sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Últimos dias de inscrições nas Oficinas Vila Verão


Oficinas Vila Verão - o prazer de conhecer a arte
Foto: Alexandre Marinho

Está encerrando o prazo para as inscrições nas Oficinas Vila Verão 2007. Os interessados têm até a próxima sexta-feira (05/01) para comparecer ao Teatro Vila Velha e preencher a ficha de inscrição, efetuando também o pagamento da taxa correspondente ao curso escolhido. Este ano, são ao todo 13 modalidades oferecidas, entre teatro, dança e outras técnicas, com aulas a partir de 8 de janeiro, com uma mostra geral no dia 4 de fevereiro. Para quem está com o tempo reduzido, até o dia 31/12 é possível efetuar a inscrição online através de e-mail e depósito bancário. Mais detalhes sobre os cursos oferecidos e sobre as formas de inscrição estão disponíveis no site www.teatrovilavelha.com.br/oficinas ou pelo telefone 3336-1384.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Receba a agenda do Vila em sua casa




Se você já está sentindo na pele que o Sol está mais perto de Salvador e espera com ansiedade pela programação do Amostrão Vila Verão, faça já o seu cadastro para receber a agenda do Vila no conforto da sua casa - onde tem sombra e água fresca! É de graça! Grátis. Free.

Envie seu nome e endereço completos num e-mail para comunicacao@teatrovilavelha.com.br, que a partir de janeiro a agenda bimestral do Vila vai correndo até você.

Se ligue. Se informe.
Vá ao Vila, velho!

* aqui tem ar-condicionado *

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Comemoração de Natal no Vila

Fim de ano chegando e não poderia deixar de acontecer a tradicional confraternização natalina do Vila. Todos os grupos e funcionários presentes, a festa já prometia desde cedo, com o burburinho nos bastidores. A partir das 18h, o pessoal começou a chegar e se aglomerar na portaria do Passeio Público para tomar uma fresca, porque dentro do Vila já estava esquentando.

No Cabaré, as preparações para o banquete começavam sob o comando de Marísia Motta, com direito a globo de luz, iluminação especial e banda ao vivo: a Aglomerasom, grupo músical de Leno, do Bando. Enquanto as pessoas encontravam suas tribos do lado de fora, a banda passava o som, com a canja de Jarbas Bittencourt e Dailton Silva (um dos pucks de Sonho) como convidado especial.

Lá para as 20h, a Aglomerasom abriu oficialmente a comemoração de Natal. A corrente de energia no Cabaré ficou por conta da galera da Novos Novos, que logo tomou conta da pista de dança, com altas coreografias. Fábio Santana, do Bando, colocou óculos escuros e se dispôs a fazer a segurança, enquanto os fãs da banda se atiravam ao palco na tentativa de alcançar seus ídolos.

Do outro lado do palco, pequenos furtos aconteciam discretamente na mesa (mas não revelo quem foi) até que Fulco, com sua incrível naturalidade, liberou oficialmente a mesa. Depois da galera cantar junto com a Aglomerasom, a banda parou as atividades para o bingo. No palco, Marísia distribuindo os brindes, Leno anunciando os números, Fábio girando a globo e Robson como fiscal. Muita gente voltou para casa com seus mini panetones. Teve até quem não bingou bingando e quem, bingando, não bingou. Foi necessária até uma segurança extra para quem estava com o ânimo mais exaltado (leia-se Jorge Washington), afinal "gente, é só um panetone...pequeno", acalmava Leno.

O prêmio da cesta de Natal era o ponto alto da festa, "com mais de 400 itens importados" anunciava Marísia ao microfone. Bingo! Quem bingou? Saraí Santos! O número 65 foi a bola da vez para a costureira do Vila. "Foi uma emoção. Depois eu fiquei sentida porque devia ter feito um discurso agradecendo a corrente pro meu nome e eu só sambei na hora. É uma brincadeira, mas dava medo, porque, se errasse um número, era vaia pesada. Era pra ser minha mesmo, rapaz. Foi muita energia!".

Recomeçou o show da Aglomerasom, afinal, comemoração que é comemoração não tem hora para acabar. O "tiozinho" arrasou no reggae lá na frente do palco e até hoje tem gente se perguntando quem era... Outra parada. Desta vez, para a ceia de natal do Vila, com os perus da Sra Maria Rita de Oliveira, mãe de Vinício. Sem falar nas saladas, que deram um show à parte. A galera da banda encerrou a apresentação e foi comer, porque são filhos de Deus também.

