sexta-feira, 20 de maio de 2016

Os Tambores do Maranhão na Terça Preta no Vila



A terça-feira é preta, de benção e de axé no Teatro Vila Velha, com as ações do projeto Terças Pretas promovido pelo Bando de Teatro Olodum, com apoio do Teatro Vila Velha. A cada edição uma cena diferente que reúne música, teatro e poesia com o Recital Vozes Negras e seus convidados especiais.

Nesta terça-feira (24) a noite será dedicada à literatura com o lançamento do livro "Terecô de Codó - Uma religião a ser descoberta", do maranhense Cícero Centriny.

A publicação é resultado de uma longa pesquisa do autor e de depoimentos de autoridades religiosas do Maranhão, onde apresenta muitos detalhes e informações importantes sobre a prática do Terecô em Codó: "Terecô é a denominação de uma religião afro-brasileira tradicional de Codó, município maranhense que recebeu no passado, em suas fazendas e plantações de algodão, muitos negros escravizados, cujos descendentes permaneceram em terras abandonadas pelos senhores durante graves crises na economia, ou doadas por eles aos negros, após a guerra do Paraguai, participada por muitos escravos sob promessa de alforria.

Embora a denominação Terecô seja muito frequente no interior do Maranhão, até poucos anos era quase inexistente na literatura antropológica e era desconhecida da maioria dos sacerdotes e praticantes das religiões de matriz africana de outros estados.

Acredita-se que o Terecô tenha começado a se organizar em povoados negros de Codó antes da abolição, quando ainda não havia casas de culto afro na capital", relata a antropóloga Mundicarmo Ferretti, no prefácio do livro.

Cícero (Lejydokan), filho da yalorixá Maria do Caboclo Sete Flexas, falecida há poucos anos, nasceu em Codó, em 1960. Foi iniciado aos 12 anos no Terecô, tornou-se coordenador dos tocadores de tambor no terreiro do famoso Mestre Bita do Barão, onde sua mãe era pessoa importante na hierarquia da casa. Em meados da década de 90 abriu com ela um terreiro de Terecô no Araçajy, na ilha de São Luís - o Kamafêu de Oxóssi.

"Este livro não se trata de um trabalho acadêmico, e sim de uma maneira encontrada por mim para contribuir com os meus irmãos de raça e de fé, no sentido de traduzir o que me foi repassado, em parte, na oralidade e, em outra parte, adquirido através da extensa vivência com as autoridades religiosas e com a história negra de Codó" diz o autor.

No evento Terças Pretas, os atores do Bando de Teatro Olodum farão uma leitura dramática de trechos do livro, com direção de Antônio Marcelo e Daniel Arcades.

Essa é a estreia de Cícero Centriny no universo da literatura, mas já tem planos para novas publicações. Vencidos todos os obstáculos comuns a um iniciante garante: "Sempre fui norteado pelo pensamento que diz que o pessimista reclama do vento, o otimista elogia o vento e o realista ajeita as velas... Afinal, sou realista, sou um marinheiro de primeira viagem".

SERVIÇO:

Terças Pretas do Bando de Teatro Olodum
Atração: Lançamento do livro "Terecô: Uma religião a ser descoberta" de Cícero Centriny, com leitura dramática dos atores do Bando de Teatro Olodum
Quando: Terça-feira (24 de maio) 18h
Onde: Teatro Vila Velha
Gratuito

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