domingo, 2 de novembro de 2014

Novembro é negro no Teatro Vila Velha


 
Imagem do espetáculo Cabaré da RRRRRaça (2014)

No Vila, em novembro e no resto do ano, fazemos teatro negro. Teatro que pensa a nossa história, que reflete sobre o que nos construiu, mas que não tira os pés do presente e os olhos do futuro. Teatro que, sendo linguagem, inventa sua própria poética, inspira e busca inspiração. Teatro que fala o que percebe que tem ser dito, que formula perguntas, em busca de respostas. O nosso teatro, negro, está atento ao fato de que o racismo persiste, mas modifica a sua forma de se manifestar. Por isso o nosso teatro se reinventa, muda as suas armas de ataque e defesa. O nosso teatro está lá, adiante. 
Aqui, fazemos teatro negro mesmo quando não falamos do negro. Fazemos teatro negro quando falamos da mulher. Quando discutimos a violência contra a mulher. 

Aqui, discutimos o nosso país mesmo quando não falamos do nosso país. Refletimos sobre o Brasil quando encenamos o que acontece na Bósnia. Ou na Faixa de Gaza.

Aqui, refletimos sobre o nosso tempo mesmo quando não falamos do nosso tempo. Pensamos o agora quando encenamos a deposição de João Goulart pelo Golpe Militar em 1964.

Em novembro, o público tem a chance rara de, num único mês, poder ver/rever, pensar/repensar,  junto conosco, muito do que o Teatro Vila Velha vem discutindo e construindo há muitos anos.  

Para marcar o Mês da Consicência Negra, o Bando de Teatro Olodum traz à cena dois espetáculos clássicos, que fazem reflexões sobre o lugar do negro na sociedade, cada uma a seu tempo. Cabaré da RRRRRaça, que se apresenta nos dias 7, 8 e 9, segue em cartaz há 17 anos, sempre com casa cheia, provocando e fazendo pensar. Já Relato de uma guerra que (não) acabou - montado em 2002 para discutir a violência sofrida na periferia de Salvador, com a greve das polícias civil e militar - volta aos palcos nos dias 14, 15 e 16, como resultado da II Oficina de Performance Negra, coordenada pelos atores do Bando, que formou 30 jovens atores negros durante seis meses de trabalho. 

No dia 8 de novembro, recebemos em nosso palco o ator e diretor Lázaro Ramos, uma das crias do Teatro Vila Velha e do Bando de Teatro Olodum, para apresentar o episódio piloto da série infantil Do Outro Lado de Lá, realizado em parceria com Chica Carelli e Elísio Lopes Jr., que busca inspiração em contos africanos para falar de temas como liberdade, sabedoria popular e amizade. 

No primeiro Cine Vila do mês, no dia 10 de novembro, exibimos Jardim das Folhas Sagradas, filme de Pola Ribeiro que discute o candomblé. Em novembro, a partir do dia 21, ainda temos o prazer de receber a temporada de estreia do espetáculo Sortilégio II: Mistério Negro de Zumbi Redivivo, dirigido por Ângelo Flávio, que celebra os 10 anos da Cia de Teatro Abdias do Nascimento (CAN) e o centenário do escritor e teatrólogo Abdias Nascimento. A programação é também um aquecimento para o festival A Cena Tá Preta, que, excepcionalmente em 2014, acontece em dezembro.

Em novembro, recebemos pela segunda vez o dramaturgo romeno Matéi Visniec para assistir a três montagens de sua autoria, dirigidas por Marcio Meirelles, que reapresentamos a público entre 1 e 5 de novembro: Por que Hécuba, que integra a programação do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia - FIAC, e nos dias 4 e 5, O Último Godot e A Mulher como Campo de Batalha. 

Neste mês, mudamos o formato do Cine Vila, que passa a acontecer semanalmente. Desse jeito, cumprimos ainda melhor o nosso objetivo de abrir espaço para a exibição e discussão das produções baianas. No dia 10, junto com Pola Ribeiro, exibimos Jardim das Folhas Sagradas; no dia 17, o cineasta Thiago Gomes apresenta os filmes Tudo Que Move e Braseiro; em 24, quem participa é o diretor José Araripe Jr., com o filme Esses Moços.

No palco do Vila, tem espaço também para música, com o Tropical Selvagem, projeto dos músicos Ronei Jorge e João Milet Meirelles, que neste mês recebem o guitarrista Junix, além de Manuela Rodrigues (13), Rebeca Matta + Luvebox FX (20) e Tuzé de Abreu (27). Além disso, apresentamos novamente o espetáculo infantil Bonde dos Ratinhos, dirigido por Zeca de Abreu, que movimentou o Vila e agradou a criançada durante o mês de outubro. Concurso Miss Brasil Gay, que comemora 20 anos, sob o comando de Bagagerie Spielberg, no dia 3 de novembro. 


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