sábado, 25 de maio de 2019

UNIVERSIDADE LIVRE DE TEATRO VILA VELHA - Meniky Marla uma divina comédia - Por: Tatiana Semêdo


Foto: Tatiana Semêdo

Meniky Marla, ou para os íntimos apenas Meny, 27 anos, a personificação da “menina, mulher da pele preta”. Filha dedicada e irmã carinhosa, de gênio forte. É considerada por mim a líder da atual turma da Universidade Livre de Teatro Vila Velha, não só por ser a veterana, mas por organicamente conquistar esse espaço com o seu espírito de liderança, seu foco e sua perseverança. Um grupo que tem uma mulher como ela em sua cabeça é realmente um grupo com muita sorte.
Com uma carreira recentemente iniciada em 2016, já tem em seu portfólio os espetáculos: "Por que Hécuba?" 2018 (Coriféia), "Hamlet + Hamlete Machine" 2018 (coro/enfermeira/coveiro), "Ó Pai Ó" 2018 (A Professora), "Porque Hécuba?" 2019 (Ernada) e "A Última Virgem" 2019 (Débora). Além disso é estagiária de audiovisual do Teatro Vila Velha e faz parte do território de gestão da Universidade Livre de Teatro Vila Velha.

Tatiana Semêdo

Por: Meniky Marla.
Meu processo em "A última virgem - uma divina comédia de Nelson Rodrigues" foi e está sendo uma delícia. Trabalhar com Celso Jr e todo esse elenco é simplesmente maravilhoso. É um mix de diversão, alegria, aprendizado, realização, enriquecimento profissional a cada dia, sem falar na admiração pelos meus colegas de elenco e por Celso (eles são incríveis, é de uma conexão e profissionalismo sem igual).
Bem, eu conheci Celso na oficina que ele deu para a Universidade Livre em 2018, por coincidência era de textos de Nelson Rodrigues. De cara já percebemos o quanto a Universidade Livre está diretamente conectada nesse processo e o quanto influenciou para que hoje eu estivesse fazendo parte do elenco de "A Última Virgem". Confesso que já havia um desejo em trabalhar com Celso Jr, a oficina abriu caminhos maravilhosos, sem dúvidas e a universidade livre tem esse "poder", é um nicho de oportunidades, aprendizado, desenvolvimento pessoal/profissional...um deleite para quem sabe aproveitar.
Agradeço ao Vila, Márcio, Chica e a Celso, por estarem me dando essa e outras oportunidades. E claro, agradeço também aos meus colegas da universidade livre pelo companheirismo diário e participativo, um xeru nos lindxs da comunicação, obrigada Tati por esse espaço.
Evoé!

sexta-feira, 17 de maio de 2019

UNIVERSIDADE LIVRE DE TEATRO VILA VELHA - Um olhar poético sobre Hécuba - Por: Gisele Lopes


Um olhar poético sobre Hécuba

Por que Hécuba?
Por que o Vila?
Por que esse espetáculo?
Por que vocês?
Não sei!
Só sei que essa conexão se deu do nada e que agora faz parte de mim. E me lembrar daqueles dias nos camarins de Hécuba registrando o íntimo dessas pessoas me emociona profundamente e me transporta para aquele lugar bonito onde tanta gente se arrumava junto, se pintava junto, ensaiava junto, penteava o cabelo do outro, deleite para os meus olhos… E atenção: cinco minutos!
E todos já estavam prontos, preparados, em cena. Cada um no seu lugar. Pose para minha lente, poesia para os meus sentidos e voilá um milhão de energias acontecendo e sendo registradas num intervalo de duas horas.
É assim que “Por Que Hécuba” reverbera no meu coração!
É por tudo isso que não estou conseguindo esconder minha felicidade e nem dimensionar o tamanho do meu orgulho em ver essa galera subindo unida no palco do TCA para receber o Prêmio Braskem na categoria de Espetáculo Adulto.
E eu digo: Vocês são fodaaaaa!
E muito, muito, muito obrigada por me deixarem fazer parte de uma parte de tudo de lindo que vocês são.
O meu muito obrigada a Gil Maciel por me propor essa vivência. Obrigada também a Márcio Meireles e todo elenco por permitirem que eu fosse “invasora” por quatro dias nos camarins de Hécuba. E obrigada Meniky pela energia dedicada para fazer Ernada (ela sabe do que eu tô falando).
No mais,
Viva o Vila!
Viva ao teatro baiano!
Viva ao teatro dos novos, a livre, a arte, a cultura e a educação!
Vocês são pura poesia!
Evoé!

