quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Núcleo Viladança exibe resultado de residência artística do colombiano Vladimir Rodríguez com bailarinos baianos

foto: Andréa Magnoni

foto: Andréa Magnoni


"Jauría" reúne 13 intérpretes e tem apresentação única neste sábado, 29 de outubro, 19h, no Teatro do Movimento (Escola de Dança da UFBA)

No dia 29 de outubro de 2016, 19h, o Teatro do Movimento – Escola de Dança da UFBA sedia a apresentação de “Jauría”, resultado da terceira residência artística realizada pelo Núcleo Viladança. O projeto selecionou 13 artistas baianos para participar de um processo de residência artística sob a orientação do coreógrafo colombiano Vladimir Rodríguez e da coreógrafa italiana Elena Ciavarella, ambos radicados na França.

Como parte da busca que vem desenvolvendo há alguns anos, Vladimir Rodríguez pergunta-se novamente sobre o lugar do artista no Teatro, sobre o alcance da comunicação no palco e sobre a encarnação do espaço pelo corpo intencionado. O título escolhido para o resultado artístico, "Jauría", significa matilha.

“Jauría é uma tribo que tenta se comunicar. Seus integrantes às vezes falam sozinhos, às vezes em grupo. Às vezes gritam e às vezes observam silenciosos. Às vezes não sabem o que fazer, mas na maioria das vezes querem saber o quê e como fazer. Estão famintos por decifrar sua própria comunidade. Eles não representam os outros. Eles apresentam-se a si mesmos buscando construir a fragilidade de sua comunidade sob o olhar de outra tribo: Vocês.”, convida o coreógrafo, em breve texto de apresentação do resultado artístico.

Esta é a terceira edição do projeto Viladança em Residência, que em 2015 trouxe a Salvador a Cia Los INnato, da Costa Rica, e o coreógrafo Asier Zabaleta, da Espanha, para trabalhar com intérpretes baianos. “O objetivo do projeto Viladança em Residência é estimular o intercâmbio entre artistas internacionais e locais, ser um elo entre culturas, novas ideias e novos fazeres”, comenta a coreógrafa Cristina Castro, diretora do Núcleo Viladança."Além da criação artística, o resultado está também na ampliação dos horizontes dos participantes, que investem em uma formação diferenciada, em descobertas de novas parcerias. A cada residência aprendemos uma nova língua, um novo vocabulário corporal, que vem de culturas diferentes”, complementa.

"A dança tem como princípio o deslocamento. A dança que é local é a dança tradicional, que tem a força da permanência, da insistência no local. Mas a dança contemporânea tem que viajar para ganhar sentido. Tem que viajar com todos os seus problemas, suas questões e inclusive suas cargas identitárias", comenta Vladimir, que acumula experiências em países como Itália, França, México e República Tcheca. "Uma residência é um lugar onde desenvolvemos toda a nossa antropologia e toda a nossa sociologia. É um lugar privilegiado de investigação. É um lugar onde uma comunidade de seres humanos se reúne para ter toda uma experiência, um laboratório. Não tem apenas consequências artísticas, mas consequências profundamente sociológicas. A residência artística é um laboratório de humanidade", complementa.

A terceira edição do projeto Viladança em Residência tem o patrocínio do Iberescena, Funarte, Ministério da Cultura e Governo Federal, é realizado pelo Núcleo Viladança e pela Manga Rosa Produções, e conta com o apoio institucional do Teatro Vila Velha.

Sobre Vladimir Rodriguez:

Vladimir Rodriguez é bailarino e coreógrafo. Em 2003, fundou a companhia de dança contemporânea Cortocinesis com a qual desenvolve investigações e apostas coreográficas através da construção do sistema de treinamento “Piso Móvil”. Tem colaborado como bailrino em diferentes companhias e associações como Coleletivo Único (França), Faizal Zeghoudi (França), Esther Aumatell (França), Adarte (Itália), Déjà Donné (Itália), entre outras. Como coreógrafo foi convidado por Delfos Danza Contemporánea, Tumak’at, Danza Joven de Sinaloa, La Bruja, Andanza, todas companhias mexicanas. Como docente e coreógrafo colaborou com instituições como a Academia Superior de Artes de Bogotá (Colômbia), a Escuela Profesionalde Danza de Mazatlán (México) e o DuncanCentre en Praga (República Checa), entre outras. En 2010 ganhou o Premio Nacionalde Danza en Colombia com o espetáculo “Papayanoquieroserpapaya”. Entre 2011 e 2013 desenvolveu o projeto “ESCrito Absurdo” junto ao bailarino mexicano Omar Carrum. Em 2013 obteve diploma Master Pro “Mise en Scène et Dramaturgie” de la Universidad de Nanterre Paris X (Francia).

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