segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Espetáculo pernambucano chega à Bahia com o Grupo Experimental


Nos dias 24 e 25 de setembro, sábado, 20h, e domingo, 19h, o Grupo Experimental apresenta o espetáculo de dança Breguetu no Teatro Vila Velha, em Salvador (BA). A companhia pernambucana, dirigida pela bailarina e coreógrafa Mônica Lira, traz à região obra que aborda o movimento brega identificado no Recife – cidade natal do grupo –, que cresce a cada dia e permeia cotidianos e contextos de muitos guetos. O tema é tratado nesta montagem de forma crítica e descontraída, apontando diversos jeitos e trejeitos de quem consome esta cultura.

O espetáculo surgiu a partir da pesquisa do Grupo A dança no corpo desse lugar, através da qual a equipe estudou, de forma teórica e prática, manifestações e movimentos culturais da capital de Pernambuco. Foi premiado como Melhor Espetáculo pelo júri técnico e popular 21º Janeiro de Grandes Espetáculos e teve temporadas de ingressos esgotados no Recife. A turnê passou também por Goiás, Pará e Amazonas. O projeto tem financiamento do Funcultura e do Prêmio Klauss Vianna.

Breguetu nasceu em 2015, de um grande berço de manifestações e movimentos culturais, o Recife, capital de Pernambuco, Nordeste brasileiro. De fontes raras de artistas multiculturais surgiu, em 2014, a pesquisa A dança no corpo desse lugar. Através desta, o Grupo observou e estudou – na teoria e na prática – as formas de se portar e andar do corpo no Recife, bem como suas transformações no tempo, a maneira como dança o corpo desse lugar e suas referências, diferenciando a híbrida dança que se faz na cidade e propondo a análise desse/nesse corpo experimental, construtor de suas próprias obras.

O espetáculo foi uma forma de continuar a pesquisa de maneira mais aprofundada e consistente de toda a trajetória do Experimental, levando em consideração todos os trabalhos da companhia. O processo ainda possibilitou a valorização dos diversos estilos de dança e manifestações culturais da cidade, através de encontros e trocas de experiências entre a companhia, artistas independentes e grupos locais, enriquecendo conhecimentos mutuamente e somando às distintas formas do fazer artístico.

Sinopse

Um movimento de duas faces com seu figurino dupla-face. De um lado preconceito, do outro conceito formado de sorriso largo. Brega é roupa, música, dança, classe social, identidade, gênero, essência. É uma rejeição sóbria de algo que se consome bêbado, o feio que bonito lhe parece. Independente do que se pense e de onde parta este pensamento, brega é brega e se sustenta como tal.

Do início ao fim da festa, é a presença dele que tira de rostos e corpos uma felicidade que é viva e constante nos becos e amores mais adjacentes da sociedade. É o romântico popular, um chinelo de dedo no final da festa de salto. Um discurso abstrato num chiclete mastigado. O que se rejeita ao externar e se incorpora ao ser, porque brega, no final das contas, é aquilo que faz sorrir, seja lá qual for sua forma. Tem poder de mudar humor, cheiro de cozinha, expressão popular e opinião. Concordemos: brega sou eu, breguetu!

A circulação


Após reconhecimento como Melhor Espetáculo pelo Júri Técnico e Popular do 21º Janeiro de Grandes Espetáculos e temporadas com casa lotada, Breguetu chega para somar e trocar experiências em outras cidades e Estados brasileiros. Como uma obra que nasceu a partir do intercâmbio de movimentos e manifestações de uma cultura, se faz mais do que necessário para a essência deste trabalho levar esta experiência crítica e extrovertida às outras culturas do país.

Através dos financiamentos do Prêmio Klauss Vianna e do Funcultura, durante o segundo semestre de 2016, toda a autenticidade deste projeto chega ao Norte,Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, a alguns locais onde a companhia nunca teve a honra de estar. Dentro do circuito, não só capitais, mas também cidades pequenas, de difícil acesso, receberão Breguetu, como forma de inclusão de todos à arte, dos centros urbanos às periferias, adaptando assim o espetáculo às mais distintas estruturas. Caminha com esta circulação toda entrega e experiência naquilo que move o Grupo Experimental diariamente, a dança. Que ela chegue a cada um e toque a essência, para que a arte cumpra assim seu papel. Convida-se aqui, de corpo a corpo, ao prazer desta dança!

Grupo Experimental


Fundado em 1993, sob direção da bailarina e coreógrafa Mônica Lira, o Grupo Experimental assumiu lugar de destaque na dança contemporânea produzida no Nordeste brasileiro pela originalidade de seu trabalho, que criou identidade própria, e pela contribuição na profissionalização de bailarinos. No decorrer da trajetória, criou os espetáculos Zambo (1997), Quincunce (2000), Barro-Macaxeira (2001), Lúmen (2002),Postais do Recife (2004), Conceição (2007), a trilogia Ilhados, que lançou as obrasIlhados – Encontrando as pontes (2010), Compartilhados (2013) e Pontilhados (2016). E em meio ao cotidiano intenso de ensaios e estudos nasceu Breguetu (2015).

Dentre as inúmeras circulações por Estados brasileiros e entre países da Europa e América do Sul, faz parte da história do Grupo premiações regionais, nacionais e internacionais. Além de projetos de larga importância e com várias edições para o crescimento e desenvolvimento social de jovens de periferias que hoje estão protagonizando companhias e trabalhos no Brasil e no mundo, como Núcleo de Formação em Dança e Reciclarte. O Grupo Experimental é parte da construção educacional e política da cultura e arte brasileira.


Serviço


Espetáculo Breguetu, do Grupo Experimental (PE)
Teatro Vila Velha (Av. Sete de Setembro, s/n, Passeio Público, Salvador – BA)
Dias 24 (às 20h) e 25 (às 19h) de setembro
Ingressos: R$30 (inteira) / R$15 (meia)
Indicação etária: 16 anos

Informações: (71) 3083-4600
Venda de Ingressos pelo site www.ingressorapido.com.br ou na bilheteria do teatro (funcionamento para vendas antecipadas de terça a sexta-feira, das 15h às 18h, e venda para os espetáculos aberta 2h antes de cada apresentação)


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