terça-feira, 16 de junho de 2015

Espetáculo “Good / Looking” apresenta resultado de residência artística

--> Núcleo Viladança promove ação que visa estimular intercâmbios e a profissionalização da dança na Bahia. Los INNato (Costa Rica) conduziu a primeira fase das atividades. 

Espetáculo Good / Looking. Foto: Paulo Fuga

Entre os dias 19 e 21 de junho, o Teatro Vila Velha sedia as apresentações do espetáculo de dança “Good / Looking”, fruto da primeira residência artística promovida pelo Núcleo Viladança neste ano em Salvador. O projeto selecionou cinco artistas baianos para participar de um processo de criação sob a orientação de Marko Fonseca e Raúl Martínez, do Los INnato, da Costa Rica.

“Good / Looking” é um espetáculo baseado na exposição e na vulnerabilidade humanas. Cinco indivíduos se encontram num espaço cotidiano, onde compartilham seus medos, sonhos e pudores – espaço que se transforma em cenário e que permite o retorno aos sentimentos reais, deixando máscaras ou aparências para trás. O jogo com o que é pessoal é a base desta criação cênica. Os intérpretes-criadores são os cinco profissionais selecionados para realizar a residência artística: Lukas de Jesus, Jônatas Raine, Luba, Ariel Oliveira, Guilherme Fraga.

As residências - ações propositivas que se consolidaram a partir dos anos 1980 em cidades da Europa, Estados Unidos e Japão -, têm como foco a convivência e ganham espaço cada vez maior nas artes contemporâneas. Com esta ação, o Núcleo Viladança busca consolidar um espaço de residências artísticas em dança na Bahia, abrindo novas possibilidades de criação e remuneração para a classe de dança no estado e aquecendo o mercado local. Nessa ação, os dançarinos selecionados são contratados e remunerados com uma bolsa para acompanhar toda a residência e realizar as apresentações.

O programa de residências artísticas tem ainda uma segunda fase, dessa vez com o coreógrafo espanhol Asier Zabaleta, da Cia Ertza, quando mais cinco bailarinos serão selecionados e contratados. O projeto tem o patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura, O Boticário na Dança, através da Lei Rouanet e é realizado pela Manga Rosa Produções, pelo Ministério da Cultura e Governo Federal - Pátria Educadora. Para a manutenção das suas atividades, o Núcleo Viladança conta com o patrocínio da Petrobras e apoio institucional do Teatro Vila Velha.

Good / Looking
19 a 21 de junho | sex e sábado: 20h | dom: 19h
Teatro Vila Velha
R$ 20 e 10

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Peça A Mulher como Campo de Batalha se apresenta no Vila Velha antes de embarcar para festival nos EUA

O espetáculo foi convidado para se apresentar no National Black Theatre Festival, que acontece na Carolina do Norte

A Mulher como Campo de Batalha - Foto: Marcio Meirelles


O espetáculo A Mulher como Campo de Batalha realiza três apresentações no Teatro Vila Velha, entre os dias 3 e 5 de julho (sexta e sábado, 20h, domingo, 19h), antes de embarcar para os Estados Unidos, onde se apresenta no National Black Theatre Festival. Montada em 2014 pelo encenador Marcio Meirelles, a peça provoca reflexões sobre a situação da mulher no mundo e no Brasil, tomando como partida e cenário conflitos e violência na guerra da Bósnia. O texto é de Matéi Visniec, romeno que se tornou, nos últimos dois anos, um dos autores de teatro mais populares no Brasil.

A partir da existência da universidade LIVRE, o Teatro Vila Velha começou a produzir seus espetáculos com recursos próprios. Em dois anos, foram montadas dez peças e algumas delas participaram de três festivais internacionais - este é o quarto trabalho. "É sempre bom participar de festivais. A gente leva não só nosso trabalho para fora, mas sinaliza para o mercado internacional que estão acontecendo coisas aqui, que temos uma produção artística de qualidade. Abre caminhos para outros rumos, diversifica a avaliação do que fazemos. A Bahia vivia muito fechada em si mesma, de uns tempos pra cá. Com os festivais locais com políticas de intercâmbio implantadas, começamos a respirar e nos expor mais. É bom", comenta Marcio Meirelles, diretor artístico do Teatro Vila Velha.

O espetáculo

A Mulher como Campo de Batalha narra o encontro de duas mulheres promovido pela guerra. Dorra, violentada por um grupo étnico inimigo durante o conflito na Bósnia. Kate, uma psicóloga que deixou a família nos Estados Unidos para trabalhar na escavação de valas comuns. Interpretadas pelas atrizes Iana Nascimento e Giza Vasconcelos, as personagens estabelecem uma relação conflituosa, que, com o tempo, dá espaço para que encontrem uma na outra a possibilidade de reconstruir um equilíbrio.

A obra de Visniec é uma ficção, mas foi construída a partir de uma vasta pesquisa e de uma série de relatos de vítimas da guerra que arrasou a região dos Bálcãs, na Europa, durante os anos 90. Estima-se que durante o conflito da Bósnia entre 20 mil e 50 mil mulheres foram violentadas. O estupro das esposas, mães e filhas do inimigo étnico era como uma  estratégia militar para desmoralizar seu inimigo. Na Guerra da Bósnia, o sexo da mulher tornou-se um campo de batalha.