Sou Gisele Lopes, já dei 24 voltas ao sol e sou fotografa. A fotografia sempre esteve presente em minha vida, desde criança que tenho fascínio por capturar emoções e sentidos. Mas só em 2012 que comecei de fato a estudar, entender e fotografar de forma profissional. Já a poesia é tudo que sou, graças a meu pai Ademir que tem uma mania bonita de sempre me escrever e me presentear com palavras. E eu não consigo enxergar o mundo se não for por “enquadros”. É como Adriana Calcanhoto canta: “eu vejo tudo enquadrado”, a verdade é essa. Rsrs.
Já trabalhei com minha fotografia em diversos segmentos, mas senti um encontro na alma quando recebi esse convite de Gil Maciel para fotografar e tecer essa vivência em Hécuba.

Instagram: @poesiadeolhar


















sexta-feira, 10 de maio de 2019

UNIVERSIDADE LIVRE DE TEATRO VILA VELHA - Sua Relação com o teatro - Por: Rebeca Lima


Foto: Gisele Lopes -  @poesiadeolhar - Camarim do espetáculo Por que Hécuba

Teatro é a minha e eu sou a dele. Há 17 anos nos conhecemos e é louco como eu sempre tenho a sensação que não sei nada sobre. Um infinito de mistério, até porque, fazê-lo é mostrar todas as máscaras de dentro de mim e algumas delas nunca quis admitir. A verdade é que fazê-lo é como aprender sobre Rebeca, não tem fim. Não adianta decorar, gravar, tentar manter a rotina, porque o acaso chega e te destrói, te desaba, te vira numa posição que nem você sabia que era humanamente possível. Gosto de falar que o Teatro me salvou e vem me salvando dia a dia. Ele me acolhe num desconforto tremendo, nunca foi fácil, nunca foi prazeroso, relaxante, nunca. Suor, feridas, frustrações, inquietações, pensamentos a mil, coração acelerado, tremores, insanidades a todo momento. É muito foda. "Pq você escolhe isso?" Não, não escolhi. Fui escolhida. Gosto também de falar que fazê-lo é viver várias vidas em uma só. Um nível de empatia e doação de abrir mão de si para libertar o outro. Dar voz ao outro, pela sua voz, seu corpo, sua mente, sua alma. Atuar não é ser outra pessoa, é encontrar um ponto em comum entre você e ela e tornar isso crível a um ponto que você desapareça. Teatro, maior loucura que já apareceu na vida de uma completa insana, que trabalho você me dá. O fácil nunca me atraiu.

Rebeca Lima, Atriz da Universidade Livre do Teatro Vila Velha.

terça-feira, 7 de maio de 2019

UNIVERSIDADE LIVRE DE TEATRO VILA VELHA - Diário LIVRE da atriz - Por: Carolina Lira



Capítulo de hoje (25/04/2019): sustentar coisas delicadas

Quando eu era pequenininha queria ser grande.
Vivia repetindo sempre: “eu não sou quiança!”
Tinha vezes que ficava emburrada e de calundu.
Hoje me busco na minha infância.

