terça-feira, 31 de maio de 2016

Segunda edição do "Palco Aberto" discute Comunicação e Democracia

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Primeira edição do Palco Aberto. Foto: Eduardo Coutinho

O Teatro Vila Velha abre as portas para debater o Brasil agora em mais uma edição do projeto Palco Aberto, que acontece nesta quarta-feira, 1º de junho, às 19h. Com o tema Comunicação e Democracia, o evento tem como convidadas a jornalista Tereza Cruvinel, ex-presidente da EBC e comentarista da Rede Tv!; Malu Fontes, professora da Faculdade de Comunicação da UFBA; Ateliê Voador, companhia de teatro; Flávio Gonçalves, jornalista e diretor do IRDEB; Vilavox, grupo de teatro; Maíra Azevedo, jornalista e criadora da personagem Tia Má; Arte e Resistência, coletivo de artistas e agitadores culturais.
Assim como na última edição, o debate intercala falas com intervenções artísticas, incorporando uma diversidade de discursos e abrindo o microfone, ao final, para quem quiser se expressar. Nas semanas seguintes, o "Palco Aberto" volta a acontecer às segundas-feiras, com encontros previstos para os dias 6, 3 e 20 de junho, sempre às 19h. Grupos, coletivos artísticos e pessoas interessadas em também fazer suas narrativas devem entrar em contato com o Teatro Vila Velha através do e-mail comunicacao@teatrovilavelha.com.br para que sejam organizados os próximos debates.
Assim como faz agora através do "Palco Aberto", o Teatro Vila Velha já abriu as suas portas para inúmeros debates. O Vila sempre foi um espaço de defesa da liberdade, desde a sua inauguração, em 31 de julho de 1964, exatos quatro meses após o Golpe Militar. Nos anos 1970 e 80, o teatro acolheu artistas e estudantes perseguidos, abrigou encontros do movimento estudantil e foi sede da Anistia Internacional. No palco do Vila foram julgadas e aprovadas as anistias políticas do cineasta Glauber Rocha, ícone do Cinema Novo, e do guerrilheiro Carlos Marighella. Em 2012 e 2013, abrigou o Movimento Desocupa, contrário aos abusos feitos pela administração municipal e, junto a ele, realizou o projeto “A Cidade que Queremos”, que discutia o futuro de Salvador. Mais tarde, também em 2013, apoiou o Movimento Passe Livre, que tinha o Passeio Público como quartel general.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Resenha de "Notícias de Godot", por Clara Romariz


Cena de "Notícias de Godot". Foto: Marcio Meirelles

A peça “Notícias de Godot”, com direção de Celso Jr. e atores de universidade LIVRE do teatro vila velha estreou no dia 20 de maio e fica em cartaz até 5 de junho, às sextas e sábados, 20h, e domingos, 19h. Em curta temporada, o espetáculo mergulha no universo de Samuel Beckett, um dos mais importantes dramaturgos do século XX, trazendo fragmentos de sua obra, peças curtas e poemas do autor. 

A obra é sublime e pouco tradicional, em grande parte porque o diretor, que estudou Beckett por 30 anos, não se utiliza de clichês sobre o que seria a decadência. A peça aborda as relações humanas na sua diversidade, a psicologia da solidão, a ação da gravidade nos corpos, a estética da fragmentação corpórea, entre outros. 

As cenas são curtas e fortes levando um sentimento de tristeza à plateia, pela atuação, pela postura física e sentimental dos atores, pelas metáforas trazidas. É muito interessante a forma com que as sutilezas são trabalhadas, fazendo com que pessoas diferentes tenham visões diferentes sobre o significado da obra. Os fragmentos que aparentemente são dissociados, menos pela sua estética, e mais pelo conceito, traz indagações ao público que busca um sentido maior. Isso é positivo, visto que os espectadores saem cheios de perguntas depois de assistir a obra.

O figurino (todo branco, com exceção da última cena) complementa o espetáculo fazendo o público se questionar mais uma vez. O sentimento de estar só, mesmo estando com muita gente, que assola a cena, faz a plateia se reconhecer e daí vem a maior angústia: ver que eu estou ali, que sou um dos personagens, que também sou só. “Notícias de Godot” vale a pena ser assistida. 

