sexta-feira, 21 de julho de 2017

Espetáculo En(cruz)ilhada, por Nelson Maca


O espetáculo "En(cruz)ilhada", mais novo trabalho do ator Leno Sacramento, do Bando de Teatro Olodum, realiza últimas apresentações na Sala João Augusto do Teatro Vila Velha, neste e no próximo sábado, dias 22 e 29 de julho, às 19h. Escrito e interpretado por Leno, o monólogo tem direção de Roquildes Junior e trilha sonora de Gabriel Franco, e reflete sobre a "morte" em suas mais diferentes formas. O poeta e escritor Nelson Maca escreveu artigo sobre a peça. publicado originalmente no jornal Correio. Leia abaixo.

En(cruz)ihada é uma obra de arte complexa. Sem massagem, a peça monta um painel com diversas formas de morte do povo preto. O enfoque não surpreende quem acompanha a carreira de Leno Sacramento, que é também ator do Bando de Teatro Olodum. Quem se acostumou a vê-lo em papéis cômicos, nesse trabalho dilacerante, conhecerá uma outra face. Honesta e impactante. Ainda mais desafiadora pelo fato de contar apenas com textos, sons e ruídos em off. São 35 minutos em que ele mixa uma série de personagens sem voz. Como um DJ talentoso que nos conduz de uma música a outra sem pausa nem ruptura rítmica, Leno nos leva de um drama a outro sem linhas de corte.

Esse continuum exasperado só ganha uma pausa para o respiro na cena conduzida por um doce canto em iorubá, único momento de fala direta do ator. Um mergulho na memória da infância e adolescência. Numa espécie de passarela em forma de cruz, ele apresenta seus simulacros de brincadeiras de um tempo bom. Bola de gude, amarelinha, esconde-esconde, pega-pega, condução de arco com vareta, carrinho e o volante do automóvel... Não há dúvida que a peça fala de uma herança coletiva.

Um oásis no painel de aridez racial e racismo escaldante que corta na carne da plateia. A memória como reserva de humanidade. Para além da lembrança do quintal da casa e das ruas do bairro, despertou a África permanente em mim. A plateia pode ser tocada. Através da pedagogia da pedra e um fio do mel da memória, é compelida a refletir na encruza do presente e passado.

Personagens mudas em sala que reverbera diálogos e pensamentos editados por uma sonoplastia que potencializa o caos. Vozes, cochichos, sussurros, latidos, ruídos, armas engatilhadas e ameaças. Muito barulho retratando pessoas silenciadas. O que mais me agrada é não saber classificar o que assisti. Um corajoso experimento de linguagem. Afastamento da zona de conforto. Nem Dionísio nem Apolo. Nem palco nem tablado. Uma montagem encruzilhada. Uma cruz na estrada. Corpo, figurino, expressões, som, luz e público amalgamados num só tecido. Cada pessoa presente denunciada como parte integrante do nosso grande conflito racial.

A sequência final se desenvolve sobre o meu poema Prefácio da Ira, que faz um inventário de instrumentos e formas de torturas da escravidão. Lembra, com muita dor que, desde o tataravô branco colonizador até seu tataraneto, a violência racial é ininterrupta, adaptável e evolutiva. Nos traços estéticos e código ético de En(cruz)ilhada, vejo a busca de um teatro negro. A palavra “cruz” aparece incrustada na palavra “en(cruz)ilhada”. Encruzilhada, cruz, ilha, ilhada. Polissemia que reveste a peça. Diferentes experiências de vida negra em conflito.

En(cruz)ihada martela, sem dó, o cerebelo de todos. Macera a casca e dilata a ferida, para que nosso sangue não se estanque no esquecimento e nossa história não seja acariciada pela pomada da distorção. Dirigida por Roquildes Junior e com trilha sonora de Gabriel Franco, a peça fica em cartaz na Sala João Augusto, do Teatro Vila Velha, durante os sábados de julho.


