sexta-feira, 29 de abril de 2005

Fala Vila - Convidado: Prof. Carlos Moore
"Améfrica" revelada

No Fala Vila da última terça (26/04), o professor cubano Carlos Moore foi incisivo no esclarecimento sobre a presença da cultura negra no bloco continental americano e na denúncia das mais sutis tentativas de genocídio da população afrodescendente. A palestra foi assistida por mais de 60 pessoas, entre intelectuais e ativistas do movimento negro, artistas, estudiosos e interessados em geral.



Carlos Moore revisa as anotações antes de iniciar a palestra

Contrariando a imagem associada aos acadêmicos, o professor Carlos Moore apresentou-se simpático e sorridente, pedindo desculpas antecipadas pelo seu português (na verdade, quase impecável), preferiu fazer a palestra de pé. Abrindo sua fala, Moore explicou como a idéia de chamar o continente de ?América Latina? exclui automaticamente a população afrodescendente das Américas e, por isso, apresentou o conceito de ?Améfrica?, cunhado pela autora Afrobrasileira Lélia Gonzalez.

De uma maneira geral, Carlos Moore falou da insistência dos países do ?bloco geocivilizatório? das Américas em negar a herança viva da África em suas terras. O professor citou como exemplos países cuja população tem maioria ou quase-maioria negra, entretanto, pateticamente, declaram-se brancos, como República Dominicana, Cuba, Panamá, Colômbia, Porto Rico e Venezuela. Para Moore, tal postura - adotada com várias nuances ao longo de todo o continente americano - revela que as nações se envergonham da presença africana, como se fosse uma mancha, e isso precisa ser combatido. ?A negação da presença física de uma população traz necessariamente a idéia de um genocídio, porque manifesta o desejo do desaparecimento dessa população?, denuncia, apontando como exemplo a ?invisibilização? do negro promovida pela mídia, que vende como padrão a cultura branca, dando pouco ou nenhum espaço à representação dos afrodescendentes, que hoje são mais de 215 milhões nos três componentes geográficos da América: América do Sul e Central (150 milhões), América do Norte (40 milhões), e o Caribe (25 milhões).


Platéia cheia e atenta

Por outro lado, o professor Moore falou dos conceitos de negritude e pan-africanismo, criação das diásporas afro-americanas, que conferem a familiaridade entre as 60 diferentes culturas afrodescendentes nas Américas. Para isso, ele lançou mão de um panorama histórico, traçando os elementos em comum no processo de formação destas culturas, destacando a escravidão racial, a diáspora e o esfacelamento das estruturas religiosa, familiar e lingüística dos povos africanos que foram trazidos às Américas entre os séculos XVI e XIX. E Moore chega até a atualidade: ?As diversas culturas afrodescendentes dos países americanos foram criadas a partir da socialização de indivíduos atomizados. Por isso, hoje em dia, a cultura do negro argentino é familiar ao negro brasileiro, que é diferente da cultura dos brancos nestes países, por exemplo?.

A questão da negritude também foi colocada enquanto elemento importante para o rompimento com a idéia ilusória da existência de uma ?democracia racial?, um aspecto fundamental para a recuperação da consciência histórica e cultural da população afroamericana, assim como para sua emancipação.
Carlos Moore chamou atenção ainda para a estratégia de lenta dizimação da população afrodescendente praticada na após abolição por países latino-americanos, que expuseram ex-escravos negros à miséria, fome e doenças. Disse que como corolário dessa política, esses países também fomentaram uma enorme imigração especificamente branco-europeia com o fim de ?branquificar? os países de América e do Caribe. Finalmente, com a abertura para os debates com o público, o professor esclareceu questões políticas e culturais de países específicos, como Haiti, Libéria, Estados Unidos e regiões como o Caribe, além de tratar da colonização e divisão geográfica do continente africano e da atual exploração turística das religiões de matriz africana.

quinta-feira, 28 de abril de 2005

SOBRE CARLOS PETROVICH
*24/03/1936
+27/04/2005


Petrô, em Um tal de Dom Quixote (1998)

Profundamente emocionado em virtude do repentino falecimento do ator Carlos Petrovich, um dos fundadores da Companhia Teatro dos Novos, responsável pela criação do Teatro Vila Velha, o diretor teatral Marcio Meirelles, membro do grupo que atualmente gerencia as atividades do mesmo teatro, declara o seguinte:

o que queria dizer sobre petrô é que ele esteve aqui na noite anterior ao infarto, na palestra de carlos moore sobre a presença da áfrica na américa latina. estava forte, como sempre, e creio que veio, sem saber, se despedir do teatro que construiu - entre as tantas coisas que construiu - e nos deixar de presente a sua intervenção na palestra: nela, sua indignação diante da apropriação indevida dos símbolos e atos das religiões afrobrasileiras pelas igrejas evangélicas, e como isso se inscreve numa política global de extermínio da presença negra no mundo.



