segunda-feira, 22 de outubro de 2012

É no palco que a Muvuca acontece


Corpos entrelaçados, burburinhos intermináveis, música instrumental de ritmos variados, um pouco de barroco, um toque de romantismo, sincronia, percussão, racionalidade, emoção, ousadia, leveza e harmonia. Esses são apenas alguns elementos presentes em Muvuca, novo espetáculo do Núcleo Viladança, que estreou dia 19/10, no Teatro Vila Velha. Nenhuma palavra ou expressão conseguirá traduzir, fielmente, o que Bárbara Brabará, Leandro Oliveira, Leonardo Muniz, Mariana Gottschalk e Sérgio Diaz apresentaram no palco. Contudo, uma palavra define a reação do público: satisfação.

Brincando com os vários significados da palavra “muvuca” e deixando a cena aberta para que o espectador estabeleça um sentido, o espetáculo, dirigido e coreografado por Cristina Castro, que assina também a dramaturgia junto com Sérgio Rivero, coloca o contato como protagonista do cotidiano das pessoas. O contato é o ponto forte da montagem. O contato com os outros, com o mundo, com os problemas e com as falhas dos seres humanos. Muvuca é simples, sem ser óbvio. Sofisticado, sem ser pedante.

Os intérpretes-criadores, como os dançarinos são tratados pela equipe de Muvuca, estão intensos no palco. A técnica precisa e a sincronia dinamizam a peça e mostram toda a segurança dos artistas, donos do espaço. A coreografia se mostra tão natural que nem parece que houve longos períodos de ensaio. Tudo contribui para o sucesso de Muvuca: o desenho de luz de Pedro Dultra, a trilha sonora de João Milet Meirelles e Roberto Barreto, as projeções de vídeo de Amaranta César e Danilo Scaldaferri. A entrega de todos os artistas se reflete no espetáculo. A muvuca dos bastidores foi para o palco, harmoniosa.

E a montagem toca em questões sociais importantes. Através da coreografia, metaforicamente, é possível deduzir a competição presente numa sociedade capitalista, as pedras que estão no caminho de todo mundo e o esforço de cada pessoa para se livrar delas, as estratégias de fuga dos problemas. Enfim, Muvuca é a representação do mundo atual.

“Para criar a dramaturgia, partimos de questionamentos sobre a palavra ‘muvuca’, sobre o que ela inspirava nas pessoas. O espetáculo mostra como se dá o processo de comunicação entre os seres humanos. As cores são bem marcantes em Muvuca, uma vez que cada uma tem um significado. Para compor o trabalho, muita leitura foi feita: Manoel de Barros, Matty Brown, Clarice Lispector, dentre outros”, afirma Sérgio Rivero, 49 anos.

Cristina Castro, 49 anos, revelou que o processo de produção foi muito tranquilo e que o maior desafio foi unir todas as linguagens que permeiam a montagem. “O Núcleo Viladança tem 14 anos e, durante todo esse tempo, posso afirmar que o processo de concepção de Muvuca foi o mais tranquilo. Isso se deu porque a equipe é muito harmoniosa. O processo de pesquisa foi muito rico, com leituras e experimentações. As projeções e as músicas foram feitas de modo artesanal. Eu queria trazer a música da Bahia para o espetáculo, mas com uma concepção diferente. E, embora Salvador seja uma cidade cheia de muvucas, uma pesquisa encomendada por nós revelou que, quando ouvem a palavra ‘muvuca’, os baianos associam muito mais à muvuca virtual do que à física. O maior desafio para nós foi fazer com que todas as linguagens presentes na peça dialogassem”.

O dançarino Leonardo Muniz, 25 anos, avaliou a estreia: “Foi a tradução daquilo que a gente produziu. No palco, a muvuca foi organizada”.

A temporada de Muvuca se estende até o dia 4 de novembro, sempre de sexta a domingo, às 20h, na Sala principal do Teatro Vila Velha. O ingresso custa R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). As reservas podem ser feitas pelo telefone 3083-4600. Uma apresentação especial será feita, no dia 29 de outubro, às 15h, no intuito de formar plateia. No site www.projetomuvuca.com.br você pode obter mais informações e saber curiosidades do espetáculo.

Texto: Raulino Júnior
Fotos: João Milet Meirelles

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