* Nelson Maca é escritor

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Premiado espetáculo “Dissidente” realiza curta temporada no Teatro Vila Velha


Destaque da cena teatral baiana nos últimos anos, a montagem recebeu seis indicações e venceu duas categorias do Prêmio Braskem de Teatro

Foto: João Rafael Neto
 
Entre os dias 27 e 30 de julho, o espetáculo “Dissidente” retorna aos palcos baianos em curta temporada no Teatro Vila Velha, com apresentações de quinta a sábado, 20h, e domingo, 19h. A montagem da Companhia Teatro da Casa estreou em 2012, quando teve seis indicações ao Prêmio Braskem de Teatro, vencendo em duas categorias – melhor direção (Gordo Neto) e melhor atriz (Vivianne Laert). Desde então, participou de diversos eventos e festivais, como o FIAC, FILTE e o Festival Maré de Março. Em 2017, depois desta curta temporada em Salvador, o espetáculo viaja ao 18º Festival Internacional de Teatro de Brasília - Cena Contemporânea.

“Dissident, il va sans dire”, traduzido “Dissidente” pela professora doutora Catarina Sant’Ana, é um texto do renomado autor francês Michel Vinaver. A montagem com direção de Gordo Neto leva à cena, pela primeira vez juntos, a atriz veterana Vivianne Laert e o jovem ator Tato Sanches - que são mãe e filho, tais quais os personagens Helena e Felipe, da peça. O jovem de 17 anos mora com sua mãe e parece não estar muito motivado a encontrar trabalho. Já Helena, separada do marido - um ex-socialista que conheceu durante a luta política - trabalha numa empresa fazendo estatísticas de mercado. A falta de interesse do filho pelo trabalho, pela vida “normal”, suas relações de amizade com um grupo de jovens suspeitos e sua visível degradação física apontam para um fim inevitável.

O texto de “Dissidente” encanta pela sua comovente história e pela sua forma dramatúrgica rebuscada e poética, traço do autor, colocando na voz dos dois personagens frases tão bem construídas, escritas com um preciosismo ímpar, capazes de revelar, em situações aparentemente simples e cotidianas, a relação profunda entre mãe e filho. Da mesma forma vai, além disso, para, com a mesma aparente simplicidade, sobrepor histórias umas às outras, retomar assuntos que pareciam estar esquecidos, num imbricamento dramatúrgico que só um autor de sua estatura pode proporcionar.  Sem rubricas e sem pontuação, o texto de Vinaver é um exercício de criação tão difícil quanto prazeroso, pois se deixa revelar justamente na cena, na fala que parece desconexa se apenas lida, mas que ganha sentido, intensidade, beleza e clareza próprias da interlocução cotidiana entre dois humanos que vivem juntos.

"Os diálogos sem pontuação, salvo os sinais de interrogação, a ausência de rubricas evidentes, as falas desencontradas ou sem respostas, a mistura súbita de referentes e de tonalidades emocionais as mais diversas no interior de uma mesma fala de personagem, um laconismo geral denso de informação e de suspenses, os quais, por sua vez, não se desfazem, nem nos pressionam tampouco, mas literalmente esfumam-se no ar, para ressurgir bem mais adiante, discretamente, perdidos no meio a outros dados; tudo isso liberado em ‘doze pedaços’ [...], não cenas, mas pedaços de real, sem nenhuma apresentação, nem mesmo pelos próprios personagens. É como se invadíssemos a vida de dois seres reunidos em momentos diversos e esparsos, e fôssemos obrigados a adivinhar do que se tratam no momento, a criar nós mesmos os elos, a costurar, enfim, os pedaços", escreve a professora Catarina Sant´Anna sobre o texto “Dissidente”.