*Clara Romariz é integrante da universidade LIVRE do teatro vila velha desde março de 2016.

sábado, 28 de maio de 2016

Teatro Vila Velha realiza debate sobre Samuel Beckett no Shopping da Bahia

Evento na loja "Somos" tem como tema a obra do autor irlandês na Bahia


Marcio Meirelles, Celso Jr. e Luiz Marfuz debatem Beckett na Bahia



No dia 2 de junho, quinta-feira, às 19 horas, acontece na loja Somos Coletivo Criativo, 2o piso do Shopping da Bahia, o bate-papo “Beckett na Praia” que discute a atualidade da obra de Samuel Beckett (1906-1989) a partir dos pontos de vista latinoamericano, brasileiro e baiano. O evento é aberto ao público e tem como convidados os diretores Celso Jr., Luiz Marfuz e Marcio Meirelles.


O debate acontece como um desdobramento do espetáculo "Notícias de Godot", que reúne fragmentos, peças curtas e poemas de Samuel Beckett, sob direção de Celso Jr. A peça está em cartaz no Teatro Vila Velha até 5 de junho, com apresentações às sextas e sábados, 20h, e domingos, 19h.


A obra de Samuel Beckett sempre ocupou lugar central nos palcos e nos estudos sobre dramaturgia, desde a estreia da peça "Esperando Godot", em 1953. O autor, que recebeu o Prêmio Nobel da Literatura em 1969, é um dos mais importantes do século 20, quando propôs ao existencialismo novas equações dramatúrgicas em novas composições cênicas, demolindo convenções e apontando para a desconstrução pós-dramática do século 21. Entre os temas mais recorrentes, estão a solidão, impossibilidade de comunicação, abandono das certezas e vazio existencial.


As constantes montagens dos textos de Samuel Beckett trazem sempre possibilidades de ressignificação de sua obra a novos tempos e outros lugares. Na Bahia, muitos encenadores se aventuraram em montagens como "Comédia do Fim", de Luiz Marfuz, "Fim de Partida", dirigida por Ewald Hackler, e "Esperando Godot", sob direção de Márcio Meirelles. Nacionalmente, algumas experiências ganharam destaque, como "Fim de Jogo", de Gerald Thomas, "Esperando Godot", de Zé Celso Martinez e de Antunes Filho, em Eva Wilma e Lilian Lemmertz, e "Dias Felizes", com Fernanda Montenegro, dirigida por Jacqueline Laurence.


Sobre os palestrantes

Celso Jr. é ator e diretor com mais de 60 espetáculos teatrais realizados, professor do Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Sergipe. Doutor em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA (2013, pesquisa a obra de Samuel Beckett há mais de 25 anos. Bacharel em Artes Cênicas (Direção Teatral) pela Escola de Teatro da UFBA, (1994). Mestre em Letras, (Teorias e crítica da literatura e da Cultura) UFBA, (2005).
Luiz Marfuz é doutor em Artes Cênicas (2007) e Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas (1996), ambos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). É graduado em Administração de Empresas (1976) e em Comunicação com Habilitação em Jornalismo - pela UFBA. É professor-adjunto da Universidade Federal da Bahia, diretor teatral, arte-educador, dramaturgo e pesquisador sobre encenação contemporânea e estratégias de encenação no teatro de Samuel Beckett e autor do livro “Beckett e a Implosão da Cena: poética teatral e estratégias de encenação” publicado pela editora Perspectiva em 2014.

Márcio Meirelles iniciou a carreira teatral em 1972, em Salvador. Foi fundador do grupo Avelãz y Avestruz (l976-1989) e do espaço cultural A Fábrica (1982), dirigido por ele. Foi diretor de um dos maiores centros culturais do Brasil – o Teatro Castro Alves, em Salvador, entre 1987 e 1991. Contemplado com importantes prêmios em suas áreas de atuação, fez estágio na Circle Repertory Company (Nova York) e realizou oficinas e espetáculos na Europa e na África. Em 1990 criou, com Chica Carelli, o Bando de Teatro Olodum, que dirige até hoje. Em 1994, coordenou o projeto de reforma e revitalização do Teatro Vila Velha, do qual é diretor artístico. Foi homenageado pelo Troféu Copene de Teatro pelo conjunto de seu trabalho, em 1999; indicado ao Prêmio Shell, no Rio, pela encenação de “Candaces – a reconstrução do Fogo”, em 2003; Entre 2007 e 2010, foi Secretário de Cultura do Estado da Bahia. Em 2013, criou a universidade LIVRE de teatro vila velha, programa de formação em artes cênicas. Anualmente, o artista realiza oficinas e assina montagens em países da África e Europa.

