quinta-feira, 30 de março de 2017

Clássico da dramaturgia espanhola, "Luzes da Boemia" estreia em Salvador com direção do equatoriano Santiago Roldós

A peça, escrita por Ramón del Valle-Inclán, inaugura o projeto "Teatro Épico na Bahia" e é fruto de residência artística de Santiago Roldós com a universidade LIVRE do teatro vila velha

Cena da peça "Luzes da Boemia". Foto: Michelle Vivas

Entre 6 e 16 de abril, o público soteropolitano terá a chance de conhecer, no palco, um dos textos mais emblemáticos da dramaturgia em língua espanhola. "Luzes da Boemia", do controverso escritor galego Ramón del Valle-Inclán (1866-1936), ganha versão encenada pelo diretor Santiago Roldós (Equador) a partir de residência artística com a universidade LIVRE do teatro vila velha. O espetáculo inaugura o projeto "Teatro Épico na Bahia", realizado pelo Teatro Vila Velha, e permanece em cartaz de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, 19h, em curta temporada.

A obra narra as últimas horas de vida de Max Estrella, poeta cego e decadente, em uma peregrinação pelas ruas de uma Madri obscura e marginalizada, sempre  acompanhado pelo personagem Dom Latino de Hispális, o que faz lembrar o clássico "Dom Quixote". Escrita em 1920, publicada em capítulos, na revista "España", talvez tenha na acidez da sua crítica à sociedade espanhola o motivo pelo qual foi encenada pela primeira vez apenas em 1963, em Paris, e na Espanha ainda mais tarde, na década de 1970, quando Valle-Inclán já não era vivo.

"Ramón del Valle-Inclán é o autor espanhol mais latinoamericano, mais que Frederico García Lorca, por exemplo. Ele viveu muito tempo no México, viveu em Cuba, e lhe interessava muito a literatura e a realidade latinoamericanas. Essa obra fala da decadência de uma nação, fala da Espanha como potência e do lugar da cultura nessa decadência, da relação da arte com o poder", conta o diretor Santiago Roldós.

No Brasil, "Luzes da Boemia" foi montada poucas vezes. Há registro das versões do diretor William Pereira, em 1996, em São Paulo, e de Aderbal Freire Filho, em 2000, no Rio de Janeiro. Na atual versão criada entre Bahia e Equador, o elenco é composto de atores e atrizes já formados pela universidade LIVRE do teatro vila velha, bem como atuais integrantes do programa de formação. O primeiro encontro entre o grupo e Santiago Roldós aconteceu há exatamente um ano, em março de 2016, no Teatro Vila Velha, quando a proposta era criar uma dramaturgia própria a partir de exercícios de leitura, escrita e improvisação. Já de volta ao Equador, o encenador mudou de ideia e propôs ao grupo o texto de Valle-Inclán.

"Me pareceu que, neste texto, pelo qual estou apaixonado há muitos anos, havia coincidências nada óbvias, mas profundas, com a estrutura dramatúrgica que buscávamos construir com a universidade LIVRE. Estava aí a pergunta sobre o valor do artista e sua atividade poética em tensão permanente com a decadência e a corrupção generalizada de uma nação dividida e assolada pela iniquidade. Qualquer semelhança com a nossa realidade não é mera casualidade. É um esperpento", afirma Santiago Roldós.

Cena da peça "Luzes da Boemia". Foto: Michelle Vivas

Esperpento

É em "Luzes da Boemia" que Ramon del Valle-Inclán inaugura o "Esperpento", teoria e gênero literário. Na peça, o protagonista Max Estrella afirma: "Os heróis clássicos refletidos nos espelhos côncavos dão o Esperpento. O sentido trágico da vida espanhola só pode dar-se com uma estética sistematicamente deformada". O Esperpento nada mais é que a escolha de deformar a realidade para que se consiga refletir, mais fielmente, a própria realidade.

O "Esperpento" de Valle-Inclán encontra semelhanças com "Los caprichos", série de 80 gravuras do pintor espanhol Francisco de Goya que utilizava o grotesco para satirizar a sociedade espanhola, sobretudo o clero e a nobreza, pouco mais de cem anos antes, no final do século 18. As gravuras de Goya serviram não apenas de inspiração para a encenação de Santiago Roldós, mas para ilustrar a identidade visual do espetáculo que estreia no Teatro Vila Velha.