Dissidente
27, 28, 29 e 30 de julho
quinta a sábado: 20h / domingo: 19h
Teatro Vila Velha (sala principal)
R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Espetáculo Cabaré da RRRRRaça abre vendas antecipadas


O espetáculo Cabaré do RRRRRaça retorna ao palco do Teatro Vila Velha  a partir do dia 12 de agosto para celebrar 20 anos de trajetória e já tem ingressos à venda através do site Ingresso Rápido (clique aqui para comprar) e na bilheteria do teatro. Maior sucesso de público do Bando de Teatro Olodum, a peça é um marco na luta contra um racismo através do teatro. A montagem musical, dirigida por Marcio Meirelles, tem linguagem popular, direta e leva o público ao riso e também à reflexão. O espetáculo expõe as mais diversas manifestações do racismo e da discriminação contra os negros no Brasil, desde as sutis até as mais ultrajantes. Em cena, os atores do Bando dão voz aos personagens para contar à plateia casos vividos por eles mesmos, assim como relatos de diversas pessoas que enfrentaram o preconceito racial. Como já é tradição no Cabaré, cada apresentação traz um convidado ou convidada especial. Garanta seu lugar na plateia!

Espetáculo "Fronteiras" realiza últimas apresentações

Foto: Mario Edson



O espetáculo "Fronteiras", que celebra os 10 anos do Oco Teatro Laboratório, realiza últimas apresentações no palco do Teatro Vila Velha no dia 23 de julho - quarta a sábado, 20h, e domingo, 19h. A peça, escrita pelo dramaturgo argentino Santiago Serrano, traz à cena os consagrados atores Lúcio Tranchesi e Rafael Magalhães, sob a direção de Luis Alonso. Eles interpretam dois homens que decidem atravessar uma “fronteira”, mas ficam aguardando serem atendidos para poder cumprir com os rituais burocráticos que permitem passar para o “outro lado”. O atendimento nunca acontece e eles ficam aguardando...

A existência deles neste lugar atravessa o discurso dos limites na vida, a morte, o pensamento, a sexualidade, as lembranças, os preconceitos, a existência do ser social, a realidade, os sonhos e tudo permeado pela eterna espera. O espetáculo faz parte do projeto INTERFACE 01662 (10 Anos Oco Teatro Laboratório), do Oco Teatro Laboratório, contemplado no Edital Grupos e Coletivos Culturais através da FUNCEB / SECULT - Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.


Dramaturgo e diretor teatral argentino, psicanalista com larga atuação em Psicodrama, Serrano tem estado em contato permanente com o Brasil onde já realizou estudos na área de teatro com Augusto Boal e participou de eventos relacionados à cena teatral em São Paulo, Pará e Brasília.



FRONTEIRAS

últimas apresentações
19, 20, 21, 22 e 23 de julho
quarta a sábado: 20h | domingo: 19h
R$ 20 e 10 (quarta) | R$30 e 15 (quinta a domingo)

terça-feira, 18 de julho de 2017

Carmen de Cada Dia (texto 3)

Voe, meu filho, voe. Pegue alí a direita, do lado da amarelinha. Do alumínio? Sim, do portal. Vá
Corra, meu filho, corra. Mas vá com calma pra não se estabacar no chão. O chão é quente, voe.  
Ande, meu filho, ande. Vá na ponta do pé pra pilastra. Faça uma linha com seus pés. Vá que o mundo é seu, corra.  
Caia, meu filho, caia. Mas jogue as fitas por baixo pra deslizar no chão. Ande, ande.  
Vá, meu filho, vá. Voe, corra, ande, caia. Vá, mas volte, viu? 
Clara Romariz

Texto escrito pela atriz Clara Romariz da universidade LIVRE, no processo da montagem do espetaculo  "O auto da Barca de Camiri" de Hilda Hilst, com direção de Erick Saboya e Vinicius Bustani, que estreia em breve.

terça-feira, 11 de julho de 2017

PAVIO Arte e Negócios reúne curadores e programadores culturais do Brasil e da América Latina na Bahia