Serviço:

"Beckett na Praia"
Bate-papo sobre a ressignificação da obra de Samuel Beckett a partir do ponto de vista latinoamericano, brasileiro e baiano.
Palestrantes: Celso Jr., Luiz Marfuz e Marcio Meirelles
Data: 2 de junho, quinta-feira, 19h
Local: Loja Somos Coletivo Criativo, 2o piso do Shopping da Bahia
Entrada Gratuita

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Leitura dramática faz parte da programação do Projeto Terças Pretas do Bando de Teatro Olodum

Leitura dramática faz parte da programação do Projeto Terças Pretas do Bando de Teatro Olodum

Para finalizar a edição de maio do Projeto Terças Pretas, do Bando de Teatro Olodum, no Teatro Vila Velha, que teve início no dia 03 e irá ocupar todas as terças do mês com poesia, espetáculos teatrais, feira étnica e literatura, os convidados da noite são a atriz Vera Lopes e o escritor Luiz Silva – Cuti, para uma leitura dramática.

Em conjunto irão apresenta o texto “Tenho Medo de Monólogo”, uma reflexão sobre um drama familiar, um mundo feminino, além de abordar questões sobre os preconceitos estruturais de raça e gênero. Na obra, de acordo com a sinopse, “uma mulher negra narra sua trajetória de luta para criar dois filhos adotivos e, diante do desaparecimento de um deles, toma atitude desesperada que, embora redunde em confinamento, acaba levando-a a um encontro amoroso inusitado e à possibilidade de retomar um antigo amor”. A trama percorre os caminhos da maternidade, solidão, abandono, tragédia pessoal, loucura e um possível novo amor. Entre idas e vindas, a história é desvendada num tradicional fluxo de pensamentos de uma estrutura narrativa que leva para um final surpreendente.

Segundo Lucianno Mazza, autor, crítico de teatro e diretor carioca, “Vera Lopes foi a responsável por dizer seu texto escrito com Cuti (leitor das rubricas). Segura e com bom equilíbrio, entre a emotividade e a qualidade técnica vocal, demonstrou grande interesse e prazer em dizer esta história e a sua interpretação foi contribuição fundamental para a alta qualidade final desta leitura” (Em 2015, no Seminário Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada – RJ). Já a atriz, pesquisadora, professora, doutora em Arte pela Unicamp com Pós-Doc pela UFBA, Evani Tavares, revela que, “Vera Lopes é uma atriz fantástica, de uma sensibilidade e entrega que poucas têm! O que ela fez, aquela leitura, naquele ambiente super intimista, para uma platéia super, hiper selecionada, cheia de notáveis, foi algo extremamente difícil e corajoso. Vera sustentou um texto de altas variantes, com muitas variantes, e, por quase uma hora!”.

Após a leitura dramática terá um bate papo com o público. A noite inicia às 18h com a Feira Étnica e diversos artistas e afro empreendedores expondo produções artesanais, moda e gastronomia. A leitura tem início às 19h. O ingresso dessa noite será pague quanto quiser.

SERVIÇO

O Quê: Leitura Dramática “Tenho Medo de Monólogo” com a atriz Vera Lopes e o escritor Luiz Silva (Cuti), no Projeto Terças Pretas
Quando: 31 de maio de 2016
Onde: Teatro Vila Velha (Campo Grande)
Quanto: Pague quanto quiser
Horário: 19h

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Os Tambores do Maranhão na Terça Preta no Vila



A terça-feira é preta, de benção e de axé no Teatro Vila Velha, com as ações do projeto Terças Pretas promovido pelo Bando de Teatro Olodum, com apoio do Teatro Vila Velha. A cada edição uma cena diferente que reúne música, teatro e poesia com o Recital Vozes Negras e seus convidados especiais.

Nesta terça-feira (24) a noite será dedicada à literatura com o lançamento do livro "Terecô de Codó - Uma religião a ser descoberta", do maranhense Cícero Centriny.

