quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Crítica Largo - 9ª edição da Revista Barril

Crítica escrita por Igor de Albuquerque
Edição 09/2016 - Novembro | Revista Barril - Revista de Crítica das Artes Cênicas


 15 de novembro, dia da proclamação desta república cansada. O Teatro Vila Velha estava apinhado de gente. Na sala principal, Jessé Souza, Maria Rita Kehl e Marcelo Freixo discutiam os “caminhos e descaminhos da democracia no Brasil”; no Cabaré dos novos (café-teatro do Vila onde funciona uma sala de espetáculos), um telão projetava os três intelectuais; no Passeio Público muita gente perambulava depois de não ter conseguido entrar para ver os palestrantes.

16 de novembro não é uma efeméride para nós – vá lá: a Wikipedia registra o Dia Nacional de Atenção à dislexia por uma lei de 2015. Teatro Vila Velha deserto. Nada na sala principal, mas no Cabaré começaria Largo – remontagem. Até o começo da apresentação eu e mais quatro pessoas nos juntaríamos aos cinco artistas que performariam naquela noite.

Os artistas começam pelo movimento. Vão mudando cadeiras de lugar, arrumando cabos e luzes, posicionando caixas de som dentro do círculo que inicialmente o público forma. Quem toca os primeiros ritmos são os ventiladores. João Meirelles testa efeitos em ruídos microfônicos diante de uma caixa, Lia Cunha anda de um lado para o outro ajustando luzes e câmera, Uru Pereira começa a arrumar pedais e caixas em outro lugar, Pedro Filho pega objetos em cima do palco e ativa um programa no PC. Há ainda a participação de Leo França, que, apesar de não estar fisicamente no lugar, participa mandando áudios via Whatsapp com sugestões de melodias e células rítmicas. No cenário há um elemento importante para a orquestração processual da performance: um setlist adesivado no chão, objeto plano à vista de todos, feito com letras divertidamente desenhadas em amarelo.

Agora Uru está na frente de um pedal EHX Pitchfork ligado a um microfone que transforma sua voz em sibilos de R2D2 e urros de monstros assustadores. Pedro Filho desembainha uma guitarra flying V e arma seu set de pedais no chão enquanto João Meirelles arma acordes no piano do cabaré. Da flying V, Pedro monta seu solo cheio de distorções imerso na névoa da improvisação. A todo tempo a configuração do cenário é transformada, as cadeiras desenham formas diferentes, as caixas de som estão em outros pontos, os objetos acima do palco se espalham. É um moto-descontínuo que absorve e repele por muitas vias e sensações. Há muita coisa em jogo. Pensemos, só por um momento, geometricamente. Largo é uma ação que acontece nas diagonais que cruzam os espaços das diversas linguagens artísticas para alcançar os lados dos sentidos.

O fagotista está montando seu instrumento. Nos próximos minutos veremos Uru pintar sua tela. Os efeitos são engenhosamente aplicados às escalas coloridas para cima e para baixo; regiões muito agudas e muito graves são atravessadas graças ao pedal. Agora os espectadores são guiados para bem perto do solista que chega ao limite de desmontar progressivamente o instrumento aproveitando, assim, todas as sonoridades possíveis. No fim, resta apenas o sopro passando pela palheta. Os artistas começam a guardar as muitas cadeiras vazias e logo todos os que estão presentes ajudam na tarefa que em outro momento poderia ser monótona e tediosa, mas não ali. Ali se sente o raro-efeito do ar que se respira após uma aventura.

