mundo. Vencendo as distâncias impostas pelo isolamento social a turma irá desenvolver através de encontros online e em produções audiovisuais de home studio, números e performances curtas de cada uma dessas linguagens. 

A partir de 25 de maio e durante 08 semanas

Segundas e quartas 

Das 11h40 às 13h

Acesso: através do aplicativo de videoconferência Zoom

Investimento: 02 parcelas de R$100

Inscrições em: https://bit.ly/3cBSDsL

Sobre Miguel Campelo: 
Miguel Campelo é ator, diretor e dramaturgo carioca. Integrou por doze anos o Grupo Tá Na Rua, do teatrólogo Amir Haddad, onde realizou sua formação em teatro. Em 2015, cria a personagem drag queen Beatrice Papillon para investigação da arte queer. Atualmente integra a Companhia Teatro dos Novos (CTN).


Células criativas (experimento interpessoal a distância), com Cristina Castro e Carlos Sampaio

Módulo de encontros para pesquisa, improvisação e criação de células coreográficas com interseção da palavra, da imagem e do som, para resultado coletivo em videoclip.

A partir de 26 de maio e durante 08 semanas

Terças e quintas 

Das 10h às 11h20

Acesso: através do aplicativo de videoconferência Zoom

Investimento: 02 parcelas de R$100

Inscrições em: https://bit.ly/3fVaaxV

Sobre Cristina Castro:
Cristina Castro é formada como professora pela Escola de Dança da UFBa e atuou como dançarina no Balé Teatro Castro Alves. Como coreógrafa criou diversos espetáculos de dança para a Cia Viladança e coreografias para peças de teatro, com eles a companhia se apresentou em diversos circuitos de dança contemporânea e oficinas no Brasil, Europa e América do Sul. Em 2016 e 2017, em parceria com Arts Foudation/Joanna Lesnierowska e o Culture.pl criou o projeto Yanka Rudzka com ações no Brasil e cidades da Polônia. Em 2018, em parceria com o Festival Danza en la Ciudad/Idartes, realizou residência e intercâmbio entre artistas brasileiros e colombianos. Em 2019 colaborou na co-produção do projeto Medo/Agnst, do coreógrafo alemão Ben Rieper e artistas do Brasil, EUA e Alemanha. No mesmo ano participou como diretora convidada do Programme Commun 2019 - Swiss Arts Council Pro Helvetia, em Lausanne (Suíça) e do International Visitors Programme of the cultural funding organisation NRW KULTsekretariat, em cidades da Alemanha. Como gestora cultural é diretora do VIVADANÇA Festival Internacional, coordenadora do Núcleo de Dança e da Padaria de Projetos, área de planejamento de sustentabilidade do Teatro Vila Velha.

Sobre Carlos Sampaio:
Carlos Sampaio Carlos é formado pela Folkwang University of the Arts, onde estudou dança contemporânea, coreografia e pedagogia da dança. Dançou na Cia. Folkwang Tanzstudio sob direção artística de Pina Bausch e Lutz Förster e é professor na Cia. Tanzmoto e no núcleo de teatro Theater Total, na Alemanha.


O ritmo enquanto produção de sentidos, com Loiá Fernandes


O ritmo é a pulsação de cada um e tudo tem um ritmo porque tudo pulsa. Pulso é movimento. A ação de se deslocar é o movimento e todo deslocamento tem um sentido. Tendo este entendimento como conceito, faremos uma introdução à polirritimiaa partir da música Malinke e da música indiana.

A partir de 26 de maio e durante 08 semanas

Terças e quintas

Das 11h40 às 13h

Acesso: através do aplicativo de videoconferência Zoom

Investimento: 02 parcelas de R$100

Inscrições em: https://bit.ly/2ZbOYOn

Sobre Loiá Fernandes:
Atriz da Companhia Teatro dos Novos (CTN) e especialista em arte-educação, Loiá Fernandes tem ainda formação em Produção audiovisual. Entre as bandas em que tocou destacam-se Didá, A Mulherada, Chita Fina e Samba das Moças.

Teatro para o fim do mundo, com Marcio Meirelles


Vamos experimentar um teatro em tempo real com presenças de artistas e público num espaço virtual. Como é isso? E que discurso esse teatro faz neste momento? Como atuar nesse teatro? Qual a relação entre atriz/ator e plateia? Vamos experimentar estas questões.

