terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Considerações sobre o encontro com o futuro Secretário de Desenvolvimento, Cultura e Turismo de Salvador, por Pietro Leal*


No mínimo estimulante a reunião com o novo secretário de Desenvolvimento, Turismo e Cultura de Salvador. Mas que o discurso (o cara é bom de verbo), Guilherme mostrou segurança no ponto de vista técnico e pré-disposição ao diálogo e ao trabalho. Já é um avanço. O fato de ser empresário bem sucedido também me soou positivo: ele sabe onde mora a grana. 

Muito mais que a presença do secretário, o que despertou a minha atenção foi encontrar os diversos setores da cultura representados por seus artistas e produtores reunidos numa sala. Muita gente. Não os representantes do mercado do entretenimento e sim aqueles que pensam a cultura como ferramenta de transformação. 

Passei cinco horas refletindo e digerindo tudo que se falava naquela sala. Fiquei feliz em saber da origem apartidária do novo secretário e sua intenção de imparcialidade mediante às pressões políticas. Difícil, mas vamos lá.

Apesar de ter entendido a impossibilidade em se ter uma secretaria exclusiva para cultura, me preocupa vê-la desassociada da Secretaria de Educação. Entre o fomento de novas políticas públicas e o fortalecimento do mercado dos mais variados setores da cultura, tem um limbo onde enxergo uma imensa crise de valores. Não os 0,3% previstos no orçamento anual, mas os valores básicos. O filtro que vai definir o que será prioridade.

Não precisamos ir a uma profundidade filosófica para entender os absurdos. É contrastante ver o Estado (no sentido institucional) fazendo campanha contra o turismo sexual e sua "cultura" "ralando a tcheca no asfalto"; campanhas anti-drogas e a "cultura" mandado você "beber, cair, levantar"; campanhas de consciência ambiental, estímulo às ciclovias e a "cultura" "tirando onda de Camaro amarelo".

Não que a cultura se resuma à música, mas as manifestações vêm de todos os setores e refletem diretamente no comportamento da comunidade. Não é difícil entender que cultura educa e deseduca também.

Salvador é uma cidade imensa e muito plural. A monocultura atrofia o nosso potencial e nosso senso crítico. Guardei todos os questionamentos durante a reunião por entender que se tratava apenas de uma apresentação do secretário. Mas ficou claro, para mim, que o fortalecimento da Secretaria e, mais ainda, da Fundação Gregório de Matos depende de uma organização representativa do lado de cá.

Ainda tenho muita coisa para ouvir e compreender. Que outras reuniões como essa aconteçam, com ou sem a presença do secretário.

Veja também a matéria do Ibahia sobre o encontro aqui


*Texto retirado do Facebook de Pietro Leal. O Teatro Vila Velha não é o autor e não se responsabiliza pelas opiniões. Este é um espaço aberto ao diálogo.

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