quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Sem Censura desta sexta (30) recebe o diretor de teatro Marcio Meirelles

O diretor Marcio Meirelles, responsável pela encenação do espetáculo teatral Bakulo - os bem lembrados (em cartaz no Rio de Janeiro, com a Cia dos Comuns), é um dos convidados da jornalista Leda Nagle para o programa Sem Censura desta sexta, 30 de setembro.

Marcio, que também é diretor do Bando de Teatro Olodum (onde Lázaro Ramos, que também participa do Sem Censura, começou sua carreira de ator) estará falando sobre o espetáculo, cujo enredo faz um retrato do negro e o mundo globalizado, abordando temas como preconceito, exclusão social e política social.

Márcia Vilella
Roubaram a sanfona de nosso amigo!

Foi roubada no dia 21/09/2005 uma sanfona preta com fole vermelho, 120 baixos, marca: Settimio Soprani com case marrom. Instrumento de trabalho do nosso colega, Saulo Gama, que está às vésperas da chegada do seu segundo filho. Por favor, ajudem a divulgar que haverá uma gratificação para qualquer informação que leve à recuperação do instrumento. O telefone para contato é: 9117 2272 (falar com Saulo)

terça-feira, 27 de setembro de 2005

PERFIL
de volta, em grande estilo



Nome: Cristina Castro
Codinome: Cris
Função: Diretora, produtora e coreógrafa do Viladança e embaixadora do Vila para assuntos financeiros
Tempo de Vila: Coisa de 9 anos
Quantas vezes assistiu a Da Ponta da Língua à Ponta do Pé: Umas três vezes... por dia.
Gostamos dela porque: Porque ela é gente grande com jeito de gente pequena!
Dá raiva dela quando: Ela vem com aquele jeito doce, mas com trocentas coisas pra você fazer e é impossível negar.

O que dizem sobre ela:
"Já fizemos algumas viagens juntos pelo mundo da criação.Ela tem aquele jeito de fazer acontecer o que ela quer sem deixar de levar em conta a nossa vontade.É pura sedução artística." (Jarbas Bittencourt)

"Todo dia ela me surpreende, mas quando ela me liga dia de domingo, à tarde, para falar de trabalho..." (Danilo Bracchi)

"Ela é uma artista muito instigante. É muito estimulante trabalhar com ela." (Espirito Santo)

Citação: "Ô, meu lindo... Faça uma coisinha pra mim..."
3 & Pronto na Venezuela

A estréia brasileira do espetáculo Divorciadas, Evangélicas e Vegetarianas, dirigido por "Fabrio Spiritu Santo" foi parar no site da Radio Nacional de Venezuela. Ah! Campo Alegre é, na verdade, Campo Grande, onde fica o Teatro Vila Velha.
INFORME IMPORTANTE

Nesta quarta-feira (28/09), as atividades do Vila - inclusive a tradicional RODA DE CHORO - estarão suspensas por causa da manutenção do quadro de energia. Na quinta-feira, tudo voltará ao normal.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

DIVORCIADAS, EVANGÉLICAS E VEGETARIANAS


Foto: Fábio Espírito Santo

Três mulheres diferentes em seus estilos de vida, personalidades e opiniões, mas com um ponto em comum: a necessidade de marcar um re-encontro com elas mesmas. Com muito bom humor, a peça do venezuelano Gustavo Ott entrou em cartaz em Salvador nesta que é a sétima montagem do Projeto 3 & Pronto. A direção de Fábio Espírito Santo (que também "brinca" com a luz) deixa as atrizes Iara Colina, Mariana Freire e Vivianne Laert correrem soltas na pele dessas mulheres cheias de vícios, deleites, angústias, compaixão, medos e anseios. Como o próprio título já sugere, a peça tem divertido mulheres - e homens também - com as peculiaridades de cada uma das personagens.

