sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Bando comemora 14 anos de Cabaré da Rrrraça



Em sua curta temporada, o Bando de Teatro Olodum apresenta Cabaré da Rrrraça e comemora, em agosto, os 14 anos de criação do espetáculo. Criado em 97, a montagem é um dos maiores sucessos do grupo e discute a questão racial com inteligência, humor, música e dança.

Para essa temporada, teremos duas substituições no elenco. Jamile Alves vai substituir Cássia Valle, fazendo a cabeleireira “Marilda”, nos dias 05 e 06 de agosto e Amauri Oliveira, vai interpretar “Luciano Patrocinado” em toda temporada. Amauri já participou do projeto Teatro de Cabo a Rabo (intercâmbio de artistas do Vila e grupos do interior do Estado) e vem do Teatro Popular de Ilhéus, grupo parceiro do Vila e do Bando, dirigido por Romualdo Lisboa.

Dirigida por Marcio Meirelles, a peça levanta discussões bem humoradas sobre negritude, racismo e a participação do negro no mercado de consumo, por meio de personagens que já caíram no gosto popular, como o “Patrocinado”, a cantora “Flávia Karine” e o “Super Negão”.

Interprete da personagem “Flávia Karine” desde a criação de Cabaré, Auristela Sá entende que, apesar da pouca e sutil mudança no espetáculo, ele ainda se faz necessário. “É uma pena que a gente ainda sinta a necessidade e importância de apresentá-lo, que a gente ainda escute os depoimentos com exemplos de racismo. Seria melhor que ele fosse só artístico e não tão pessoal”, diz.

De acordo com Chica Carelli, Cabaré surgiu em um momento de crise. “O elenco estava cansado de ser mal interpretado, de ouvir coisas negativas e, principalmente, com a falta de dinheiro e de apoio. Conversamos muito e então surgiu a vontade de fazer algo diferente do que vínhamos fazendo”, conta a co-diretora do espetáculo.

A mudança se fez necessária e de certa forma radical. Ao invés de colocar no palco o povo pobre e sofrido do Pelourinho ou de outra periferia da cidade, o Bando queria continuar debatendo o racismo, mas por outro viés. “Marcio Meirelles queria falar do negro como consumidor e objeto de consumo através de personagens que mostram o negro que anda arrumado, sai nas capas das revistas, o negro fashion”, explica Chica.
Cabaré da Rrrrraça mudou a estética dos espetáculos do Bando e também mudou a postura dos atores perante a sociedade. “Hoje eu sinto uma mudança muito forte nos atores. A gente sempre saía depois das apresentações e continuava discutindo o assunto. Acho que essa mudança também é vista no público que assiste ao espetáculo”, afirma Auristela.

Parte importante do espetáculo, os depoimentos dados pelo público ao longo da apresentação, trazem o que é dito pelos atores a uma esfera pessoal e próxima de cada um. “Cabaré já foi apresentado em diversas cidades do Brasil e também em Portugal e Angola e os depoimentos são “iguais”, o que acontece aqui, acontece lá também. Lembro de um depoimento de uma moça no Rio de Janeiro que contou que uma professora da PUC entrou na sala, olhou pra ela e disse: ‘Nossa, como a PUC baixou o nível’”, relata.

Outro destaque do espetáculo são os figurinos especiais usados pelos personagens e músicos em cena. Eles são assinados por um grande time de estilistas baianos. Para essa temporada o Bando vai se apresentar com o figurino preto.

Bando de Teatro Olodum – História

Há 20 anos, nascia em Salvador uma das mais poderosas propostas de ação afirmativa na área cultural. Um grupo de teatro formado por um elenco exclusivamente negro, encenando espetáculos cujo tema principal seria o negro dentro da sociedade brasileira. A certeza da força daquela escolha e da verdade que levavam para o palco fez com que diretores e atores enfrentassem a resistência de uma sociedade nada aberta para discutir temas como a desigualdade racial, o racismo e as práticas preconceituosas cotidianas camufladas pela suposta ‘democracia racial’. Assim nasceu o Bando de Teatro Olodum, a mais consolidada companhia teatral do atual cenário baiano. Uma das poucas a manter um corpo estável, com elenco, diretores e técnicos e a desenvolver uma linguagem própria e contemporânea, fruto da experiência, do trabalho em grupo e de uma definição clara da função desempenhada pela companhia.

Cabaré da Rrrrraça
5 a 14/08 | sex, sáb e dom | 20h
Sextas: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Sábados e domingos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Sala Principal

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