A partir de 29 de maio e durante 08 semanas

Toda sexta 

Das 10h às 13h

Acesso: através do aplicativo de videoconferência Zoom

Investimento: 02 parcelas de R$100

Inscrições em: https://bit.ly/2WYWCsS

Sobre Márcio Meirelles: 
Diretor, dramaturgo, figurinista e iluminador. O encenador Marcio Meirelles criou os grupos teatrais Avelãz y Avestruz e Bando de Teatro Olodum. Com mais de 100 peças dirigidas em décadas de carreira,no Brasil e em outros países, Marcio é o diretor artístico do Teatro Vila Velha e também um dos responsáveis pelo programa de formação profissional do Teatro, a Universidade LIVRE.





segunda-feira, 30 de março de 2020

Carta aberta do encenador Marcio Meireles, diretor artístico do Teatro Vila Velha





RESPEITÁVEL PÚBLICO

o teatro vive por vcs
e queremos q estejam vivos para que esta arte continue viva tb
por isso fechamos as portas do teatro vila velha
coisa inédita nestes nossos 55 anos
mas agora o invisível nos venceu
a pandemia do Covid-19 nos forçou a fazer o impensável: a fechar as portas do teatro
Isso significa que perdemos, além da possibilidade de exercer nosso ofício, os recursos vindos da bilheteria, das mensalidades das oficinas e atividades de formação e da venda de comidas e bebidas no Cabaré dos Novos
ainda temos o programa de apoio às ações continuadas de entidades culturais do estado
mas esse programa só cobre parcialmente as despesas do teatro
todo mês temos que levantar em torno de 20 mil para pagar parte dos custos que não estão na planilha do programa
esses custos diminuirão, mas não vão zerar
vamos diminuir o consumo de energia e negociar o contrato c a Coelba
vamos diminuir o ar condicionado mas temos q fazê-lo funcionar ao menos uma vez por semana
vamos diminuir o consumo de água telefone material de limpeza mas ainda serão custos
e ainda temos os salários de parte dos funcionários não cobertos pelo apoio do estado que não vamos demitir mas dar férias
mas um técnico tem q vir pelo menos uma vez por semana para cuidar dos equipamentos
as 3 funcionárias da administração vão continuar trabalhando de casa
mas temos que ter um revezamento de visitas nossas para garantir a segurança do prédio
os artistas estão criando alternativas cênicas em casa, pela internet sem nenhuma perspectiva de remuneração já que não estão em cena
estamos sem atividades públicas mas queremos continuar juntos
queremos que, depois deste momento sombrio de silêncios e isolamento, o vila possa ser reaberto cheio de luz e alegria e sons para celebrar a vida
não estamos em cena mas ainda temos vcs e contamos c vcs
Em novembro de 2019 o Vila lançou a campanha de financiamento coletivo continuado Amigos do Vila.
Nossa intenção era construir uma base alternativa de financiamento para garantir nossa infraestrutura, para que aos poucos conseguíssemos mais independência e pudéssemos criar, produzir, acolher, colaborar, apoiar artistas, promover encontros
precisamos que vocês, nosso público, sejam nossos coprodutores q vcs sejam investidores desse teatro ou pode ser q o vila depois da pandemia não consiga se reerguer
Agora, mais que nunca precisamos do seu apoio. Seu e de todos que reconhecem a importância da arte para a construção de uma sociedade melhor.
Ajude-nos a reabrir nossos palcos para vocês, para todos. Colabore com a campanha Amigos do Vila, doando mensalmente a partir de  R$1,00.


marcio meirelles,
diretor artístico do Teatro Vila Velha

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

O som que há em mim - Rebeca Lima




Em uma peça de teatro, como na vida real, há muitos sons sendo emitidos. Canções, falas, trilha ao vivo, trilha eletrônica, o pé tocando o palco, cadeiras arrastando, ar condicionado, tosses, comentários e o silêncio. Qual o som do silêncio? Não sabemos muito, pois requer coragem e uma atenção vinda do âmago para ouvir o diálogo que pulsa dentro de cada um. E é a partir deste que se emite qualquer outro. O silêncio é também música, poderosíssima inclusive. A emissão de um som ou não som em dado momento, pode definir toda uma cena, o clima proposto e o nível de atenção esperado pelo público, a música participa ativamente da contação de qualquer história. 

