quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

AGÔ! DIDÊ MADAGÔ!!!!!!


Neste ano de 2012 a Cia de Teatro Nata a fim de aprofundar seu discurso estético e político  passará a chamar-se NATA - Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas acreditando ainda mais no teatro de grupo, na arte negra e do interior.


Invocando a força de Exú o NATA pede Agô! (licença em yorubá) a todos os Orixás e ancestrais para realizar o projeto NATA Oná Ilú Ayê “Saindo para os caminhos do mundo” aprovado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia apresentando o espetáculo Siré Obá “A festa do Rei” em quatro Comunidades de Axé de Salvador, além da remontagem do espetáculo Ogum “Deus e Homem”.

Nas últimas semanas de janeiro a diretora do NATA Fernanda Júlia visitou quatro Terreiros de Candomblé de Salvador foram eles: Terreiro Mokambo do Tatá Anselmo, Ylê Axé Abassá de Ogum da Yalorixá Jaciara Ribeiro, Ylê Axé Oxumarê do Babá Pecê de Oxumarê e Gantois da Yalorixá Carmem, estas casas de candomblé aceitaram receber uma apresentação do Siré Obá em suas dependências.

É o povo de Candomblé abrindo as portas e os braços para receber o Teatro!!
Para nós do NATA é uma honra inenarrável poder realizar esse encontro entre o Candomblé e o Teatro nas Comunidades de Axé, é uma forma de renovarmos o espetáculo, de levar o teatro para o interior do terreiro, ouvir a comunidade, de fazer com que essas pessoas se vejam e sejam vistas, que vejam as histórias do povo negro e suas divindades representadas num processo saudável de troca e valorização.

O NATA pede a bênção aos mais velhos, e convoca toda a Comunidade de Axé para celebrar. O espetáculo Siré Obá “A festa do Rei” foi feito para o povo de axé, com o povo de axé e pelo povo de axé, dessa forma essas quatro apresentações coroam a história de um espetáculo e de um grupo de artistas que escolheram a sua ancestralidade negra como ponto de partida e inspiração para a sua arte. A arte imita a vida e constrói o arcabouço simbólico de uma sociedade, o NATA faz história, aumenta seu axé e procura estreitar a cada dia seu diálogo com o Candomblé e as Comunidade de Axé. As apresentações acontecerão aos domingos do mês de março sendo gratuitas e abertas para a comunidade.

Retratar a história dos Orixás através da poesia dos Orikis, das cantigas de axé, da memória afetiva, da dança, do cheiro da folha e da água com cheiro de alfazema que invoca a presença do Orixá e celebrando junto a eles a vida e a força do povo de Candomblé desse país é um momento muito especial e acalentado por toda a equipe.

 Um dos objetivos do NATA é poder realizar mais e mais apresentações nas Comunidades de Axé e também estimulá-las a irem ao Teatro num profícuo processo de intercâmbio cultural e artístico. Realizar o Ajô, ou seja, a reunião, a celebração, a festa, este é o maior objetivo do NATA reunir o povo de Candomblé e o povo de teatro, o Teatro e o Candomblé para ocuparem os espaços de poder, os espaços midiáticos onde o povo negro ainda não se vê representado.

Esta é a primeira etapa do projeto NATA Oná Ilú Ayê que prevê ainda outras ações que estão sendo programadas e dentre em breve serão divulgadas.

Agradecemos a toda a equipe, ao Teatro Vila Velha, a Fundação Cultural e o Fundo de Cultura do Estado da Bahia, a todos os apoiadores, a Kalik Produções, e especialmente a todas as Comunidades de Axé que fazem parte deste projeto Terreiro Mokambo, Terreiro Abassá de Ogum, Ylê axé Oxumarê, Terreiro do Gantois.

Esperamos todos lá para fazermos esse Siré!
Laroyê! Axé para todos
Fernanda Júlia
Diretora do NATA

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