sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Grada Kilomba faz última conversa pública em Salvador a partir de performance estreada na 32ª Bienal de São Paulo



No dia 5 de dezembro, segunda-feira, às 19 horas, a escritora, teórica e artista interdisciplinar portuguesa Grada Kilomba realiza o terceiro e último encontro de uma série de conversas públicas na capital baiana, onde está cumprindo residência artística pelo programa Vila Sul do Goethe-Institut Salvador-Bahia. Para esta despedida, ela fala de “Futuro” a partir da performance ao vivo “Illusions” [Ilusões] (2016), que teve estreia notável no último dia 10 de novembro na 32ª Bienal de São Paulo e que será mostrada pela primeira vez em Salvador. Com mediação da soteropolitana  Goli Guerreiro – pós-doutora em Antropologia, blogueira, curadora e escritora –, o evento será no Teatro Vila Velha e o público paga quanto quiser pelo ingresso.

O trabalho de Grada Kilomba, focado em questões de gênero, raça, trauma e memórias, tornou-se internacionalmente conhecido por explorar formas de descolonizar o conhecimento e por trazer textos teóricos e políticos em cena, criando um espaço híbrido entre linguagens e formatos – que variam desde publicações a leituras cênicas, filmes, performances e videoinstalações. “Eu estou interessada em contar histórias, histórias que foram silenciadas durante séculos e que ainda se refletem na minha biografia”, conta a artista.

A série de conversas é realizada conjuntamente pelo Goethe-Institut e Teatro Vila Velha. Na primeira edição, Grada lotou o Vila, em 21 de novembro, para falar do “Passado”, refletindo a obra “Plantation Memories”, que expõe a violência do racismo diário a partir de entrevistas com mulheres negras. Já no segundo encontro, no dia 29, no pátio do Goethe-Institut, ela tematizou o “Presente” com a videoinstalação “The Desire Project” [O Projeto Desejo], revelando questões pós-coloniais: quem pode falar, sobre o que se pode falar e o que acontece quando falamos.

Agora, com “Illusions”, Grada Kilomba usa a tradição oral africana num contexto contemporâneo, para explorar esta coexistência de tempos, na qual o passado parece coincidir com o presente e o presente parece sufocado por um passado colonial que insiste em permanecer. Ela deixa transparecer uma sociedade narcisista, que dificilmente oferece símbolos, imagens e vocabulários para lidar com o presente: uma ilusão de tempos e espaços, que ela reconta através dos mitos de Narciso e Eco. Narciso está encantado com a sua própria imagem refletida no lago, ignorando todos os outros, enquanto Eco está limitada a repetir apenas aquilo que ela escuta. Como ultrapassar este cenário colonial?, é a pergunta instigada.

RESIDÊNCIA EM SALVADOR – Grada Kilomba está em Salvador desde o último dia 25 de outubro e permanecerá até meados de dezembro, como residente da Vila Sul do Goethe-Institut Salvador-Bahia, a terceira residência artística no âmbito geral das 159 unidades do Goethe-Institut existentes no planeta, e primeira e única da rede no “sul global”, abaixo da Linha do Equador. A proposta do programa é fortalecer interlocuções entre o Brasil e demais países do hemisfério Sul a partir da presença de artistas de todo o mundo. A vinda dos residentes se baseia no seu interesse genuíno em questionamentos que abordem perspectivas deste hemisfério. Além de vivenciar a cidade e o estado, os visitantes têm contato com produções e agentes culturais locais, num intercâmbio de referências, experiências e conhecimentos. Kilomba participa como bolsista da Robert Bosch Stiftung, parceira do Goethe-Institut.

CONVERSA COM GRADA KILOMBA #3: FUTURO
“ILUSÕES” – Performance ao vivo
Quando: 5 de dezembro (segunda-feira), 19h
Onde: Teatro Vila Velha
Quanto: Pague quanto quiser
Mediadora: Goli Guerreiro – soteropolitana, é pós-doutora em Antropologia, blogueira, curadora e escritora. Tem seis livros publicados, entre eles o romance “Alzira está morta”, ambientado n século 20, em África e na diáspora negra. Modelou o conceito “Terceira diáspora” sobre troca culturais pós-internet entre cidades atlânticas; é uma pesquisadora independente e se debruça sobre repertórios culturais do mundo atlântico negro em vários formatos: palestras, oficinas, mostras iconográficas, coleções de moda, exposições, narrativas audiovisuais e literárias.

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