O projeto realiza um conjunto de atividades gratuitas para difusão, discussão, capacitação e internacionalização das Artes Cênicas 

De 18/07 a 06/08, gestores, diretores e curadores de instituições, mostras cênicas e festivais brasileiros e latino-americanos aportam na capital baiana para realização de oficinas, debates, sessões de showcases e rodada de negócios. Focado na economia criativa, PAVIO Arte e Negóciospromove o desenvolvimento de estratégias de produção, gestão, comercialização, marketing e internacionalização de criadores e produtores da Dança, do Teatro e do Circo.

"O artista precisa olhar para sua obra tal qual o empresário enxerga seu produto e investe nos meios de ampliar o consumo, aumentando assim a produção e gerando mais lucro. É cada vez mais urgente essa ampliação de horizonte. É nesse sentido que criamos o PAVIO Arte e Negócios - lançando uma fagulha que incendeie esse segmento, colocando o artista/produtor em contato direto com curadores, gestores, diretores e programadores de eventos nacionais e internacionais”, explica Luiz Antônio Sena Jr., diretor geral do projeto.  

A programação tem início com a oficina “Produção e Comercialização de Produtos Cênicos”, ministrada por Sérgio Bacelar (DF), criador do Festival do Teatro Brasileiro - um projeto de intercâmbio interestadual que apresenta mostras de todas as regiões do país. O produtor irá abordar o empoderamento do produto artístico no mercado cultural brasileiro e internacional, apresentando ferramentas para elaboração e comercialização nas áreas de Circo, Dança e Teatro: fontes de inspiração, singularidade das proposições, projetos competitivos, estudo de casos de projetos de destaque, competitividade em editais, incluindo estudo de casos de projetos dos participantes.
De 18 a 20/07, das 14h às 17h. 30 vagas. Local: SaladeArte Cine XIV  - Rua Frei Vicente, nº 14, Pelourinho. Inscrições pelo sitewww.pavioarteenegocios.com.br

A segunda oficina, intitulada “Empreendedorismo Cultural”, será ministrada por Octávio Nassur (PR) - dançarino, coreógrafo, produtor cultural, idealizador do FIH2 Festival Internacional de Hip Hop e coordenador Nacional do MBA em Dança – Gestão e Produção Cultural – da Faculdade Inspirar em Curitiba. O artista irá compartilhar sua experiência apresentando um modelo de Economia Criativa capaz de criar uma cultura sustentável de gerenciamento, ou seja, um modelo de Engenharia Cultural que pode ir além do sistema tradicional de comando e controle, analisando, compreendendo e aperfeiçoando as crenças e os valores que sustentam os atuais modelos de financiamento.
De 25 a 27/07, das 14h às 17h. 30 vagas. Local: SaladeArte Cine XIV - Rua Frei Vicente, nº 14, Pelourinho. Inscrições pelo sitewww.pavioarteenegocios.com.br

Completando o ciclo de oficinas, Marcelo Bones (MG) – Diretor Executivo da Platô – Plataforma de Internacionalização do Teatro - programador e consultor de importantes festivais no Brasil. Idealizador e coordenador do Observatório dos Festivais, organização que se dedica à pesquisa, informação e reflexão sobre festivais de teatro. O gestor propõe uma “Preparação para encontros de negócios”, capacitando de artistas, companhias, grupos e produtores teatrais para ampliação das possibilidades de circulação dos seus espetáculos nacionalmente e internacionalmente através de participação em Feiras, Mercados e Rodas de Negócios.
De 01 a 03/08, das 14h às 17h. 30 vagas. Local: SaladeArte Cine XIV - Rua Frei Vicente, nº 14, Pelourinho. Inscrições pelo sitewww.pavioarteenegocios.com.br

