segunda-feira, 23 de julho de 2007

Diário de Cristina Castro na Paraíba

Iniciei minha partcipação no XXXII Festival de Inverno de Campina Grande no dia 17/07, abrindo a palestra que teve como tema a dança contemporânea. Muita idéias e questões sobre pesquisa, formação de platéia e dança no Nordeste foram levantadas por um público ávido por conhecimento sobre arte. Junto comigo na mesa estavam presentes Myrna Agra Maracajá e a representante da Cia Marcia Duarte, do DF.

Pela tarde, a convite de Eneida Maracajá, fundadora e diretora do Festival , fui assistir a uma das atividades de extensão, no Colégio Dr. Chateaubriand. Lá assistimos, junto com uma platéia repleta de crianças da rede pública, o trabalho de dança popular de grupos de Campina Grande e de cidades vizinha como Juazeirinho e Lagoa Nova, em um verdadeiro trabalho de formação de platéia para a dança.


Apresentação do Cavalo-Marinho, manifestação popular

Assisti, entre outros, ao trabalho do professor e coreógrafo Mauro Araújo com crianças e adolescentes do PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Mauro é coordenador de Arte Popular do Festival, diretor da Cia Livre, profundo conhecedor da Cultura Popular da Paraíba.

À noite, mais bate papo e vídeos sobre trabalhos inovadores na dança, quando tomei conhecimento de um projeto lindíssimo chamado CULTURA NO PRESÍDIO, fundado e coordenado a 8 anos por Eneida Maracajá, na Penitênciaria do Alto Serrotão de Campina Grande. Nele são desenvolvidos trabalhos de música, teatro e dança contemporânea por presidiários, apresentados no principal teatro da cidade, "deixando por algumas horas, os fios de alta tensão e as muralhas que os separam da sociedade".É um trabalho de qualidade, um exemplo para o Brasil e um orgulho para o Nordeste.


Da esquerda para direita: Eneida Maracajá, Mauro Araújo, Cristina Castro e Lourdes

Myrna Maracajá, formada em psicologia, bailarina e coreógrafa, é a responsavel pela parte de criação das coreografias e desenvolve um trabalho arrojado e extremamente desafiador, pois revela de forma bem particular o movimento nos corpos limitados ao "não-movimento", condicionados à inércia e à violência.

"Precisei criar um método próprio para poder trabalhar com um grupo de homens marginalizados e extremamente desacreditados da vida. Assim, criei a 'DANÇA EXISTENCIAL', que é baseada nas técnicas da Dançaterapia. Os movimentos são 'extraídos' do cotidiano dos apenados. Tudo que eles vivem atrás das grades serve de fonte para a criação coreográfica: a saudade, a solidão, o desespero, a esperança, enfim, o sonho da libertação". (Myrna Maracajá)

Tudo é produzido pelos presidiários, letras das músicas, som, texto e movimento. O trabalho de direção, passa pela dedicação e sensibilidade, garimpando e lapidando raras jóias em oficinas de arte. O trabalho de auto estima, resgate da sensibilidade e integração a sociedade é fantástico. Vida longa a esse trabalho e parabéns a Eneida, Myrna e a Campina Grande!!!

Ministrei o workshop Dança e Movimento para atores e dançarinos da cidade, pela manhã e pela tarde, no Centro Cultural Lourdes Ramalho. No intervalo conheci um pouco de Campina Grande, uma cidade que promove muitos eventos e dispõe de uma boa estrutura turística para receber seus visitantes.


Sítio São João

Conheci o Sítio São João- memorial do homem nordestino, uma reprodução em pleno centro da cidade do cotidiano de uma fazenda, com igreja, casa de fazer algodão, engenho, etc. Visitei o lugar onde se realiza o maior São João do Mundo, com acervos em homenagem a Marinês e Sivuca, ícones do forró e mestres da cultura popular. Lá, o cordel esta em toda parte, nas banquinhas e nos parques, é muito bom de ver e ouvir.


Cristina vai à feira


A entrada para o Maior São João do Mundo

Conheci também o teatro onde são realizadas as apresentações à noite, o Teatro Municipal Severino Cabral.O teatro dispõe de 2 salas e recebe grandes artistas de todo o Brasil. É muito interessante e acolhedora a realização de um festival em uma cidade do interior, digo mesmo que até muito melhor do que numa capital. A gente conhece as pessoas e cruza diariamnete com artistas e moradores locais que sabem o que esta acontecendo, trocam idéias com quem está visitando. O tempo e o espaço são determinantes para um verdadeiro encontro de intercâmbios culturais.

Cristina Castro é coreógrafa baiana e artista residente do Vila

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