Meirelles, Jarbas e Petrô, no último Fala Vila (26/04/2005)

petrô foi um guerreiro e agora está em outros campos guerreando. agora não está mais entre nós. está em nós, em muitos de nós, que vamos seguir e continuar suas batalhas.

é isso.

marcio meirelles




terça-feira, 26 de abril de 2005

29 de Abril - Dia Internacional da Dança

Nesta sexta-feira, a Cia. Viladança, grupo de dança contemporânea residente do Teatro Vila Velha, mais uma vez demonstra seu compromisso com a arte, com atividades que comemoram o dia Internacional da Dança.

Pela manhã, o Viladança participa do projeto População Cultural, da Fundação Cultural do Estado da Bahia, ministrando uma oficina dentro da programação 12 horas de Teatro e Dança, no Teatro Castro Alves. No mesmo dia, só que mais tarde, o grupo faz uma apresentação especial de Da Ponta da Língua à Ponta do Pé para os alunos da tradicional Academia de Ballet da Bahia. O encontro será interessante, pois reúne dançarinos que se dedicam a gêneros distintos, celebrando uma única linguagem.

E assim segue o Viladança: formando platéia e futuros profissionais da Dança na Bahia.

Conheça a Origem da comemoração

O Dia Internacional da Dança foi criado em 1982 pela UNESCO(Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). A data 29 de Abril comemora o aniversário de Jean-George Noverre (nascido em 1727), formulador das bases cênicas da dança no século dezoito e autor das "Cartas sobre a Dança e os Ballets", livro fundamental até hoje para estudar a teoria e a prática da Dança.

A data comemorativa foi estabelecida pela UNESCO a fim de promover a união entre os mais diversos profissionais da Dança em torno da celebração do caráter universal desta forma de arte. Em outras palavras: romper barreiras geográficas, políticas, culturais e étnicas, promovendo um encontro pacífico e amistoso através de uma linguagem em comum.

A cada ano, nesta data, a UNESCO faz circular, mundialmente, a mensagem de um renomado profissional da Dança. Em 2005, as palavras da dançarina japonesa Miyako Yoshida, principal bailarina do Royal Ballet of London, eleita em 2004 como "Artista UNESCO pela Paz", circulam pelo globo para levar os votos de união entre todos os povos.

Fontes:
www.unesco.org e www.idance.com.br
Foto: Márcio Lima

sexta-feira, 22 de abril de 2005

Fala Vila: África e América Latina
As civilizações africanas no hemisfério ocidental:
O olhar sobre as comunidades afrodescendentes das Américas e do Caribe

Na próxima terça-feira, dia 26 de abril, às 19:00, o pesquisador cubano Carlos Moore é convidado do Bando de Teatro Olodum para uma palestra sobre as manifestações da cultura afrodescendente no continente americano. Moore, que tem formação interdisciplinar em Etnologia, Sociologia, História, Antropologia pela Universidade de Paris-7 (França), é Chefe de Pesquisa na Escola para Estudos de Pós Graduação e Pesquisa na Universidade do Caribe. A atividade faz parte do processo de preparação do grupo para a realização de um espetáculo infanto-juvenil que estréia em julho e tem como tema a África. A palestra faz parte do projeto Fala Vila, que promove encontros entre especialistas e o público, sobre temas ligados a arte, cultura, cidadania e projetos desenvolvidos pelos grupos residentes do Teatro Vila Velha. A palestra de Moore contará com a presença dos artistas do Bando, que estarão ao lado do público para conhecer melhor a influência africana sobre as nações latino-americas.

info:
Data: 26/04/2005
Horário: 19:00
Onde: Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha
Ingressos: Entrada Franca

terça-feira, 19 de abril de 2005

Aula de história

Incrível e surpreendente, pode-se assim caracterizar a peça "Primeiro de Abril, mas não é mentira". A peça mostra o desespero do Brasil na década de 60, que após a renúncia de João Goulart é tomada por um golpe militar.