Venha rir e comover-se com elas: hoje e amanhã - 20h.
movimento negro
Centro Cultural Quilombo Cecília
Aberto de Segunda a Sexta, das 13, às 18 Hs
Rua do Passo, 37, Pelourinho - Salvador - BA

Capoeira Angola // Biblioteca Comunitária // Alfabetização de Jovens e Adultos // Eventos Culturais

Programação de Outubro de 2005

Domingo, dia 09 de Outubro, a partir das 15 Hs:
Dia das Crianças Quilombolas
Mostra do Desenho "Kiriku e a Feiticeira"
Pipoca, Palhaços, Teatro de Bonecos, Contação de Histórias
Leve os seus Erês!


Sábado, dia 22 de Outubro, a partir das 16 Hs:
"09 Anos Sem Alexandro e Dinho ? A Ferida Não Cicatrizou!"
Exposição de Fotos, Palestra com Membros da Organização
Reaja ou Seja Mort@, sobre Violência Policial Contra a
Juventude Negra e as Atividades do Reaja! em Salvador


Maiores informações pelo Fone 8101-7320
Ou via e-mail: quilombocecilia@ig.com.br

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

SALVADOR E VANGUARDA HOJE
o que é? o que foi? o que pode ser?

"A idéia de vanguarda tinha um frisson todo especial em meados do século XX. A própria noção de qualiade se atrelava ao fazer vanguardista. E agora? Para onde vai a idéia de vanguarda? Deixou de ser ascensão estética do espírito para virar estratégia de marketing - a próxima onda? O que Salvador tem a dizer sobre isso?"

É o que o público poderá conferir na Noite Cultural que o ICBA promove nesta segunda-feira (26/09), às 19:00. E quem vai falar um pouco sobre o assunto é o diretor teatral, cenógrafo e figurinista Marcio Meirelles. Com uns 30 anos de carreira na área das Artes Cênicas e uma referência na Bahia, certamente terá muito o que acrescentar no debate. A conferência é uma realização da Fundação Gregório de Mattos e da Escola de Música da UFBA, sob coordenação do professor Paulo Costa Lima.

terça-feira, 20 de setembro de 2005


Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga
movimenta o Maciço de Baturité


Continua até o próximo sábado (24) a 12a edição do Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga (FNT), que desde a sexta-feira, 16, atrai artistas, pesquisadores e visitantes às cidades de Guaramiranga e Pacoti, onde acontece o evento. Diariamente nos teatros, praças e outros espaços abertos e fechados das duas cidades são realizados espetáculos teatrais, esquetes, atividades recreativas para o público infantil, oficinas, debates e mini-cursos para os estudiosos das artes cênicas, além de cortejos, shows musicais e exposições.

A Mostra Competitiva do FNT reúne nove grupos de cinco estados nordestinos - Ceará, Alagoas, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte - que concorrem ao troféu beija-flor e prêmio em dinheiro em 12 categorias - melhor espetáculo (júri oficial), melhor espetáculo (júri popular), melhor direção, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, cenário, caracterização (figurino e maquiagem), iluminação, sonoplastia e texto original.

E quem está participando do júri-debatedor é o diretor Marcio Meirelles, que leva a contribuição da Bahia para a escolha dos melhores do Festival.

+ info: degage@fortalnet.com.br

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

CRÍTICA DE BAKULO PUBLICADA EM O GLOBO

Rio, 16 de setembro de 2005

Panfletagem no palco não ajuda espetáculo
Barbara Heliodora

A Companhia dos Comuns está encenando, no Teatro Nelson Rodrigues (Caixa Econômica), "Bakulo", seu terceiro espetáculo. Depois do belo e emocionante "Candaces, a reconstrução do fogo", o grupo, sempre voltado para a pesquisa das raízes africanas do negro brasileiro, optou por voltar para o tom didático/ideológico de sua primeira montagem, "A roda do mundo", com um texto de Marcio Meirelles, com a colaboração de Gustavo Melo, Felipe Kouri e do próprio elenco.