A partir daí o Cabaré virou discoteca, com a seleção de músicas do DJ Alessandro "Man". Leno puxou a coreografia que, rapidamente, contagiou o Cabaré. O sucesso dance da noite ficou por conta de Renato, estagiário da Cia Novos Novos. Quem viu, viu. Quem não viu, perdeu. O garoto deu um show. Pouco tempo depois, lá para as 23h a galera foi se dispersando. Mas não tinha um negocio de escolher uma música para um grupo oferecer a outro como presente de Natal? E fotos? Ninguém tirou fotos? Pois é... a diversão foi tanta que nem deu tempo!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Vilavox parte na Caravana Funarte 2007


Canteiros de Rosa - foto de Márcio Lima


Ehhhh!
O Vilavox foi aprovado no Caravana FUNARTE PETROBRAS de Circulação Nacional de Teatro!

Vamos viajar, apresentando o nosso Canteiros de Rosa - Uma Homenagem a Guimarães por aí. Tem cidade do interior do estado, tem capitais de outros estados do nordeste e também Mossoró, lá no Rio Grande do Norte! É o velho Rosa se embrenhando pelo sertão, pelas cidades...


Se você é de Alagoinhas, Valença, Maceió, Aracaju, Natal ou Mossoró e gosta de Gumarães Rosa, de teatro, de música, de poesia... fique atento, que nossa caravana vai passar por aí!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Verão do auto-conhecimento

Aproveite o verão para curtir seu próprio corpo e se dedicar a práticas que proporcionam o bem estar e o encontro com aspectos positivos interiores que nem sempre a gente se dá conta. As Oficinas Vila Verão 2007 oferecem alternativas para quem já está antenado nessa idéia. Em janeiro e fevereiro, aulas de massoterapia e dança do ventre podem ser a opção de relaxamento que você está precisando para renovar as energias para começar o ano com tudo novo. Confira as propostas das duas oficinas:

Dança do ventre
foto retirada do site www.swissinfo.org

Orientadora: Gal Sarkis
Dançarina formada pela UFBA, participou de workshops sobre terapias de auto-conhecimento e na área de dança, com bailarinas egípcias.

Neste curso, Gal Sarkis convida as alunas trabalharem a dança do ventre como um canal de expressão e liberação capaz de proporcionar às mulheres uma consciência maior sobre seus corpos físico, mental e espiritual. Ideal para levantar o astral feminino, que tantas vezes sofre com as pressões da imagem, da rotina e dos novos postos da mulher na sociedade.

Massoterapia
foto: Alexandre Marinho

Orientador: João Hüpsel
Massoterapeuta formado pela Escola Musso, na comunidade japonesa de São Paulo, trabalha há cerca de 10 anos com artistas e profissionais liberais

Voltada para pessoas de 16 a 50 anos, a oficina apresentará técnicas e manobras de AIKIDO e SHIATSU, auto-massagem, reeducação da postura, respiração e meditação. O trabalho de Hüpsel tem como foco a melhoria no estado do corpo através de pequenas mudanças pessoais.


Achou interessante? Participe!
As aulas acontecerão de 8 de janeiro a 4 de fevereiro e as inscrições já estão abertas aqui no Vila. Para saber mais, acesse www.teatrovilavelha.com.br/oficinas ou ligue para 3336-1384

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

A Outra faturou o BNB!


A Outra vai trocar com outros grupos do Nordeste em 2007
Foto: João Meirelles

Hoje saiu a notícia de que A Outra Companhia de Teatro, um dos nossos residentes, foi aprovada no PROGAMA BNB DE CULTURA. A novidade foi recebida com entusiasmo pelo grupo, que vai com o pique renovado para mais um ano repleto de atividades em 2007.

O projeto, intitulado Troca-Troca no Nordeste com A Outra Companhia (título provisório, como Camilo Fróes faz questão de ressaltar), irá promover ações de aperfeiçoamento profissional, iniciação artística e intercâmbio na área de Artes Cênicas, com a participação de representantes de grupos de teatro dos 09 estados da Região Nordeste.

Para tanto, foram convidados para Salvador representantes de grupos de artes cênicas de todos os estados do Nordeste, e aqui eles irão participar de oficinas com cinco grandes mestres de teatro de nossa cidade: Luiz Marfuz, Hebe Alves, Marcio Meirelles, Harildo Déda e Meran Vargens. Os encontros acontecerão aqui mesmo, no Vila.