E para que essa história virasse uma peça, ou melhor, um musical, o autor e diretor Gordo Neto teve que pesquisar muito. Já que a trilha sonora tem até mesmo propagandas de produtos americanos, que representam a invasão americana no Brasil. E não são somente propagandas que entram, a peça tem direito a composições próprias para 1 hora e meia de espetáculo.

Além de cantarem trilha sonora própria, os atores dançam e interagem com o público e com o espaço quase todo do teatro. Este é o tipo de teatro de Brecht, muito usado antigamente nos primeiros teatros do mundo.

O figurino é muito interessante, pois é único e possibilita um ator interpretar vários personagens, apesar de alguns serem fixos. Calça jeans, bota e camiseta estilizada era a vestimenta dos atores. A camiseta feita pelo amigo de Gordo Neto, tinha estampas variadas de manchetes de jornais.

A iluminação é muito boa e enriquece o trabalho dos atores, que sáo muito bons e a disposição das cenas. Tudo no cenário é móvel e trocado dependendo da cena. Exceto a banda e a piscina de acrílico, na qual um homem fica caindo e se afogando, representando o Brasil em desespero.

A peça é muito interessante e está sendo assistida não só por pessoas de meia idade, mas também por alunos de várias escolas. Ela está sendo exibida no teatro Vila Velha que náo deve ter sido escolhido por acaso, já que este foi o palco de várias reivindicações e protestos contra o regime.


Este texto, escrito pela aluna Gabriela Teles, da 8ª série do Colégio Miró, é resultado do trabalho proposto em sala de aula pela atriz e professora Cristiane Barreto. Se você é educador, pode fazer o mesmo. Traga seus alunos para assistirem aos nossos espetáculos com ingressos a preços especiais! Entre em contato conosco: (71) 3336-1384
Cia Novos Novos em ação
Oficinas para Crianças inscrições abertas de 25/04 a 06/05



Cia Novos Novos: formação teatral desde a infância
(Cena de Alices e Camaleões - Foto: Márcio Lima)

O Projeto Vila Novos Novos, que será realizado este ano com o patrocínio da COELBA, abrirá vagas para crianças de 7 a 12 anos participarem das oficinas de teatro, dança, música, artes plásticas, culinária e educação ambiental. São ao todo 40 vagas, sendo 30 delas bolsas destinadas a alunos de escolas públicas. As 10 restantes serão preenchidas por alunos que investirão R$ 60,00 em cada mês de aulas. Para ingressar nas oficinas, as crianças irão passar por uma série de atividades lúdicas e artísticas, no dia 07/05, que definirão quais serão os participantes.

As oficinas acontecem durante dois meses, período em que as crianças entrarão em contato direto com os jovens atores da Cia. Novos Novos e outros artistas do Vila. As aulas serão ministradas aqui no Teatro, às terças e quintas, das 8:00 às 11:00 da manhã. Os garotos e garotas que quiserem concorrer a uma das 30 vagas de bolsista devem comprovar, no ato da inscrição, que participam de atividades junto a grupos de teatro de suas comunidades. Dos 40 alunos das oficinas, entre bolsistas e pagantes, alguns devem ser convidados a permanecer na Cia. Novos Novos.

+ info: 3336-1384 ou novosnovos@teatrovilavelha.com.br

segunda-feira, 18 de abril de 2005

PERFIL


Nome: Gilca Alves Miranda
Codinome: Gilkinha
Função: Assistente Administrativa
Tempo de Vila: Uns 3 anos...
Quantas vezes assistiu ao Cabaré da RRRRRaça: Vamos lá, todo mundo junto: plural de pluralidade é pluralidades!
Gostamos dela porque: Ela é sincera e conselheira. Até demais.
Dá raiva dela quando: Ela não atende o telefone. Mesmo que seja o da mesa dela. E não atende mesmo!
O que dizem sobre ela:
"Tenha medo quando ela vem toda arrumadinha. Ela não tem boas intenções." (Meirelles)
"Ela é nosso sindicato." (Gustavo)
"Ela é legal entre aspas." (Mazinho)

Citação: "Hoje é sexta-feira, não é dia de trabalhar muito, não."