A publicação é resultado de uma longa pesquisa do autor e de depoimentos de autoridades religiosas do Maranhão, onde apresenta muitos detalhes e informações importantes sobre a prática do Terecô em Codó: "Terecô é a denominação de uma religião afro-brasileira tradicional de Codó, município maranhense que recebeu no passado, em suas fazendas e plantações de algodão, muitos negros escravizados, cujos descendentes permaneceram em terras abandonadas pelos senhores durante graves crises na economia, ou doadas por eles aos negros, após a guerra do Paraguai, participada por muitos escravos sob promessa de alforria.

Embora a denominação Terecô seja muito frequente no interior do Maranhão, até poucos anos era quase inexistente na literatura antropológica e era desconhecida da maioria dos sacerdotes e praticantes das religiões de matriz africana de outros estados.

Acredita-se que o Terecô tenha começado a se organizar em povoados negros de Codó antes da abolição, quando ainda não havia casas de culto afro na capital", relata a antropóloga Mundicarmo Ferretti, no prefácio do livro.

Cícero (Lejydokan), filho da yalorixá Maria do Caboclo Sete Flexas, falecida há poucos anos, nasceu em Codó, em 1960. Foi iniciado aos 12 anos no Terecô, tornou-se coordenador dos tocadores de tambor no terreiro do famoso Mestre Bita do Barão, onde sua mãe era pessoa importante na hierarquia da casa. Em meados da década de 90 abriu com ela um terreiro de Terecô no Araçajy, na ilha de São Luís - o Kamafêu de Oxóssi.

"Este livro não se trata de um trabalho acadêmico, e sim de uma maneira encontrada por mim para contribuir com os meus irmãos de raça e de fé, no sentido de traduzir o que me foi repassado, em parte, na oralidade e, em outra parte, adquirido através da extensa vivência com as autoridades religiosas e com a história negra de Codó" diz o autor.

No evento Terças Pretas, os atores do Bando de Teatro Olodum farão uma leitura dramática de trechos do livro, com direção de Antônio Marcelo e Daniel Arcades.

Essa é a estreia de Cícero Centriny no universo da literatura, mas já tem planos para novas publicações. Vencidos todos os obstáculos comuns a um iniciante garante: "Sempre fui norteado pelo pensamento que diz que o pessimista reclama do vento, o otimista elogia o vento e o realista ajeita as velas... Afinal, sou realista, sou um marinheiro de primeira viagem".

SERVIÇO:

Terças Pretas do Bando de Teatro Olodum
Atração: Lançamento do livro "Terecô: Uma religião a ser descoberta" de Cícero Centriny, com leitura dramática dos atores do Bando de Teatro Olodum
Quando: Terça-feira (24 de maio) 18h
Onde: Teatro Vila Velha
Gratuito

"Palco Aberto" abre debate no Teatro Vila Velha


Movimento Passe Livre no Teatro Vila Velha, em junho de 2013

O Teatro Vila Velha abre seu palco para debater o Brasil agora, em encontros semanais que acontecem a partir da próxima segunda-feira, 23 de maio, às 19h. Na discussão, pessoas das mais diversas áreas da sociedade, através de diferentes narrativas, falam sobre o atual momento político do país. Para a primeira edição estão confirmados Juca Ferreira, Bando de Teatro Olodum, Cristina Castro, Manno Goés, Jorge Portugal, Jadsa Castro, Grupo Vilavox, Oco Teatro Laboratório e universidade LIVRE do teatro vila velha. Em um dos momentos do evento o microfone estará aberto para outras intervenções.

Grupos, coletivos artísticos e pessoas interessadas em também fazer suas narrativas nas próximas edições do "Palco Aberto" devem entrar em contato com o Teatro Vila Velha através do e-mail comunicacao@teatrovilavelha.com.br para que sejam organizados os debates, que acontecerão nos dias 01/06 (quarta-feira), 06, 13 e 20/06 (segundas-feiras). Os eventos são aberto ao público.

Assim como fará através do "Palco Aberto", o Teatro Vila Velha já abriu as suas portas para inúmeros debates desde a sua fundação, em 1964. Nos anos 1970 e 80, sediou encontros do movimento estudantil, foi espaço de contestação ao regime militar e sede da Anistia Internacional. Ao longo do tempo, abrigou diversos movimentos sociais e manifestações populares. Em 2012 e 2013, acolheu o Movimento Desocupa, contrário aos abusos feitos pela administração municipal e, junto a ele, realizou o projeto “A Cidade que Queremos”, que discutia o futuro de Salvador. Mais tarde, apoiou o Movimento Passe Livre, que tinha o Passeio Público como quartel general.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Obra de Samuel Beckett inspira espetáculo "Notícias de Godot"

