domingo, 18 de agosto de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha - Dia 08/08 dia de nada - Por: Tatiana Semêdo


 Foto: @afroperiferica 

DIA 08/08 DIA DE NADA

Mas hoje é sim! Foram essas as primeiras palavras que disse quando a noite começou, ou talvez não (foram tantos ensaios com tanto improviso). Mas para nós começou muito antes! No dia anterior.
Depois de um ensaio exaustivo em que apesar de todas as questões relacionadas a luz, som e cenário ainda estavam por vir. Tínhamos encaixado uma base do que seria a noite seguinte. Então em roda percebemos que na manhã seguinte precisaríamos de mais um ensaio. A tarde do primeiro bloco deste dia foi reservada para arrumar cenário, figurino e o ensaio geral com luz, som e palco. Recebemos então a notícia de que teríamos um espaço para homenagear Márcio Meirelles em sua Comenda e assim tivemos que abandonar o barco que nos levava para o ensaio da manhã e entrar naquele grande Navio que embarcava para uma homenagem emocionante ao nosso artista de Teatro.



Foto: Tatiana Semêdo
Edição: Ananda Brasileiro
Foto: Tatiana Semêdo

“Barco que, ainda bem, é guiado por uma louca” Márcio Meirelles


A tarde foi cheia de “Músicas, gritaria, peitos. Foi incrível, claro, a noite foi incrível. Mas eu tive que pedi para abaixar o som da balbúrdia” Gil Maciel (Comunicação TVV). Foi incrível “abraçar o caos”. Foi incrível, criar todos os dias coisas novas, cenas novas, vida nova. Foi incrível receber a ajuda e o amor de cada um desse lar. Joilson cuidando da montagem de palco, ajudando com o figurino no meio da apresentação. Yan nos auxiliando a produzir, se sentindo em casa com aquele gostinho de Universidade Livre que ele já teve um dia. Nalvinha, Dona Irá e Meire nos dando apoio. Miguel Campelo nos mostrando os caminhos que poderíamos trilhar para esse, por que não dizer? Espetáculo.

E aquela explosão! Parimos. “Tinha um pouco de cada um de vocês” ouvi.
Gratidão pela parceria Vick Nefertiti/Paquite Arlequine, cada encontro durante as oficinas foi um dia de criação nova para introduzir o número que estava por vir. Foi muito bom ouvir da nossa colega Anne que se sentia ansiosa a cada aparição nossa “o que será que eles vão fazer? ”, disse. Obrigada a todos os “Livres da Caixa”. É muito bom ter o respeito, a parceria, a confiança para ouvir de um de vocês palavras de incentivo, elogio e crítica construtiva.
TEATRO BAIANO NÃO É GINCANA
Então assim considero que o dia 08/08 ainda não acabou, vai se reverberar em nós infinitamente.
Axé e Paz
Tatiana Semêdo - Integrante da Universidade Live de Teatro Vila Velha


quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha - Fábula do nosso tempo - Por: Carolina Lyra


Foto: Benedito Cirilo

Texto escrito a partir do espetáculo “Espelho para cegos” montagem da Companhia Teatro dos Novos e encenação de Márcio Meirelles.