PAVIO Arte e Negócios – debates
PAVIO Arte e Negócios realiza ainda dois debates abertos ao público: o primeiro com a participação de gestores e programadores de espaços culturais de Salvador e do estado da Bahia, para discutir sobre o processo de curadoria dos teatros e casas de espetáculos. E o segundo - com a participação de curadores e programadores de festivais e mostras cênicas nacionais e internacionais – discutirá temas urgentes aos eventos contemporâneos de Artes Cênicas: “Mediação e Diálogo com Público”, “Transversalidade das Artes”, “Tecnologia e Artes Cênicas”, “Política, Sociedade e Cena”.
Dia 02 e 03/08, 19h, no café da SALADEARTE – Cinema do Museu. Mais informações no site www.pavioarteenegocios.com.br

Showcases PAVIO Arte e Negócios
No formato de um painel performático, 10 artistas, grupos ou coletivos culturais (Teatro, Dança, Circo) serão selecionados, por meio de convocatória, para exposição de sua obra – no tempo máximo de 15 minutos – através da amostragem de cenas, demonstração de trabalho, exibição de imagens ou quaisquer outros meios viáveis para a realização da atividade. Aberta ao público, a apresentação dos showcases será assistida especialmente pelos curadores convidados por PAVIO Arte e Negócios. Dias 04 e 05/08, 15h, na sala principal do Teatro Vila Velha. Inscrições pelo site www.pavioarteenegocios.com.br

Rodada de Negócios PAVIO Arte e Negócios
Fortalecendo a cadeia de formação, difusão, comercialização e exportação, a Rodada de Negócios PAVIO Arte e Negócios encerra as atividades do programa, abrindo espaço de diálogo direto entre 10 curadores e programadores de projetos em artes cênicas (nacionais e internacionais) e artistas, produtores e criadores do gênero; que terão a oportunidade de ofertar seus produtos. As conversas serão individuais, com um tempo máximo de 15 minutos, momento em que ocorrerá a troca de contatos, a entrega de materiais e possíveis parcerias.
Dia 06/08, 14h, na sala principal do Teatro Vila Velha. Inscrições prévias no site www.pavioarteenegocios.com.br


O PAVIO Arte e Negócios é uma realização da Baobá Produções Artísticas e tem apoio financeiro do Governo do Estado, por meio do edital de economia criativa do Fundo de Cultura, mecanismo da Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

PAVIO Arte e Negócios
De 18/07 a 06/08
Inscrições gratuitas 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Espetáculo "FRONTEIRAS" estréia em Julho

 Foto Mario Edson


do dramaturgo argentino Santiago Serrano
com Lúcio Tranchesi e Rafael Magalhães
direção Luis Alonso

O Oco Teatro Laboratório, nos festejos dos seus 10 anos, estreia no próximo dia 13 de julho (12 de julho pré-estreia), no Teatro Vila Velha, sua nova montagem, a peça “Fronteiras”, do dramaturgo argentino Santiago Serrano. Em cena os consagrados atores Lúcio Tranchesi e Rafael Magalhães, sob a direção de Luis Alonso, interpretam dois homens que decidem  atravessar uma “fronteira”, mas ficam aguardando serem atendidos para poder cumprir com os rituais burocráticos que permitem passar para o “outro lado”. O atendimento nunca acontece e eles ficam aguardando...

A existência deles neste lugar atravessa o discurso dos limites na vida, a morte, o pensamento, a sexualidade, as lembranças, os preconceitos, a existência do ser social, a realidade, os sonhos e tudo permeado pela eterna espera. O espetáculo faz parte do projeto INTERFACE 01662 (10 Anos Oco Teatro Laboratório), do Oco Teatro Laboratório, contemplado no Edital Grupos e Coletivos Culturais através da FUNCEB / SECULT - Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Dramaturgo e diretor teatral argentino, psicanalista com larga atuação em Psicodrama, tem estado em contato permanente com o Brasil onde já realizou estudos na área de teatro com  Augusto Boal e participou de eventos relacionados à cena teatral em São Paulo, Pará e Brasília. A temporada segue até 23 de julho, sempre de quarta a domingo. De quarta a sábado, às 20h e aos domingos, às 19h. Ingressos: quartas  R$ 20,00 e R$ 10,00 e de quinta a domingo R$ 30,00 e R$ 15,00.