O didatismo, desta vez, é declarado ao ponto de o espetáculo ser composto pela apresentação da leitura de uma série de panfletos, seguida de episódios que seriam ilustrativos da influência dos "ancestrais" (significado exato da palavra "bakulo"). O tom é o da virtual sacralização da África e sua herança, em aguerrida contraposição à herança portuguesa no Brasil, sempre com o objetivo de mostrar que, embora mais tardia, a colonização africana é mais forte e superior à que a antecedeu. A condenação da atual cultura ocidental é radical, a dramaturgia tem a obviedade e o primarismo propositado do antigo engajamento, com orientação política que tem muito de saudosista, sendo que até mesmo a aquisição de um doutoramento em universidade é vista como uma traição à cultura dos antepassados.

Cenografia simples e luz bonita e funcional

A cenografia, de Marcio Meirelles, é simples, basicamente composta por elementos retangulares de madeira que servem como banco, como pedestal, ou o que quiserem, e os figurinos de Biza Vianna são todos brancos, bustos nus, calças/saias brancas com largos panejamentos igualmente brancos na frente e nas costas, que permitem belas composições. Paletós brancos indicam ocidentalização. A luz de Jorginho de Carvalho é bonita e funcional, e a direção musical de Jarbas Bittencourt (como a preparação vocal de Agnes Moço e Carolina Futuro) fazem uma notável contribuição ao espetáculo. A coreografia de Zebrinha, a preparação corporal de Denis Gonçalves e a preparação de dança afro de Valéria Mona são todas de alta qualidade.

A direção de Marcio Meirelles tem como principal objetivo ressaltar o aspecto didático de "Bakulo", muito marcado no tom da leitura dos vários panfletos, bem como nos pequenos diálogos dos episódios ilustrativos, sempre preocupados em estimular preconceitos e ressentimentos, mesmo que por vezes só de modo implícito.

Elenco homogêneo usa tom professoral

O elenco, homogêneo em seu comprometimento com os objetivos de texto e direção, com as falas praticamente todas usando o mesmo tom professoral, e sempre executando com eficiência e harmomonia todo o enriquecimento corporal do espetáculo, é composto por: Cridemar Aquino, Débora Almeida, Fábio Negret, Gustavo Melo, Hilton Cobra, Rodrigo dos Santos, Tatiana Tibúrcio, Valéria Mona e Vânia Massari. Os músicos são Alanzinho Rocha, Filipe Juliano, Frida Maurine, Glaucia Brum e Rocino. "Bakulo" não alcança nem a beleza e nem a emoção de "Candace", mas é menos confuso do que "Roda de fogo".

terça-feira, 13 de setembro de 2005

A BUSCA PELO JEANS CONTINUA!


Se na sua casa tem uma calça jeans que você não usa mais, se o buraco no joelho daquela calça jeans que você comprou em 95 ficou indecentemente grande, se você ganhou calças jeans novas no Natal e despreza as suas calças velhas... Seus problemas acabaram! Aquele jeans que você não teve coragem de jogar fora ou não usa mais, pode ir para o palco. O Bando de Teatro Olodum segue na temporada caça às calças jeans para a confecção do figurino de Processo Marighella. O figurino é de Marcio Meirelles, mas a idéia da doação foi do simpático Jorge Washington. As calças jeans serão recortadas, recosturadas, reconfiguradas e vão virar outra coisa. Que coisa? Só vendo. Processo Marighella invade os palcos do Vila em Novembro.

Você pode deixar seu jeans (pode ser calça, saia, o que vier, a gente traça!) na portaria do Teatro, aos cuidados do Bando de Teatro Olodum. Se ficar difícil, entre em contato conosco, que a gente vai buscar o jeans onde ele estiver!

Mais informação: 3336-1384 / bando@teatrovilavelha.com.br

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

GRAVOU AQUI, LANÇA AQUI!

A banda Confraria mostra toda sua qualidade e ecletismo no disco que leva seu nome e tem lançamento nesta quinta-feira (15 de setembro), no Teatro Vila Velha. Gravado ao vivo no próprio TVV, o CD traz 16 faixas e faz uma viagem por todos os estilos, temas e possibilidades sonoras do grupo. O show de lançamento começa às 20h e o ingresso custa R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada). Na ocasião, o CD começa a ser vendido ao preço de R$20, inicialmente na própria lojinha que fica no foyer do Teatro Vila Velha ou pelo e-mail luissampaio747@hotmail.com.

