quinta-feira, 16 de março de 2017

Bando de Teatro Olodum volta aos palcos com “Erê”, espetáculo que marca os 25 anos do grupo


“Dizem que quando um velho morre, uma biblioteca se perde. E quando um jovem é morto, precocemente, quem se importa com esse caderno ainda sem escrita?”, essa é uma das questões levantadas de forma contundente pelo espetáculo Erê, que encerrou o ano das comemorações pelos 25 anos de criação do Bando de Teatro Olodum. A peça tem concepção geral de Lázaro Ramos, direção de Fernanda Júlia e Zebrinha e dramaturgia de Daniel Arcades (Exú, a Boca do Universo e Revelo). Com 20 atores em cena, reunindo os veteranos atores da companhia a novos artistas que foram integrados ao grupo, Erê conta ainda com direção musical de Jarbas Bittencourt e coreografia de Zebrinha.
A montagem é inspirada no espetáculo Erê pra toda a vida/Xirê, criado pelo próprio Bando de Teatro Olodum, sob direção de Márcio Meirelles, para participação no Festival Carlton Dance, em 1996, com apresentações no Rio de Janeiro e São Paulo, e uma turnê por Londres, sem nunca ter sido apresentada em Salvador.
Chacinas - A nova montagem é mais política e questionadora, e traz à tona as diversas chacinas que tiveram como alvos jovens e crianças negras, como a da Candelária (RJ), Cabula (SSA), Vigário Geral (RJ), Favela Naval (Diadema-SP) e Acari (RJ) tragédias que se abateram sobre a população negra do Brasil, muitas delas impunemente. Foi o caso da favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão-RJ, quando 13 pessoas foram mortas em uma única ação policial, em 1994, e outras 13, seis meses depois, e até hoje, nenhum culpado foi punido. Injustiças que já levaram o Brasil a ser denunciado em órgãos internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU).
“Os anos se passaram e essas chacinas continuam e o teatro negro segue fazendo a denúncia. Só que neste espetáculo estamos mais exigentes, estamos apontando possibilidades, colocando o poder público no lugar que deveria estar e dizendo que não dá mais para continuar matando negro neste país. São meninos morrendo erês, sem se tornarem mais velhos”, destaca Fernanda Júlia, que somará sua experiência à frente do Núcleo de NATA (Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro de Alagoinhas), fundado em 1998, ao talento do elenco e diretores do Bando de Teatro Olodum, criado oito anos antes do grupo de Alagoinhas.
“O Bando influenciou o NATA e agora o NATA retoma para dialogar com o Bando com tudo que recebeu de influência”, ressalta Daniel Arcades, outro integrante do NATA incorporado ao processo de montagem de Erê. É ele que está tendo a responsabilidade de transformar em cenas os discursos problematizados pelo Bando. “Lázaro Ramos tem sido o provocador, que dá o caminho político e eu estou construindo as situações, as cenas, experimentando as palavras na boca dos atores. A parceria tem sido fantástica”, elogia.


Concepção Cênica: Lázaro Ramos

Texto: Daniel Arcades

Direção: Fernanda Júlia / Zebrinha

Assistente de direção: Antônio Marcelo
Direção Musical: Jarbas Bittencourt
Arranjos: Jarbas Bittencourt / Cell Dantas / Daniel Vieira ( Nine) / Maurício Lourenço
Coreografia: Zebrinha
Assistente de Coreografia: Arismar Adoté Junior.
Figurino: Thiago Romero
Cenário: Zebrinha
Iluminação: Rivaldo Rio \ Marco Dedê
Fotografia: Andrea Magnoni
Produção: Bando Produções Artísticas
Coordenação de Produção: Valdineia Soriano
Equipe de Produção: Cassia Valle\ Fábio Santana\ Jorge Washington\ Ridson Reis\
Elenco: Cássia Valle – Deyse Ramos – Elane Nascimento ––– Gabriel Nascimento - Gerimias Mendes – Jamile Alves – Jorge Washington – Leno Sacramento Lucas Leto – Merry Batista – Naira da Hora - Renan Mota - Ridson Reis - Sergio Laurentino - Shirlei Sanjeva – Valdineia Soriano – Vinicius Carmezim
Ator Convidado: Rui Manthur
Músicos: Cell Dantas – Daniel Vieira ( Nine) – Maurício Lourenço

Serviço:
Datas: 24 e 25/03 (20h) e 26/03 (19h)
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Classificação etária: 14 anos

 Local: Palco Principal do Teatro Vila Velha, Av 7 de Setembro, s/n, Passeio Público, Campo Grande, Salvador

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