Montado pela primeira vez no Brasil, o espetáculo aproxima da realidade do país as discussões sobre as violências sexual, étnica e de gênero, a guerra, o poder, o imperialismo, entre outros temas levantados pelo texto. Recursos tecnológicos como projeções audiovisuais e transmissão de vídeos em tempo real, criados por Rafael Grilo, auxiliam na construção da dramaturgia. A trilha sonora é assinada por Caio Terra.

A Mulher como Campo de Batalha
3, 4 e 5 de julho | sexta e sábado: 20h | domingo: 19h
teatro vila velha | R$ 30 e 15

Bando realiza últimas apresentações de Bença e Áfricas


Bença - Foto: Brisa Andrade/Labfoto

Neste fim de semana, o Bando de Teatro Olodum realiza as últimas apresentações dos espetáculos Bença (sex e sab: 20h, dom: 19h) e Áfricas (sex e sab: 16h) . As duas peças marcaram o início das celebrações pelos 25 anos do grupo, que ocupará o Teatro Vila Velha durante todos os meses de 2015 com uma programação especial.

"Escolhemos começar as comemorações com Bença pois foi com ela que celebramos nossos 20 anos. É uma peça que fala de ancestralidade, do tempo, e é um espetáculo que a gente apresentou muito pouco", conta o ator Jorge Washington. Ao lado de Bença, que é dirigida por Marcio Meirelles, o Bando apresenta o primeiro espetáculo infanto-juvenil do grupo, dirigido por Chica Carelli: "Áfricas é um espetáculo necessário, pois educa adultos e crianças. A Lei 10.639 está aí", comenta o ator, em referência à lei de 2003 que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas de Ensino Fundamental e Médio.

Áfricas - Foto: Lara Perl/Labfoto

Para o mês de julho, o grupo está preparando uma série de leituras dramáticas da Trilogia do Pelô, com a participação da Banda Mirim do Olodum e de artistas que passaram pelo Bando e participaram das montagens originais de Essa é a Nossa Praia (1991); Ó Paí, Ó (1992); e Bai Bai Pelô (1994). Mais novidades serão anunciadas em breve.

BENÇA
12, 13 e 14 de junho

sexta e sábado: 20h / domingo: 19h

ÁFRICAS
13 e 14 de junho

sábado e domingo / 16h

terça-feira, 9 de junho de 2015

Teatro Vila Velha e Escolas: nada de monólogo, um diálogo possível!

por Raulino Júnior*
publicado originalmente no blog Professor Web


Márcio Meirelles conversa com professores no 1º Encontro #EscolasNoVila. Foto: Raulino Júnior

Em teatro, monólogo é uma peça ou cena em que um único ator representa, só ele fala. O diálogo se caracteriza pela conversa entre duas ou mais pessoas, pela troca de ideias e opiniões. Este foi o objetivo do 1º Encontro #EscolasNoVila, promovido pelo Teatro Vila Velha (TVV): dialogar. Educadores foram convidados para ir ao Vila a fim de conhecer os projetos do teatro e de pensar meios para estabelecer parcerias. A troca foi e é a tônica da iniciativa.

De graça, não tem graça

No encontro, os professores conheceram um pouco mais sobre alguns dos projetos do Vila Velha e ficaram por dentro do que vai acontecer no espaço até maio de 2016. Contudo, o protagonista foi, obviamente, o #EscolasNoVila. Embora a proposta esteja um tanto quanto indefinida, a ideia é manter contato com as escolas, propor ações e ter uma contrapartida nesse processo. Como num jogo teatral, onde todos dependem de todos, tendo a consciência de que uma ação interior gera a exterior. “A gente quer que essa troca aconteça”, enfatizou Márcio Meirelles, 61 anos, diretor artístico do TVV.



Márcio Meirelles: “A gente quer que essa troca aconteça”. Foto: Raulino Júnior

Nesse sentido, lembrou da campanha constante do Vila, cujo slogan é “De graça, não tem graça”. Isso, segundo Márcio, não diz respeito apenas aos aspectos financeiros envolvidos numa produção. Tem a ver também com as contribuições de outra natureza que as pessoas podem dar para que os projetos aconteçam. “A gente quer fazer junto”, endossou Junia Leite, coordenadora geral do TVV.

#EscolasNoVila


Das possíveis ações oferecidas pelo Vila para as escolas, estão espetáculos, oficinas livres, espaços para ensaios e apresentações, leituras dramáticas, contação de histórias, visitas guiadas, palestras/discussões e consultoria artística. Mas nada aí “é”, tudo “pode ser”. O pacote não está fechado nem tem forma. O diálogo entre as escolas e o Vila é que vai definir quais caminhos o projeto vai trilhar.

