sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

PDDU DA FAVELA (Ray Gouveia)


Eu vejo escalas e mapas e proporções
Vejo, a fundo perdido, bilhões, trilhões,
Espigões arranhando o céu da orla
Quase não vejo o salário do bom funcionário
E abunda a grana do craque de bola
Não sei se sou nerd ou sou otário...

Vejo o metrô consumindo a paciência
O barraco descendo na cadência
Da bronca, do black nada estiloso
Vai lá no face, meu velho, dá uma olhada
Vai ver como é que a rapaziada
Replica seu gosto duvidoso

Vendo seu time caindo na tabela
A cidade caindo pelas tabelas
Um monte de merda sobre o asfalto
Mas essa gente sorri, feliz e crente
Tal qual Carolina na janela
E diante da merda, ri muito alto

Cadê o PDDU da favela?
Cadê o PDDU da favela?

Vejo apontar na esquina outra superquadra
Pra além do que é óbvio, mais nada se enquadra
Sequer restam olhos pra quem não nivela
Aí te pergunto, meu nobre, cadê Capelinha?
Cadê Rio Sena, Vale das Pedrinhas?
Seu imaginário só vê Paralela! É?

Cadê o PDDU da favela?
Cadê o PDDU da favela?

Vai, diz aí, meu cumpade, cadê Sussucity?
Cadê Mata Escura, Cabula, Paripe?
Da Ponta da Penha, o que foi feito dela?
Vai lá, tô esperando, meu mano, em meu distrito
Cadê Caixa D’Água, Peru e Cabrito?
Seu sangue é da estirpe do clã Paralela! É?

Cadê o PDDU da favela?
Cadê o PDDU da favela?

Ray Gouveia

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