Voltando ao início: a diferença entre os dias 15 e 16 de novembro. Não é o objetivo discutir estratégias de divulgação, muito menos o sucesso e o fracasso de um evento, ou de um encontro. Mas, os contrastes friccionados entre cheio/vazio abrem caminhos valiosos para a abstração. Ver um mesmo espaço ocupado de maneira tão diferente no intervalo de um dia para o outro sublinha limites: política aqui, performance ali. Há interesse quando o assunto é política, quanto à performance e à música, tem-se dois ou três gatos pingados a fim viver a experiência. Como se não tivesse muito de performance na fala sensualmente materializada na voz do intelectual, como se não fosse política a ação de um grupo que revira nossos ouvidos habituados a processar no automático a música mais quadrada que nos rodeia. Considerar a dimensão dos interesses sugere movimentos mais arrojados ao redor dos limites. Às vezes só é preciso querer para se saltar uma cerca. Mas também dá pra passar por baixo. Ou pelo meio dos arames.
 

 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Primeira turma da universidade LIVRE recebe certificados de conclusão


Depois de um almoço que reuniu novos e antigos integrantes da universidade LIVRE do teatro vila velha, no último sábado (17), no Cabaré dos Novos, a primeira turma de atrizes e atores formados pela LIVRE recebeu os certificados de conclusão das mãos do encenador Marcio Meirelles. Em três anos de trabalho, iniciados em 2013, o grupo participou de diversos experimentos cênicos, além dos espetáculos "Por que Hecuba", de Matéi Visniec, "Frankenstein", tradução para o palco do romance de Mary Shelley, "Jango: Uma Tragedya", de Glauber Rocha, "Hamlet" e "Macbeth", de William Shakespeare, e "Sete contra Tebas", tragédia de Ésquilo, todos dirigidos por Meirelles, além de inúmeras experiências de extensão, que envolveram dezenas de profissionais de diversos setores das artes. 

Para aqueles que estão interessados em ingressar na LIVRE, o Vila está planejando a realização de um curso preparatório que deve abrir inscrições no próximo ano. Fiquem ligados que novidades podem surgir em breve!

Mostra de Oficina de Teatro para Iniciantes ministrada por Zeca de Abreu acontece nesta segunda



Nesta segunda-feira, 19 de dezembro, às 19h, acontece no Cabaré dos Novos a mostra da Oficina de Teatro para Iniciantes, ministrada por Zeca de Abreu no Teatro Vila Velha ao longo de três meses. Com o título "Crime em Xique-Xique", o resultado artístico explora as investigações de um assassinato cometido no interior da Bahia, em que todos são suspeitos. A mostra foi criada de forma colaborativa a partir de improvisações dos alunos com condução de Zeca. A apresentação é aberta ao público.

Nova Oficina

Uma nova edição da Oficina de Teatro para Iniciantes com Zeca de Abreu acontece no mês de janeiro de 2017 como parte do projeto Oficinas Vila Verão. As inscrições para esta, e outras diversas opções de cursos, já estão abertas através do site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao. Garanta a sua vaga!




sábado, 17 de dezembro de 2016

Shirley dá a luz no palco do Vila

 


A apresentação do espetáculo Romeu & Julieta, na última sexta-feira, teve uma participação especial. Numa cena em que havia muito ruído, e luz forte, o som ambiente das ruas de Verona ganhou latidos altos, vindos de longe. Natural. Toda cidade tem seus cachorros, e nas cidades das obras de Shakespeare não era diferente. Mas aqueles latidos não estavam ensaiados, e não tinham acontecido na estreia, nem nas apresentações seguintes. O fato é que na terceira galeria do Vila, lá no alto, onde não havia ator nem público, a cadela Shirley, habitante do Passeio Público, onde fica o teatro, havia dado a luz, nesse mesmo dia, a dez cachorrinhos, e estava protegendo as suas crias da turbulenta Verona.  

Pois bem. O nosso palco já foi palco de muitos acontecimentos. Momentos históricos, espetáculos, festivais, programa de televisão, desfiles, homenagens, premiações, acidentes, celebrações, debates, protestos - até casamento! - mas faltava ao Vila um parto. Eis que Shirley escolhe o Teatro Vila Velha para este momento mais que especial na vida de qualquer ser vivo. Mais simbólico, e poético, seria difícil. 