Dirigida por Celso Jr., montagem reúne fragmentos, textos e poemas de um dos autores mais importantes do século 20


Em 20 de maio, próxima sexta-feira, às 20h, estreia no Teatro Vila Velha o espetáculo "Notícias de Godot", que reúne fragmentos, peças curtas e poemas de Samuel Beckett (1906-1989), um dos autores mais relevantes do século 20. Dirigida por Celso Jr., artista e professor que há mais de 25 anos pesquisa a obra de Beckett, a montagem reúne diferentes gerações da universidade LIVRE do teatro vila velha, entre novos integrantes e artistas já formados pelo programa. A temporada segue apenas até 5 de maio, com apresentações às sextas e sábados, 20h, e domingos, 19h. Ingressos à venda na bilheteria do teatro ou pelo site www.teatrovilavelha.com.br.

No palco, doze fragmentos formam um panorama que trata dos temas comuns do universo beckettiano: solidão, impossibilidade de comunicação, abandono das certezas e vazio existencial. "Notícias de Godot" é uma visão particular do encenador Celso Jr. a respeito da obra do escritor e dramaturgo irlandês. "A peça propõe uma versão que livra a cena das representações artificiais de decadência, na intenção de descobrir o que há por trás da linguagem cênica tradicional associada às montagens da obra de Samuel Beckett", conta o diretor, que considera o espetáculo "minimalista, poético e divertido".




O título da montagem criada no Teatro Vila Velha faz referência a uma das obras mais emblemáticas de Beckett, "Esperando Godot", escrita em 1948. "Se Bertolt Brecht é um autor fundamental para compreender a dramaturgia do início do século 20 e influenciou imensamente todos os autores que vieram depois dele, Samuel Beckett ocupa seu lugar, após a estreia de 'Esperando Godot', em 1953, e irá igualmente influenciar – em maior ou menor grau – todos os dramaturgos surgidos então", comenta Celso Junior.

Nascido em Dublin, Beckett recebeu o Prêmio Nobel da Literatura em 1969, tem obras traduzidas para mais de trinta idiomas e peças montadas por todo o mundo. Textos do autor também ganharam versões marcantes no cinema, sobretudo a partir de 2001, quando a ação "Beckett on Film Project" lançou 19 filmes de obras do irlandês dirigidas por nomes como Neil Jordan, David Mamet, Anthony Minghella e Patricia Rozema, com atores como Jeremy Irons, Juliane Moore e Alan Rickman.

Atualidade

O atual momento político do Brasil, que vem sofrido reviravoltas que chegam a desafiar muitas obras de ficção, acabou atravessando os momentos finais de ensaio do espetáculo. "As tribunas políticas se tornaram um mau teatro, protagonizado por maus atores da pior espécie. Sem nos darmos conta, nossa peça foi se transformando em uma espécie de resposta, de espelho do caos. Fomos atravessados pela ressignificação que o texto de Samuel Beckett nos apresentava a cada novo ensaio. Pequenos detalhes não planejados acabaram se tornando metáforas e metonímias", explica Celso Jr.

Ficha técnica:

Notícias de Godot
Texto criado a partir de fragmentos, peças curtas e poemas de Samuel Beckett
Seleção de textos, tradução, figurino, cenário, iluminação, sonoplastia e direção: Celso Jr.
Assistência de direção: Franklin Albuquerque
Engenharia de som: Caio Terra
Elenco: Claudio Varela, Franklin Albuquerque, Gleidson Figueredo, Grazielle Mascarenhas, Iana Nascimento, Lavínia Alves, Lázaro Estevam, Lilia Nascimento, Mari Gavim, Marcia Ribeiro, Matheus Cabral, Thauan Vivas, Victoria Matos, Yan Britto
Realização: Teatro Vila Velha

Serviço:

Notícias de Godot
Temporada: 20 de maio a 5 de junho (sextas e sábados: 20h / domingos:19h)
Local: Teatro Vila Velha
Ingressos: R$30 (inteira) e R$15 (meia)
Classificação: 12 anos

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Encontro musical entre Bahia e Austrália marca projeto "The Loop Lab"



Um encontro inusitado entre a música da Austrália e a música da Bahia acontece nos dias 16, 18 e 19 de maio, sempre às 20h, no Teatro Vila Velha. O projeto "The Loop Lab" reúne quatro dos músicos solo mais inovadores da Austrália, que se juntaram para uma turnê especial no Brasil. Em Salvador, o evento é realizado pelo Festival Australia Now em parceria com o Teatro Vila Velha. Da Bahia, o grupo segue para São Paulo, onde se apresenta na Virada Cultural.