Oco Teatro Laboratório
Grupo de teatro que surge no ano 2006 com base na pesquisa do trabalho do ator. Com princípios de trabalho com a presença do ator, tem desenvolvido diversos trabalhos que tem percorrido cidades do Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa. O grupo desenvolve diversos projetos como o Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia (FilteBahia), o Núcleo de Laboratórios Teatrais do Nordeste (Nortea), a Revista Boca de Cena e as Coleções Dramaturgia Latino-Americana e Teoria Teatral Latino-Americana.


AS FRONTEIRAS DE LUIS ALONSO
“O processo de criação de “Fronteiras”, tem sido um percurso de ressignificações, improvisos, acordar lembranças guardadas e empoeiradas pelo tempo e o duro ofício de subsistir em outras terras. Mas também tem sido um espaço de rico intercâmbio com dois atores talentosos, de trajetória internacional, Rafael Magalhães e Lúcio Tranchesi. Revisitar metodologias do trabalho do ator, voltar a Stanislvaski, este trabalho tem sido desafiador pois é cheio de particularidades e minucias, de pequenos detalhes.
Suspender o sentimento e voltar a colocar ele no lugar das novas formas de representação. Há inspiração em uma aura cinematográfica, onde cada vez que fazemos menos em cena, onde cada vez que estruturamos cadeia de ações lógicas, construímos um tecido sólido para colocar o grande absurdo que é a vida mais do que o grande absurdo como gênero teatral. Duas pessoas confinadas à espera, ao nada, tentando atravessar uma fronteira de diversos significados.

Eu particularmente tive de atravessar muitas fronteiras na minha vida. Elas me ensinaram a quebrar a dura sensação de emigrante, a dura sensação de abandono daquilo que não podes ou não queres viver mais e acabaram se instaurando na minha vida num não-lugar permeado pelo não pertencimento. É duro, mas é belo, pois você se despoja de pertences materiais e espirituais. No entanto há um pacote, uma mala que nunca te abandona, a das lembranças. Elas trabalham num terreno do subconsciente e ajudam a agir no presente e a lidar com as ausências!
Trabalhar com profissionais de excelência como Zuarte Jr no cenário. Descobrimos juntos a limpeza dos objetos e o desempoeiramento das formas. Uma luminária não é mais do que isso, uma luminária, aquela que não tem memória, que não tem lugar. Esse é o mais claro exemplo da concepção proposta nesta parte da criação.Hamilton Lima veio pra fazer o figurino e o sentido do cinema está muito presente, como um espaço também de despersonificação. É muito difícil chegar a este conceito, pois de qualquer maneira tudo o que é colocado em cena gera significados e o público e nós temos a maldita herança reducionista de ter de fechar entendimentos, sejam eles lógicos-cronológicos ou dispersos, fragmentados. Mas também tem sido um processo belo de estruturação da cena.
Haverá elementos mais desafiadores, que não conseguimos enxergar a priori, somente quando estamos com todo o material de cena em "ação". Aí se inclui a parte da multimídia. Maise Xavier, com sua já longa experiência em vídeo e cinema, estrutura formas mais explosivas. Penso que serão dentro do espetáculo o recurso mais direto, de discurso mais concreto, no entanto também joga muito com esse pensar o ser humano como um objeto medido, testado, pesado, avaliado, julgado... essa é um dos desafios desta ferramenta em “Fronteiras”.
Outro grande profissional que nos apoia é Mario Edson, um fotógrafo de reconhecida trajetória, com um olhar certeiro e uma capacidade de captar sensações das quais todos nos surpreendemos.
Mas tudo isto não seria possível sem aquela pessoa que me ajuda a tecer estas estruturas no dia a dia, na discussão constante que é a assistente de direção Andrea Mota. Ela é atriz fundadora do Oco Teatro e já conhece profundamente meu estilo de trabalho e as minhas desavenças com o palco, minha constante luta com a rigidez da cena e suas imposições. Ela tem sido um apoio total, sincero e leal neste percurso!
Agora só falta começar a fechar todas as estruturas e trabalhar para a estreia. Ai entra a Doris Pinheiro, essa profissional do jornalismo que cutuca as nossas estruturas e aí começamos a enxergar que tudo ainda não está pronto, que sempre há de se repensar pois a finalidade do nosso trabalho é para o público, além da nossa autossatisfação criativa, é para eles que nós trabalhamos, e esse discurso é objetivado através de uma divulgação séria e consistente, de respeito às artes cênicas em específico. Pois somos um segmento, que nos custa muito trabalho de expandir em meios de comunicação e Doris contribui imensamente para este trabalho com profundo conhecimento.
Todo este processo me faz pensar cada vez mais que por muito que o teatro friccione a linha ténue que o "separa" da vida, ele terá de manter, ainda que em perpétua mudança, ferramentas que o separem da percepção cotidiana, e lhe permitam continuar sendo através da recepção, uma obra de arte para contemplar e pensar a nossa existência.”