FÁBULA DO NOSSO TEMPO

Li em algum lugar que “Teatro Decomposto ou o Homem-lixo: monólogos...” podia ser considerado como uma fábula de nosso tempo. Imediatamente me veio imagem de estar com a minha sobrinha, lendo pra ela ao invés das fábulas de Esopo, as fábulas de Visniec. Como seria isso? “Clarinha, era uma vez uma moça que estava passando e uma velha jogou o lixo nos pés dela, ela achou a que a tal velha tinha enlouquecido, mas todo mundo começou a jogar lixo nela, até o dia que ela percebeu que era a mulher-lixo”. Que horror. Não quero contar isso pra minha sobrinha. Vamos fazer outra tentativa. “Clarinha, era uma vez um homem, que desenhou um círculo onde ele podia entrar e ficar muuuito confortável, lá dentro ninguém podia tocá-lo, incomodá-lo, etc etc”... Mas lá pelas tantas a própria Clarinha ia perceber que ele virou prisioneiro da própria solidão e que ficar dentro do círculo talvez não fosse uma ideia tão boa assim. Isso seria horrível também.
Aliás, quando eu falasse que iria ler pra ela umas fábulas do Visniec, a própria Clarinha, daria uma rápida pausa nos youtubers que ela assiste pra dar um google nesse nome. Descobria rapidamente que Matei Visniec nasceu em 1956, na Romênia, que hoje mora na França e que escreve em francês, que ele é considerado pelos críticos como o novo Ionesco (whatever it means, isso não valeria uma nova conferida na wikipedia), que suas peças foram  traduzidas para o português e ele virou o “xodó do teatro brasileiro”. Nessa altura do campeonato, Clarinha ia estar achando que a tia dela é meio doida e se perguntaria o que é que a Romênia tem a ver a com o Brasil, como quem se pergunta o que é o amor tem a ver com gratidão. (Sim, nessa idade da fábula, espero que eu já tenha mostrado algumas músicas pra ela, e que Tom Zé ainda esteja vivo e peralta pra gente curtir um show juntas!)
Clarinha não deveria estar tão interessada assim, e não viu que o Visniec nasceu numa cidadezinha romena chamada Radaiuti, com apenas vinte mil habitantes e com uma estrada de ferro que a corta de uma ponta à outra. Não viu que eu poderia contar a história da mulher lixo, ou do homem do círculo, ou da mulher perseguida por um cavalo, ou de um operador de máquinas que recolhem cadáveres, ou dos lavadores de cérebros.
E se a Clarinha me perguntasse se eu gostei? E do que eu mais gostei? Eu ia ter que contar a verdade pra ela. Dizer que fui no teatro e que enquanto eu ouvia as fábulas eu ficava pensando “como é que o cara sai de uma cidade pequeninha na Romênia e vem me atravessar aqui, tantos anos e léguas depois?” Lógico que ela ia querer saber mais sobre isso. Será que eu poderia dizer pra ela a mesma coisa que eu diria pra gente adulta?
Logo no comecinho da peça um homem é devorado por um cãozinho de várias bocas. Enquanto eu imaginava o sujeito em carne viva, me veio uma frase... se é para a alegria de todos e delírio geral dos deleuzetes, digo à todos que “o mais profundo é pele”. Não fui eu que disse isso. Foi o Deleuze. Ou melhor, foi o Paul Valéry. Quer dizer. Foi o Nietszche lá atrás. Foi, na verdade, assim, um foi retuitando o outro e essa mensagem na garrafa chegou até 2018.
Eu sou tão louca quanto a “louca tímida” e as suas borboletas carnívoras, lindas e coloridas. Eu sou tão louca quanto a “louca febril” e seus caracóis pestilentos e a nostalgia das borboletas por elas serem limpinhas. Eu sou tão louca quanto a “louca lúcida”, seu monstro-chuva e o lamento pelo silêncio do caracóis pestilentos. Eu também vivo correndo e não consigo parar como o corredor da cidade. O mais incrível é ver que não se trata de um “eu”, se trata de um “nós”.
Eu poderia desdenhar, Clarinha, rir de teatro político. Teatro político pra quê? Pra quem? Não me interessa se for uma arte feita só pra quem leu Visniec e Ionesco e Beckett, ou sei lá mais quem. Mas nesse dia, eu levei sua tia Bia ao teatro comigo pra ver a encenação dessas fábulas que estou lendo pra você. Sim, tia Bia. Tinha um tempo que a tia Bia não ia ao teatro. Eu fiz essa mesma pergunta que você me fez pra ela!
Sabe o que me encantou, Clarinha? Foi como essas fábulas reverberaram nela! Sabe qual a parte que ela mais gostou? A mulher-lixo! Ficamos pensando juntas em voz alta, Clá-clá. O que são bolinhas de papel, chicletes mastigados e cacos de vidro? Quantas e quantas vezes servimos de receptáculo para o lixo alheio? Sem reagir? Por que não reagimos se sabemos que aquilo está errado? Por que nós trancamos na nossa individualidade? Por que queremos consertar aquilo já morreu? Por que não insistimos na fuga? Por que cedemos ao cavalo que nos persegue?
Olha Dona Clara, agora já está muito tarde e já está na hora de dormir! Depois a gente lê mais juntas. Ah, quer dizer que você gostou das fábulas do Visniec? Se tem mais? Não sei Clarinha, vou ter que procurar. Moral da história? Como assim, Clarinha? Ah, tá. Toda fábula tem que ter uma moral da história, né? Lá vai:


Moral da história: bailemos a valsa visniciana do risco sem medo do perigo.

domingo, 11 de agosto de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha - A Comenda 2 de Julho - Por Julyana Costa



Foto: Bianca Araújo

Edição: Ananda Brasileiro


8 de agosto de 2019.

          A Comenda 2 de Julho – proposta pelos deputados estaduais Neusa Cadore e Marcelino Galo - é entregue ao diretor, cenógrafo, gestor cultural, figurinista (vide http://www.marciomeirelles.com.br/) Márcio Meirelles, numa sessão especial que provocou arrepios, admiração e lágrimas. Uma figura essencial dentro do âmbito cultural e artístico do estado da Bahia – e também fora dele.

          Márcio possui anos de carreira, experiência, descobertas e um olhar expansivo perante uma sociedade que necessita de uma linguagem acessível para a compreensão do que ocorre fora das bolhas de cada ser humano.

          O compilado dos seus feitos, assim como os depoimentos de figuras importantes – dentre eles o ator, diretor, dramaturgo e encenador Zé Celso Martinez, a presença do Bando de Teatro Olodum, do Teatro dos Novos e da Universidade Livre do Teatro Vila Velha – diretrizes do dia a dia e da história do homenageado, potencializou um evento que poderia ser dedicado a qualquer outra pessoa do ramo, mas não com a mesma energia e significado.