Efeito Bailarina


Ontem à tarde, num barzinho no bairro da Saúde, o ator Fernando Fulco assistia ao jogo da final do Campeonato Baiano de Futebol, trazendo no peito a camisa estampada com o Sol do Vila - um uniforme não-oficial e espontâneo do Teatro. Perto dele, uma garotinha o observava e cochichava com a mãe. Foi assim por um bom tempo, até que deu o intervalo do jogo e a tal mãe veio falar com ele.

A garotinha havia reconhecido o Sol do Vila porque havia assistido uma peça daqui. Fulco voltou-se para ela, simpático, e perguntou qual foi.

- Da ponta da língua...

A mãe contou que, depois de ver o espetáculo da Cia. Viladança, a garotinha aporrinhou tanto, mais tanto, tanto "com essa história de balé", que ela teve de matriculá-la numa escolinha de dança.

Não é que isso está dando certo?

sexta-feira, 15 de abril de 2005

Formação de Platéia
Teatro para todos!
Vilavox procura atrair estudantes para a platéia de Primeiro de Abril



O musical conta a história do regime militar no Brasil

Hoje à noite, 100 adolescentes integrados ao projeto Estação da Juventude virão ao Teatro Vila Velha para assistir ao espetáculo cênico-musical Primeiro de Abril. A iniciativa partiu do grupo Vilavox, que nesta montagem traz uma proposta didática com enfoque em temas políticos e históricos, por isso tem buscado atrair o público das escolas e de outras instituições ligadas à esfera educacional.

Primeiro de Abril aborda o período da ditadura militar brasileira, relatando fatos e levantando nomes de personagens históricos através da encenação que lança mão também da música e de coreografias. Com uma vasta gama de informações, a montagem deve despertar o interesse e facilitar a compreensão sobre um período histórico recente e ainda um tanto obscuro para a sociedade brasileira. Empenhada na tarefa de levar esse conhecimento ao maior número de pessoas possível, a produção da peça está investindo num programa de formação de platéia diferenciado. Além de oferecer ingressos a preços populares para grupos de diversas instituições, a idéia é despertar a relação entre os temas abordados no palco e aquilo que se sabe sobre a recente história do Brasil. Para isso, o Vilavox vem entrando em contato e conta com o auxílio de professores, arte-educadores e pesquisadores.

Além do público da Estação da Juventude, o espetáculo já foi ou será apresentado para estudantes do curso de Pedagogia da UNEB, alunos das Faculdades Jorge Amado e de escolas públicas como a Costa e Silva (Ribeira).

Preste atenção!
Apresentações: De sexta a domingo
Horário: 21:00h (sexta e sábado) e 20:00h (domingo)
Onde: Palco Principal do Teatro Vila Velha
Temporada: Até 15/05/2005

Ingressos: R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia)
Ingressos promocionais: R$ 5,00 (grupos de escolas particulares) e R$ 3,00 (grupos de escolas públicas)

Agende a vinda de sua turma com:
Gordo Neto (Vilavox) - 3336-1384

quarta-feira, 13 de abril de 2005

PARABÉNS, VILADANÇA!!!

Hoje, a Cia. Viladança completa 7 aninhos de vida. Pode parecer que foi ontem, como diz o clichê, mas quem está por dentro sabe que os desafios sempre foram muitos e as vitórias alcançadas com muito suor (literalmente!). Há sete anos, era um grupo que surgia no seio do Vila, com dançarinos que trabalhavam exclusivamente movidos pela paixão. O sentimento continua sendo mola na rotina do grupo, que agora também acumula na bagagem prestígio, realizações, experiência e premiações. Hoje o Viladança conta com o apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia e os olhos atentos de um público já cativo.