AS FRONTEIRAS DE LUCIO TRANCHESI
“Este é um espetáculo enigmático que remete a muitas possíveis fronteiras e que de forma metafórica apresenta estes dois "migrantes" em uma situação limite com suas impressões sobre quem são, que memórias carregam e como se sentem em não pertencer a nenhum lugar.  São dois homens diferentes com anseios de serem respeitados e aceitos em um lugar imaginado, um estado que os respeite como cidadãos, que os dignifique como pessoas. Presos num não lugar onde sonhar e lembrar de onde vieram os mantém vivos. Sonhar para não morrer, lembrar histórias mesmo que não sejam suas os faz continuar a acreditar. Um desafio como ator sempre é cada novo trabalho porém este traz nuances sutis de interpretação que não tem nenhum artifício além da compreensão desta condição humana.”

AS FRONTEIRAS DE RAFAEL MAGALHÃES
“Eu temo que a realidade não seja lógica. O sem sentido que vivemos é a realidade”
Antes de iniciar esse processo, eu não sabia se reconhecia alguma fronteira, se estava numa, ou se sequer, ela existia. Pois bem! existe e são muitas. Me dei conta que aos 50 anos atravessei muitas fronteiras físicas, e outras tantas que a vida me impôs é claro, outras que eu mesmo escolhi. O teatro é uma delas, tanto no seu conhecimento, quanto na sua realização, uma fronteira cheia de prazeres e desprazeres, mas a que escolhi e não gostaria e nem quero abandoná-la. Cada espetáculo, cada personagem, cada desafio, são fronteiras que atravesso e atravessarei.
O espetáculo “Fronteiras” me foi apresentado por Luís Alonso, diretor com quem venho trabalhando há mais de 10 anos, o qual tenho como grande referência no nosso ofício. Pois bem, estava no limiar de uma fronteira cheia de incertezas e inconformidades pessoais e vi nesse espetáculo a possibilidade de atravessar e romper com os meus limites, limites esses imaginários e com certeza tão reais. Um texto do argentino Santiago Serrano, cheio de metáforas e tão atual, porém, desafiador. Sabia o quanto me desarrumaria, mais ao mesmo tempo me arrumaria enquanto ideais, certezas e sentimentos.
E ali estava eu, com um personagem, complexo e livre, angustiado e decidido, analítico e sonhador, descrente e sensível, que fala um pouco de mim, e ao mesmo tempo que me ensina os limites do ilimitado, um grande personagem para um ator que sempre se sente inseguro, ao mesmo tempo, persistente na criação artística que faz parte do meu ser e da minha essência.
Acredito em todas as pessoas que estão nesse processo, busco a minha verdade, sempre através dos que acredito e admiro, o espelho me crítica, me aconselha, porque me reflete o momento que me coloco refletido. Não tenho nenhuma certeza do certo, mas tenho a certeza no que venho me dedicando nesse meio século de vida, o teatro, o nosso teatro.
Agradeço a Luís Alonso por aceitar o meu pedido e estar comigo nessa caminhada, a Lucio Tranchese pela cumplicidade e generosidade, a Andrea Motta pelos olhares e ouvidos, a Zuarte Junior, Hamilton Lima, Maise Xavier, Doris Pinheiro, Marcos Marmund e Adriano Passos por emprestarem suas criatividades no entendimento e realização deste espetáculo.
E por fim, agradeço a mim mesmo por aceitar esse desafio como ator e principalmente a este personagem por me colocar e clarear meus extintos e sentimentos.
Será? Será? Até porque!
“Meus sonhos são tão vivos e tenho corrido atrás de uma outra fronteira que inexoravelmente, foge de mim.”