          Nada se compara ao que foi vivido naquela manhã.

sábado, 3 de agosto de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha – 3 & pronto “Pela Água” – O Processo PELA ÁGUA Por: Gabriel Brasileiro


FOTO: Tatiana Semêdo

O processo.

PELA ÁGUA.

um presente.

ter a oportunidade de por em prática aquilo que eu não tinha tanta experiência: poder experimentar.

explorar novas formas de estar em cena.

Descobertas.

Processo.

ampliAÇÃO.

Poder colorir o palco com a iluminação: crescimento.

ator e iluminador.

Agradeço.

O Teatro Vila Velha

A Universidade LIVRE

Fernanda Paquelet

Oportunidade!

Eis a liberdade para criar, opinar e sugerir coisas ao longo de todo o processo. Paquelet consegue filtrar, escutar.

Abrir a escuta:

os atores,

iluminação,

sonoplastia.

Fazer uma criação conjunta disso tudo, foi um dos grandes aprendizados.

Quero seguir descobrindo ao longo do projeto 3 & PRONTO e da minha trajetória na Universidade LIVRE.



Gabriel Brasileiro – Participante da Universidade Livre de Teatro Vila Velha.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha - K.Cena 2019 - Ensaio para a Democracia. Por: Tatiana Semêdo



Foto: Ananda Brasileiro

“Dar não dói o que dói é resistir” – Nasce o “Ensaio para a democracia”



Nervos à flor da pele: com um país à beira de um colapso, nada mais natural que os seres artísticos assim estejam.
Me senti conectada com esse espaço-processo, com essas pessoas, com essa energia,  mas vi momentos em que até mesmo dentro de um espaço tão livre, a democracia foi posta à prova.
Trabalho
Conexão
Consigo, com o outro
Entrega
Pesquisa
Estávamos bem acompanhados, Licko Turle e Miguel Campelo nos deram o aparato necessário para uma apresentação magnífica. Exercitamos o teatro de rua, com toda a referência trazida por Miguel de Amir Haddad.
Teve teatro carnavalizado e exercícios de coro e corifeu
Teve Daniella Dutra e Zé Maria:
Liberdade de nos expressarmos com assuntos de dentro e fora da nossa área artística
A importância da influencia externa no teatro
E o interno para o todo quando se trata do individual-coletivo
Todo esse processo culminou em apresentações calorosas como na manifestação pela educação do dia 15 de maio de 2019. Nas apresentações previstas para o fim do processo nos dias 01 e 02 de junho de 2019 e a apresentação do domingo 09 de junho, que mesmo com a chuva, o público não queria sair daquele “transe”.
Os comentários de que essa apresentação não poderia acabar se une a nossa vontade de seguir com o projeto.
Ânimo presente em nós
Queremos voltar com gás para esse próximo semestre de 2019.
Axé. Paz.

Tatiana Semêdo - Participante da Universidade Livre de Teatro Vila Velha

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha - Seremos sempre animais - Por: Gabriel Gomes


Seremos sempre animais

O mundo em que vivemos é cada vez mais artificial no tempo, no espaço, na ação… e na emoção. Cabe a nós, artistas, explorar aquilo que cada vez mais se deixa de lado ou até mesmo se ignora nestes dias tão tecnológicos. Toda esta artificialidade tenta constantemente deixar bem delineada a diferença entre nós e os animais. No entanto, nunca nos podemos esquecer que também nós o somos e que em situações limite os nossos instintos primitivos falarão mais alto. O raciocínio por vezes complica-nos e inibe-nos.

A arte deve ser simples e livre, no sentido de que “é o que é” e “o que é” é para
todos.

É precisamente nesta linha de pensamento que para mim se torna bastante interessante e fundamental a pesquisa, a prática do Ariel Ribeiro - a Zootomia. Partindo de um estudo, de uma observação do mundo animal o Ariel desenvolve ferramentas que, aliadas ao movimento de um corpo, permitem uma libertação física de qualquer intérprete. Isto permite ao intérprete a facilidade de se mover num determinado espaço sem que tenha que puxar pela parte racional da ação. Claro que devemos estar sempre conscientes daquilo que estamos a fazer, mas o que permite que essa movimentação seja o mais livre possível é o facto do Ariel nos apresentar ferramentas maleáveis, que casam com o corpo no qual irão habitar. Com isto, não teremos que pensar na interpretação que queremos dar ao movimento, pois a liberdade do mesmo acabará por expor as emoções que sentirmos no momento. É natural, é animal. É esse o ponto que pretendemos atingir, parece-me.