E agora, um pequeno flashback:


200 e poucos megabites de memória (maio/1998)
Foto: Vera Millioti



Exposição sumária (setembro/1998)
Foto: Vera Millioti


Sagração da vida toda (novembro/1998)
Foto: Márcio Lima

Troféu Mambembe/ companhia revelação / FUNARTE 1998

Prêmio Estímulo a Espetáculos de Sucesso em 98/ FUNARTE, MINC e SATED

Edital pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (1988, 1999 e 2000)


CO2 - Cinco sentidos e um pouco de miragem (julho/2000)
Foto: Márcio Lima


Hai-kai baião (dezembro/2000)
Foto: Márcio Lima


EmCena Brasil-Prêmio Circulação/ FUNARTE 2001 e 2002


José Ulisses da Silva (julho/2002)
Foto: Márcio Lima

Festival Move Berlin, Alemanha 2003



Caçadores de Cabeças - Headhunters (setembro/2003)
Foto: Márcio Lima



Prêmio UNESCO de Fomento das Artes (2003)


Da Ponta da Língua à Ponta do Pé (outubro/2004)
Foto: Márcio Lima

segunda-feira, 11 de abril de 2005

PERFIL

Toda vez que um casal formado aqui no TVV fica grávido o teatro inteiro vai na ponga e vive a gravidez junto. A bola da vez, quer dizer, o baby da vez é de Lauana e Gordo. Portanto...




Nome: Eurico de Freitas Neto
Codinome: Gordo Neto
Função: Diretor do Vilavox e gato do Nucoma(Núcleo de Comunicação)
Tempo de Vila: Mais ou menos sete anos
Quantas vezes assistiu ao Cabaré da RRRRRaça: Isso tá começando a perder a graça...
Gostamos dele porque: Porque o Pequeno Príncipe é muito carismático.
Dá raiva dele quando: Se manda para a Gordolândia ou quando assume o seu lado Chuck.
O que dizem sobre ele:
"Conversar com Gordo é difícil, ele é muito áspero" (...)
"Ele é um cara brother que me chama de Bisteca. De Jarbas pra Bisteca é foda.É o único cara do mundo que me chama assim!" (Jarbas)
"Eu gosto muito de gordo. Ele é quem mais ri das minhas piadas sem-graça." (Camilo)
"Dizem que ele tem dupla personalidade né? Ás vezes Chuck, ás vezes Pequeno Príncipe..." (Chica)

Citação: "Penso que sim..."

sexta-feira, 8 de abril de 2005

INFORME EXTRAORDINÁRIO (vinheta do plantão da globo)
O VILA ESTÁ EM ÁGUAS

Diretamente da administração do Teatro Vila Velha, informamos que a situação está periclitante! Repito, a situação está periclitante! Durante uma manobra arriscada de manutenção do sistema hidráulico, uma falha humana ocasionou um acidente com a tubulação do ar condicionado central.

Sem que as consequências pudessem ser previstas, a água escapou e começou a tomar todo o segundo pavimento do edifício. A produção foi a primeira a ser inundada pelas águas caudalosas que vertiam sem cessar da tubulação rompida. Em seguida, na administração, a equipe foi surpreendida por uma cachoeira de proporções magníficas que simulou uma verdadeira tempestade no local de trabalho (chuá! chuá!). Todos ficaram em pânico, mas um laborioso estratagema articulado às pressas fez com que os funcionários rapidamente se convertessem numa eficiente engrenagem que neutralizou a enxurrada que tomava o teatro.

A partir de agora, temos um sexto grupo residente: O SOS Vila!, constituído por todos os presentes na casa no momento de um acidente inesperado. Na súbita estréia do SOS Vila!, arrastamos mesas, cadeiras, deslocamos e desligamos computadores, resgatamos feridos, armados até os dentes com baldes, panos, flanelas e boa vontade.

Vejam imagens chocantes e exclusivas da catástrofe:

SOS Vila! em ação!
Baldes de contenção na ADM
Situação da ADM depois que a cachoeira foi controlada
A tubulação
Poesia em meio ao caos

Chão escorregadio e molhado e perigoso e trágico

quinta-feira, 7 de abril de 2005

DEDICAÇÃO

Funcionários dedicados não faltam o serviço nunca. Ou pelo menos fazem o possível para estarem ali, sempre a postos. Essas pessoas não fazem corpo mole. Somente uma catástrofe natural poderia afastá-las de suas tarefas. Eis alguns exemplos aqui no Vila:



Maíse Xavier, no estúdio

Nossa mulher-aranha foi trocar uma lâmpada em casa, mas acabou despencando de uma arabaca feita com caixas e tábua de passar. Mesmo com o esfacelamento muscular, resultado da não-queda, ela não se afastou das fitas, edições e outras tarefas do estúdio do Vila.





