segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Direto ao Ponto


No dia 14/12, próxima segunda-feira, acontece a mostra da oficina de teatro do Ponto de Cultura. A partir das 20h, a turma apresenta o que aprendeu nas aulas de interpretação, dança, canto e dramaturgia.

Entrevistamos a diretora Iara Colina, responsável pela Oficina e Coordenadora de Programação do Vila Velha, sobre questões relacionadas ao estudo de artes cênicas. Acompanhe abaixo.

1. Qual a importância para um intérprete das artes cênicas desenvolver múltilplas habilidades artísticas?

Os instrumentos do ator são o seu próprio corpo e sua imaginação. Desenvolver as potencialidades do corpo e da criatividade, conhecer e vencer limites, adquirir técnicas para desenvolver habilidades são aspectos fundamentais para o crescimento artístico de um ator.

2. As expressões contemporâneas têm se utilizado do cruzamento de linguagens em suas poéticas e elaborações estéticas. Como dar conta dessa necessidade que parece irreversível? Às vezes não parece que o intérprete tem de ser multitalentoso...?
Para mim, de fato, o cruzamento de linguagens se afigura como uma tendência irreversível. Acredito, no entanto, que sempre haverá espaço para criações que privilegiem apenas uma linguagem, seja ela teatro, dança, música etc. Independente das inclinações pessoais de cada artista para uma linguagem em particular, procurar desenvolver-se em outras linguagens artísticas seguramente servirá para aumentar seu potencial criador na sua, digamos assim, linguagem de origem. Assim, um dançarino que faz aulas de teatro vai conhecer mais suas potencialidades e poderá aplicá-las à dança, enriquecendo suas performances. Idem para um ator que se proponha a dançar ou cantar ou escrever.

3. Qual o perfil dos alunos que se inscreveram na Oficina e como eles têm encarado as aulas de “disciplinas” diversas?
Os perfis são bastante diversos. Dentre os selecionados para a oficina há pessoas com diversos graus de experiência, desde recém-integrantes de grupo de teatro com 16 anos de idade até licenciados em artes cênicas pela UFBA com 17 anos de experiência com teatro. Acredito que quanto maior a diversidade do público da oficina, mais rica pode ser a troca de experiências e maior, portanto, a amplitude da formação.
Neste semestre, o foco desta iniciativa do ponto de cultura foi direcionado para integrantes de grupos de teatro, nesse aspecto residindo o ponto de interseção entre a maior parte dos alunos. A turma tem se dedicado a cada aula com muita vontade de assimilar os conhecimentos expostos e com muita disponibilidade nos exercícios.


4. Em propostas de formação como esta, é comum a mescla etária e de pessoas de diferentes realidades sociais, contextos culturais, trajetórias e aspirações. É este o caso Oficina de Formação Múltipla do Ator? Essa somatória é uma vantagem ou desvantagem?
Conforme alguns aspectos mencionados na resposta anterior, acredito que a diversidade proporciona intercâmbio mais intenso, devido às diferentes experiências acumuladas por cada um ao longo da vida e em seus contextos sociais. Para um processo como o que essa oficina propõe, com ênfase em improvisação, essa somatória é uma vantagem sem sombra de dúvida.

5. A Oficina tem ênfase na experimentação, uma palavra que por vezes parece desgastada e, portando, esvaziada do seu sentido artístico. O que é experimentação para você?
Essa pergunta levou meu pensamento até a expressão ‘teatro experimental’, que, hoje em dia, quando escuto em relação a um espetáculo, provoca em mim um leve temor do que me aguarda... rsrs...
É fato que a palavra ‘experimentação’ está desgastada. Mas, em relação à arte teatral, não encontro outra que abrigue os mesmos conceitos, talvez ‘pesquisa’... Pesquisa essa, que é feita através de... experimentação.
Experimentar, exercitar-se em diferentes sensações, imagens, circunstâncias, cenas e personagens é parte fundamental do trabalho do ator. Para depois, sim, definir e repetir, procurando sempre um novo frescor, que tem a pretensão de causar na platéia a impressão de que aquela cena nunca foi ensaiada, mas transcorre pela primeira e única vez ali diante de seus olhos.


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