Em 16 de maio, primeiro dia na Bahia, o quarteto composto de Ben Walsh (percussão), Linsey Pollak (sopros), Tom Thum (beatbox) eTjupurru (slide didgeridoo) apresenta show criado especialmente para a turnê, em que usa tecnologias em looping para criar um som multifônico ao vivo, em um espetáculo repleto de humor, virtuosismo musical e das mais incríveis criações sonoras. Um dos artistas, Linsey Pollak, é um fenômeno na internet, com vídeos que mostram instrumentos inusitados, como uma clarineta feita de cenoura, que supera 2 milhões de visualizações em seu próprio canal e 5 milhões de visualizações em vídeo de participação no TEDx (www.youtube.com/watch?v=BISrGwN-yH4).

Em 19 de maio, "The Loop Lab" tem um encontro com o som percussivo afro-baiano representado pelos grupos Ilê Aiyê, Muzenza e o Olodum. Os ingressos para as apresentações podem ser comprados pela internet (www.teatrovilavelha.com.br) ou na bilheteria do teatro.

Na passagem por Salvador, os artistas australianos ministram ainda workshop para os integrantes do Rumpilezzinho, projeto de formação musical de jovens mantido pela Orkestra Rumpilezz.

A apresentação do projeto "The Loop Lab" na Bahia é realizada pelo Festival Australia Now em parceria com o Teatro Vila Velha e conta com apoio do Projeto Rede Pontos de Cultura, do Governo do Estado da Bahia, e parte do programa Mais Cultura, do Ministério da Cultura. O Teatro Vila Velha é gerido pela Sol Movimento da Cena e conta com o apoio financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia.

Serviço

Apresentação "The Loop Lab"
16/05, segunda, 20h, R$40 e 20

[APRESENTAÇÃO CANCELADA] Encontro musical de Tom Thum e Ben Walsh com DJ Maurotelefunksoul e Pedro Filho
18/05, quarta, 20h, R$40 e 20

Encontro musical de "The Loop Lab" com Ilê Aiyê, Muzenza e Olodum
19/05, quinta, 20h, R$50 e 25

Local: Teatro Vila Velha. Av. Sete de Setembro, s/n, Passeio Público, Campo Grande, Salvador.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Recital Vozes Negras se apresenta no Teatro Vila Velha




Quatro Mulheres, poesias, música e discurso racial: estes são alguns dos elementos do Recital Vozes Negras que irá apresentar no próximo dia 17, o tema “amor, resistência e afirmação”, em mais uma edição do projeto Terças Pretas. O espetáculo utilizará a poesia e outros gêneros da escrita para expressar produções literárias que relatam o universo feminino. A Banda Ifá Afrobeat, o cantor Dão e a artista norte-americana Alissa Sanders serão os convidados da noite, abrilhantando ainda mais o evento.

Recital Vozes Negras apresentará uma reflexão sobre a autonomia feminina, nos mais diversos aspectos e passando por tema que vai de políticos chegando aos sexuais, interagindo com outros artistas convidados. As atrizes Luciana Souza, Valdinéia Soriano, Cássia Vale e Aline Souza fornecem o tom e a voz para textos de escritoras baianas Conceição Evaristo, Cristiane Sobral, Lívia Natália e Urânia Munzanzu, que protagonizam elementos da essência feminina. Os versos associam-se à musicalidade por meio de canções, executadas ao vivo pelo ator e percussionista Ridson Reis e pelo violonista Maurício Lourenço e o figurino da estilista Madá Negrif.

A direção é assinada pelo ator Jorge Washington, um dos atores fundadores do bando de Teatro Olodum. “Sentia falta de um espaço que visibilizasse exclusivamente as mulheres negras e marcada pela abordagem de questões que tratam da discriminação racial de forma lúdica e combativa” comenta Jorge Washington, que também foi quem concebeu a montagem. O Recital Vozes Negras é um projeto dedicado à difusão da leitura, onde a arte se expressa de forma espontânea em uma rica interação entre o público e os textos escolhidos, por meio da interpretação das atrizes e seus textos de inspirações. Esta edição também contará com texto do poeta Akins Kintê, destaque da nova geração da literatura negra.

