sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Situação complicada com a FUNARTE


Saudações amigos da imprensa, gestores, colegas artistas,

Somos A Outra Companhia de Teatro, grupo residente do Teatro Vila Velha (Salvador, Bahia), há apenas quatro anos em atividade, estamos passando por uma situação complicada e relativamente comum no meio teatral. Gostaríamos de aproveitar o nosso "aperto" para trazer esta questão à tona, para discutir, movimentar, denunciar, articular, comunicar. É provável que outros grupos estejam passando por situação semelhante, e é importante que a gente se veja, se reconheça.

A Outra Companhia de Teatro foi contemplada com o Prêmio FUNARTE de Teatro Myriam Muniz no ano de 2007. Passamos com um projeto de um seminário sobre a história do Teatro na Bahia, dos anos 60 aos 90, agregando estudiosos do tema, professores, artistas atuantes nas quatro décadas, estudantes e curiosos, que resultará, ou resultaria, em registro escrito e audiovisual da história do teatro feito aqui, através da memória. O projeto prevê ainda montagem de espetáculo - um texto baiano dos anos 70 - de uma autora que este ano completa 40 anos de teatro. Durante o processo de montagem, aconteceriam oficinas de capacitação para o elenco e artistas da cena local. Oficina, seminário, espetáculo, registro. Trabalho de sobra.

Nosso cronograma foi se flexibilizando com o passar dos dias, assim como as ações propostas, até que a realização do projeto da forma que inscrevemos e que foi aprovado se tornasse inviável.

Atrasos em repasses de prêmios e patrocínios acontecem por motivos diversos, nós sabemos. Nesses casos, produtor de teatro vira malabarista, remaneja uma coisa de lá, põe cá, e resolve, para que o dinheiro seja gasto da forma prevista, os prazos sejam cumpridos, e para que não tenhamos problemas com o público, com os profissionais envolvidos ou com a prestação de contas. Essa realidade é conhecida. Assim como já fizemos teatro sem patrocínio, sem apoio financeiro algum, do jeito que dava, pedindo emprestado, negociando permutas, como quase todo artista de teatro brasileiro faz ou fez um dia. Já pudemos experimentar - apesar de ter relativamente pouca estrada - ser bem pagos, mal pagos e não pagos.

A situação atual, no entanto, é novidade.

Com três meses de atraso de repasse do patrocínio, a única informação que obtemos da Fundação Nacional de Artes (apesar dos insistentes telefonemas e e-mails), é que no fim do mês de janeiro teríamos uma previsão de quando a verba seria repassada. Até agora continuamos sem essa previsão. Outro comunicado interessante é que não podemos saber o motivo do atraso! Fomos informados que é "um problema com a Petrobras", que não pode ser revelado! Então para quem nós ligamos? Com quem a gente fala? Para quem a gente reclama? O que acontece com os prazos a serem cumpridos?

Fica a impressão de que não somos levados a sério e que eles mesmos não consideram importante as ações que promovem e que tanto faz ter ou não projetos acontecendo...

Pior que trabalhar sem recursos e sem estrutura, é achar que vai ter e não ter. Repasse atrasado é ruim. Repasse atrasado, sem previsão de pagamento e sem nenhum tipo de esclarecimento é absurdo, é desrespeitoso.

Comunicamos que continuamos trabalhando e a data da estréia está mantida. O Pique dos Índios ou a Espingarda de Caramuru, estréia no dia 06 de março, no Teatro Vila Velha. Nos vemos lá.

Atenciosamente,

A Outra Companhia de Teatro (Salvador – BA)

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