Além disso, serão realizadas oficinas de iniciação artística, ministradas pelos artistas convidados, voltadas para grupos locais de teatro amador e para os interessados em geral.

A idéia do projeto, previsto para acontecer de abril a setembro de 2007, é investir no diálogo com outros grupos do Nordeste através da troca de experiências entre seus artistas, fortalecendo assim a produção de nossa região.

É A Outra investindo na troca como meio de fortalecer o profissionalismo dos grupos nordestinos!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Última chance para conferir Aroeira!




Depois de fazer uma estréia com sucesso de crítica, o espetáculo premiado Aroeira - com quantos nós se faz uma árvore voltou aos palcos baianos para encerrar o ano de viagens da Cia Viladança. Agora, este é o último final de semana da segunda temporada, com apresentações de sexta a domingo às 20h aqui no Teatro Vila Velha.

Aroeira aborda as lembranças, memórias e imagens que os olhos guardam fazendo uso de animações projetadas em vídeo e diálogos com outras linguagens, como o teatro e a cenografia. A música do espetáculo foi cedida exclusivamente por Milton Nascimento, que presenteou a diretora, Cristina Castro, com uma trilha inédita gravada há 15 anos.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

A Cultura como Fator de Desenvolvimento - Os Desafios da Cultura

Dia 15 de dezembro, 6a feira, às 14h00, no Teatro Gregório de Matos o Secretário Executivo do MinC, Juca Ferreira, acompanhado do Secretário de Incentivo e Fomento à Cultura, Marco Acco, do Secretário de Políticas Culturais, Alfredo Manevy e do Assessor Especial da Secretaria de Audiovisual, e Afonso Luz, assessor especial do MinC, apresentará o "Programa Cultural para o Desenvolvimento do Brasil" - lançado no dia 29 de novembro pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil - que sintetiza o trabalho realizado pelo Ministério da Cultura nos últimos quatro anos e aponta os desafios para o futuro.

O Programa Cultural para o Desenvolvimento do Brasil propõe ações estratégicas para os próximos anos. É a síntese da experiência de uma gestão que propiciou a consolidação e o fortalecimento institucional do MinC, buscou a melhor aplicação dos recursos orçamentários e implementou uma política pública a partir do diálogo com a sociedade.

ANOTE!
O que: A Cultura como Fator de Desenvolvimento - Os Desafios da Cultura
Quando: Dia 15 de dezembro (6a feira), às 14h00
Onde: Teatro Gregório de Matos - Praça Castro Alves, s/n - Centro

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

PRIMEIRA FALA

Entrevista publicada no Jornal A Tarde de hoje.

O nome de Marcio Meirelles até foi cogitado entre os muitos que alimentaram a boataria sobre a nomeação para a pasta da Cultura na gestão do novo governo baiano. Mas a confirmação do nome do diretor teatral e sócio do Vila Velha foi recebida com surpresa pelo meio artístico, tanto pelo inusitado da escolha - Marcio nunca figurou entre os mais cotados - quanto pelas indagações que ela suscitou.

Por exemplo: seria válido para a cultura baiana ser gerida por um homem ligado, especificamente, a uma linguagem? Outro burburinho que voou de boca em boca foi como Meirelles separaria a pasta das atribuições do teatro que dirige. Mas Marcio garante: a notícia não foi tão surpreendente para ninguém quanto para ele próprio. Eufórico, com os olhos vermelhos de emoção e cansaço, e ainda 'perplexo' com o turbilhão que invadiu a vida dele desde a quinta-feira passada, Meirelles se abrigou na própria biografia - até agora, sem manchas aparentes -, em suas certezas e sob o teto do Cabaré dos Novos, onde concedeu essa entrevista exclusiva, a primeira como secretário nomeado, à repórter CECI ALVES.

Ele falou como vai conduzir políticas públicas para o bem comum do meio artístico e cultural da Bahia; dos parâmetros que vai utilizar para tanto; como será a relação com o Teatro Vila Velha daqui para a frente; como irá se movimentar entre as coisas que lhe serão legadas pelo governo que deixa o poder; e desabafa: "Me sinto como o goleiro na frente do gol".

A TARDE | Como foi que o seu nome surgiu para a Secretaria da Cultura?
MARCIO MEIRELLES | Havia essa história prévia de cogitar meu nome para a Secretaria da Cultura, mas surgiu a hipótese de Juca, que seria genial. Mas tinha que ser eu, acabou... Sou eu. Quando Wagner me chamou, eu falei pra ele: "Pô, mas é muito grande (risos)". Aí, ele me disse que era só eu fazer o que faço, continuar meu trabalho e ampliar para a escala de Bahia. Então, na verdade, é importante porque é um reconhecimento de que o trabalho dessa equipe que eu represento, desse grupo todo aqui do Vila Velha, é um serviço público em que a gente executa políticas públicas, de Estado, mesmo, como deveriam ser todos os artistas, todo mundo que ganha verbas públicas, e leis de incentivos.