Camilo Fróes, no foyer

Funcionário com 1001 utilidades na área de Design e Comunicação, Camilo é universitário, trabalha aqui no teatro e ainda por cima é ator nas horas nem-tão-vagas assim. Sem tempo para dormir, hoje ele chegou no Vila duas horas antes de seu turno e, ao invés de ficar "fazendo hora", aproveitou para refazer as energias e alimentar sua criatividade.

quarta-feira, 6 de abril de 2005

Delírios saudosistas de um cafajeste
Mister Holliday estréia neste final de semana

Uarlen Becker por Camilo Fróes

O Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha será tomado pelas memórias de um velho boêmio. Nas sextas e sábados de abril, às 19:00, o público poderá conferir Mister Holliday, trabalho inédito da Usina de Teatro da Bahia.

Neste espetáculo, o personagem principal é um homem com histórico de bon-vivant, que não se conforma em aposentar-se ganhando um mísero salário mínimo. Revoltado com a situação, ele planeja um golpe contra a Previdência, afinal, a essa altura da vida, não é justo que ele não possa mais tomar o seu uisquinho "Bala 12"...

Tentando convencer um amigo - a princípio invisível depois personificado pelo público - a ajudá-lo nesta jogada, o Mr. Holliday, como seus amigos do passado o apelidaram, relembra sua vida na boemia e assim vai reconstruindo histórias e figuras da noite do Centrão de Salvador, numa época de cabarés, bregas, vedetes e de bebida cara em bares ordinários.

O título do monólogo foi tirado da boate Holliday, que entre os anos 60 e 70 fez história na noite soteropolitana. O texto, escrito e interpretado pelo ator Uarlen Becker, é marcado por um senso de humor trágico, pontuado pelo saudosismo e a crítica aos gostos e costumes da sociedade baiana no momento atual. Entre seus planos e divagações, o protagonista, que não tem um nome próprio, é apenas um "ninguém" que perambula pelas cidades grandes e ostenta a atitude de um típico anti-herói: cheio de incoerência e carente de virtudes. O homem discorre sobre seus amores fulminantes do passado, os empregos arranjados pela mãe (o seu único "pistolão"), as noites de porres homéricos, brigas, perseguições, intrigas, cafajestagem e diversos golpes, ao mesmo tempo em que emite opiniões absurdas e anacrônicas sobre os fatos que aparecem nos jornais a na TV.

A peça, de acordo seus autores, "é uma comédia sobre a derrota pessoal de muitos que vagam pela cidade e sobre a derrota coletiva de uma sociedade consumista e mentalmente corrompida".A montagem foi concebida por Uarlen Becker, Ana Paula Costa e André Luís Santana, que juntos são a Usina de Teatro da Bahia. Em atividade desde 1999, os artistas vêm se aplicando em diversos gêneros teatrais, como o Teatro de Rua e o Teatro de Cordel. A Usina já teve oportunidade de participar de seminários, oficinas e festivais em diversas cidades, como o Festival de Curitiba, do SESC no Ceará, de Monólogos da Bahia em Camaçari, realizando um intercâmbio que ajudou a amadurecer seu trabalho.

Usina de Teatro da Bahia

Criado em 1999 pela atriz Ana Paula Costa, o grupo reúne artistas dispostos a experimentar diversos estilos na arte teatral, seja nos palcos ou fora deles. Realizando montagens em gêneros diversos, o grupo já esteve em São Paulo, Paraná, Ceará Perbambuco e passou também pelo interior da Bahia, onde foi acolhido pelo público e instituições como a Secretaria de Cultura de Camaçari.

Com projetos ligados à cultura popular nordestina, assim como experimentações urbanas contemporâneas, a Usina vem agradando o público por onde passa e vem alcançando também o reconhecimento da crítica com indicações e premiações.

