segunda-feira, 19 de outubro de 2009

96 anos de Vinicius



A Vila do Choro de hoje faz homenagem a Vinicius de Morais. Há exatos 96 anos nascia o poetinha que escreveu seu nome e alcunha na história da literatura e da música brasileira. Inclusive no Chorinho.

A homenagem é comandada pelo Coronel Campos - grande entusiasta do choro no Vila, desde os tempos da Roda de Choro. Ele, que vem ao teatro toda segunda-feira, argumenta que "foi aqui no Vila que o poetinha fez sua primeira apresentação em Salvador, com o show intitulado 'VINICIUS - bendito sois entre as mulheres', e nada mais justo do que na Roda de Choro prestarmos essa justíssima homenagem a ele que também foi um "chorão".

Como em toda boa roda de Choro, programadas mesmo estão apenas 4 músicas e o tema "Vinicius - 96 anos" para as improvisações, além do encerramento da noite com Se todos fossem no mundo iguais a você, com direito a coro da plateia.

Em tempo: reza a lenda que foi no Vila que Vinicius teria visto Gesse Gessy pela primeira vez e por ela se enamorado. Será que é verdade?



Um comentário:

  1. A CANOA

    VIVER É DESFAZER AS MALAS E SE PREPARAR PARA A VIAGEM.

    Em nossa sociedade contemporânea, o homem, dito “moderno” tem muitas malas e quase nenhum lugar para ir. São muitas malas que não comportam a vaidade. Malas amarrotadas de grifes, de importados e, cheias de um grande vazio existencial. As malas da nossa sociedade contemporânea, representam as lacunas que vivem a espera do preenchimento. Todo acúmulo representa a grandeza do nosso vazio. Consumimos, logo existimos, assim dita o capitalismo.
    O grande desencontro do existir, está em todas as esferas. Começa logo cedo no âmbito familiar, nas relações entre pais e filhos, e com o tempo vai tomando outras dimensões. Ali na família vai se construindo o homem que em sociedade irá se confrontar com seus valores de berço.
    O ator Cláudio Machado, em sua canoa carregada de despedidas, construída sob o signo da partida, da viagem, da transição, nos oferece muitas malas, como cartolas de um mágico. Em cada uma, há uma história, um conflito, um mistério, uma função. Nessas malas não se comporta o consumismo nem a vaidade. Revela-se nas mesmas o universo fantástico de Guimarães Rosa, dos sertões, dos recônditos mais simples e mais profundos. São malas onde se guarda o essencial para uma viagem onde se chega mais próximo das incertezas do que de verdades absolutas. A canoa é o próprio mistério que não aporta, que não chega, que não tem pouso certo. Como disse Guimarães Rosa, morrer é ficar encantado. Nessas malas, guardam-se goteiras, estrelas afogadas em sacos plásticos suspensas em uma noite sem fim. Nessas malas de sertão, quase afogadas na imensidão de muitas solidões, de quem partiu para nunca mais, guarda-se o cheiro do café e do cuscuz, feitos ali, na hora, na cena aberta da vida. O café era pro pai, que não veio. Mas o público que ali estava, sentou-se à mesa e degustou com o filho, da sua solidão, da sua força em cena.
    Ouviam-se beija-flores sugando aquela água, ainda que seja adocicada com açúcar branco. E a dor de Kafka era maior do que a canoa que singrava sem remos, sem rumos. Tão maior, que o ator cresceu, se agigantou arrebatando o público.
    Na canoa feita de despedidas estava um filho corajoso. Tão corajoso que esquecia-se de brincar mais, de sair da linearidade do texto, como pede os contadores de história do sertão.
    A canoa teve uma direção acertada. Jacian soprou de forma segura, para que outros ventos, os da intuição do ator, a guiassem para o sublime, para o lugar onde as almas se inundam e se afogam em poesia.
    O cenário de Rodrigo Frota, como uma instalação de Bispo do Rosário, além da beleza plástica, é funcional. O ator se relaciona com o mesmo, como se cada um dos objetos, não estivesse ali por acaso, afinal de contas, no universo mágico, fantástico do sertão, “cada coisa tem o seu lugar no mundo marcado por Deus”.
    Canoas são mais de rios que de mares. Triste Bahia, onde quem se aventura em canoas, trafega em córregos secos. Guardem as malas. Esperem o momento oportuno de fazer a travessia.

    Ivan Santtana - Ator

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    Obs: vejam por favor, como postar, não como comentário,mas na página do blog, se possível.

    Abs.

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