Teatro Épico na Bahia

"Luzes da Boemia" inaugura o projeto "Teatro Épico na Bahia", realizado pelo Teatro Vila Velha com o apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia através do Fundo de Cultura - Secretarias da Fazenda e da Cultura. Segundo o superintendente de Promoção Cultural da SecultBA, Alexandre Simões, os Editais Setoriais têm o papel de apoiar artistas e iniciativas culturais que venham a agregar valor à cultura baiana. No caso do “Teatro Épico”, dá a oportunidade de o público acessar uma montagem com parceria internacional. “O projeto garante uma vivência com outras experiências, tanto para público quanto atores. Além disso, garante projeção e renovação do nosso teatro, permitindo que essa dinâmica que envolve dezenas de agentes culturais tenha continuidade”. O TVV também é apoiado pelo Programa de Ações Continuadas de Instituições Culturais, com recursos do Fundo de Cultura da Bahia.

Concebido pelo encenador Marcio Meirelles, o projeto busca colocar em discussão e trazer à cena montagens que têm como base esta forma de fazer teatro conceituada pelo dramaturgo e diretor alemão Bertolt Brecht (1898-1956), mas presente em diversas dramaturgias, anteriores e posteriores ao seu legado. "O Teatro Épico é uma atitude crítica diante da vida, formada por uma série de elementos que criam uma dimensão reflexiva da narrativa. É como o teatro, enquanto linguagem, reflete a sociedade, os movimentos sociais, políticos, de modo que o público participe ativamente dessa crítica, dessa reflexão. Ao teatro épico, não interessa que o público seja apenas embalado por uma história emocionante, mas que, ao se emocionar, ele tenha a consciência crítica do que está em sua frente, perceba que aquilo pode ser mudado e que o agente da mudança é ele mesmo", explica Meirelles.

Para o encenador, o projeto, que tem ainda uma montagem inédita prevista para o segundo semestre de 2017, dialoga com o atual momento do Brasil. "Estamos numa batalha de narrativas. A gente vai sendo envolvido por narrativas hegemônicas, produzidas pelas redes de comunicação aliadas aos outros sistemas de poder - financeiro, político, judiciário - que tentam inclusive apagar outras narrativas, distorcer fatos. E o Teatro Épico, de certa forma, desmonta o processo da narrativa, expõe como elas são construídas", conclui.

Sobre Santiago Roldós

Guayaquil, 1970. Ator, diretor, dramaturgo e professor equatoriano, cofundador junto a Pilar Aranda do grupo Muégano Teatro, do Laboratório de Teatro Independiente e do curso de Teatro do ITAE. Seus textos “Palabras contra el silencio” e “Karaoke Orquesta Vacía” foram incluídos em antologias de teatro equatoriano contemporâneo da Universidad Científica del Perú e da Casa de América de Cuba, respectivamente. Sua direção de “La edad de la ciruela” de Arístides Vargas recebeu os prêmios Melhor Espectáculo e Especial do Público da VI Muestra Teatro de Barcelona (2001), e seu trabalho na imprensa rendeu dois Prêmios de Jornalismo do Diario El Comercio de Quito: o livro “Lecturas para zombis suicidas”, uma seleção de suas colunas de opinião na Revista Vistazo, a de maior circulação em Equador. Tem desenvolvido oficinas e seminários em várias cidades da América Latina, dirigiu o grupo UmaMinga, de Buenos Aires, para o qual escreveu “De la vulnerabilidad de algunas de nuestras pequeñas grandes empresas”, e foi jurado de Iberescena, do Ministerio de Cultura e de vários festivais de cinema no Equador. Atualmente é professor da Universidad de las Artes del Ecuador e prepara a edição de sua obra teatral completa junto à Fakir Ediciones.

Sobre Muégano Teatro

Muégano Teatro foi fundado em Madrid em 2000, durante o exílio de artistas procedentes da primeira geração órfã do neoliberalismo, do qual fugiam sem muita consciência. Seus estudos sobre Brecht os levaram de volta à América Latina, concretamente à conservadora cidade natal de um de sus diretores, Guayaquil, território significante para reinventar-se e afirmar o teatro como dissidência, em tensão com a realidade, a história e a memória. Aí Pilar Aranda e Santiago Roldós fundaram o Laboratorio de Teatro Independiente e o curso de teatro do ITAE (Instituto Superior de Artes del Ecuador), onde o grupo teve sua sede por muitos anos, até inaugurar o Espacio Muégano Teatro em 2014. Ganhador da VI Muestra de Teatro de Barcelona em 2001 por sua versão de “La edad de la ciruela”, de Arístides Vargas, Muégano tem desenvolvido uma dramaturgia própria (Karaoke Orquesta Vacía, Juguete cerca de la violencia, El viejo truco del círculo de tiza, Pequeño ensayo sobre la soledad, entre outras), e é convidada frequentemente a festivais e cidades da Iberoamérica: Cádiz, Bogotá, Manizales, Recife, Bayona, Sao Paulo, Ciudad de México, Caracas, Buenos Aires, etc., participando em seminários e desenvolvendo oficinas e residências.

Ficha Técnica "Luzes da Boemia"
Texto: Ramon del Valle-Inclán
Tradução: Aderbal Freire Filho
Encenação: Santiago Roldós
Assistência de direção: Clara Romariz
Iluminação: Santiago Roldós e Marcio Meirelles  com a colaboração de Marcos Dede e Zeuz Luz
Música: Bruno Torres
Cenário: Erick Saboya
Maquiagem e figurino: Marcio Meirelles
Elenco:
Apoena Serrat, Bruno Torres, Clara Romariz, Gilberto Reys, Igor Nascimento,  Lavínia Alves, Marcia Ribeiro, Mari Gavim, Rodrigo Lelis, Thauan Vivas, Victor Fernandes, Vinicius Bustani
Serviço


"Luzes da Boemia"
6 a 16 de abril de 2017
quinta a sábado: 20h
domingo: 19h
Teatro Vila Velha
Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

quarta-feira, 29 de março de 2017

As Filhas de Oiá realiza apresentação no Teatro Vila Velha

A Família Griô Mamulengo da Chapada e Grãos de Luz e Griô trazem para Salvador o espetáculo As Filha de Oiá. As apresentações acontecerão nos dias 31 de março (sexta-feira), às 15 horas, na Praça Dois de Julho, Campo Grande, e no dia 01 de abril (sábado), às 20 horas, no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha.

Adaptado da obra literária As Filhas de Oiá, da escritora Lillian Pacheco, o espetáculo de mamulengo conta a história de meninas e mulheres negras, filhas de Oiá, que enfrentam o racismo por gerações em busca de sua identidade e ancestralidade. A traz um elenco de jovens, formados das oficinas de teatro e música do Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô, além das participações especiais da cantora Juliana Ribeiro e da atriz Luciana Souza.

Durante todo este semestre a peça circulará em 12 espaços culturais, escolas e universidades públicas de 11 municípios da Chapada Diamantina e em Salvador. Livre para todas as idades, o objetivo do espetáculo é formar público para a apreciação da cultura do boneco de mamulengo, fortalecer a cultura negra feminista, valorizar suas histórias de vida e mitos afro-brasileiros. O espetáculo As filhas de Oiá foi aprovados pelo edital setorial de teatro 2016 com o apoio do Fundo de Cultura da Fundação Cultural e Secretaria de Cultura da Bahia.

Sobre o Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô – Localizado na cidade de Lençóis, Chapada Diamantina, o Ponto de Cultura Grãos de Luz Griô, trabalha há mais de 20 anos em comunidades locais e do Brasil, com educação, tradição oral e desenvolvimento sustentável. Em Lençóis congrega mais de 600 crianças e jovens, 40 educadores de 6 escolas e 250 participantes e mestres griôs de diversas manifestações culturais. A partir de sua experiência com o diálogo entre o conhecimento formal e os saberes e fazeres da tradição oral sistematizou a Pedagogia Griô, que inclui em sua prática de sala de aula a contação de historias integradas a mitos da identidade e ancestralidade do povo brasileiro.








Ficha Técnica
Direção e Roteiro: Luciana Meireles e Líllian Pacheco
Elenco: Rose Lane Santos, Ricardo Boa Sorte e Márcio Caires
Música: Márcio Caires e Charlaine Nascimento
Percussão e Audio: Geisa Lopes, Darlan Santos e Tainã Pacheco
Produção audiovisual: Ciro Pacheco e Uilami Dejan
Cenografia e Figurino: Alvaro Henriquez e Luciana Meireles
Participação especial: Juliana Ribeiro e Luciana Souza
Produção Cultural: Líllian Pacheco, Márcio Caires e Ricardo Boa Sorte
Iluminação: Marcelo Mafuz
Fotografia: Ciro Pacheco

terça-feira, 21 de março de 2017

Painel debaterá racismo e intolerância religiosa na mídia


O Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, no próximo dia 21 de março (terça-feira), será marcado pela realização do painel “Nas lentes da exclusão: Racismo e intolerância religiosa na mídia”, às 16 horas, no Teatro Vila Velha, em Salvador. O objetivo é discutir a presença negra na televisão, cinema, artes cênicas, mídia imprensa, digital e meios de comunicação em geral. A agenda integra as ações da Década Internacional Afrodescendente na Bahia e o calendário alusivo aos 10 anos de criação da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi).

A atividade contará com a presença de comunicadores da mídia negra, cineastas, militantes do movimento negro e de defesa da diversidade religiosa. Para a mesa de debate estão confirmadas as presenças da secretária da Sepromi, Fabya Reis; dos jornalistas Yuri Silva, do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN) e profissional de mídia impressa; André Santana, do Instituto Mídia Étnica e Portal Correio Nagô; Jamile Menezes, idealizadora do Portal Sotero Preta; Cleidiana Ramos, representando o projeto Flor de Dendê; além de Flávio Gonçalves, diretor geral do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB). Durante o evento também serão discutidos caminhos para o combate aos crimes de racismo, ódio religioso e outras violações de direito no campo racial. O acesso é gratuito, com credenciamento no local e emissão de certificados aos participantes.

Sobre a data - O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em referência ao Massacre de Sharpeville. O fato ocorreu em 21 de março de 1960, em Joanesburgo, na África do Sul, quando 20 mil pessoas faziam um protesto contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão que continha os locais e limitações para sua circulação, uma medida notadamente discriminatória. Porém, mesmo tratando-se de uma manifestação pacífica, a polícia do regime de apartheid abriu fogo sobre a multidão desarmada resultando em 69 mortos e 186 feridos. A data também marca a inclusão de Zumbi dos Palmares na galeria dos Heróis Nacionais, em 1997.

Serviço:
O quê: Painel “Nas lentes da exclusão: Racismo e intolerância religiosa na mídia”.
Quando: 21 de março de 2017 (terça-feira), às 16hs.
Onde: Teatro Vila Velha (Passeio Público/Campo Grande) - Salvador/BA.

Diretora e atriz Isa Trigo ministra oficina Pensamentos da Cena no Vila

A Diretora, professora e atriz,  Isa Trigo irá ministrar o primeiro módulo da Oficina Investigativa "Pensamentos da Cena"  que acontece às quartas-feiras de 29 de março a 10 de maio,  das 19h às 22h. A oficina prevê uma investigação sobre gêneros, períodos, movimentos, autores, técnicas, teorias e atuação nas artes cênicas ao longo dos tempos. O primeiro módulo denominado "A Máscara tá no Corpo".


Isa Trigo
Diretora, professora e atriz, mestra e doutora em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (1998) PPGAC/UFBA, sua experiência gira em torno pensamento e da prática do treinamento e criação de máscaras teatrais e manifestações populares com máscaras. Suas pesquisas também tratam dos universos sonoros relacionados a essas manifestações e às máscaras. Com experiências de criação plástica e de treinamento de atores em máscaras faciais e meia-máscara, nos últimos dez anos vem se dedicando à cênica popular que utiliza máscaras, realizando oficinas, trabalhos e espetáculos, tanto na área do teatro formal (Vilavox, Grupo Estado Dramático, Prá Nós a Máscara e Grial de Dança), quanto na cênica dos mestres populares (Cavalos Marinhos em Recife, Nazaré da Mata e Aliança).

O módulo vai abordar a máscara, o teatro e a rua; o que são, como se entrelaçam; processos, regras e especificidades no ator e no brincante. O corpo como máscara e a voz como corpo estendido da Cultura. Estratégias de compreensão, utilização e ação com máscaras, a relação com a multisenssorialidade popular, a questão dos estados psicofísicos; exercícios propiciadores. A Etnocenologia (Armindo Bião, Jean Marie Pradier), a voz (Paul Zunthor, Sara Lopes) e sua relação com as manifestações populares e teatrais nossas, o invisível da cultura e sua relação com nossas múltiplas cenas.

Inscreva-se até 27/03 em: https://www.sympla.com.br/oficinas-investigativas--pensamentos-da-cena__116257
Ou pessoalmente no Teatro Vila Velha de terça à sexta das 15 às 18h.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Oficina Investigativa de Dramaturgia será ministrada pelo diretor Celso Jr.


O primeiro módulo da Oficina Investigativa de Dramaturgia (27 de março a 15 de maio) denominado "Caminhos do século XXI" será ministrado pelo ator e diretor Celso Jr. às segundas-feiras, das 19h às 22h. Celso Jr. é Ator e diretor com mais de 70 espetáculos teatrais realizados, é professor do Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Sergipe. Doutor em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA (2013). Bacharel em Artes Cênicas (Direção Teatral) pela Escola de Teatro da UFBA, (1994). Mestre em Letras, (Teorias e crítica da literatura e da Cultura) UFBA, (2005).
A proposta deste primeiro módulo da Oficina Investigativa de Dramaturgia, é criar um ambiente criativo teórico/prático, onde se possa conhecer e experimentar na prática (através de exercícios de corpo/voz/interpretação) os textos fundamentais escritos para o palco, desde a metade do século 20, até os dias atuais. Estudo de peças teatrais modernas e contemporâneas, usando categorias clássicas de análise: intriga, personagens e linguagem. Tomando como base algumas das peças mais representativas do século 20 e início do 21, os alunos/atores poderão experimentar a criação de cenas e fragmentos em solos, duplas e grupos, a partir de textos escritos por Eugène Ionesco, Samuel Beckett, Heiner Müller, Caryl Churchill, Sarah Kane, Mark Ravenhill, entre outros, buscando entender de que modo o teatro contemporâneo vem representando o mundo atual.

Saiba mais e inscreva-se online em: https://www.sympla.com.br/oficinas-investigativas--dramaturgia__116242
Ou pessoalmente no Teatro Vila Velha de terça à sexta das 15 às 18h.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Bando de Teatro Olodum volta aos palcos com “Erê”, espetáculo que marca os 25 anos do grupo


“Dizem que quando um velho morre, uma biblioteca se perde. E quando um jovem é morto, precocemente, quem se importa com esse caderno ainda sem escrita?”, essa é uma das questões levantadas de forma contundente pelo espetáculo Erê, que encerrou o ano das comemorações pelos 25 anos de criação do Bando de Teatro Olodum. A peça tem concepção geral de Lázaro Ramos, direção de Fernanda Júlia e Zebrinha e dramaturgia de Daniel Arcades (Exú, a Boca do Universo e Revelo). Com 20 atores em cena, reunindo os veteranos atores da companhia a novos artistas que foram integrados ao grupo, Erê conta ainda com direção musical de Jarbas Bittencourt e coreografia de Zebrinha.
A montagem é inspirada no espetáculo Erê pra toda a vida/Xirê, criado pelo próprio Bando de Teatro Olodum, sob direção de Márcio Meirelles, para participação no Festival Carlton Dance, em 1996, com apresentações no Rio de Janeiro e São Paulo, e uma turnê por Londres, sem nunca ter sido apresentada em Salvador.
Chacinas - A nova montagem é mais política e questionadora, e traz à tona as diversas chacinas que tiveram como alvos jovens e crianças negras, como a da Candelária (RJ), Cabula (SSA), Vigário Geral (RJ), Favela Naval (Diadema-SP) e Acari (RJ) tragédias que se abateram sobre a população negra do Brasil, muitas delas impunemente. Foi o caso da favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão-RJ, quando 13 pessoas foram mortas em uma única ação policial, em 1994, e outras 13, seis meses depois, e até hoje, nenhum culpado foi punido. Injustiças que já levaram o Brasil a ser denunciado em órgãos internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU).
“Os anos se passaram e essas chacinas continuam e o teatro negro segue fazendo a denúncia. Só que neste espetáculo estamos mais exigentes, estamos apontando possibilidades, colocando o poder público no lugar que deveria estar e dizendo que não dá mais para continuar matando negro neste país. São meninos morrendo erês, sem se tornarem mais velhos”, destaca Fernanda Júlia, que somará sua experiência à frente do Núcleo de NATA (Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro de Alagoinhas), fundado em 1998, ao talento do elenco e diretores do Bando de Teatro Olodum, criado oito anos antes do grupo de Alagoinhas.
“O Bando influenciou o NATA e agora o NATA retoma para dialogar com o Bando com tudo que recebeu de influência”, ressalta Daniel Arcades, outro integrante do NATA incorporado ao processo de montagem de Erê. É ele que está tendo a responsabilidade de transformar em cenas os discursos problematizados pelo Bando. “Lázaro Ramos tem sido o provocador, que dá o caminho político e eu estou construindo as situações, as cenas, experimentando as palavras na boca dos atores. A parceria tem sido fantástica”, elogia.


Concepção Cênica: Lázaro Ramos

Texto: Daniel Arcades

Direção: Fernanda Júlia / Zebrinha

Assistente de direção: Antônio Marcelo
Direção Musical: Jarbas Bittencourt
Arranjos: Jarbas Bittencourt / Cell Dantas / Daniel Vieira ( Nine) / Maurício Lourenço
Coreografia: Zebrinha
Assistente de Coreografia: Arismar Adoté Junior.
Figurino: Thiago Romero
Cenário: Zebrinha
Iluminação: Rivaldo Rio \ Marco Dedê
Fotografia: Andrea Magnoni
Produção: Bando Produções Artísticas
Coordenação de Produção: Valdineia Soriano
Equipe de Produção: Cassia Valle\ Fábio Santana\ Jorge Washington\ Ridson Reis\
Elenco: Cássia Valle – Deyse Ramos – Elane Nascimento ––– Gabriel Nascimento - Gerimias Mendes – Jamile Alves – Jorge Washington – Leno Sacramento Lucas Leto – Merry Batista – Naira da Hora - Renan Mota - Ridson Reis - Sergio Laurentino - Shirlei Sanjeva – Valdineia Soriano – Vinicius Carmezim
Ator Convidado: Rui Manthur
Músicos: Cell Dantas – Daniel Vieira ( Nine) – Maurício Lourenço

Serviço:
Datas: 24 e 25/03 (20h) e 26/03 (19h)
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Classificação etária: 14 anos

 Local: Palco Principal do Teatro Vila Velha, Av 7 de Setembro, s/n, Passeio Público, Campo Grande, Salvador

quarta-feira, 15 de março de 2017

Teatro Vila Velha prorroga inscrições para oficinas de formação


Oficina Preparatória para a universidade LIVRE inscreve até 22 de março, já as Oficinas Livres e Oficinas Investigativas inscrevem até próximo dia 27, presencialmente ou através do site www.teatrovilavelha.com.br


O Teatro Vila Velha prorroga em uma semana as inscrições para oficinas de formação. Os interessados em participar da Oficina Preparatória para a universidade LIVRE do teatro vila velha, programa diário de formação de atores, podem inscrever-se até 22 de março para participar da oficina de seleção que acontece nos dias 23, 24 e 25/03. Já os interessados nas Oficinas Livres ou nas Oficinas Investigativas podem realizar inscrições até 27 de março. As matrículas podem ser feitas através do site www.teatrovilavelha.com.br ou presencialmente no Teatro Vila Velha, de terça a sexta, das 15h às 18h.

A Oficina Preparatória para a universidade LIVRE vai introduzir durante dez meses conhecimentos nas áreas de leitura, interpretação, corpo, voz, além de técnica, gestão cultural e comunicação, com o objetivo de preparar os integrantes para o ingresso na universidade LIVRE do teatro vila velha em 2018. Ao longo deste período, em encontros de segunda a sábado, de 9h às 13h, os participantes terão contato com cerca de 27 colaboradores e realizarão quatro experimentos cênicos no palco do Vila, dirigidos por Chica Carelli, Celso Jr. e Hayaldo Copque. A supervisão da Oficina Preparatória é do encenador Marcio Meirelles. Criada em 2013, a LIVRE foi responsável pela realização de 18 produções teatrais próprias, algumas delas apresentadas em festivais internacionais, como o Festival de Curitiba (peça Espelho para Cegos), Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (Por que Hécuba), Festival Santista de Teatro (A História dos Ursos Pandas), além da 3a Bienal da Bahia (Jango: Uma Tragedya).

Outra novidade são as Oficinas Investigativas, que buscam abordar diferentes elementos das artes cênicas a partir do contato com profissionais reconhecidos em suas áreas de atuação, que compartilham teorias, experiências, técnicas e abordagens. Uma vez por semana, durante dois meses, os participantes podem investigar os grandes temas "movimento físico", com a coreógrafa Lia Robatto; "dramaturgia", com o ator e diretor Celso Jr.; "modos de atuação", com o ator Rafael Medrado; e "pensamentos da cena", com a atriz e diretora Isa Trigo.

Mais uma edição das Oficinas Livres também acontece a partir de março, trazendo de volta algumas das oficinas que tiveram sucesso nas Oficinas Vila Verão, no último mês de janeiro. Desta vez com duração de três meses, acontecem as oficinas de "Canto", com Marcelo Jardim; "Dança Afro-Brasileira", com Nildinha Fonseca; "O Corpo e a Cena", com Bertho Filho; e duas turmas de "Teatro para Iniciantes", com Zeca de Abreu (para jovens a partir de 16 anos e adultos) e Ella e Iana Nascimento (para crianças de 10 a 13 anos). Para mais informações e para realizar inscrições online, o público pode acessar o site www.teatrovilavelha.com.br.