Aprendi que transição é a vida inteira, mas volta e meia me pego correndo atrás da garotinha que fui para (re) aprender algumas lições. Apesar dos pesares, uma caminhada bonita vem sendo construída.
Hoje uma imagem no Instagram foi um disparador na hora de começar a escrever. Pra cego ver: é uma imagem em preto e branco em que há um braço estendido e uma mão em forma de concha segurando um potinho de vidro redondo com cinco flores dentro. A legenda era: "sustentar coisas delicadas". Comentei no perfil da autora, a fotógrafa Mariana David, que eu adorava essa foto e ela respondeu: “te dedico com carinho”.
Me veio um tsunami de sentimentos ao encarar essa foto e me fez pensar no quanto é difícil sustentar coisas delicadas.
Afetos.
Principalmente afetos.
Nesses últimos dias estamos convivendo com o mantra:
corpo disponível,
afetos abertos.
Como é difícil sustentar afetos recém-paridos que a gente ainda nem sabe que nome dar, só sabe, e isso sabe-se muito bem, que são como bebês que acabaram de nascer e precisam de cuidados.
Como juntar delicadeza, afetos e política sem coletividade?
Qual a arte mais coletiva que o teatro?
Em um mês de experimentos com o Teatro do Oprimido e o Teatro carnavalizado já foram inúmeras lições de vida.
O teatro me ensina a cada dia sustentar afetos, escolhas e delicadezas. Em um cenário político desalentador como o que estamos vivendo, sendo artistas no nosso convívio, escolher o teatro é uma escolha política e trabalhar em coletividade também se trata de sustentar delicadezas.
Volto para a menina que fui
e encho o peito de coragem,
seguro na mão dos que estão ao meu lado
na ciranda da vida
em meio ao Circo Etéreo que fizemos juntos e lembro:
“Dar não dói,
o que dói é resistir.”

Tati: um corpo que antes de mim, já contemplava esta memória, diz:
“todo amor que houver nessa vida”
leia ouvindo essa outra potência citada no texto
coincidência.
ela estava ouvindo enquanto lia.

 Carolina Lira, Atriz da Universidade Livre do Teatro Vila Velha.

Aqui, para o instagram da Mariana: https://bit.ly/2J4s7MB
E aqui, para a música de Cazuza: https://bit.ly/2VAo6X0 



          



quinta-feira, 2 de maio de 2019

UNIVERSIDADE LIVRE DE TEATRO VILA VELHA - Projeto KCena - Por: Rebeca Lima



Foto: Nó de Nós -  Tatiana Semêdo 
Projeto KCena 2019
Teatro do oprimido - Licko Turle/ Teatro Carnavalizado - Miguel Campelo

Teatro do Oprimido, poucos dias, muitas reflexões.
Nunca consegui entender o certo e o errado. Lembro que quando criança, ao ouvir "isto é o certo", ou "isto está errado", ficava pensando se era assim em todos os países, famílias e escolas, se as coisas também funcionavam sob as mesmas regras. Hoje ouvi que ao nascermos, somos livres. Entramos em diversas catarses aleatórias e está tudo bem até alguém lhe falar o contrário.
"Pare, isso está errado".
Pare,
engula o choro,
fale baixo,
não fale,
pirou?


Você merece uma surra,
cale a boca,
pare,
pare,
pare,
pare,
pare.


Ao que se refere exatamente quando falamos "certo" ou "errado"? Para quem se fala? Você ouviu de alguém e reproduziu como uma música que se repete várias vezes quando assim ordenamos, ou viveu sua experiência para saber? Posso viver a minha também? Estou em busca de uma resposta tipo essa, mas diferente da sua.


O Vila me ensina a ser uma artista.


Transcende a atuação, vai na edição, sonoplastia, comunicação, gestão da bilheteria, iluminação e toda a arquitetura de uma cena.


Ontem operamos a iluminação da nossa mostra e só tenho a agradecer por ter tido a oportunidade de desenvolver a sensibilidade dos efeitos que as luzes causam em uma peça. Conexão com meu grupo, que ali se apresentava, foi um dos segredos para as partes virarem um todo.
Rebeca Lima, Atriz da Universidade Livre do Teatro Vila Velha.