Com esta qualidade de movimento, repleto de ferramentas bastante úteis, conseguimos
perceber que o espaço que ocupamos e o corpo que utilizamos estão repletos de
energias. Energias essas que são naturalmente exploradas ao longo do movimento,
permitindo-nos ter sempre uma variedade de emoções, de ritmos, de intensidades. Isto é
a vida. Uma instabilidade variável entre estes três últimos elementos que referi. É também esta uma ferramenta que o Ariel utiliza para tornar o movimento mais artístico. Ter a consciência de um gráfico imaginário associado ao movimento, que deve ter as suas linhas completamente imprevisíveis e instáveis, tal como na vida. Desta forma permite ao intérprete que o movimento seja constantemente mutável, surpreendendo tanto o espectador como o próprio corpo que se movimenta. Nesta linha de trabalho e de pensamento conseguimos perceber o quão damos de nós na vida e em cena, o quão a sociedade nos modifica e nos molda, o quão reprimimos as nossas energias e capacidades emotivas fase ao nosso lado racional. Todos nós temos mais do que aquilo que mostramos, todos nós temos instintos e sensações primitivas que pretendemos libertar, pois nunca nos podemos esquecer que somos e seremos sempre animais.

Gabriel Gomes
Sobre Ariel Ribeiro 
Ariel é ator e dançarino brasileiro. Ex-participante da Universidade Livre Vila Velha, participante do Teatro dos Novos e colaborador da Universidade Livre, Ariel esta na Europa com o seu trabalho sobre Zootomia.

Sobre o autor
Gabriel Gomes é ator e dramaturgo português. Começou a carreira participando do Projeto K. Cena em Viseu.Um dos autores de "Temporal", montagem feita pelo K. Cena na Bahia. Com participação dos ex-participantes da livre e agora integrantes da Companhia de Teatro dos Novos Meniky Marla e Vick Nerfertiti e a Direção de Chica e Carelli.

         



quinta-feira, 18 de julho de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha - Alegria é resistência ou Quando a a rua vira palco - Por: Carolina Lira


Foto: Ananda Brasileiro

O dia era quinze de maio de dois mil e dezenove. Diversas manifestações aconteciam em muitas cidades do país. Eram estudantes, professores, artistas e tantas outras pessoas lutando contra os cortes na educação. Estávamos lá. Levamos nossos corpos, nossas vozes, alfaias, tamborins e caxixis.

Cantando “Proibido o carnaval”, composição de Daniela Mercury gravaria em parceria com Caetano Veloso, saímos desfilando alegria até a concentração no Campo Grande. Foi ali que a praça virou palco e tivemos nossa primeira experiência juntos com o teatro de rua. Enquanto cantávamos e dançávamos, as pessoas ao nosso redor interagiam com a gente, ora cantando e dançando junto, ora filmando e aplaudindo. A voz de Miguel ecoava na minha cabeça quando ele nos dizia na sala de ensaio: “façam pra fora!”
Estava tudo ali. Estava realmente acontecendo e funcionava! Uma senhora se colocou no centro quando foi pedido que alguém se voluntariasse para participar de uma das cenas. Era a cena do assassinato do estudante Edson Luís, que foi morto por policiais militares no restaurante estudantil “Calabouço” no centro do Rio de Janeiro. Tivemos que nos reorganizar rapidamente para fazer a cena com ela. É um precioso treinamento para uma atriz fazer teatro de rua.

Seguimos até a Praça Castro Alves. Levamos nossa alegria escancarada para desfilar na Avenida. Nos querem tristes e apáticos. Devolveremos com sorrisos largos e mãos dadas. Sambamos debaixo de sol e chuva. No caminho: Chica, Márcio e um encontro catártico com a Dani que trabalhou com a gente a parte teórica no processo de construção para nosso resultado final do Kcena, cujo título é “Ensaio para a democracia”.
Mais do que nunca agora sabemos: alegria é resistência. A arte resiste. A cultura resiste. A educação resiste e sabemos que iremos de mãos dadas, debaixo de chuva, debaixo do sol quente, sambando e cantando ao som dos tamborins.


quarta-feira, 12 de junho de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha – Contando 3 e pronto. – Por: Lucas Lima


Foto: Tatiana Semêdo

O projeto 3 & pronto tem uma dinâmica louca e interessante. Três semanas de ensaio e três semanas de apresentação parece algo punk, e é mesmo. Montar um espetáculo em tão pouco tempo parece MADNESS, mas foi muito gratificante de fazer. Storni-Quiroga mostra um pouco da história de amor entre Alfonsina Storni e Horácio Quiroga, dois escritores latino americanos que viveram uma paixão regada de poesia e haxixe. Trabalhar com Hebe Alves foi uma experiência maravilhosa, ela é uma pessoa incrível. Uma mulher agitada, esfuziante, genial, com uma visão artística e poética muito sincera e certeira. Desde que vi o espetáculo "Do Fino Véu ao Céu da Boca" no cabaré dos novos umas seis vezes, fiquei esperando para participar de algo com o toque de Hebe e essa oportunidade foi maravilhosa, sem dúvida maravilhosa. Sem falar que é sempre uma honra estar no mesmo palco que Chica Carelli, não é mesmo?? Foi uma honra em “Por Que Hécuba?” e está sendo outra honra em Storni-Quiroga. Em suma, foi um processo louco, agitado, divertido e novo. Para um espírito tão imediatista como o meu, esse projeto foi muito legal de se fazer. Infelizmente, a temporada já acabou, mas não é à toa que são só três semanas. E PRONTO.



