quinta-feira, 29 de março de 2018

Espetáculo Distopias repercute nas redes sociais

O espetáculo Distopias, dirigido por Zeca de Abreu, com dramaturgia colaborativa supervisionada por Daniel Arcades entra na última semana da sua temporada. Fica em cartaz até domingo (01/04). Veja comentários das redes sociais feitos por algumas pessoas que já assistiram o espetáculo.


Foto: Diney Araujo


"Peça superatual, pois integra assuntos recentes da política e sociedade brasileiras. Mostra a fixação ao celular/redes sociais, a indiferença diante da violência crescente, a passividade da sociedade, o crescente controle da sociedade e do indivíduo, o medo de se envolver, as tendências ditatoriais e a única solução: atividades políticas! 

Eu mesmo fiquei abalado pelo forte impacto do conjunto de áudio, vídeos e atuações do elenco. Palco minimalista, sucinto e enxuto. Obriga a plateia a refletir sobre a situação atual e a atuação individual!

Também aborda migração, conflitos armados e o papel da arte.

Demonstra como a sociedade fica viciada no celular e como perde a empatia e ação"

Gustavo Lenz, sobre o espetáculo Distopias.



"Para gostar de teatro, é preciso gostar de gente. Diferente de outras artes, não há teatro sem o vivo do artista. Assim, a experiência do teatro, principalmente no Espetáculo "Distopias", te oportuniza não se sentir sozinho no caos cotidiano (mesmo que sejam vários sozinhos acompanhados de outros sozinhos) e te faz suspirar diante de alguns questionamentos.

A peça, que tem a direção firme e coerente de Zeca de Abreu, retrata o tempo em que estamos vivendo e as diferentes formas que o autoritarismo, o totalitarismo e o sistema de controle opressivo da sociedade contemporânea refletem nas subjetividades dos corpos, ao mesmo tempo em que resgata, sem dar respostas, a possibilidade de intervir, com esses mesmos corpos, no imaginário social e na construção de um caminho ainda inédito para a sociedade.

“Distopias” nos acolhe e nos provoca pelos sucessivos contrastes, movimentos e impasses do cotidiano. Para onde ir? Há algum lugar que me cabe? Qual caminho seguir? Entre a resistência e o medo, entre as explosões e as contenções, nos percebemos convocados a nos posicionar. Mas dentre tantos caminhos e tentando fugir dos binarismos, qual posicionamento nos cabe?

Tudo isso me fez pensar no tema do próximo Encontro Brasileiro do Campo Freudiano que ocorrerá em Novembro na cidade do Rio de Janeiro “A queda do falocentrismo: consequências para a psicanálise” (http://encontrobrasileiro2018.com.br). A descrença do pai acompanha a queda do falocentrismo, se a falta não está mais no centro do jogo, o que fazer para não se queimar com a larva do vulcão? (Paris is burning! Rss); Sem a tradição que nos guiava para sistemas ordenados, o que fazer com os excessos e a desorientação? Sem um pai norteador, só nos resta a rivalidade entre irmãos? Marcus Andre, psicanalista carioca, no argumento da Jornada, questiona “É possível querer sem o que transgredir? Seremos, no prazer, condenados aos desejos e gozos do binarismo e à sua superação? E na política, nada mais haverá além do poder do chefe e sua corrupção? Quem escolher quando a representação está em frangalhos e nossos eleitos vivem para gozar?”.

Há aqueles que acham que a saída é um retorno ao pai (será possível?): seja o pai tirano, vide a legião de seguidores do candidato fascista à presidência ou o pai ideal, e por isso mesmo amável, que distribui justamente a comida entre os filhos. Contudo há aqueles que “amam a novidade ou aqueles que estão dispostos a ver a vida em chave pessoal, mas estes são sempre por fim os debandados, sujeitos sem ponto de referência, sem uma raiz; não são absorvidos pela massa, não são orientáveis. Devem encontrar as soluções por conta própria” (trecho do texto da peça). Dessa forma, o texto de “Distopias” nos aponta uma saída pela via da invenção singular. Se já não são tempos da hierarquização falocentrica, nos resta inventar teias coletivas, coloridas e plurais. Tal qual um bordado (feminino!) que não vela nada, muito pelo contrário, escancara. Será que aguentaremos?

“Não vou te dizer como acaba, não vou te dizer como acaba. Enquanto o sinal está vermelho e você pensa no que vai comprar para comer, enquanto atravessa a rua segurando sua bolsa com medo do ladrão, enquanto chega em casa e passa o cadeado para dormir em paz, eu estou aqui e nego esse país. Eu não quero este país. Mas eu sou este país” – trecho do texto da peça.

Enfim, obrigado aos atores – que estão muito bem em cena-, a querida Zeca de Abreu e a todos os envolvidos. Bravo! Dentre tantos caminhos possíveis, o caminho do teatro Vila Velha para assistir “Distopias” te leva a um lugar potente de força e invenções. Me contem depois aqui o que acharam.
Marielle Franco presente!"

Wilker França 



"Numa sociedade distópica, liquidez é luxo. Distopias, espetáculo dirigido pela competente e apaixonante  Zeca de Abreu, em cartaz no Teatro Vila Velha até 1 de abril, é uma radiografia inquietante das sociedades contemporâneas. Lá estão as principais questões que atormentam a humanidade atualmente. Algumas tão antigas quanto o mundo, mas, ainda, não superadas. É um espetáculo forte, contundente, sociológico!! Uma leitura  impactante sobre esse projeto de modernidade que a cada dia se mostra totalitário,  autoritário, opressor, excludente e doentio. Um espetáculo simplesmente IMPERDÍVEL!!! Para aplaudir de pé e com entusiasmo!!!"

Silvio Benevides 

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