A entrada de Shirley se deu forçando um dos tubos de ar condicionado, que permitem a refrigeração da sala principal a partir da terceira galeria. O resgate da mãe e seus filhotes aconteceu hoje, sábado, após investida da atriz e diretora Zeca de Abreu, que providenciou os aparatos técnicos e buscou aliados para conseguir tirar a família em segurança, já que o palco do Vila não poderia ser a casa definitiva daquelas estrelas caninas. Juntaram-se à equipe os técnicos do Vila Zeuz Luz e Joilson Conceição, além de Carla Cana Brasil e Livia Magalhães, moradoras da rua Tuiuti. Ao contrário de Romeu & Julieta, a história teve final feliz. Shirley e os meninos foram levados a um lugar seguro, no próprio Passeio Público. Em 40 dias, os cães-artistas vão ser colocados para adoção. Se você quiser escalar este elenco, entre em contato com a gente!

Crítica: Peça dialoga com a política atual do país e destaca o caráter popular do bardo inglês




Crítica escrita por Eduarda Uzeda

publicada em 17 de dezembro de 2016 no jornal A Tarde

O espetáculo Romeu & Julieta, de William Shakespeare, que encerra a primeira temporada amanhã, às 19 horas, no Teatro Vila Velha, destaca o caráter popular do bardo inglês, em montagem criativa de Márcio Meirelles, que dialoga com o momento político atual. Não faltam na trilha sonora, por exemplo, rock e variantes, hip-hop e até arrocha. 


O colóquio com Salvador está presente em algumas cenas. Há alusão, por exemplo, ao Carnaval baiano dos blocos e à violência perpetrada contra os cordeiros e ao racismo. Em outra, há uma conexão com o poder em diferentes esferas. 


Na primeira vez que Romeu entra no salão dos Capuleto, onde acontece um baile, as imagens de vídeos apresentam a rampa do Palácio do Planalto, políticos diversos como Collor e Dilma e jornalistas, que aqui representam também o poder, o da mídia. 


Em outro momento, a personagem Julieta interroga à plateia. “Que novas são boas em tempos como este?” Tem muitas boas sacadas criadas pelo encenador que também utiliza palco elizabetano.


Intérpretes 

Não é fácil trabalhar com 24 atores jovens (a média de idade é de 22 anos), com pouca experiência teatral em obra canônica (em verso), mas o diretor concebe encenação ousada, onde os intérpretes desempenham vários papéis, de homens e mulheres, independente do sexo do personagem, além de dançar e tocar. 


Alguns atores, entretanto, têm sérios problemas de articulação e projeção de voz. Muitos, infelizmente, mostram a falha logo no prólogo, na apresentação da peça, causando desconforto no espectador. 


Para complicar a situação, em determinados trechos a banda (sim, há uma banda ao vivo), toca muito alto, abafando as vozes. Problemas que podem ser revistos com as futuras temporadas. 


Caráter obsceno 


Não faltam atores jovens que apresentam bom desempenho. As amas (interpretadas por um ator e atrizes) estão muito bem e até roubam as cenas. Também o intérprete alto que representa Mercúcio na maioria das vezes,destaca muito bem a irreverência e ousadia do personagem. A atuação dos Romeus e Julietas é irregular. Alguns se apropriam mais do texto e outros, não. Todos, porém têm um frescor juvenil que combina com a peça. 


Meirelles preserva a tradição da obscenidade na peça Romeu & Julieta, dialogando com a estudiosa Elizabeth Ramos. Palavras de sentidos duplos, trocadilho e insinuações maldosas estão presentes. 


Protagonismo 


Também o protagonismo de Julieta chama atenção na peça (Márcio interage com dissertação da pesquisadora e professora Deize Maria Ferreira Ferreira), que garante que o caráter forte de Julieta é que determina o destino da trama. Vale conferir. 