Estou ansioso para presenciar as outras cinco montagens desse projeto que estão vindo por aí.

Lucas Lima, ator da Universidade Livre de Teatro Vila Velha

sábado, 25 de maio de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha - Meniky Marla uma divina comédia - Por: Tatiana Semêdo


Foto: Tatiana Semêdo

Meniky Marla, ou para os íntimos apenas Meny, 27 anos, a personificação da “menina, mulher da pele preta”. Filha dedicada e irmã carinhosa, de gênio forte. É considerada por mim a líder da atual turma da Universidade Livre de Teatro Vila Velha, não só por ser a veterana, mas por organicamente conquistar esse espaço com o seu espírito de liderança, seu foco e sua perseverança. Um grupo que tem uma mulher como ela em sua cabeça é realmente um grupo com muita sorte.
Com uma carreira recentemente iniciada em 2016, já tem em seu portfólio os espetáculos: "Por que Hécuba?" 2018 (Coriféia), "Hamlet + Hamlete Machine" 2018 (coro/enfermeira/coveiro), "Ó Pai Ó" 2018 (A Professora), "Porque Hécuba?" 2019 (Ernada) e "A Última Virgem" 2019 (Débora). Além disso é estagiária de audiovisual do Teatro Vila Velha e faz parte do território de gestão da Universidade Livre de Teatro Vila Velha.

Tatiana Semêdo

Por: Meniky Marla.
Meu processo em "A última virgem - uma divina comédia de Nelson Rodrigues" foi e está sendo uma delícia. Trabalhar com Celso Jr e todo esse elenco é simplesmente maravilhoso. É um mix de diversão, alegria, aprendizado, realização, enriquecimento profissional a cada dia, sem falar na admiração pelos meus colegas de elenco e por Celso (eles são incríveis, é de uma conexão e profissionalismo sem igual).
Bem, eu conheci Celso na oficina que ele deu para a Universidade Livre em 2018, por coincidência era de textos de Nelson Rodrigues. De cara já percebemos o quanto a Universidade Livre está diretamente conectada nesse processo e o quanto influenciou para que hoje eu estivesse fazendo parte do elenco de "A Última Virgem". Confesso que já havia um desejo em trabalhar com Celso Jr, a oficina abriu caminhos maravilhosos, sem dúvidas e a universidade livre tem esse "poder", é um nicho de oportunidades, aprendizado, desenvolvimento pessoal/profissional...um deleite para quem sabe aproveitar.
Agradeço ao Vila, Márcio, Chica e a Celso, por estarem me dando essa e outras oportunidades. E claro, agradeço também aos meus colegas da universidade livre pelo companheirismo diário e participativo, um xeru nos lindxs da comunicação, obrigada Tati por esse espaço.
Evoé!

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha - Um olhar poético sobre Hécuba - Por: Gisele Lopes


Um olhar poético sobre Hécuba

Por que Hécuba?
Por que o Vila?
Por que esse espetáculo?
Por que vocês?
Não sei!
Só sei que essa conexão se deu do nada e que agora faz parte de mim. E me lembrar daqueles dias nos camarins de Hécuba registrando o íntimo dessas pessoas me emociona profundamente e me transporta para aquele lugar bonito onde tanta gente se arrumava junto, se pintava junto, ensaiava junto, penteava o cabelo do outro, deleite para os meus olhos… E atenção: cinco minutos!
E todos já estavam prontos, preparados, em cena. Cada um no seu lugar. Pose para minha lente, poesia para os meus sentidos e voilá um milhão de energias acontecendo e sendo registradas num intervalo de duas horas.
É assim que “Por Que Hécuba” reverbera no meu coração!
É por tudo isso que não estou conseguindo esconder minha felicidade e nem dimensionar o tamanho do meu orgulho em ver essa galera subindo unida no palco do TCA para receber o Prêmio Braskem na categoria de Espetáculo Adulto.
E eu digo: Vocês são fodaaaaa!
E muito, muito, muito obrigada por me deixarem fazer parte de uma parte de tudo de lindo que vocês são.
O meu muito obrigada a Gil Maciel por me propor essa vivência. Obrigada também a Márcio Meireles e todo elenco por permitirem que eu fosse “invasora” por quatro dias nos camarins de Hécuba. E obrigada Meniky pela energia dedicada para fazer Ernada (ela sabe do que eu tô falando).
No mais,
Viva o Vila!
Viva ao teatro baiano!
Viva ao teatro dos novos, a livre, a arte, a cultura e a educação!
Vocês são pura poesia!
Evoé!