Enquanto atriz, falo da relação entre a música e o teatro de um lugar de inexperiência e fragilidade e por isso, um espaço aberto a possibilidades de construção. Venho percebendo que a música está presente a todo momento e como uma dança, se movimenta junto com os outros elementos de uma obra. Quando uma personagem dá o texto, é preciso que a música entre como um plano de fundo mais sútil, o grave e agudo das canções se intercalam com o grave e agudo das vozes, podendo um fortalecer ou fragilizar o todo. O personagem do coro, por exemplo, é responsável pelo pulso de toda uma peça, como um coração que bombeia sangue para todos os outros órgãos e define o ritmo e frequência de suas ações. São muitos personagens agindo em unidade, tendo que adequar suas vibrações internas ao externo, para que a mensagem dada ao público funcione com clareza. Existe uma música sendo proposta como base para uma elevação e, se inserir no contexto, requer escuta do pulso que há dentro e combine com o que há fora. 

Falando todas essas informações, posso até parecer experiente na combinação música e teatro, mas nesse quesito, sensibilidade me falta e ansiedade me exalta. “Você não sabe fazer parte de um coro”, disse Márcio Meirelles, logo após um dos ensaios de “Por que Hécuba”. Naquele momento, concordei com ele, mesmo não sabendo exatamente onde pecava. A partir dali, busquei dar mais atenção às minhas ações quando tocava um instrumento e tive uma descoberta. Sigo sem certezas, mas afirmo que a ansiedade atrapalha tudo. Quando pensava com a mente nas batidas que precisava dar nas alfaias para acertar o pulso, errava com facilidade. Quando a atenção era voltada para as minhas mãos segurando as baquetas e apenas executando o que me foi passado, estava mais firme e era mais difícil do erro acontecer. Entendi que precisava aguardar. Aguardar o momento certo para a minha ação entrar em cena. O que somos não está na nossa mente, mas nas ações que fazemos com ela. Senão, quem além de nós irá enxergar?

Ainda tenho dificuldade com a música quando estou atuando. Hoje, participo do coro dos espíritos de Ariel na obra “A Tempestade” e minhas colegas de cena estão sempre ajustando o que emito, porque vira e mexe atrapalho o todo. A minha forma imprecisa de lidar com as relações fica evidente nesses momentos, Chica Carelli me disse “Rebeca, saiba qual é a nota e entre com precisão, não rodeie.” Desde aí meu desafio começa, qual é a nota? Não tenho segurança em dizê-la, mas busco imitá-la. Fazer de mim a própria nota musical.

Quem convive comigo sabe que sou louca por uma peça “Ensaio para Democracia”. Um espetáculo de teatro de rua, carnavalizado, que conta a história da resistência cultural à ditadura militar brasileira. Ela conta com instrumentos, cortejos, vinhetas, hinos, trilha eletrônica, declamações e um outro que não há como prever, o som da rua e das muito prováveis intervenções da plateia. A proposta do teatro de rua é que qualquer um partícipe, pois assim é a vida. Lembro que na última apresentação, bati o pé para que a canção “London London” de Caetano estivesse em cena enquanto eu falava sobre o exílio de artistas, intelectuais e políticos durante a ditadura. Além da beleza, ela fortalecia a história que eu contava, não faço nada só.

Existe uma linguagem universal, comunicação que ultrapassa a língua e vai para o sentir, isto é, nossa relação com o que não é dito em palavras. Como falamos com as ovelhas, pássaros, árvores, ar e todos os elementos que não emitem a nossa língua e ainda assim, dialogamos. Ela nos leva a qualquer direção e a mais importante delas, a do coração. Esse está sempre nos dizendo coisas.

Rebeca Lima - Participante da universidade LIVRE do Teatro Vila Velha
Dezembro - 2019

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Olhares sob a tempestade

Nós somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos, diz Shakespeare através de Próspero. Aqui, reunimos registros feitos por diversos atores do elenco de A Tempestade. Por 3 meses usamos da nossos corpos, da nossa matéria, dos nosso sonhos para dar vida ao espetáculo. Confira um pouco dos olhares de quem viu a tempestade chegar de dentro para fora: