terça-feira, 28 de agosto de 2007

CARTA DE ESCLARECIMENTO

Salvador, 28 de agosto de 2007


Prezados amigos,


Desde julho, a nossa vontade de fomentar o teatro GamBOA NOVA é tão grande, é tão prolixa e tão sanguínea, que estamos com as portas abertas para todas as possibilidades!

Como também somos da área artística, temos recebido vários artistas (e muitos deles, amigos) que contribuíram da forma mais solidária e carinhosa com nossa causa, num desprendimento absoluto, em nome da arte e sua expansão na Bahia.

Ora, é sabido que o Teatro Gamboa é um teatro reconhecido e que deu muito da sua participação no cenário cultural de Salvador. Atualmente, ele está fora de contexto: muitas pessoas nem sabem onde ele se localiza!

A idéia de reavivá-lo despertou na maioria das pessoas um interesse comum em que todo esse movimento desse certo. Baseado nisso, principalmente artistas e pensadores que aqui circularam, querem de uma forma ou de outra, expressar esse entusiasmo no qual estamos à frente: opinando, somando, ajudando, investigando, criticando... que o seja! Talvez por saberem que o GamBOA NOVA nessa gestão, completamente independente, ainda está sem recursos para continuação dos seus anseios artísticos.

Porém, nos foge ao alcance opiniões, ressalvas, contribuições, críticas pessoais que envolvam o nome do Teatro GamBOA NOVA. Manifestações estas, baseadas numa democracia de livre expressão.

Na matéria do Jornal Tribuna da Bahia (25 e 26/08/2007), intitulada "Toda força ao Gamboanova" (leia aqui), o jornalista Ildásio Tavares tece opiniões pessoais, sem o nosso conhecimento, nem consentimento, envolvendo o nome do Teatro Gamboanova e seus atuais administradores. Queremos deixar bem claro que tais criticas não fazem jus à nossa postura e pensamento, muito menos o Teatro GamBOA NOVA precisa atacar ninguém para se promover ou chamar atenção na mídia, além de não servir de objeto de auto-promoção de quem quer que seja. Em suma, o Teatro Gamboa Nova não servirá de escudo, nem de bode expiatório de ninguém!

Não é através de críticas ofensivas que mostraremos as necessidades financeiras do teatro, e sim através de muito trabalho e formação de parcerias. Além disso, só aos dirigentes do Teatro, Maurício Assunção, Rino Carvalho e Juliana d´Matos, é dado o direito de opinar pelo Teatro Gamboa Nova, por isso qualquer outra pessoa que faça alguma colocação incluindo o nome desse espaço cultural, estará agindo sem autorização do mesmo, sendo portanto uma expressão estritamente pessoal.

Fazemos questão de estar unidos a alguns nomes de elevada importância para a continuidade do teatro (inclusive o teatro Vila Velha), nomes esses, que têm nos socorrido em momentos tão difíceis.

Assim sendo, não lavamos nossas mãos, muito pelo contrário, queremos mais e mais mãos para a empreitada da nossa (re)construção.

Sejam todas elas: dos artistas, da Secretaria da Cultura, dos jornalistas, da comunidade, dos espaços artísticos e, claro, do nosso vizinho e maduro Vila Velha!

Afinal, estamos todos num mesmo barco, singrando num mesmo rumo teatral.

Evoé, Axé, Baco!


Maurício Assunção.
Rino Carvalho.
Juliana Matos.

9 comentários:

  1. Roberto Zantana29/8/07 21:20

    Não dêem ouvidos ao que qualquer um diz sobre o Vila, GamBOA NOVA ou o que quer que seja.
    Porém, mesmo sabendo que opinião é coisa pessoal ("e cada um tem o seu"), não concordo quando alguém sai metralhando tudo publicamente, sem reservas, pouco se importando com os nomes citados. Isso é coisa de gente vaidosa, que quer chamar a atenção. (vide pelo tamanho do nome do autor em relação ao título da matéria...)
    Viva ao teatro e a quem o quer bem!
    Salve, Vila Velha! Força, GamBOA NOVA!

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  2. Zeferino Antonio Batista Neto30/8/07 09:18

    Pode contar comigo é so me passar a agenda que eu vou ao GamBOA NOVA.

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  3. natanduarte30/8/07 09:20

    agradeço e elogio à equipe pela força que tem dado ao teatro gamBOA NOVA.
    continuaremos unindo forças por toda e qualquer forma de expressao
    artistica, em todo e qualquer lugar.
    abraços

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  4. Edvana Carvalho.30/8/07 09:20

    Maurício, Rino e Juliana, estou com vcs...bjs..muito axé e prosperidade!

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  5. JÁ ME APRESENTEI NESTE TEATRO E SEMPRE ACHEI UM CRIME CULTURAL ELE FICAR FECHADO, ATUALMENTE MORO EM SÃO PAULO E SEMPRE TORCI PARA QUE UM DIA A CLASSE ARTISTICA DESSE UM JEITO NISSO ! VOÇES JÁ COMEÇARAM !!!!

    MUITA MEEEEEERDAAAAA !!!!

    ABRAÇO,

    FRANKLIN ALBUQUERQUE

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  6. Quando um não quer, dois não brigam.

    Há cerca de um mês fui assistir no Gamboa ao “Erê” de Fábio Vidal. Há anos não ia ao Gamboa, pois era um teatro que andava adormecido. Na saída, encontrei com Maurício, que hoje, é um dos administradores do Gamboa - pra sorte de todos nós que, realmente, fazemos teatro nesta cidade. Um teatro/espaço gerido por artistas é uma das boas saídas em todo país. Os exemplos são muitos e distintos, do Vila Velha à Usina do Gasômetro - RS; dos Parlapatões - SP ao Clowns de Shakespeare - RN.

    Em 1994, quando um grupo de artistas entrou pra administrá-lo, o que era o Vila Velha? Estava na mão do saudoso Petrô, que anos antes viu nas apresentações de sexo explícito, que rolavam, aliás, em todo o país, a saída pra não deixar o prédio cair, pra ganhar algum dinheiro. De manhã, criancinhas sentadas na platéia para o projeto escola, à noite, sexo explicito! Viva Petrô! Zé Celso é que tem razão, o Teatro é a casa do Caralho! Os artistas que pegaram o Vila naquele estado tinham a missão de reinaugurá-lo, de fazê-lo voltar a ter destaque na produção cultural da cidade, e assim o fizeram. Hoje o Vila não precisa fazer peças de sexo explícito, mas se a coisa mudar... O que o Vila não faz, não fez, não fará, é trazer essas babaquices, essas pecinhas engraçadas com atores globais (claro, há também peças boas com atores da globo). Aqui também não entra teatro reacionário, assim como não entra essa bobagem de copiar produtos da “indústria cultural” do eixo rio/são paulo - essa imensa máquina de fazer gente idiota.

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  7. Esperamos, de coração, que o projeto GamBOANOVA se paute em princípios como a ética e em compromisso com o fazer artístico. O resto, vem a galope. Tanto desejamos isso, que os auxiliamos, a pedido do próprio Mauricio, naquilo que nos parecia estar ao nosso alcance: orientar na inscrição do formulário do Fundo Estadual de Cultura e responder às perguntas que o Gamboa, vendo o Vila provavelmente sob algum aspecto como referência, nos questionou.

    Pois bem: em matéria publicada no dia 25 de agosto na Tribuna da Bahia, o Sr. Ildásio Tavares, mal informado e não sei com que intenções, quis botar os dois Teatros para brigar! Não deu certo. Além de escrever bobagens acerca da atuação da Secretaria de Cultura (que não vou comentar porque quem deve se pronunciar sobre isso é a própria Secretaria, se achar que vale a pena...), veio a público dizer barbaridades como “...pra que teatro? Já tem o Vila Velha, que ACM lhe (referindo-se ao Secretário Marcio Meirelles) deu, a quem não falta grana”. O senhor Ildásio está equivocado. Aqui ninguém recebeu nada de graça, de ninguém! Como sempre, desde sua inauguração, na década de 60, o Vila briga por aquilo que lhe é de direito: sobreviver.

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  8. Aqui se trabalha muito! Aliás, vou parar por aqui com essa volta a este passado. Por reverência, por reconhecimento aos que aqui lutaram antes de nós, sempre nos reportamos às dedadas de 60 e 70, mas hoje já podemos falar por nós mesmos. É bom a gente começar a falar que nem gente grande sobre um período de vida do TVV: o período do NOVO VILA. A Sol Movimento da Cena está no comando do Vila desde 94. Pronto. É a Sol, a responsável por esta casa estar de pé, produzindo a porrada de coisas que produz, fomentando, criando, intercambiando, colaborando pra jogar na praça gente do quilate de Lázaro Ramos, de Virgínia Rodrigues! Somos co-responsáveis por cinco grupos de teatro e um de dança estarem de pé, alguns deles com prestígio internacional, seguindo, firmes, numa terra medíocre, que nunca deu atenção devida à cultura, que viveu nos últimos governos da direita uma desestruturação monstruosa! O que é isso? Vamos parar com essa pilantragem de querer colocar uns contra os outros. A quem interessa isso? A quem interessa isso? Seria melhor para a vida cultural desta cidade se o Vila fosse esquecido, lá no início de 90 e hoje restassem aqui uns muros caídos, uns destroços – casa de ninguém? Seria melhor que o Gamboa ficasse aí, à deriva, pra daqui a uns anos virar bingo, igreja? O que não se consegue admitir é que tem gente que trabalha e faz acontecer alguma coisa nessa província soteropolitana, seja com muito, com pouco, ou com nenhum apoio. Porque o que nos interessa é fazer, produzir; e nossa luta é para continuar fazendo. Como pode alguém dizer que o Vila Velha é colaboracionista? E não me venham com a cretinice de forçar ligações indevidas do antigo ou do atual Secretário de Cultura com o Vila Velha. Nossa relação com qualquer governo é a mesma: relação de trabalho, pautada no reconhecimento que esta casa é mesmo uma referência nacional, onde se faz teatro de grupo, o mesmo tipo de teatro que foi completamente esculhambado pela ditadura, pelo neoliberalismo, pela introdução nefasta da rede globo vendendo até hoje, a muitos burguesesinhos cariocas e paulistas e, por último, aos baianos que um dia dividiram o palco com Vlad ou Wagner ou Lázaro, o sonho de ser cooptado pelo mundo mágico da Xuxa!

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  9. João Augusto, reverenciado pelo autor da matéria, era funcionário do Estado! O que há de mal nisso? Relacionar-se com os poderes públicos é obrigação nossa, em qualquer tempo, em qualquer sistema - o terreno onde hoje está o Teatro Vila Velha foi cedido pelo governo do Estado da Bahia no fim dos anos 50, início de 60. Na peça “Ópera de Três Mirreis” - que com certeza muita gente não viu - dirigida por Marcio Meirelles, onde a cara do falecido ACM aparecia junto a outros canalhas em telão de grandes dimensões? Aquilo não era um santinho... Não é porque recebemos dinheiro do governo do extinto(?) PFL, ou da Petrobras, ou da Eletrobrás ou de quem quer que seja que vamos fazer espetáculos que compactuem com o seu pensamento ideológico. Aqui a gente faz o que tem que ser feito, não o que querem que a gente faça. Não foi à toa que em 2004 montamos “Auto-retrato aos 40”, pra relembrar a importância dos nossos antigos artistas da casa, não foi à toa que montamos “Primeiro de Abril”, que bota alguns pingos nos “is” acerca de pontos não muito claros sobre o golpe militar e suas conseqüências, não foi à toa que o Cia Novos Novos montou “Alices e Camaleões”, pra fazer as crianças terem contato com outra coisa que não seja o mesmo “Chapeuzinho Vermelho” de sempre! Quais são a montagens, nos últimos dez anos, em Salvador, que possibilita o público a pensar? Poucas. Muitas delas, montadas no TVV. Mas tenho certeza que quem fala mal do Vila não viu nada disso, claro. Resalva ao autor da matéria, que assistiu “Auto-retrato”, por motivos óbvios. Muita gente “do meio” não sai (talvez nunca tenha saído) de casa pra ver as “bobagens” que o Vila produz, mas se acha no direito de falar sobre nós. É curioso que o senhor Ildásio Tavares cite um único espetáculo, que ele mesmo adaptou, como aquilo que o liga ao Gamboa. Um espetáculo, senhor Ildásio? Um espetáculo passa, é fugaz. Há que se construir história. E tenho certeza, se os “garotos” do Gamboa forem espertos o suficiente pra não virarem joguete na mão de gente aproveitadora, vão fazer história ao lado, literalmente, do Teatro Vila Velha.

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