Sou Gisele Lopes, já dei 24 voltas ao sol e sou fotografa. A fotografia sempre esteve presente em minha vida, desde criança que tenho fascínio por capturar emoções e sentidos. Mas só em 2012 que comecei de fato a estudar, entender e fotografar de forma profissional. Já a poesia é tudo que sou, graças a meu pai Ademir que tem uma mania bonita de sempre me escrever e me presentear com palavras. E eu não consigo enxergar o mundo se não for por “enquadros”. É como Adriana Calcanhoto canta: “eu vejo tudo enquadrado”, a verdade é essa. Rsrs.
Já trabalhei com minha fotografia em diversos segmentos, mas senti um encontro na alma quando recebi esse convite de Gil Maciel para fotografar e tecer essa vivência em Hécuba.

Instagram: @poesiadeolhar


















sexta-feira, 10 de maio de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha - Sua Relação com o teatro - Por: Rebeca Lima


Foto: Gisele Lopes -  @poesiadeolhar - Camarim do espetáculo Por que Hécuba

Teatro é a minha e eu sou a dele. Há 17 anos nos conhecemos e é louco como eu sempre tenho a sensação que não sei nada sobre. Um infinito de mistério, até porque, fazê-lo é mostrar todas as máscaras de dentro de mim e algumas delas nunca quis admitir. A verdade é que fazê-lo é como aprender sobre Rebeca, não tem fim. Não adianta decorar, gravar, tentar manter a rotina, porque o acaso chega e te destrói, te desaba, te vira numa posição que nem você sabia que era humanamente possível. Gosto de falar que o Teatro me salvou e vem me salvando dia a dia. Ele me acolhe num desconforto tremendo, nunca foi fácil, nunca foi prazeroso, relaxante, nunca. Suor, feridas, frustrações, inquietações, pensamentos a mil, coração acelerado, tremores, insanidades a todo momento. É muito foda. "Pq você escolhe isso?" Não, não escolhi. Fui escolhida. Gosto também de falar que fazê-lo é viver várias vidas em uma só. Um nível de empatia e doação de abrir mão de si para libertar o outro. Dar voz ao outro, pela sua voz, seu corpo, sua mente, sua alma. Atuar não é ser outra pessoa, é encontrar um ponto em comum entre você e ela e tornar isso crível a um ponto que você desapareça. Teatro, maior loucura que já apareceu na vida de uma completa insana, que trabalho você me dá. O fácil nunca me atraiu.

Rebeca Lima, Atriz da Universidade Livre do Teatro Vila Velha.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Velha - Diário LIVRE da atriz - Por: Carolina Lira



Capítulo de hoje (25/04/2019): sustentar coisas delicadas

Quando eu era pequenininha queria ser grande.
Vivia repetindo sempre: “eu não sou quiança!”
Tinha vezes que ficava emburrada e de calundu.
Hoje me busco na minha infância.

Aprendi que transição é a vida inteira, mas volta e meia me pego correndo atrás da garotinha que fui para (re) aprender algumas lições. Apesar dos pesares, uma caminhada bonita vem sendo construída.
Hoje uma imagem no Instagram foi um disparador na hora de começar a escrever. Pra cego ver: é uma imagem em preto e branco em que há um braço estendido e uma mão em forma de concha segurando um potinho de vidro redondo com cinco flores dentro. A legenda era: "sustentar coisas delicadas". Comentei no perfil da autora, a fotógrafa Mariana David, que eu adorava essa foto e ela respondeu: “te dedico com carinho”.
Me veio um tsunami de sentimentos ao encarar essa foto e me fez pensar no quanto é difícil sustentar coisas delicadas.
Afetos.
Principalmente afetos.
Nesses últimos dias estamos convivendo com o mantra:
corpo disponível,
afetos abertos.
Como é difícil sustentar afetos recém-paridos que a gente ainda nem sabe que nome dar, só sabe, e isso sabe-se muito bem, que são como bebês que acabaram de nascer e precisam de cuidados.
Como juntar delicadeza, afetos e política sem coletividade?
Qual a arte mais coletiva que o teatro?
Em um mês de experimentos com o Teatro do Oprimido e o Teatro carnavalizado já foram inúmeras lições de vida.
O teatro me ensina a cada dia sustentar afetos, escolhas e delicadezas. Em um cenário político desalentador como o que estamos vivendo, sendo artistas no nosso convívio, escolher o teatro é uma escolha política e trabalhar em coletividade também se trata de sustentar delicadezas.
Volto para a menina que fui
e encho o peito de coragem,
seguro na mão dos que estão ao meu lado
na ciranda da vida
em meio ao Circo Etéreo que fizemos juntos e lembro:
“Dar não dói,
o que dói é resistir.”

Tati: um corpo que antes de mim, já contemplava esta memória, diz:
“todo amor que houver nessa vida”
leia ouvindo essa outra potência citada no texto
coincidência.
ela estava ouvindo enquanto lia.

 Carolina Lira, Atriz da Universidade Livre do Teatro Vila Velha.