ROMEU & JULIETA/ QUI A DOM, 19H/ ATÉ O DIA 18/ TEATRO VILA VELHA/ ((71) 3083-4600) AV. SETE DE SETEMBRO - CAMPO GRANDE/ R$ 40 E 20

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Percussionista Bastola é homenageado em show no Teatro Vila Velha

Bastola acompanhou artistas como Margareth Menezes, Gilberto Gil, Armandinho Dodô e Osmar e da Banda Cheiro de Amor, fundou o grupo percussivo Marreta e, juntamente com Jorge Zarath, o grupo Salsalitro 


Na próxima terça-feira, 13 de dezembro, às 20h, o palco do Teatro Vila Velha recebe um grande time de artistas para uma homenagem ao percussionista Bastola, após 15 anos de seu falecimento. O show "Novamente Bastola" já tem confirmadas as presenças de Armandinho Macedo, Luciano Calazans, Luciano Silva, Mauricio Silveira, Jorge Zarath, Grupo Garagem, Brasuqueira, Porque Choras, além do Grupo Marreta convidando Marcela Bellas, entre outros artistas amigos. A direção artística do show é de Marcio Meirelles, a direção musical de Luciano Silva e a produção de Tiago Basto.

O músico percussionista, instrumentista e compositor Armando de Melo Basto, também conhecido como Bastola, nasceu em Recife, Pernambuco, em 04 de Dezembro de 1961, de onde saiu ainda criança e passou a morar em Salvador junto com os pais, também pernambucanos. De família tradicional, herdou da avó materna, professora de piano e cantora de gregoriano nos eventos religiosos, o dom musical que lhe transformou num grande músico. Estudou todo o Primeiro Grau no Colégio Militar de Salvador, onde veio a participar da Banda de Música, onde tudo começou!Já com o título de jornalista pela UFBa e com um histórico paralelo voltado para atuações musicais esporádicas, fez o Seminário de Música, também na UFBa, o que estabeleceu e, posteriormente, sedimentou a carreira como músico. Ainda muito novo foi para Paris estudar música, onde esteve por dois anos e passou também a ter domínio absoluto sobre a língua francesa, o que veio a lhe favorecer em diversas situações ao longo da sua vida profissional. 

Retornando a Salvador, graduou-se mais uma vez, agora na escola de música da UFBA.Fez parte do grupo tríade, juntamente com Luciano Silva e Guiga Scott, tendo uma influencia no grupo garagem. Era músico titular da orquestra sinfônica da Bahia (Osba). Tocou durante muito tempo com Margareth Menezes; com Armandinho Dodô e Osmar, com quem teve a oportunidade de participar em vários encontros de trio na Praça  astro Alves. Gravou com Gilberto Gil e outros artistas baianos. Fundador do grupo percussivo Marreta e, juntamente com Jorge Zarath, do grupo Salsalitro. Foi até o final de sua carreira, percussionista da Banda Cheiro de Amor, acompanhando a banda em turnês internacionais e gravando alguns álbuns, dentre eles o mais vendido do grupo, “Cheiro de Amor – Ao Vivo” em 2007.

Como compositor, seu maior sucesso foi a música composta com Mauricio Silveira, “Ficar com Você”, nacionalmente conhecida na voz de Carla Visi. O último projeto antes de seu prematuro falecimento foi o grupo Café Olé, fundado com Mauricio Silveira, tinha a proposta de misturar a essência da musica baiana com ritmos do mundo, passando pela Salsa, Samba, Musica eletrônica, Reggae, dentre outros, sem nunca perder a essência percussiva. Bastola faleceu em sua casa em 03 de dezembro de 2001, de causas naturais, na véspera de completar 40 anos.

