segunda-feira, 11 de julho de 2016

Universidade LIVRE faz imersão sobre texto e traduções de "Romeu e Julieta"


Na última semana, a universidade LIVRE do teatro vila velha ganhou reforço nos estudos sobre a obra Romeu e Julieta, de William Shakespeare, que vem sendo trabalhada desde o início do ano para a montagem que estreia em dezembro, no Teatro Vila Velha, sob direção de Marcio Meirelles. Em sete dias de imersão, os participantes da LIVRE tiveram a presença de José Roberto O'shea, dramaturgo, tradutor e professor de literatura inglesa da Universidade Federal de Santa Catarina, doutor em Literatura Inglesa e Norte Americana pela Universidade da Carolina do Norte-Universidade de Birmingham e especialista na obra do bardo inglês, e de Elizabeth Ramos, professora do Instituto de Letras Germânicas da Universidade Federal da Bahia, pós-doutora pela USP e pesquisadora do obsceno em Shakespeare.

Os trabalhos contaram ainda com a presença dos artistas e colaboradores da casa, Chica Carelli, atriz e diretora, e Marcio Meirelles, encenador, criador da universidade LIVRE e diretor artístico do Vila. Juntos, discutimos as traduções do texto Romeu e Julieta com foco na tradução de Bárbara Heliodora , realizando escolhas/mudanças  na tradução a partir dos sentidos originais. Os encontros colaboraram substancialmente para a compreensão da peça, dos seus personagens, das intenções das falas e da lógica rítmica dos versos. Foram levantadas questões sobre como o "morrer de amor", presente em Romeu e Julieta, era crível na época de Shakespeare, assim como o "morrer de tristeza". 

Juntos, comparamos personagens do dramaturgo como Ofélia, Cleópatra e Julieta, considerando os estudos já feitos sobre o papel da mulher na obra do autor; questões como a grande diferença de idade dos personagens e tudo que isso implica também foram levantadas. Tudo isso qualifica o processo, expandindo sentidos. Oshea nos mostrou como, em Shakespeare, o fim das peças não leva a uma mudança transcendental, a uma nova ordem. Marcio apontou que o fato de Shakespeare matar as personagens femininas mais incríveis na sua obra é uma crítica forte ao que se fazia com as mulheres em seu contexto histórico. Essa imersão no texto tornou-o mais palpável para nós, permitindo uma compreensão mais segura da obra.

Texto escrito por Clara Romariz com colaboração de Lilia Nascimento, ambas integrantes da universidade LIVRE do teatro vila velha.

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