quinta-feira, 3 de julho de 2008

Uma reflexão interessante, retirada do blog da revista MUITO.


Coisas da idade

Tatiana Mendonça

Me deprime um pouco escrever para a Muito, porque sempre entrevisto pessoas incríveis, que fizeram/fazem coisas ótimas e inspiradoras. Quando nossas conversas terminam, eu invariavelmente penso: "Meu Deus, preciso virar logo Caco Barcellos. Ou qualquer espécie de Clarice Lispector".

Devaneios a parte, o que eu queria comentar é como essas pessoas super legais geralmente engasgam na primeira pergunta, quando quero saber que idade têm. "Precisa mesmo ter isso?", "Posso mentir?" e "Prefiro não dizer" são algumas das coisas que costumo ouvir.

A partir disso, fiquei pensando se essa informação é realmente importante. É um padrão jornalistíco apresentar os personagens das matérias com Nome Sobrenome, idade, e minha editora certamente sentiria falta do número depois da vírgula. Mas precisa continuar sendo assim?

Outro dia li uma entrevista com o lutador de vale-tudo Ryan Grace em que ele dizia que essa questão de idade não lhe interessava. Copio o trecho:

Trip - E você está com quantos anos?

Ryan Grace - Xi, esqueci há muito tempo. Faz parte da minha maneira de pensar não falar minha idade. Acredito na força mental, e educar sua mente a repetir sua idade é um grande defeito. Você enquadra uma idade que tira você da perspectiva sem tempo. Eu não tenho problema nenhum em ter nascido em 1959. Mas não sei quantos anos eu tenho. Se você diz que tem 30, 50 anos, fica em uma situação inconsciente de que não pode mais fazer o que você fazia com 15. Prefiro responder a uma atividade de 18 anos, ou de 100 anos. O mais importante é estar pronto! Pronto para ser uma criança, inconseqüente, responsável, para o que a vida te demandar. Senão você começa a se limitar. Eu não tenho problema em envelhecer. Eu estou pronto.

Tendo a simpatizar com essa idéia. É um bom jeito de resolver essa angústa que acomete até quem têm uma boa história para contar do que fizeram das suas vidas. Por outro lado - o outro lado, esse vício jornalístico - não dá para encarar o tempo e lidar bem com ele, admitindo a idade como troféu, seja ela qual for?

Não tenho resposta e o fato é que muito provavelmente vou continuar fazendo a pergunta, ao menos reconhecendo que talvez seja infame.

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