OFICINAS DE FORMAÇÃO

Inscrições de terça a sexta, das 15h às 18h, no Teatro Vila Velha ou pelo site www.teatrovilavelha.com.br

Oficina Preparatória para a universidade LIVRE
Inscrições até 22/03
Oficina de Seleção: 23, 24 e 25/03, das 9h às 13h
10 meses
4 experimentos
27 colaboradores nas áreas de leitura, interpretação, corpo, voz, além de técnica, gestão cultural e comunicação

Oficinas Investigativas
Inscrições até 27/03
Duração: 2 meses
Movimento Físico, com Lia Robatto
Dramaturgia do Séc. XXI, com Celso Jr.
Modos de Atuação, com Rafael Medrado
Pensamentos da Cena, com Isa Trigo

Oficinas Livres
Inscrições até 27/03
Duração: 3 meses
Teatro para Iniciantes, com Zeca de Abreu, Ella e Iana Nascimento
Dança Afro, com Nildinha Fonseca
O Corpo e a Cena, com Bertho Filho
Canto, com Marcelo Jardim

Vila recebe "Corpo Carga Calma Alma", resultado de residência com o coreógrafo alemão Ben J. Riepe

Nesta sexta-feira, 17 de março, às 20 horas, o palco principal do Teatro Vila Velha recebe a mostra de dança Corpo Carga Calma Alma, resultado de residência artística conduzida por Ben J. Riepe com oito dançarinos locais. A experiência abre a 11ª edição do Vivadança Festival Internacional.

Residente da Vila Sul do Goethe-Institut Salvador-Bahia, o coreógrafo alemão Ben J. Riepe, em Salvador, tem se atentado ao corpo que se faz tão presente na rotina, tendo observado esta evidência especialmente em manifestações do carnaval e do candomblé. O olhar se volta à carga do corpo, à estática da existência do corpo, ao seu erotismo, conteúdo e identidades diferentes. “Meu interesse é sempre o potencial dialético do corpo: entre o corpo ser de um jeito e o próprio sujeito. Porque a gente tem um corpo e é um corpo”, explica ele.

terça-feira, 14 de março de 2017

Lia Robatto ministra primeiro módulo da Oficina Investigativa "Movimento Físico"



A Oficina Investigativa “Movimento Físico” terá como primeiro módulo (de 23 de março a 11 de maio) “Criatividade Corporal” que será ministrado pela coreógrafa Lia Robatto. Lia exerceu durante 20 anos a função de bailarina, foi professora nas Escolas de Dança e de Teatro da UFBA (1957 à 1981) lecionando disciplinas criativas e de expressão corporal. Fundou as Escolas de Iniciação Artística (1965), de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (1984). Foi diretora artística e coreógrafa do Balé Teatro Castro Alves (1983 e 1984). Sua produção coreográfica é destacada na investigação criativa com mais de 40 espetáculos de dança contemporânea de sua autoria, para seu grupo e outras companhias.

A intenção do módulo é propiciar um ambiente de desafio e inquietação investigativa, onde aconteçam momentos ricos de trocas das mais distintas maneiras de elaboração de novas propostas cênicas através da corporeidade dos participantes, a ser trabalhada na construção de uma breve encenação ou de um esboço coreográfico.

Mais informações: https://www.sympla.com.br/teatrovilavelha

segunda-feira, 13 de março de 2017

Ator Rafael Medrado ministra primeiro módulo da Oficina Investigativa "Modos de Atuação"

A Oficina Investigativa “Modos de Atuação” que tem seu primeiro módulo, de 21 de março à 9 de maio, será ministrada pelo ator Rafael Medrado. Este módulo propõe a investigação das ferramentas e elementos que compõem a prática de atuação do ator contemporâneo a partir da reflexão sobre temas contemporâneos como a crise da narrativa, a performatividade e a decomposição do personagem.
"A narrativa contemporânea e a noção de performatividade convida o ator a reunir ferramentas e materiais presentes em tradicionais modos de interpretação, que por serem de naturezas diferentes necessitam, por sua vez, de transições e operações conscientes. A ideia central foi resgatar o processo de construção da sedução do espontaneísmo, estímulo necessário e imprescindível em outros lugares de criação cênica” explica Medrado.
Rafael compõe a ATeliê voadOR COMPANHIA DE TEATRO sob comando do diretor Djalma Thurller. Participou de montagens teatrais como: Drácula por Márcio Meirelles; o musical As Aventuras do Maluco Beleza pelo Núcleo de Teatro do TCA; “Os Javalis” com Emiliano Dávila; o musical Os Cafajestes e Camila Baker ambos com direção de Fernando Guerreiro e As Mulheres de Jorge – O Amado ambas por Sônia Britto. Foi premiado como melhor ator no 10º Festival Iberoamericano de Teatro de Mar Del Plata – Argentina. No cinema, Rafael protagonizou o longa A Finada Mãe da Madame, de Bernard Attal. Na TV, atuou em VanBora! sob direção de Marcus Alvisi (TV Brasil), Manual de Sobrevivência com direção de Fábio Vaz (TV Bahia) e compõe a equipe de O Gongo – Núcleo de Produção Audiovisual.
Saiba mais sobre a oficina e inscreva-se através do: https://www.sympla.com.br/teatrovilavelha