Para Verenilda Araújo, 41 anos, professora do Colégio Estadual General Dionísio Cerqueira, que fica no bairro de Santa Cruz, a iniciativa pode render bons frutos, mas precisa ser melhor organizada. “A proposta é válida. Eu acho que a gente só precisa, enquanto escola pública, do tempo integral, ter uma intermediação da Secretaria da Educação. Ela tem que fechar alguns contratos acerca dos horários para que a gente possa fazer essa parceria”.

Verenilda Araújo, professora do Colégio Estadual General Dionísio Cerqueira: “A proposta é válida, só precisa de uma intermediação da SEC-BA”. Foto: Raulino Júnior

Após a conversa com os professores, ao ser questionado sobre a viabilidade da ideia que teve, Márcio Meirelles reforçou o aspecto de contribuição mútua do #EscolasNoVila: “Existe um desejo coletivo. A nossa chamada foi nesse sentido: nós estamos preocupados com o mundo e com o teatro, com a linguagem, com a ação teatral, com os espaços de teatro. Quando as pessoas atendem ao chamado, a gente fica mais tranquilo. Vamos, juntos com essas pessoas, começar a construir essa rede, começar a construir essas possibilidades de avançar, essas trocas”.

Para quem ficou com vontade de saber um pouco mais sobre o projeto, o Blog do Professor Web e da Professora OnLine compartilha o documento digital que foi distribuído durante o encontro: #EscolasNoVila. Nele, os leitores encontram informações sobre a história do Teatro Vila Velha, do Bando de Teatro Olodum e do Viladança. Além disso, confere a agenda do Vila para os próximos meses.

De acordo com os organizadores, novos encontros vão acontecer. Para não ficar só na plateia, acompanhe as novidades no site oficial do Teatro Vila Velha: www.teatrovilavelha.com.br.

Até o próximo!

Consultas feitas para dar sentido a este texto:

1) A literatura vai ao teatro – Episódio VI – Capítulo I – Bloco I – A origem do teatro (áudio). Link: http://ambiente.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/1884. (Acesso em: 3 de junho de 2015).

2) MEGIDO, José Luiz Tejon. O “método Stanislavski” para a construção de papéis: a arte na interpretação do educador. Link: http://tejon.com.br/arquiteturasite/arquivos/tesemackenzie.pdf. (Acesso em: 3 de junho de 2015).

3) SILVA, Ana Amélia Brasileiro Medeiros. A Experiência do Monólogo, Autoria e Construção de Si. Link: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/intratextos/article/view/412/495. (Acesso em: 3 de junho de 2015).
  
* Raulino Júnior é professor da rede estadual de ensino, jornalista e compositor. Mantém o blog "Desde que eu me entendo por gente".

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Café na Conta do Estado acontece no Cabaré dos Novos

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Nesta quarta-feira, 10 de junho, às 17h, o Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha recebe o evento Café na Conta do Estado, realizado pela TRIPA - Trilogia do Patrocínio. A proposta deste encontro é trazer os artistas para trocar experiências a partir das relações que desenvolvem nas suas práticas com os mecanismos de fomento e financiamento através do recurso administrado pelo poder público - seja em nível federal, estadual ou municipal -, demais programas e ações protagonizadas pela administração pública. Práticas e posicionamentos implicadas no processo de criação e difusão artística.
Para mobilizar a conversa, Djalma Thurler (SECULT/Madre Deus), Ellen Mello (Dimenti), Gordo Neto (Vilavox), Paula Carneiro (Café da Walter), toda equipe TRIPA e quem mais se sentar à mesa, trazem suas diferentes experiências e envolvimento com as formas de financiamento públicas, seus pontos de vista, suas ideias e soluções. Os amados e odiados editais têm fomentado a produção e influenciado no nosso fazer artístico, bem como outros programas e ações. E o que mais é possível? É possível?
O resultado dessa discussão vai gerar a Procissão do Santo Estado, que consiste num cortejo cênico elaborado com as proposições dos performers participantes acerca do tema e acontecerá durante a caminhada do Dia 2 de julho – Independência da Bahia. E, como todo processo artístico, imprevisível.
Café na Conta do Estado - TRIPA (Trilogia do Patrocínio)
10/06 // quarta // 17h
cabaré dos novos

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Universidade LIVRE apresenta Experimento 3.3


Nesta terça-feira, 9 de junho, às 20h, a universidade LIVRE de teatro vila velha abre a público o processo de criação das montagens Rei Lear, de William Shakespeare, e Através do Espelho, tradução para o palco do livro "Através do Espelho e o que Alice lá encontrou", de Lewis Carroll. No EXPERIMENTO 3.3: LEAR NO ESPELHO / ATRAVÉS DE LEAR, os integrantes do programa de formação de atores do Vila apresentam cenas em processo e fragmentos dos dois espetáculos que irão estrear no próximo verão, sob direção de Marcio Meirelles. Como é de costume, o grupo ainda abre os microfones e promove diálogo direto com o público sobre os processos artísticos que vive, a complexa inserção do teatro no século XXI e sobre o tempo presente.

EXPERIMENTO 3.3: LEAR NO ESPELHO / ATRAVÉS DE LEAR
09/06 | terça-feira | 20h
teatro vila velha | pague quanto quiser