sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Vilavox faz balanço da Caravana Funarte-Petrobras


Vilavox num momento de folga em Mossoró

Neste último fim de semana de julho, o Vilavox encerrou sua caravana de apresentações de Canteiros de Rosa por seis cidades do Nordeste. Foi o fim da Caravana Funarte Petrobras, que nos levou à nossa vizinha Aracaju (SE), Alagoinhas tão-logo-ali, à distante e surpreendente Mossoró (RN), Natal, de clima tão parecido, Maceió e as belíssimas praias de Alagoas e, por último, Recife, que todos ansiavam por ver ou rever.



Oficinas lotadas - essa aí foi em Aracaju

Nas seis cidades, algumas constantes: cumplicidade e gentileza por parte dos que insistem em fazer teatro em suas terras, sempre com a dificuldade que conhecemos, por vezes com mais dificuldades ainda; artistas, técnicos, administradores de espaço fazendo milagres para manter de pé a programação cultural de suas regiões. Interesse e avidez dos estudantes e dos grupos locais em nos conhecer, conhecer o Vila Velha, e também, como não, em se fazer conhecer. Oficinas sempre emocionantes, debates sempre emocionados. As surpresas em cada cidade foram os teatros belíssimos e bem cuidados em umas, teatros belíssimos e sem recursos em outras, e o último, Teatro Hermilo Borba Filho, tão aconchegante e adequado para nós que parecia ter sempre estado à espera de Canteiros. Parecia mesmo que Canteiros foi feito pra lá.


Todo mundo suando a camisa na montagem do cenário em maceió

Mas houve também sempre os mesmos problemas, que se resumem a um: pouco público. Reconhecemos empenho dos produtores locais, mas como divulgar um espetáculo que, por natureza, não é “de massa”? Como competir com o evento principal da noite, aquela peça com atores famosos, um mega forró, ou simplesmente o pouco interesse da mídia em nos conhecer, nós que nem éramos “locais”? Ainda que com uma equipe que nunca perdeu o bom humor, demos de cara com o fato de que nós, decididamente, estamos longe de ser o evento principal das noites desse nordeste brasileiro. Sempre soubemos disso, mas às vezes, é forçoso confessar, dói.


Mais gente reunida em torno da oficina - Natal

Agora o Vilavox se volta pra suas entranhas, entra “em processo” interno, tenta mais uma vez se refazer e sobreviver, já que a caravana foi feita com amigos que partem pra outros projetos. Ficam na memória, pra todo o sempre, horas agradabilíssimas de cerveja e trabalho, muita cerveja e muito trabalho, graças a Deus.

E, bem, se não atingimos as massas, sei que atingimos profundamente pelo menos meia dúzia de pessoas em cada praça. Ao contrário do que dizem todos os administradores de empresa, essa relação custo-benefício está mais que ótima pra mim. Por mim, missão cumprida.


O elenco se despede do Teatro Alberto Maranhão (Natal)

Jacyan Castilho é atriz e diretora.

7 comentários:

  1. Paula Lice6/8/07 20:02

    Queria mesmo era ter estado lá... saudade das rosinhas e dos canteiros! Bom saber de vocês! Beijos em todos!

    ResponderExcluir
  2. Marcelo Oliveira - CIA NATA - ALAGOINHAS-BA8/8/07 17:22

    As imagens ainda estão no nosso cotidiano. É um contentamento muito grande ver trabalhos tão delicados e de tamanha sensibilidade e técnica sairem de seus ninhos e voarem por outros céus. Pena o pouco público para um espetáculo tão inspirador e intempestivo... Alagoinhas aguarda o retorno.

    Abraço em nome da Cia Nata

    ResponderExcluir
  3. Inspirado no livro Primeiras Estórias de Guimarães Rosa, o grupo de teatro bainao Vilavox montou um espetáculo surpreendente e fascinante. Canteiros de Rosa traz três histórias distintas que têm como característica comum o fato de serem protagonizadas por personagens que estão à margem da sociedade. Assim como nos contos originais, a adaptação teatral da diretora Jacyan Castilho não apresenta um final para cada um deles, cabendo ao espectador interpretá-los. Os diferentes tons presentes na obra do escritor mineiro – o cômico e o trágico, o patético e o lírico, o erudito e o popular – foram adaptados para o teatro de forma magnífica no texto de Gordo Neto.


    Texto completo no site CENA CRÍTICA de Pernambuco.
    www.cenacritica.br21.com

    ResponderExcluir
  4. Pô, Jacy, leio esse texto com saudade e alegria de ter feito parte desse canteiro.
    Tantos teatros, tantas casas diferentes. Coxias apertadas, outras tão grandes que podíamos dançar.
    Mas não quero fazer muita saudade, pois toda saudade é um pouco (tanto) de velhice.

    ResponderExcluir
  5. Daniel Arcades - Cia. Nata - Alagoinhas20/8/07 17:43

    Podem ter certeza que apesar de não terem tocado à massa, mexeram com as vontades e com os olhos(que brilhavam ao ver a luz do trem chegando, ao ver os olhos da menina feiticeira, da que não falava, ao ver vozes tão belas saírem das bocas do elenco) de várias pessoas. Você contribuíram para a confirmação da nossa vontade de fazer teatro e de que forma queremos fazer teatro.

    E, falando de forma pessoal, confirmaram tb a certeza enquanto ao texto que utilizarei na segunda fase do vestibular(caso passe na primeira, obvio). Guimarães Rosa é maravilhoso. Conhecer um pouco mais dos seus contos me ajudou muito nessa escolha.
    SUCESSO SEMPRE!!!!!

    ResponderExcluir
  6. QUE VIDONA DE VOCES HEIM!!!!! FIQUEI COM INVEJA! A GALERA SÓ NA BOCA DA PISCINA !!!!!!!

    BEIJÃO,

    FRANKLIN

    ResponderExcluir
  7. Eu amo Mossoro, por favor mostr mais coisa da cidade, e noticias. OK?

    ResponderExcluir