segunda-feira, 27 de maio de 2013

"Entrar para a Livre é como passar de fase, subir degraus. Essas respostas já não me cabem mais. Já são insuficientes, ou não mais condizentes com o verdadeiro propósito que ainda estou por descobrir."

Por Leandro Gomes, um dos participantes da Universidade Livre de Teatro Vila Velha
 
 
 
Primeiramente, gostarei de enfatizar um conceito de extrema importância, o qual trago comigo para toda vida, algo que tem sido tomado com muita clareza pra mim, e que condiz demais com a Universidade Livre de Teatro Vila Velha: Evolução social.
 
Evolução social: copiar. Combinar. Transformar. Everything is a remix. Essa é a marca que move o mundo desde o surgimento da vida. É dessa forma que muitas das maiores invenções revolucionárias ficaram marcadas e servem como modelo para a vida contemporânea. É junção e aperfeiçoamento, e isso, por si só, já é um ato de liberdade. Estar aberto ao novo, agregar, aceitar novas possibilidades utilizando de ferramentas existentes. E é esse conceito que faz da Livre um projeto tão importante para todos nós. É o preenchimento de um vazio que não se sabia da existência dele.
 
Muitos são os aspectos nos quais a Universidade Livre se diferencia e se destaca da maioria existente, com um formato volátil, plural e, o melhor, aberto a todos. Por ser tão simples em seu conceito, torna-se complexo na sua definição como um todo. E, talvez, tal conceituação possa representar o que é a Livre.
 
Opinião versus respeito/compreensão. Coletividade versus individualidade. Liberdade versus compromisso. Ensino/aprendizagem versus trabalho/produtividade. Arte versus política. Penso que agregar todos esses aspectos, - eliminar os "versus" - mantê-los em harmonia e fazer disso um símbolo de resistência, um meio de comunicar pensamentos, ecoar indignação, representar dignamente toda uma sociedade, e ainda manter, com toda a imponência e o espírito vital e marcante, através da arte, o livre, será um dos maiores desafios (e um prazer) a serem encarados por aqueles que compõem a Universidade. É fato, nunca se sabe o que poderá acontecer com um corpo estranho que se instala num sistema "cristalizado", "padronizado". Ou recebe a aceitação, ou a rejeição. Porém, é reconfortante pensar que a ULTVV já possui no seu DNA tudo aquilo que uma sociedade, ou a maioria dela, deseja: voz e liberdade - com arte!
 
Livre, de fato, até então eu não sabia exatamente definir o que é.  Ainda não compreendia a essência que define esse projeto como único e inovador. Pelo menos ainda não. Muitas vezes, me vinham respostas, e logo me surgia um contraponto. Acredito que muito (ou em melhor palavra, parte) do que se vem fazendo até então, de modo fracionado, acontece em muitos outros lugares onde se faça teatro, como as discussões, debates, a criação de novas estéticas performáticas, o compartilhamento de saberes de ciências distintas, etc., e é certo que esses aspectos se enquadrem na definição de Universidade, porém, a definição de Livre estava em mim o tempo todo, não precisava ir tão longe para perceber isso. Aliás, está em cada um de nós.
 
A maior diferença que se tem é o propósito pelo qual todos estão aqui, ou, particularmente eu, que continuei, além do desejo de fazer teatro, que me dá prazer e felicidade, pelo poder coletivo de apelo social que possa vim a se formar e o quanto podemos abrir os olhos da sociedade, nos tornarmos o reflexo do mundo, fazendo as pessoas enxergar a verdade diante de si própria, algo que é deveras impactante, e um dos maiores prazeres de quem faz arte, ou de boa parte de quem a faz. E descobrir a grande resposta sobre qual é o teatro que devemos fazer.
 
Já tenho algumas respostas. Eu poderia estar "fazendo" teatro em dezenas de lugares pela cidade, mas decidi que aqui é onde, de fato, sinto o que É teatro, apesar da pouca vivência, se comparada com a maioria, nesse universo. Por que faço teatro? Faço teatro por que gosto e me dá prazer. Pra quem faço teatro? Faço teatro para aqueles que gostam ver o quão belo ou impactante é conhecer uma história de maneira física, ou torná-la algo "real" e momentâneo. E esse é o "problema": as respostas. Entrar para a Livre é como passar de fase, subir degraus. Essas respostas já não me cabem mais. Já são insuficientes, ou não mais condizentes com o verdadeiro propósito que ainda estou por descobrir.
 

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