Show "Novamente Bastola"
Data: 13 de dezembro, terça-feira, 20h
Local: Teatro Vila Velha
Ingressos: R$30 e 15
Direção Musical: Luciano Silva
Direção Artística: Marcio Meirelles
Produção: Tiago Basto
Artista convidados: Jorge Zarath, Armandinho Macedo, Luciano Calazans, Marcela Bellas com a Marreta, Mauricio Silveira, Brasuqueira e outros amigos.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Artistas mineiras Lydia del Picchia e Babaya ministram workshops nas Oficinas Vila Verão 2017


As inscrições estão abertas pelo site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao e no Teatro Vila Velha, onde acontecem os workshops


O Teatro Vila Velha convida para as Oficinas Vila Verão 2017 duas das mais reconhecidas profissionais mineiras das artes cênicas: a atriz, bailarina, coreógrafa e diretora Lydia Del Picchia, conhecida pelo trabalho há 22 anos com o Grupo Galpão, e a cantora e professora de técnica vocal Babaya, com experiência de mais de 40 anos no Brasil e no exterior. “Preparação do Ator para a Cena”, ministrado por Lydia, acontece entre 20 e 22 de janeiro e “Resistência da Voz e do Corpo”, ministrado por Babaya, acontece entre 27 e 29 de janeiro. A realização dos workshops está sujeita ao preenchimento mínimo de 10 vagas, portanto, os interessados devem inscrever-se preferencialmente até o dia 15 de dezembro, para que haja confirmação das oficinas. As inscrições podem ser feitas online através da plataforma Sympla (www.sympla.com.br/oficinasvilaverao), ou presencialmente na bilheteria do Teatro Vila Velha, de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h.
“Preparação do Ator para a Cena” investigará o método de treinamento de atores desenvolvido pelo pedagogo russo Jurij Alschitz, diretor do espetáculo “Eclipse”, do Grupo Galpão. São exercícios que trabalham a energia do espaço e do corpo potencializadas para a criação: atenção, ritmo, presença, pontos de energia do corpo e impulso corporal associados à emissão da voz. O workshop é voltado para atores, bailarinos, performers, diretores, coreógrafos e estudantes de teatro e dança que devem enviar currículo para análise.

“Resistência da Voz e do Corpo” é direcionada a cantores e atores que usam a voz e o corpo com grande intensidade e tempo prolongado. Promove também a conscientização sobre a longevidade e a qualidade da voz cantada e falada. Serão trabalhados alongamentos, aquecimentos e desaquecimentos vocais e corporais; condicionamento físico; resistência, força e exercícios aeróbicos e anaeróbicos. A oficina ainda disponibiliza materiais didáticos (apostilas e CDs).

Sobre Lydia Del Picchia:
Atriz, bailarina, coreógrafa e diretora. Mineira de Belo Horizonte, Lydia Del Picchia é formada pelo extinto Trans-Forma Centro de Dança Contemporânea, ponto de experiências culturais e interdisciplinares, fundado e dirigido Marilene Martins. Participou de diversos grupos, tais como o Trans-Forma, Cia. de Dança do Palácio das Artes e Grupo 1º Ato, exercendo funções de bailarina, professora, assistente artística e coreógrafa. Trabalhou com Dudude Herrmann, Graciela Figueroa, Klauss Vianna, Freddy Romero, Angel Vianna, Bettina Belomo, Sônia Mota, Tíndaro Silvano, Luis Arrieta, Rodrigo Pederneiras, Oscar Arraiz, entre outros. Atriz do Grupo Galpão desde 1994 atua em todos os espetáculos do repertório, tendo trabalhado com Gabriel Vilella, Cacá Carvalho, Paulo José, Paulo de Moraes, Jurij Alschitz e Márcio Abreu. É também Coordenadora Pedagógica do Galpão Cine Horto desde 2004.
Dirigiu os espetáculos “In Memoriam” (2004), “Papo de Anjo” (2005), “Ensaio de mentira” (2013) no GCH, “Horas Possíveis” (2012) do Grupo Camaleão de Dança, “De Tempo Somos” (2014) do Grupo Galpão e “Estranha Civilização” (2016) da Cia. Absurda. Foi diretora assistente em “A Vida é Sonho” (2003) no GCH, “Um homem é um Homem” (2004) e “Os Gigantes da Montanha” (2013) do Grupo Galpão.