FRONTEIRAS
DURAÇÃO - 60 minutos
LOCAL - Teatro Vila Velha
DATAS – de 12 a 23 de julho - quartas, quintas, sextas e sábados às 20h e domingos às 19h HORA - 20 horas

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Marcelo Jardim apresenta mostra de Oficina de Canto no Cabaré dos Novos

Mostra da Oficina de Canto . Foto Laís Andrade

Neste domingo, 9 de julho, às 15h, o professor de canto e preparador vocal Marcelo Jardim realiza no Teatro Vila Velha mais uma mostra do seu curso de canto. Os participantes sobem ao palco do Cabaré dos Novos para apresentações solo e em coro, em que compartilham com o público o aprendizado e a experiência adquiridos ao longo do trabalho.

Jardim já trabalhou com diversos artistas e coletivos residentes do Vila, como o Bando de Teatro Olodum, e com o programa de formação de atores do teatro, a universidade LIVRE, e ministrou dezenas de oficinas em diferentes projetos do Teatro Vila Velha, entre eles as Oficinas Livres do e as Oficinas Vila Verão. As mostras das oficinas, aliás, costumam emocionar e divertir o público, refletindo a leveza e o humor que são característicos desse profissional. Ficou interessado em assistir? O acesso é aberto a todos. É só chegar!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Leno Sacramento estreia monólogo EN(CRUZ)ILHADA no Teatro Vila Velha


Foto: Heraldo de Deus


O ator Leno Sacramento, reconhecido pelo trabalho no Bando de Teatro Olodum, estreia no Teatro Vila Velha seu mais recente espetáculo, o monólogo  EN(CRUZ)ILHADA, que permanece em cartaz de 8 a 29 de julho, sempre aos sábados, 19h, na Sala João Augusto. Com texto do próprio Leno e direção de Roquildes Júnior (A Outra Companhia de Teatro), a montagem trata sobre a "morte" em suas mais diversas formas e manifestações - a morte social, cultural, financeira, estética e psicológica.
A peça tem trilha sonora de Gabriel Franco, luz de Marcos Dede, figurino de Agamenon de Abreu e conta ainda com participação especial do poeta Nelson Maca.

“A morte nos invade, nos extermina e nos põe em uma cruz de braços abertos. Ela nos deixa sem escolha, sem opção. Nos dilacera e nos abate pouco a pouco, nos levando a uma encruzilhada. No lugar onde se cruzam dois caminhos, também a morte se esbarra, nunca estaremos sozinhos.” 
  
EN(CRUZ)ILHADA
8 a 29 de julho, sábados, 19h
Sala João Augusto, Teatro Vila Velha
R$20 e R$10
Compre antecipado aqui