segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Administração de...



Eu sei que conselho bom não se dá de graça e só dá a quem pede. Mas como eu sou daqueles que acreditam na democracia da informação, vamos lá...
Estive pensando sobre meu passado, meu presente e o futuro. Fui aluno da Universidade Salvador, cursei “Administração de “Empresas””. Fiz Pós Graduação em “Gestão de “Negócios””. Fui estagiário, fui empregado, fui empresário e hoje não sou nem uma coisa nem outra. Pois é! Não sou empregado e nem empresário – e nem desempregado!

Atualmente eu faço parte de um grupo de pessoas que trabalham num novo sistema. Desempenho funções de administrador, sim! Mas aconselho melhor chamá-lo de Gestor! Um Gestor deste novo sistema? Sim! Um Gestor Organizacional. Pois é! O que vem a ser esse novo sistema? O que vem a ser esse novo Gestor?

Durante os quatro anos de minha formação profissional eu fui condicionado a seguir uma lógica clara para atender diretamente as demandas do mercado - a qual eu me direcionava. Essa lógica estava baseada num único sistema. Uma via de mão única. Uma via que me guiava à lógica empresarial, mercadológica, liberal, individualista e hegemônica. Era a lógica do lucro. Baseado nessa premissa - agregando diversas metodologias, fomos nos formando Administradores de Empresas.

Menos eu! Sempre houve algo dentro de mim que não acreditava naquilo. Não acreditava na competição entre os humanos como sendo “o” sustentáculo da sobrevivência. Havia algo nessa balela que não sintonizava comigo. Esse diapasão não me servia. Mas fui seguindo minha vida, naqueles moldes já citados anteriormente. Até que eu encontrei o Teatro Vila Velha. Qual o cargo? Ironicamente o de Administrador, ou melhor, Coordenador Administrativo Financeiro! E entre voltar para Barcelona ou permanecer em Salvador, não tive dúvidas: fui para o Vila, Velho! Como nada na vida acontece de forma isolada, eu acabei sendo aceito num maravilhoso mestrado em Gestão Social na UFBA que veio corroborar com todos esses valores citados. E foi aí que tudo mudou. E é daí que vem o meu conselho.

O que eu faço no Vila? As mesmas coisas que um Administrador de Empresas faria em qualquer empresa. Só que guiado por uma outra lógica. Ao invés da lógica do lucro, eu sigo a lógica da sustentabilidade. Ao invés da lógica da competição, eu sigo a lógica da colaboração. Ao invés da lógica da eliminação dos concorrentes, eu sigo a lógica da valorização da diversidade. Ao invés do mercado, eu vejo o homem!

Foi assim que eu fui me tornando um verdadeiro Gestor Organizacional. E não estou só! Os números estão aí para demonstrar o avanço das O.S.´s, das cooperativas, das fundações, das associações. O mercado de trabalho mudou. Os valores que norteiam nossa sociedade estão mudando (sempre mudaram). Nós mudamos. O profissional também deve mudar. Não estou falando de tecnologia, de informação, de conhecimento. Não estou falando em adaptação. Não estou falando de responsabilidade social somente. Estou falando de mudança. De novos valores.

Deixo então meus pensamentos para todos os cursos de “Administração de Empresas” que ainda insistem em oferecer à sociedade um profissional (gestor) limitado e ultrapassado que já não atende mais às novas demandas sociais.

Gustavo Libório
Coordenador Administrativo Financeiro
Teatro Vila Velha
gustavoliborio@teatrovilavelha.com.br

2 comentários:

  1. Pedro Meirelles1/10/07 17:54

    Gustavo,
    Foi muito bom ler as suas palavras! É realmente muito animador que no mundo em que vivemos existem pessoas que estão pensando diferente, agindo diferente, fazendo a diferença. Desde que você entrou no Vila senti simpatia pela sua conduta!!! Parabéns o Vila tem outra cara a muito tempo e com você tem outra ainda mais diferente. Quero aproveitar a ocasião e dizer que o Teatro Vila Velha é muito forte e sempre será... chova ou faça sol... maré alta ou baixa!!! Viva o Vila!!!

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  2. Max Gehringer nada. Sou mais o Guga do Vila! Mais que nunca, é o momento de mostrar a cara deste modelo de gestão, pautada por ideais éticos e de sustentabilidade que se afinam com a perspectiva de um mundo mais harmônico. Guga, que suas idéias e experiências reverberem em outros campos, botando para cima organizações 'alternativas' como o Vila e também grandes coorporações, porque o lucro não pode ser de um só. Para uma vida melhor, em âmbito global, o benefício tem de ser compartilhado.

    Para o alto e avante!

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