segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Estreias do Amostrão abrem o teatro baiano em 2016 e são destaque do jornal A Tarde

As estreias do Amostrão Vila Verão são destaque do jornal A Tarde desta segunda-feira. As peças "7 contra Tebas" (estreia em 8 de janeiro), "Ó Paí, Ó!" (reestreia em 10 de janeiro) e "Através do Espelho e o que Alice por lá Encontrou" (estreia em 13 de janeiro) abrem o ano de 2016 para o teatro baiano e permanecem em cartaz no Teatro Vila Velha. Abaixo, leia a matéria publicada pelo Caderno 2, que antecipa alguns projetos teatrais para o novo ano.





A TARDE antecipa alguns projetos e espetáculos em cartaz por Eduarda Uzêda

por Eduarda Uzêda

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O teatro baiano viveu momentos difíceis em 2015. Por conta deste cenário, profissionais da área tiveram que ser ainda mais criativos para driblar os parcos recursos e dificuldades que não foram poucas. Este ano, apesar da crise, novos projetos surgem, provando que, como fênix, o teatro renasce das cinzas.

E vem do Teatro Vila Velha as primeiras boas novas. A 13ª edição do Amostrão Vila Verão, projeto que tradicionalmente movimenta a cena local no Verão, traz duas estreias.

O diretor Márcio Meirelles anuncia as montagens inéditas de 7 Contra Tebas, tragédia clássica de Ésquilo, e Através do Espelho e o que Alice por lá encontrou, versão teatral da obra de Lewis Caroll. Já o Bando do Teatro Olodum volta ao tablado com a peça Ó Paí, Ò.

Cidade sitiada

"Entre as tragédias sobreviventes de Ésquilo, esta 7 contra Tebas , que conta a história da luta dos filhos de Édipo pelo trono da cidade de Tebas, tem muito a ver com o momento atual. Trata da cidade - uma cidade sitiada por forças inimigas e minada pela própria população que está contaminada por notícias e pelo medo...", afirma Meirelles.

Ele complementa: "A peça pode ajudar a refletir. Tem a ver com Salvador, com o Brasil, com o mundo, com a Grécia... Por isso a produzimos sem editais nem patrocínios. Só com nossos recursos e a certeza de que é necessária", afirma, acrescentando que este é seu 100º espetáculo de teatro. A montagem estreia na próxima sexta-feira, ficando, este mês em cartaz sempre às sextas e sábados, até o dia 23.

A outra peça, Através do Espelho.., estreia no próximo dia 13, ficando em cartaz sempre às quartas e quintas, às 20 horas. "É a descoberta da sexualidade, do reflexo no outro, da descoberta do poder e suas manipulações. É um musical rock'n'roll", explica Márcio Meirelles.

Crise de valores

Outros projetos em 2016? Meirelles desabafa: "O único projeto que tenho é sobreviver neste momento difícil, nesta cidade hostil à cultura plural. Nesta cidade província imperial que mantém os súditos calados pela festa constante".

"Meu grande projeto é coletivo. Somos muitos trabalhando feito loucos literalmente para manter as portas do Teatro Vila Velha abertas, em meio a esta crise mais de valores do que econômica", complementa. Originalmente montado em 1992 , Ó Paí, Ó, grande sucesso do grupo, reestreia este domingo, às 19 horas. Fica em cartaz até o dia 24.

Tributos

O ator Ricardo Castro estreia quarta-feira, às 21 horas, no Red River Café, novo solo: Sexo, Drogas & Axé Music, que presta homenagem aos 30 anos da axé music.

Misturando leituras com experiências pessoais, o artista dialoga com Hamlet, de William Shakespeare. Castro, este ano, pretende também apresentar repertório de trabalhos solos.

O diretor Edvard Passos também traz novidades: no dia 17 de março, no Teatro Castro Alves, apresenta o espetáculo A Prole dos Saturnos, texto inédito de Castro Alves.

"É uma homenagem ao Poeta dos Escravos. Esta peça tem 150 anos e nunca foi montada", afirma o encenador, que também se queixa da crise de recursos: "Não é nada fácil conviver constantemente renovando votos com a arte. É uma provação!", diz.

Escola de Teatro

A Escola de Teatro da Ufba completa 60 anos em 2016, mas comemoração, por enquanto, não está prevista. O diretor teatral e professor Paulo Cunha afirma que "o problema de verba e burocracia dificultam a realização de vários projetos". Um desses projetos, por exemplo, seria montar uma peça do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, morto há 60 anos, em 14 de agosto de 1956.

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