Sobre Babaya:
Cantora e professora de Técnica Vocal, Babaya ensina música e técnicas de canto há mais de 40 anos, no Brasil e no exterior. Em 1983, foi professora de técnica vocal na “Música de Minas Escola Livre”, escola de Milton Nascimento e Wagner Tiso.  Em 1990, fundou com a foniatra Dra. Regina Lopes Maciel o “Voz Ativa - Núcleo de Tratamento e Aprimoramento da Voz.” Em 1992, fundou a “Babaya Escola de Canto, a primeira escola de Minas Gerais voltada exclusivamente para o aprimoramento da voz no canto popular. Em 2011 a Escola passa a se chamar “Babaya Casa de Canto”.  Além do ensino de técnica vocal para cantores amadores e profissionais, Babaya também faz a preparação vocal e direção vocal de texto para atores/ cantores em Belo Horizonte e por várias cidades do país: “1º Ato Companhia de Dança”, “Companhia Sonho e Drama de Teatro”, “Grupo de Teatro Armatrux”, “Companhia Burlantins”, “Deu Palla” e “Oficinão para Atores - (Projeto Galpão Cine Horto)”, além do Grupo Galpão, Grupo Espanca, Grupo Odeon, Grupo Garupa, Grupo Três Calados, Grupo Maria Cutia. Fez a preparação vocal de dezenas de espetáculos entre Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo trabalhando com os diretores Gabriel Villela, Maurício Vogue, Felipe Hirsch, Mariana Percovich, Marcio Abreu e Nena Inoue. Em Barbacena/MG, preparou o Grupo Ponto de Partida e espetáculos com direção de Regina Bertola.

SERVIÇO:
Preparação do Ator para a Cena com Lydia dell Picchia
Período: Dias 20, 21 e 22 de janeiro 2017
Horários: sexta e sábado das 14h às 18h, domingo das 9h às 13h
Carga horária: 12 horas
Valores: 2º lote (dezembro) R$ 400,00 / 3º lote (janeiro): R$: 450,00

Resistência da Voz e do Corpo com Babaya
(Para atores e cantores)
Período: Dias 27, 28, 29 de janeiro de 2017
Horários: sexta e sábado das 14h às 20h, domingo: das 10 às 13h e 14 às 17h
carga horária :18 horas
Faixa Etária: A partir de 15 anos
Valores: 2º lote (dezembro) R$ 450,00 / 3º lote (janeiro): R$: 500,00

ou no Teatro Vila Velha (segunda a sexta, das 14h às 18h)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Grada Kilomba faz última conversa pública em Salvador a partir de performance estreada na 32ª Bienal de São Paulo



No dia 5 de dezembro, segunda-feira, às 19 horas, a escritora, teórica e artista interdisciplinar portuguesa Grada Kilomba realiza o terceiro e último encontro de uma série de conversas públicas na capital baiana, onde está cumprindo residência artística pelo programa Vila Sul do Goethe-Institut Salvador-Bahia. Para esta despedida, ela fala de “Futuro” a partir da performance ao vivo “Illusions” [Ilusões] (2016), que teve estreia notável no último dia 10 de novembro na 32ª Bienal de São Paulo e que será mostrada pela primeira vez em Salvador. Com mediação da soteropolitana  Goli Guerreiro – pós-doutora em Antropologia, blogueira, curadora e escritora –, o evento será no Teatro Vila Velha e o público paga quanto quiser pelo ingresso.