AT | Entre as inquietações do meio cultural baiano quanto ao seu nome, a primeira delas é: "Márcio Meirelles é um homem de teatro, vai priorizar só o teatro". O que você diria às pessoas que acham que você vai "guetizar" a Secretaria de Cultura do Estado?
MM | Eu acho que são pessoas que não me conhecem. Porque, primeiro, não sou só de teatro, eu transito em outras áreas, em outras linguagens; mas, principalmente, eu vou administrar a coisa pública, vou administrar políticas públicas para a cultura. E cultura eu entendo não só como as linguagens pelas quais eu transito. São muitas outras expressões e produções históricas que eu não domino, que eu não conheço sequer, mas que são familiares, por ser a gênese de produção popular, tradicional, ou por sua afinidade com alguma linguagem que eu conheço... Ou seja, eu sou de teatro, como produção simbólica, é a linguagem que eu escolhi para me expressar, para dar testemunho do meu tempo nesse mundo. Mas, enfim, já administrei o Teatro Castro Alves e... Bom, o governador me incluiu no discurso dele quando me anunciou e falou exatamente isso, que era uma escolha dele, exatamente pelo trabalho que venho desenvolvendo aqui, pela minha ligação com a cultura negra, com as culturas populares. E, ao contrário, eu tô com medo de que a expectativa seja essa também do lado de quem é de teatro, de que eu vá gerir a cultura em função do teatro, o que seria um absurdo. A gente tem que pensar o seguinte: o foco da secretaria vai mudar, como o foco do ministério mudou. E mudou não por uma invenção de Gil ou da equipe dele. Mudou porque o mundo mudou, porque a humanidade mudou, a sociedade evoluiu, a sociedade brasileira já percebe mais claramente os direitos civis, que a organização tem que ser de outra forma, que cultura não é só linguagem, que políticas públicas não são vantagens pra uns, que estão no poder... Então, como a sociedade mudou, elegeu o governo que colocou um ministério e, no caso da Bahia, colocou a secretaria na mão de alguém que pensa como a sociedade pensa, que a coisa pública é pública, que as linguagens são parte da representação simbólica, mas que toda a representação simbólica é cultura e que a Secretaria da Cultura tem que cuidar disso, da produção, do acesso, do consumo, da distribuição. Pensar nisso, também, como economia, também como indústria e também como leis, como direito.

AT | Como fica a sua relação com o Teatro Vila Velha, do qual você é sócio?
MM | Não sei, é uma relação que vai ser reconstruída. Claro que a gente está em crise aqui, tanto o Vila Vila quanto o Bando. Porque o Vila, tudo bem, pode-se pensar: "não, é um espaço que vai ser privilegiado". É evidente que eu não vou negar o Vila Velha. O Vila Velha recebe apoio do governo, e recebeu durante todos esses anos, desde que eu tô aqui, desde 94, que entrei, em 95, quando Paulo Gaudenzi, entrou na secretaria, me procurou e se propôs a ajudar e, desde então, a gente recebe apoio do Estado, o que é mais do que correto - um teatro que tem um projeto como esse, assim como o XVIII, assim como o Cria, organizações que são de utilidade pública, de serviço público, tem que ter o apoio financeiro, inclusive, do Estado. E o Bando de Teatro Olodum, que vai ficar sem um encenador trabalhando diariamente com eles? O Bando de Teatro Olodum é o projeto de minha vida, não é só um brinquedo pra montar pecinhas. É um projeto político, de afirmação, de valores que eu acredito, de afirmação da identidade negra, do valor dessas culturas afrodescendentes, do valor do ser humano. E como é que vai ficar o Bando? Ontem, isso aqui foi uma loucura, ao mesmo tempo uma euforia, uma alegria, porque o fato de eu ser secretário tem a ver com o trabalho de todo mundo aqui; alegria, também, de ter um amigo numa posição de poder, e que vai, pelo menos, tentar executar o que sempre falou, o que sempre sonhou, o que sempre sonhou esse grupo todo, esses grupos todos que sempre circulam por aqui... Sonhos de igualdade, de difusão, de espalhar as coisas, de direitos iguais para todos, de justiça... É um nó, mas será transparente e igual a qualquer outra organização que, como o Teatro Vila Velha, faça esse serviço público.