Convidados – Alissa Sanders é cantora de Jazz e se apresentará pela primeira vez em solo baiana, no Recital Vozes Negras. A artista nasceu em Hollywood, Califórnia, EUA e se declara apaixonada pela cultura brasileira, principalmente pelas suas raízes. Em seus shows, procura demonstrar um som com balanço e, ao mesmo tempo, a harmonia do jazz. Chegou ao Brasil para estudar canto o professor Neto Costa e aproveitou para aprender também o idioma. Ela é uma “hollywoodiana” que fala muito bem o português.

Outra convidada para estrear no Recital Vozes Negra é a Banda Ifá, que apresenta repertório inspirado na diversidade musical de matriz africana. O grupo formado por músicos e pesquisadores de Salvador possui mistura sonora com bases no movimento do Afrobeat, dub, reggae, funk, e no ritmo do Ijexá, dos blocos afro e afoxés da Bahia. Ifá faz da sua música um manifesto de afirmação estética e musical da cultura negra, semelhante ao gênero musical criado por Fela Kuti e Tony Allen na Nigéria dos anos 70.

Dão é o terceiro convidado para o Recital na Terças Pretas. Dão é uma espécie de pesquisador do balanço e artista comprometido com ritmos pulsantes, fazendo da sua música sempre uma festa. O seu som é influenciado por artistas como Tim Maia, Hildon, Cassiano, Jackson do Pandeiro, Jorge Ben, Carlos Dafé e outros artistas da música black brasileira, colocando muito swing e criando uma blackmusic contemporânea, com canções que despertam o interesse de amantes da música no mundo todo.

SERVIÇO:
Recital Vozes Negras e participações da Banda Ifá, Dão e da cantora de Jazz, Alissa Sanders
Local: Teatro Vila Velha, Passeio Público
Dia: Terça-feira, 17 de maio, a partir das 18h
Entrada: Inteira R$20 e Meia R$10

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Lançamento da "Teia - Encontro Nacional dos Pontos de Cultura 2016" acontece no Vila


De 6 a 8 de maio, Pontos de Cultura, gestores municipais e estaduais, movimentos de economia solidária e parceiros do Ministério da Cultura se reúnem no Teatro Vila Velha, para o lançamento da Teia – Encontro Nacional dos Pontos de Cultura 2016, que neste ano acontecerá em Salvador, durante o mês de novembro. O lançamento será no dia 6 de maio, às 18h, no Teatro Vila Velha, e contará com a presença do ministro da Cultura Juca Ferreira, da secretária Ivana Bentes e de representantes do governo estadual da Bahia.

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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Com o Bando de Teatro Olodum como anfitrião, projeto Terças Pretas reúne teatro, música e literatura no Vila Velha

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"Se Deus Fosse Preto", monólogo de Sergio Laurentino, inaugura as Terças Pretas

Em maio, o Bando de Teatro Olodum retorna com o projeto Terças Pretas, ocupando o Teatro Vila Velha, em Salvador, com poesia, literatura, música e espetáculos teatrais. Serão cinco edições quando se evidenciará o modo como a companhia vem unindo arte e militância, influenciando artistas que dão continuidade a essa trajetória. A cada terça-feira, sempre às 19h, uma programação nova, incluindo convidados especiais como a atriz e poetisa Vera Lopes e o escritor e professor de Literatura, Cuti.

Entre os frutos dos 25 anos do teatro negro do Bando está o ator Sergio Laurentino, que abre a programação das Terças Pretas, dia 03 de maio com o monólogo, Se Deus Fosse Preto. Após 15 peças no currículo e mais de dez anos integrando o Bando de Teatro Olodum, o ator encara seu primeiro espetáculo solo. Com texto do próprio Sergio Laurentino e direção de Jean Pedro, Se Deus Fosse Preto traz questionamentos sobre como seria se o Deus cristão, ocidental, cultuado pela maior parte das religiões, fosse substituído por um Deus negro, com outros valores, outra doutrina e outro templo. Esse é Lhoid, um homem negro, preso injustamente por assassinato, e que na prisão, escreve textos que serão base da criação de uma nova religião universal. Sergio Laurentino já atuou em espetáculos do Bando, como Cabaré da RRRRRaça, Áfricas, Bença e Dô , além de participações no cinema (Besouro e Jardim das Folhas Sagradas) e na televisão (as série da Rede Globo Ó paí, ó e O Caçador). A apresentação de Se Deus Fosse Preto acontece no dia 03 de maio (terça-feira), 19h. Ingressos R$20,00 e R$10,00 (meia).