quarta-feira, 8 de março de 2017

ÚLTIMOS DIAS: Inscreva-se nas oficinas de formação do Teatro Vila Velha

Universidade LIVRE em um dos experimentos cênicos. Foto: Marcio Meirelles

Estamos chegando aos últimos dias de inscrições para os projetos de formação do Teatro Vila Velha. Se ainda não garantiu a sua vaga, inscreva-se online através do site www.sympla.com.br/teatrovilavelha ou presencialmente no próprio teatro, de terça a sexta, das 15h às 18h. 

Em 2017, o Vila aposta em diferentes formatos e conteúdos para aqueles que desejam aprofundar-se no campo das artes cênicas. Além de criar a Oficina Preparatória para a universidade LIVRE do teatro vila velha, programa diário de formação artística que funciona desde 2013, o Vila convida quatro reconhecidos profissionais e lança as Oficinas Investigativas, onde estes compartilham seus métodos de trabalho e se debruçam durante dois meses sobre diferentes temáticas. Há ainda uma nova edição das Oficinas Livres, com caráter introdutório nas áreas de dança, canto e teatro.

A Oficina Preparatória para a universidade LIVRE vai introduzir durante dez meses conhecimentos nas áreas de leitura, interpretação, corpo, voz, além de técnica, gestão cultural e comunicação, com o objetivo de preparar os integrantes para o ingresso na universidade LIVRE do teatro vila velha em 2018. Ao longo deste período, em encontros de segunda a sábado, de 9h às 13h, os participantes terão contato com cerca de 27 colaboradores e realizarão quatro experimentos cênicos no palco do Vila, dirigidos por Chica Carelli, Celso Jr. e Hayaldo Copque. A supervisão da Oficina Preparatória é do encenador Marcio Meirelles e os interessados devem participar de uma oficina de seleção nos dias 16, 17 e 18 de março, das 9h às 13h.

Outra novidade são as Oficinas Investigativas, que buscam abordar diferentes elementos das artes cênicas a partir do contato com profissionais reconhecidos em suas áreas de atuação, que compartilham teorias, experiências, técnicas e abordagens. Uma vez por semana, durante dois meses, os participantes podem investigar os grandes temas "movimento físico", com a coreógrafa Lia Robatto; "dramaturgia", com o ator e diretor Celso Jr.; "modos de atuação", com o ator Rafael Medrado; e "pensamentos da cena", com a atriz e diretora Isa Trigo.

Mais uma edição das Oficinas Livres também acontece a partir de março, trazendo de volta algumas das oficinas que tiveram sucesso nas Oficinas Vila Verão, no último mês de janeiro. Desta vez com duração de três meses, acontecem as oficinas de "Canto", com Marcelo Jardim; "Dança Afro-Brasileira", com Nildinha Fonseca; "O Corpo e a Cena", com Bertho Filho; e duas turmas de "Teatro para Iniciantes", com Zeca de Abreu (para jovens a partir de 16 anos e adultos) e Ella e Iana Nascimento (para crianças de 10 a 13 anos). 


OFICINAS INVESTIGATIVAS
Movimento Físico, com Lia Robatto
Dramaturgia do Séc. XXI, com Celso Jr.
Modos de Atuação, com Rafael Medrado
Pensamentos da Cena, com Isa Trigo

OFICINAS LIVRES
Teatro para Iniciantes, com Zeca de Abreu, Ella e Iana Nascimento
Dança Afro, com Nildinha Fonseca
O Corpo e a Cena, com Bertho Filho
Canto, com Marcelo Jardim

OFICINA PREPARATÓRIA PARA A UNIVERSIDADE LIVRE
10 meses
4 experimentos
27 colaboradores nas áreas de leitura, interpretação, corpo, voz, além de técnica, gestão cultural e comunicação 


Para mais informações e para realizar inscrições online, o público pode acessar o site www.sympla.com.br/teatrovilavelha.