Aqui, para o instagram da Mariana: https://bit.ly/2J4s7MB
E aqui, para a música de Cazuza: https://bit.ly/2VAo6X0 



          



quinta-feira, 2 de maio de 2019

Universidade Livre de Teatro Vila Vela - Projeto KCena - Por: Rebeca Lima



Foto: Nó de Nós -  Tatiana Semêdo 
Projeto KCena 2019
Teatro do oprimido - Licko Turle/ Teatro Carnavalizado - Miguel Campelo

Teatro do Oprimido, poucos dias, muitas reflexões.
Nunca consegui entender o certo e o errado. Lembro que quando criança, ao ouvir "isto é o certo", ou "isto está errado", ficava pensando se era assim em todos os países, famílias e escolas, se as coisas também funcionavam sob as mesmas regras. Hoje ouvi que ao nascermos, somos livres. Entramos em diversas catarses aleatórias e está tudo bem até alguém lhe falar o contrário.
"Pare, isso está errado".
Pare,
engula o choro,
fale baixo,
não fale,
pirou?


Você merece uma surra,
cale a boca,
pare,
pare,
pare,
pare,
pare.


Ao que se refere exatamente quando falamos "certo" ou "errado"? Para quem se fala? Você ouviu de alguém e reproduziu como uma música que se repete várias vezes quando assim ordenamos, ou viveu sua experiência para saber? Posso viver a minha também? Estou em busca de uma resposta tipo essa, mas diferente da sua.


O Vila me ensina a ser uma artista.


Transcende a atuação, vai na edição, sonoplastia, comunicação, gestão da bilheteria, iluminação e toda a arquitetura de uma cena.


Ontem operamos a iluminação da nossa mostra e só tenho a agradecer por ter tido a oportunidade de desenvolver a sensibilidade dos efeitos que as luzes causam em uma peça. Conexão com meu grupo, que ali se apresentava, foi um dos segredos para as partes virarem um todo.
Rebeca Lima, Atriz da Universidade Livre do Teatro Vila Velha.






quinta-feira, 11 de abril de 2019

CULINÁRIA MUSICAL completa 2 anos

Culinária Musical completa 2 anos na Casa do Benin

Cubana Ivonne González, Quinteto, Denise Correa, Sinho Bernardo e Mário Ulhoa são as atrações.

O Culinária Musical – evento criado com o propósito de reunião amigos com boa música e outras expressões artísticas, além de pratos que agradam o paladar e coração com o repertório da culinária afetiva do afrochef Jorge Whashington – completa dois anos de existência. A tarde contará com shows do grupo Quinteto e participações de Sinho Bernardo, Denise Correia e da cantora cubana Ivonne González acompanhada pelo violonista Mário Ulloa. A edição de aniversário acontece no dia 14 de abril, na Casa do Benin, no Carmo, das 12h às 17h30. A entrada custa R$20 (em espécie) e o prato R$30 (em espécie, no débito e credito).
E tem atração internacional para marcar a data dessa iniciativa colaborativa de lazer e fomento da cultura baiana. A cantora cubana Ivonne González tem voz marcante e será acompanhada pelo violonista Mário Ulhoa. Ivonne começou a carreira em 1990, e é referência em ritmos tradicionais cubanos como son, guaracha, cha cha cha, rumba e música afro-cubana, além de espetáculos sobre orixás e deu na Suíça, França, Itália, Eslovênia, Sérvia, Espanha, Uruguai e Argentina.
O evento em clima de confraternização entre amigos conta ainda com participação do artista do Recôncavo baiano Sinho Bernardo que tem conquistado o público em vários eventos na capital baiana e no interior, com foco no samba, partido alto, axé e o samba de roda, além de composições próprias com ‘Hoje eu tô pra onda’. Quem também faz parte da grade do aniversário do Culinária é a cantora Denise Correia e a Banda na Veia Da Nêga com sua black music de Denise Correia traz repertório dançante, canções autorais conhecidas pelo público em shows pela cidade, além do melhor da black music, samba rock, mpb, passando pelo pop até o rock, além dos grandes nomes da MPB. 
O show principal é do grupo Quinteto que nasceu com o Culinária Musical, em 2017, e tem o repertório é baseado no partido alto com canções de grupos como Fundo de Quintal, Exaltasamba, Zeca Pagodinho, Só Preto sem Preconceito, Xande de Pilares, Nelson Rufino entre outros. O Quinteto é formado por: Flavinho Sacramento (cavaquinho e voz), Ricardo Negrão (surdo e voz), Neném Madeira (tantan e voz), Chimby (reco-reco e voz) e Quinto (violão e voz).
Nesta edição, das mãos habilidosas e cheias de afeto do afrochef Jorge Whashington estão garantidos a anduzada e a maxixada com carne seca. Tudo aprendido desde a infância quando recebia as notas para ir à feira comprar os ingredientes para a mãe, Georgina Rodrigues da Silva, 80.
Histórico
Da união de um ambiente agradável com boa música, ótimo papo com amigos e comida que remete aos almoços em família – daqueles que ficam eternizados na memória afetiva –, surge o projeto Culinária Musical. “Comecei de forma despretensiosa para receber os amigos em uma boa conversa e exercitar uma coisa que amo que é cozinhar e fazer isso com festa, com alegria. Ver isso um ano depois, com essa proporção, acolhida do público e dos artistas, essa energia de misturar linguagens. Além de fazer essa coisa colaborativa que é tão importante para a cultura. Toda vez que termina o culinária termina eu saio feliz. É o tipo de festa que eu iria me divertir. É uma satisfação cozinhar e ter o retorno das pessoas que se sentem abraçadas quando comem algo que lembra um momento da infância ou alguém que foi importante na vida. A comida tem essa força”.
Ao longo da sua existência, a interação é imediata, e essa troca de energia já foi experimentada, entre outros, por Lazzo Matumbi, Alexandre Leão, Jackson Costa, Roberto Mendes, Magary Lord, Carlos Barros, Fábio Santana, Célia França, Denise Correia, Dão, Firmino de Itapuã, Gerônimo, Mário Ulloa, Jack Elesbão, Lívia Natália, Nelson Maca. A iniciativa também já foi palco para intervenções poéticas, desfile de moda, lançamento de livro e performances de dança. 
O projeto foi ganhando corpo e se consolida como um evento que movimenta a cena artística na capital, como o sarau poético-musical Vozes Negras – que une poesia, música, discurso racial que relata o universo feminino –; a festa Yemanjá é Black, que acontece a cada 2 de fevereiro; e o Dance o Baile do Seu Corpo, que reedita os bailes black da década de 80, com a fusão entre o clássico e o moderno. Todos criados pelo ator do Bando de Teatro Olodum.