 Comédia "Eles não sabem de Nada" é uma das atrações

O teatro herdeiro do Bando de Teatro Olodum continua em cena no dia 10 de maio, com a peça Eles não sabem de nada, com texto e direção de Leno Sacramento e atuação das atrizes Naira da Hora e Shirlei Sanjeva. Todos os três são conhecidos pela atuação nas peças do Bando, como Erê, de 2015. Em Eles não sabem de nada é mostrado, de forma divertida, o encontro entre duas mulheres negras, independentes, militantes, empoderadas e com senso de humor para criticar o machismo. Ingressos R$20,00 e R$10,00 (meia).

Banda IFÁ Afrobeat é uma das convidadas do recital "Vozes Negras"

Na terça, 17, o Bando de Teatro Olodum abre espaço para a rica produção literária de escritoras e escritores. É o recital “Vozes Negras”, que valoriza o poder da mulher e as escritas femininas, na voz e na performance das atrizes Valdinéia Soriano, Cássia Vale e Jamile Alves. Com concepção e direção do ator Jorge Washington, o recital terá a participação do violonista Mauricio Lourenço, do ator e percussionista Ridson Reis, que, como os outros artistas envolvidos, é integrante do Bando de Teatro Olodum. O recital terá ainda como convidadas a atriz Luciana Souza, a cantora Aline Sousa, e como atrações musicais a banda IFÁ Afrobeat, a cantora norteamericana Alisa Sanders e o cantor Dão. Ingressos R$20,00 e R$10,00 (meia).

Dia 24, o Teatro Vila Velha sedia o lançamento do livro Terecô de Codó - Uma Religião a Ser Descoberta, escrito por Cícero Centriny, que registra a história da religiosidade de uma comunidade remanescente de quilombo do Maranhão. O livro é o resultado de muitas pesquisas, ao longo de nove anos, e apresenta pontos de vista das autoridades religiosas, entrevistas e depoimentos, além do convívio extenso com os “terecozeiros” e suas práticas religiosas. No lançamento haverá leitura de trechos do livro com a participação do Bando de Teatro Olodum e direção de Antônio Marcelo. Logo após a leitura terá uma fala do autor e autógrafos. Entrada franca.


Vera Lopes interpreta "Tenho Medo de Monólogo", com participação de Cuti, autor do texto

E para finalizar o mês do projeto, no dia 31 a leitura dramática do texto Tenho medo de monólogo, com a atriz e poeta Vera Lopes e o escritor Cuti, autor do texto, que fará um papo com o público após a leitura. O sistema de pagamento desta leitura dramática será “Ingresso: pague quanto quiser”. Cuti é professor doutor em Literatura Brasileira da Unicamp autor de diversas obras da literatura afro-brasileira. O texto: Tenho medo de monólogo é uma reflexão sobre um drama familiar, um mundo feminino, além de abordar questões sobre os preconceitos estruturais de raça e gênero.

As Terças Pretas vão acontecer de 03 a 31 de maio, sempre a partir das 18h, com a Feira Étnica, e diversos artistas e afro-empreendedores expondo produções artesanais, moda e gastronomia.

PROGRAMAÇÃO
Terças Pretas / maio 2016

Dia 03/05, 19h – monólogo Se Deus Fosse Preto, com atuação e direção de Sergio Laurentino.
Ingressos: R$20 e R$10

Dia 10/05, 19h – espetáculo Eles não sabem de nada, direção de Leno Sacramento.
Ingressos: R$20 e R$10

Dia 17/05, 19h – recital poético Vozes Negras, com atrizes do Bando de Teatro Olodum e direção de Jorge Washington.
Ingressos: R$20 e R$10

Dia 24/05, 19h - Lançamento do livro Terecô de Codó.
Entrada franca

Dia 31/05, 19h – Leitura dramática do texto Tenho medo de monólogo, com Vera Lopes e Cuti.
Pague quanto quiser

Teatro Vila Velha, Passeio Público, Campo Grande, Salvador-BA