AT | Você se sente um pouco como o ministro da Cultura, Gilberto Gil, que também tem uma carreira e balançou, agora, em sua permanência no MinC...
MM | ...Porque são duas coisas que eu estou abrindo mão, duas coisas, ao mesmo tempo, que, na minha cabeça, não se confundem. A minha produção artística, que vou ter que dar uma parada, não sei quanto, não sei o quanto eu agüento. Então, não sei como é que vai ficar, como é que vai ficar esse encenador... Acho que a solução é deixar que o artista ilumine o gestor, que o conduza, com a sensibilidade e o olhar.

AT| Qual a sua plataforma para a Secretaria da Cultura?

MM | É basicamente a mesma que a gente tem executado aqui no Vila. Ainda tem que se transformar, ainda é um pensamento, eu tenho que ouvir muito antes, pra definir prioridades. Há coisas que me movem muito, que é, por exemplo, a necessidade das cidades do interior, dos produtores de cultura. A Bahia tem 417 municípios, uma produção vasta, diversificada e diversa, e a questão é: como dar visibilidade a isso, como dar apoio, sustentar, como as coisas trocam e circulam? Então, eu vou ter um olho para a Bahia como um todo. Implementar o Sistema Nacional de Cultura é uma prioridade. O alinhamento com o Ministério (da Cultura) é claro, não só porque é um governo do mesmo partido, mas pela admiração que tenho como artista, como produtor e como cidadão das políticas implementadas por esse ministério.

AT | Você já está pensando em termos de equipe?
MM | É evidente que os nomes passam pela cabeça, mas não pensei em nenhum. Fui pego despreparado, não me pensava secretário, nunca me pensei secretário. Nunca tive a pretensão de ocupar um cargo público. Inclusive, quando saí do TCA, jurei pra mim que nunca mais ocuparia um cargo público. Mas durante toda a minha vida, esses 34 anos em que atuo na área cultural, fiz teatro como uma questão política, e a cultura sempre foi uma questão política. Logo, a política da cultura sempre foi, também, um objeto de interesse, de discussão, de pensamento.

AT| Para quando pretende anunciar a equipe?
MM | Primeiro, eu tenho que entender o quê. Depois, com quem. Então, o que será isso de fato, quais serão as ações, como será a nova Fundação Cultural e quais serão as atribuições, o que fazer do Balé Teatro Castro Alves, o que fazer da Orquestra Sinfônica, o que fazer do Irdeb, como vai ser tudo isso? Isso vai ser um pensamento, e a equipe vai se juntar na discussão.

AT | Há quem defina que a atual gestão da Secretaria de Cultura e Turismo agiu mais como "balcão de negócios" do que como lugar de políticas públicas. Você concorda com isso?
MM | Eu gosto de Paulo (Gaudenzi). Eu sou amigo dele e acho que ele foi importantíssimo pra a existência do Teatro Vila Velha como é agora, por exemplo. Agora, existe um pensamento político de governo. Existia um rumo de governo no qual todas as ações da secretaria estavam inseridas. Existia um caminho político que levava a Bahia toda. A gente não pode isolar a Secretaria de Cultura. Ela está dentro de um governo, dentro de um sistema, dentro de um grupo político que age com coerência. Mudou o governo por um desejo da Bahia. E não foi só um governo. Mudou o rumo, escolheu-se um novo rumo. E a nova secretaria vai estar inserida dentro desse novo rumo, desse novo pensamento.

AT | Há uma lista de coisas que existem nesta gestão e que suscita uma curiosidade em saber como você vai geri-las. O primeiro exemplo é o FazCultura.
MM | Olha, eu acho que o FazCultura é uma lei neoliberal que entrega à empresa privada o direito de decidir o que fazer com o dinheiro público. Então, é uma lei que tem que ser repensada. Acho que é muito importante, facilitou muito, muita coisa foi criada pela existência do FazCultura, mas é importante rever com novos olhos, assim como a Lei Rouanet foi revista, tan-to em termos de patrocínio, de mecenato, como em termos de fundo.
Tudo vai ser repensado.

