quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Universidade Livre de Teatro Vila Velha apresenta Experimento 4 - Poéticas da Ausência


Nesta sexta, 09 de agosto, 20h, a Universidade Livre de Teatro Vila Velha apresenta "Experimento 4 - Poéticas da Ausência". O grupo continua dissecando o romance gótico “Frankenstein”, da escritora inglesa Mary Shelley (1797-1851). No trabalho, o diretor Marcio Meirelles e o diretor argentino Martin Domecq propõem a discussão e a reflexão sobre as diversas representações da ausência, suas ambiguidades  contradições e simbologias. Incorporado nesse sistema, as conexões com as diversas ciências, campos do saber e o debate sobre a vida política e cultural do país, no qual todas essas inquietações se transformam em material cênico.

Martin Domecq fala sobre o processo de trabalho com os participantes da LIVRE e sobre o que o público pode esperar do experimento.


Teatro Vila Velha - O que é o experimento da Universidade Livre?

Martin Domecq - Durante o experimento, o que se mostra é um trabalho em processo, não uma peça acabada. É um processo de busca, de pesquisa, que vem sendo feito ao longo de um mês de trabalho. Mas há alguns elementos que estão sempre presentes nos experimentos: todos os atores estão o tempo todo no palco e sempre há um componente musical, rítmico. Há também um momento onde se escuta a voz dos participantes sobre alguma questão que está próxima de nós, como aconteceu no último experimento sobre o Movimento Passe Livre. Há ainda um espaço de diálogo com o público, quando se abre o microfone e o público pode responder, falar, questionar. Márcio tem essa marca de saber escutar, fazer com que a palavra circule, e ele coloca isso no experimento. Isso é muito interessante, é lindo para o teatro.

Teatro Vila Velha - Como surgiu o tema e como a ausência vai ser abordada no trabalho?

Martin Domecq - A primeira questão que levantou esse experimento foi a constatação de que a ausência faz parte do trabalho do ator, ela está no palco. Mas como vamos trabalhar com isso? Como vamos transmitir essa ausência, fazê-la visível, utilizá-la para construir uma cena? Esse foi o problema trabalhado. Para isso, utilizamos a noção de figura. Poderíamos ter trabalhado a memória emotiva ou algo relacionado à estrutura dramática. Mas essa é uma questão técnica. No experimento falamos dos sentidos de ausência, e é isso que as pessoas vão ver. Os participantes da LIVRE tiveram a liberdade de construir as cenas, então as ausências que estão no experimento são as ausências válidas para eles. Mas as ausências que valem para eles são as que valem para a gente, em geral.

Minha proposta é que tentemos sempre trabalhar essas questões com a energia do grupo, que não fiquemos isolados. Por isso a minha insistência em estarmos sempre juntos em cena e no formato da roda, que está presente durante todo o experimento. Nossa cultura nos ensina que, quando você tem uma dor, você tem que isolá-la, escondê-la. Aqui, o teatro está buscando trabalhar junto e nunca negar o que aconteceu, mas trabalhar isso com o apoio do outro. 

Teatro Vila Velha - O que o público que vier ao teatro vai encontrar?

Martin Domecq  - Vai encontrar as suas próprias ausências trabalhadas por atores. Porque quando os atores estão propondo de forma autêntica coisas que são importantes para eles, e eles são soteropolitanos, de gerações diferentes, são coisas que valem para o público. O experimento trata de como o tema da ausência transita por nossas vidas e como se pode assumi-lo. Em várias situações do experimento se mostra como as pessoas não se deixam abater pela ausência, e a transformam em música, em dança, em grito.

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