terça-feira, 20 de junho de 2017

Lázaro Ramos em "Conversa com Bial"


Na semana passado, o ator Lázaro Ramos participou de entrevista no programa "Conversa com Bial", exibido pela TV Globo, onde falou sobre sua carreira, projetos, vida pessoal e sobre o seu mais recente livro, "Na Minha Pele", lançado pela editora Objetiva, em que reflete sobre o racismo. Formado pelo Bando de Teatro Olodum, grupo onde iniciou a sua carreira artística e a sua militância negra através do teatro. 

O apresentador Pedro Bial iniciou o programa com o texto "Lázaro, um negro ator" de Márcio Meirelles. Clique aqui para assistir à entrevista e leia o texto na íntegra abaixo:

"Lázaro Ramos é um ator negro. Quando digo isto, levo em conta o fato de que nunca se diz de um branco que é ator: fulano é um ator branco. Levo em conta também o fato de que a adjetivação racial, para um ator negro, não é necessária. Poderia começar este texto em homenagem a Lazinho dizendo: Lázaro Ramos é um dos atores mais especiais que conheço. Mas ele o é por ser inteiramente o que é. E sei que não posso imaginar maior homenagem ou elogio a ele do que reafirmar o que ele afirma em cada gesto, olhar, som, pensamento, escolha, atitude de sua carreira.

Portanto: Lázaro Ramos é um ator negro!

Com isso digo que o ofício de ator, em sua plenitude, é exercido por ele.

O ator é aquele que dá seu testemunho de mundo no palco, na tela, em cada personagem que aceita fazer, em cada depoimento público na arena da mídia. Lázaro é um que não se furta a dar este testemunho, generosamente. E, neste mundo, neste Brasil que exerce tão cruelmente sua democracia racial, gerando mula[to]s e relegando o negro ao papel de figurante em sua história, um negro, quando se faz ator, só o fará bem se se fizer ator negro. É um estigma? Sim. É uma marca. O negro é estigmatizado aqui e não há como negar. Há então que assumir-se diferente e, com esta diferença, marcar a história deste país. Mudar em negras as brancas nuvens e fazer chover, fertilizar. Assumir-se co-autor da Cultura brasileira. Exercer seu papel de protagonista neste enredo. Pintar de preto a face deste país pardo, auriverde, cor de anil. Pintar também de preto o Brasil.

O ofício do ator é este: deixar sua marca no mundo, para que o mundo se torne diferente do que tem sido. É isso que Lázaro Ramos, o ator negro, tem feito. E, depois de Lázaro, sem dúvida, o Brasil está um pouco melhor."

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