AT | Outro exemplo: Conselho de Cultura.
MM | Preciso ouvir muito e quero ouvir muito. Há as câmaras setoriais, os fóruns, as instâncias que já se organizaram por causa do ministério de Gil, com as quais já dá pra ter uma interlocução. E o fortalecimento do Conselho de Cultura como um interlocutor com a comunidade é importantíssimo. Então, o Conselho de Cultura tem que ser, de fato, uma representação da produção cultural do Estado. E tem que ser realmente um conselho, que vai me aconselhar.

AT| Mais um exemplo: editais para o audiovisual.
MM | Olha, audiovisual, comunicação, de uma forma geral, todos esses meios contemporâneos novos de comunicação, de internet, toda essa parafernália da produção, esse frenesi da produção de imagens e de narrativas simbólicas por meio de audiovisual é uma coisa que me fascina muito e que eu acho muito importante, porque é indústria também. Então, é preciso ter uma interface com a Indústria e Comércio, pensar na distribuição dessa produção, pensar no fomento, e acho que é uma coisa muito maior, que vem sendo tratada só por meio de editais. Acho que é preciso um pensamento profundo sobre a produção audiovisual da Bahia. O cinema baiano deu uma virada incrível nos últimos anos com um pouquinho só, que foram exatamente os editais. Então, a gente tem que parar e pensar que, se com alguns editais, com algumas ações, deu no que deu, se a gente pensa nisso profundamente, como indústria, como negócio e, principalmente, como representação simbólica e como espelho do que a gente é pra o tempo e pra o espaço, vai longe. Acho que o cinema, o audiovisual e a televisão são um capítulo a parte. Não é simplesmente o edital, não imagino que seja só um departamento, uma divisão da fundação, ou um órgão de radiodifusão.

AT| Para o Teatro Castro Alves e o Museu de Arte Moderna da Bahia, já há algo pensado?
MM | Acho que esse coração tem que bater mais forte e fazer circular mais sangue. Eu acho que, por exemplo, as oficinas do MAM são um caminho. Eu acho que são organismos e equipamentos que não podem ser, que não devem ser, pelo que custam, só um espaço de circulação.
Têm que ser um espaço de formação, de produção, de intercâmbio, de apoio e de circulação, também, evidentemente. É uma máquina muito grande e que pode ser melhor distribuída.

AT | Se na sua gestão houvesse uma temática, qual seria?
MM | Não sei. Há o nome de um filme alemão que eu adoro e que é como me sinto. Se chama algo como O Momento do Goleiro Diante do Gol. Estou perplexo com tudo isso. Tô defendendo uma coisa que é muito importante pra mim, que é o sucesso desse pensamento político, enfim, comportamental, estrutural, e, por outro lado, eu sou artista, mas vou ficar quatro anos sendo gestor e, depois, voltar às minhas atividades de artista. Então, tenho que preparar o momento do depois, também. Tenho que pensar que isso vai continuar, não que vai continuar uma gestão, mas que vai continuar uma prática, uma política, pra mim, pra meu filho, que é músico, para o Teatro Vila Velha, para o Bando, para todos os atores que eu conheço, para a literatura, para as expressões populares...

QUEM É
Nascido em Salvador, Marcio Meirelles é diretor teatral, cenógrafo e figurinista. Com 52 anos, tem 34 de carreira e, há 12, dirige o Teatro Vila Velha. É o mentor do Bando de Teatro Olodum desde 1990 e foi diretor do TCA de 1987 a 1990.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

oficinas

Nesse domingo dia 03 de dezembro, aconteceu a mostra da Oficina de Teatro para Iniciantes dA Outra Companhia de Teatro.

A oficina aconteceu quase toda em novembro e no dia 03 de dezembro, amigos e familiares dos participantes puderam ver o que resultou dessa experiência.





Foi a primeira Oficina que A Outra Companhia de Teatro ofereceu, os orientadores foram Vinicio de Oliveira Oliveira e Luiz Antônio Jr. Quase todos os demais integrantes da companhia apareceram no dia da Mostra para ver os resultados e nos divertimos bastante.

Deu tudo tão certo, que quando surgiu a possibilidade de dar oficina de teatro para iniciantes de novo no verão, topamos na hora!

As inscrições já estão abertas. Além da nossa nova oficina, muitas outras serão oferecidas. Acompanhe as novidades no site do Vila e no nosso informativo.

Camilo Fróes

oficine-se


Inscrições abertas!
Confira os cursos em: www.teatrovilavelha.com.br/oficinas

Roraima?

Recebemos uma mensagem de Vânia Maria, de Boa Vista, Roraima. Ela está interessada nos nossos cursos de Verão.

É o Vila pelo Brasil.
E o e-mail encurtando as distâncias...