O trabalho de Grada Kilomba, focado em questões de gênero, raça, trauma e memórias, tornou-se internacionalmente conhecido por explorar formas de descolonizar o conhecimento e por trazer textos teóricos e políticos em cena, criando um espaço híbrido entre linguagens e formatos – que variam desde publicações a leituras cênicas, filmes, performances e videoinstalações. “Eu estou interessada em contar histórias, histórias que foram silenciadas durante séculos e que ainda se refletem na minha biografia”, conta a artista.

A série de conversas é realizada conjuntamente pelo Goethe-Institut e Teatro Vila Velha. Na primeira edição, Grada lotou o Vila, em 21 de novembro, para falar do “Passado”, refletindo a obra “Plantation Memories”, que expõe a violência do racismo diário a partir de entrevistas com mulheres negras. Já no segundo encontro, no dia 29, no pátio do Goethe-Institut, ela tematizou o “Presente” com a videoinstalação “The Desire Project” [O Projeto Desejo], revelando questões pós-coloniais: quem pode falar, sobre o que se pode falar e o que acontece quando falamos.

Agora, com “Illusions”, Grada Kilomba usa a tradição oral africana num contexto contemporâneo, para explorar esta coexistência de tempos, na qual o passado parece coincidir com o presente e o presente parece sufocado por um passado colonial que insiste em permanecer. Ela deixa transparecer uma sociedade narcisista, que dificilmente oferece símbolos, imagens e vocabulários para lidar com o presente: uma ilusão de tempos e espaços, que ela reconta através dos mitos de Narciso e Eco. Narciso está encantado com a sua própria imagem refletida no lago, ignorando todos os outros, enquanto Eco está limitada a repetir apenas aquilo que ela escuta. Como ultrapassar este cenário colonial?, é a pergunta instigada.

RESIDÊNCIA EM SALVADOR – Grada Kilomba está em Salvador desde o último dia 25 de outubro e permanecerá até meados de dezembro, como residente da Vila Sul do Goethe-Institut Salvador-Bahia, a terceira residência artística no âmbito geral das 159 unidades do Goethe-Institut existentes no planeta, e primeira e única da rede no “sul global”, abaixo da Linha do Equador. A proposta do programa é fortalecer interlocuções entre o Brasil e demais países do hemisfério Sul a partir da presença de artistas de todo o mundo. A vinda dos residentes se baseia no seu interesse genuíno em questionamentos que abordem perspectivas deste hemisfério. Além de vivenciar a cidade e o estado, os visitantes têm contato com produções e agentes culturais locais, num intercâmbio de referências, experiências e conhecimentos. Kilomba participa como bolsista da Robert Bosch Stiftung, parceira do Goethe-Institut.

CONVERSA COM GRADA KILOMBA #3: FUTURO
“ILUSÕES” – Performance ao vivo
Quando: 5 de dezembro (segunda-feira), 19h
Onde: Teatro Vila Velha
Quanto: Pague quanto quiser
Mediadora: Goli Guerreiro – soteropolitana, é pós-doutora em Antropologia, blogueira, curadora e escritora. Tem seis livros publicados, entre eles o romance “Alzira está morta”, ambientado n século 20, em África e na diáspora negra. Modelou o conceito “Terceira diáspora” sobre troca culturais pós-internet entre cidades atlânticas; é uma pesquisadora independente e se debruça sobre repertórios culturais do mundo atlântico negro em vários formatos: palestras, oficinas, mostras iconográficas, coleções de moda, exposições, narrativas audiovisuais e literárias.

Prorrogado prazo para se inscrever com preços superpromocionais nas Oficinas Vila Verão


Dia 30/11, prazo final para inscrições com preços superpromocionais nas Oficinas Vila Verão 2017, algumas pessoas tiveram dificuldades em se inscrever através do site Sympla. Corrigimos o problema na página e prorrogamos até o dia 5/12 os valores em promoção para que todos consigam se inscrever. Entre lá no site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao e garanta a sua vaga!