quinta-feira, 1 de março de 2018

Espetáculo “Distopias” discute migrações contemporâneas

Mais novo espetáculo teatral da diretora Zeca de Abreu, “Distopias” estreia em 15 de março de 2018, no Teatro Vila Velha, e permanece em cartaz de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h, até 1º de abril.


Foto: Diney Araújo


Com texto colaborativo, construído com supervisão e tratamento do dramaturgo Daniel Arcades, a peça discute o tema das “migrações” e marca uma nova fase da companhia Trupe da Zequinha, que passa a se chamar Ouroboros – Cia de Investigação Teatral.

No espetáculo, narrado de forma não linear, são apresentados fragmentos de vida de 13 personagens, cujas histórias se cruzam e têm como cenário uma mesma grande cidade. Situações de violência, censura, conspiração e intolerância alteram suas rotinas, de diferentes maneiras, conduzindo-os a situações extremas em que restam apenas duas opções: ficar ou fugir.

“Distopias” traz no título o conceito de anti-utopia, a ideia de um lugar de opressão extrema, autoritarismo, ausência de liberdade. Mas a peça não fala de uma realidade distante, ao contrário: o tempo é agora e o cenário é qualquer metrópole do mundo contemporâneo. É um espetáculo onde as migrações aparecem como tema central e nos provocam a refletir sobre a necessidade de sair do lugar onde se está em busca de melhorias e sobre as dificuldades encontradas em lutar por melhorias no seu espaço.

Baseado nas pesquisas sobre as migrações físicas contemporâneas, o espetáculo se constrói como uma possibilidade de reflexão sobre o que se passa no pensamento humano ao se ver obrigado a enxergar e pisar em outras fronteiras. “Esse trânsito poderia nos contar histórias apenas de imigrantes, como as mais recentes vistas nos jornais mundiais, mas, assim como haitianos, sírios, latinos, russos e diversos povos migram para outras fronteiras, o pensamento humano também migra para outras concepções, a política migra para o caos e a tentativa de melhoria sempre conquista a esperança humana e motiva as diversas migrações que somos levados a ter”, comenta o dramaturgo Daniel Arcades.

“Distopias fala desses deslocamentos que estão acontecendo em todo o mundo, movimentos aos quais precisamos ficar atentos, mas é uma peça que também provoca o público a refletir e se deslocar, de algum modo. Ainda que esse deslocamento seja o ato de sair de casa e ir ao teatro, ato simples, mas cada vez mais raro”, explica a diretora Zeca de Abreu, que pesquisa o tema das migrações há cerca de um ano e que, desde agosto de 2017, conduz os trabalhos em salas de ensaio com os primeiros atores. “Fazer teatro está difícil, é resistir. Essa é uma peça que fala também sobre resistência”, complementa Zeca.

No elenco, estão Aicha Marques, Andréia Fábia Adowa, Beatriz Pinho, Carol Alves, Daniel Becker, Edu Coutinho, Fernanda Veiga, Heraldo de Deus, Hugo Bastos, Kita Veloso, Maria Clara Perez, Victor Edvani e Victor Fernandes. Os figurinos são de Miguel Carvalho, a cenografia de Maurício Pedrosa, a assistência de direção de Antônio Marcelo e a direção de movimento e preparação corporal de Lulu Pugliesi.

Serviço:


Espetáculo “Distopias”
Temporada: 15 de março a 1º abril de 2018 - quinta a sábado 20h / domingo 19h
Ingressos: 
Quintas-feiras: R$20 (inteira) e R$10 (meia)
Sexta a domingo: R$30 (inteira) R$15 (meia)
Local: Teatro Vila Velha

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