Segundo Uarlen e Ana Paula, que fazem parte do grupo desde a sua primeira formação, "a Usina de Teatro da Bahia continua desenvolvendo pesquisas artísticas e levando ao público montagens que refletem uma estética brasileira, atual e profissional, com a consciência de que o teatro pode corrigir a vida".

terça-feira, 5 de abril de 2005

PERFIL



Nome: Rivaldo Rio
Codinome: Riva, Gato, Rasta...
Função: Iluminador e Chefe de Palco
Tempo de Vila: "Caralho, muito tempo!"
Quantas vezes assistiu ao Cabaré da RRRRRaça: Hã? Quantas vezes o espetáculo foi apresentado?
Gostamos dele porque: Está sempre disponível pra qualquer parada
Dá raiva dele quando: É canguinha e só dá carona dividindo a gasolina.
O que dizem sobre ele:
"Ah,sou suspeita pra falar de Rivaldo" (Nalva)
"Até que enfim tomou vergonha e virou homem" (Gilmar)
"Todo mundo sabe que ele é seis meses homem,seis meses mulher." (Espírito)

Citação: "Q-que é isso p-pessoal? Amanhã t-tem infantil, tem que a-arrumar a escada" (Em Auto-Retrato aos 40)

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Palestras e Seminários
1º Fórum de Performance Negra

O Bando de Teatro Olodum (BA) e a Cia. dos Comuns (RJ) promovem um encontro entre representantes de grupos de teatro e dança negros de todo o Brasil. Com palestras e debates, o evento tem diversos objetivos: compartilhar experiências, discutir políticas públicas, criar mecanismos de comunicação e mapear as atividades dos grupos artísticos comprometidos com a estética de matrizes negra e popular espalhados pelo país.

No fórum, serão abordados temas como a história do teatro negro no Brasil, o quadro da questão racial no Brasil contemporâneo, tradições africanas e cultura popular, entre outros. Os resultados irão aparecer na participação dos grupos na Marcha Zumbi +10, em Brasília, no mês da Consciência Negra.

O Fórum acontece nos dias 30 e 31 de maio e 1 de junho, no Teatro Vila Velha com apoio da FUNARTE, da Fundação Cultural Palmares do Ministério da Cultura e da Secretaria Municipal da Reparação.

1º FÓRUM DE PERFORMANCE NEGRA
Dias: 30 e 31/05 e 1º/06/2005 (Segunda, Terça e Quarta)
Horário: Das 9:00 às 18:00
Onde: Teatro Vila Velha
Informações: Jorge Washington ? 71 3336-1384 / bando@teatrovilavelha.com.br

sexta-feira, 1 de abril de 2005

DANÇA + FOTOGRAFIA
Onde a luz e o corpo se encontram


Inquieta como sempre, a diretora e coreógrafa Cristina Castro já mergulhou em um novo projeto artístico, enquanto o musical infanto-juvenil Da Ponta da Língua à Ponta do Pé volta a cartaz aos sábados e domingos, aqui no Vila. Movidos pelo fascínio em comum pela idéia da captura de uma imagem, os artistas da companhia já estão fazendo estudos e experimentos técnicos e estéticos, que conduzirão à criação de um espetáculo inspirado do universo da fotografia.


fotograma produzido em oficina por Jairson Bispo

Para Cristina, Dança e Fotografia têm como base três elementos em comum: o tempo, o espaço e a ação. E a diretora filosofa sobre seu encanto por essa relação: "O movimento é medido pelas três variáveis. E a fotografia tem um incrível poder de síntese, porque congela o tempo, não é só um registro, captura também um estado emocional".


fotograma por cristina castro

A fotógrafa Célia Aguiar já está trabalhando com o Viladança, trazendo informações, poesias e outros materiais. Juntamente com Danilo Bracchi, ator, dançarino e assistente de produção do grupo, que também está pondo em prática seus conhecimentos sobre a arte de capturar instantes, ela participa dos encontros e oficinas. Outra presença garantida ao longo do processo é o músico João Meirelles, que também é fotógrafo e deve assinar a trilha sonora do espetáculo.

* A estréia já está marcada para agosto e ao longo da pesquisa, o grupo vai procurar ainda o apoio de outros fotógrafos baianos, como Isabel Gouvêa, Márcio Lima, Agenor Godim, Marisa Viana, Andréa Viana, Alice Ramos, Cristian Cravo, Mário Cravo Neto, Eduardo Moody, Gina Leite, Beatriz Franco, Sílvio Robato, entre outros. Eles serão convidados para bate-papos com os 'viladanços', que estão ávidos por informação e se divertindo com as descobertas feitas nas oficinas.

E se você também quer contribuir com o processo criativo do Viladança, envie-nos e-mails com suas idéias sobre o que a Dança e a Fotografia têm em comum.


*fotograma por bárbara barbará