SERVIÇO

O que: Aniversário de 2 anos do Culinária Musical 
Quando: 14 de abril de 2019, das 12h às 17h30
Onde: Casa do Benin, Rua Padre Agostinho Gomes,17, Pelourinho
Quanto: R$20 (entrada em espécie) prato R$ 30 (o local aceita cartão de débito e crédito)
Atrações: Grupo Quinteto e participações de Sinho Bernardo, Denise Correia e da cantora cubana Ivonne González acompanhada pelo violonista Mário Ulloa.
Cardápio: Anduzada e maxixada com carne seca

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

O Julgamento de CARLOS MARIGHELLA

Teatro Vila Velha recebe o “julgamento” do ex-deputado federal, guerrilheiro, militante comunista, político e escritor Carlos Marighella





O júri simulado da Defensoria Pública da Bahia realiza sua 6ª edição no histórico espaço, construído em 1964 e reconhecido como local de reflexão e resistência à Ditadura Militar.


A 6ª edição do projeto Júri Simulado – Releitura do Direito na História, realizado pela Defensoria Pública do Estado da Bahia – DPE/BA, acontece nesta quarta, 13/02, às 9h, na sala principal do Teatro Vila Velha, mesmo local em que Marighella foi anistiado pela caravana do Ministério da Justiça, em 2011, quando completaria 100 anos. O alinhamento dessa edição ocorreu em reunião do encenador e diretor artístico do Vila, Márcio Meirelles, com o subdefensor geral da Bahia, Rafson Ximenes. O ator Fábio de Santana – integrante do Bando de Teatro Olodum – fará o papel do réu. Nos demais papéis, os defensores Raul Palmeira (Defesa), Henrique Bandeira (Acusação) e André Cerqueira (Juiz). O júri será formado pela plateia. Ao final do julgamento, o público conhecerá mais sobre essa personagem histórica, na palestra do jornalista Mário Magalhães, autor do livro “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”.


Marighella foi um dos principais organizadores da resistência contra o regime militar e considerado o inimigo número um da Ditadura. Foi militante do Partido Comunista por 33 anos e depois fundou o movimento armado Ação Libertadora Nacional (ALN). No governo Vargas, foi preso e torturado. Após sair da prisão entrou para a clandestinidade, sendo recapturado em 1939. Novamente foi torturado e ficou na prisão em 1945. No ano seguinte foi eleito deputado federal pela Bahia. Em 1968, com a instauração do Ato Institucional nº5 (AI-5), poderia ter escolhido o caminho de muitos dos seus companheiros, o exílio, mas decidiu resistir. Um ano depois, foi assassinado na cidade de São Paulo, após uma emboscada armada pelos agentes repressores do Estado.


O subdefensor-geral Rafson Ximenes assina a autoria do projeto Júri Simulado – Releitura do Direito na História com a coordenadora da defensora Especializada em Proteção aos Direitos Humanos da DPE/BA, Eva Rodrigues, e o defensor público Raul Palmeira, que atuou durante muito tempo no Júri.


O Teatro Vila Velha nasceu junto com a Ditadura Militar, em 1964, e recebeu os tropicalistas Caetano, Gal, Gil e Tom Zé, antes mesmo deles revolucionarem a Música Popular Brasileira. Foi o local onde o ator Othon Bastos despontou com “Eles Não Usam Black Tie” e onde Lazaro Ramos fez a sua estreia.