Uma das formações mais respeitadas do cenário da música alternativa baiana, a Confraria chega ao seu segundo trabalho autoral depois de 12 anos de estrada. Com um público cativo que sempre acompanha suas apresentações, o grupo vem fazendo shows todas as quintas-feiras no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha. O sucesso dessa banda é tanto que a temporada, que seria inicialmente apenas em agosto, já se prolonga pelo mês de setembro e também se estenderá por outubro, sempre às quintas-feiras.

?A Confraria vem desenvolvendo um trabalho autoral que tem sintonia com as predileções musicais dos seus integrantes, quase todos também compositores. Assim, o nosso universo sonoro é extenso, mas coerente?, comenta Jarbas Bittencourt, um dos ?Confrades? (direção musical, guitarra e voz) e figura também conhecida por suas trilhas musicais para espetáculos de teatro e dança. Bittencourt, aliás, foi ganhador do mais recente Prêmio Braskem pelo conjunto dessas trilhas realizadas na temporada teatral passada.

Outros cinco integrantes completam a formação da Confraria: Arnaldo Almeida (violão e voz), Ray Golveia (violão e voz), João Luís (violão e voz), SuperTom (baixo e voz) e Leonardo Bittencourt (bateria, programações e percussão). Todos eles com carreiras repletas de experiências musicais importantes.

Capa do novo disco

Arnaldo Almeida, por exemplo, é o autor da canção A moda, que foi uma das participantes da eliminatória do Festival Cultura ? A Nova Música Brasileira, em São Paulo. A moda ficou entre as 48 classificadas em meio às 5.198 inscritas e acabou sendo a única representante baiana no evento nacional.

Ray Gouveia é outro autor de trilhas para teatro, destacando-se os detalhados trabalhos que realizou para a Companhia Novos Novos nos espetáculos Imagina só... Aventura do fazer e Mundo Novo Mundo. João Luís, também compositor, é dono de um requintado estilo no comando de seu violão e traz uma sonoridade ?cordas de aço? ao molho musical da Confraria.

O baixista SuperTom é mais um destaque do grupo. Irreverente, talentoso como músico e agora se aventurando na função de compositor, SuperTom tem no currículo experiências com vários estilos, inclusive uma levada mais moderna do forró. Leonardo Bittencourt, por sua vez, traz uma pegada roqueira ao sexteto, à frente da bateria e das programações eletrônicas.

?Estamos juntos já há bastante tempo e nos entendemos bem musicalmente. Sabemos qual o nosso caminho e, ao juntarmos todas as diferentes influências de cada um, conseguimos fazer algo particular, realmente nosso, algo com a cara da Confraria?, explica Arnaldo Almeida.

Já há algum tempo sendo assessorada pela produtora Caverna, dirigida por Luis Sampaio, a Confraria se encontra em um momento de maturidade artística. E isso é facilmente percebido com a audição de seu novo disco. Então, se você quer conferir, ou conhecer, a boa e inteligente música pop baiana feita atualmente, dê uma escutada em Confraria - Ao Vivo. Certamente você terá um bom exemplo.

Lançamento do CD Confraria - Ao Vivo
quinta-feira, dia 15 de setembro, às 20h, com show no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha.
Temporada de shows da Confraria: Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha, todas as quintas-feiras de setembro e outubro, sempre às 20h.
Preço do CD: R$20,00 com vendas na lojinha do foyer do Teatro Vila Velha ou pelo e-mail luissampaio747@hotmail.com
Ingresso dos shows: R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada).

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Finalmente chegou a hora! Neste domingo, acontece a estréia oficial do UNIDADE DE - um grupo de artistas, em sua maioria músicos, que realizam ?instalações musicais? aliando música e outras linguagens artísticas. Depois de promoverem algumas performances e interferências urbanas, eles apresentam seu primeiro grande concerto performático aqui no Vila.
Para o Concerto 11 de Setembro, eles prepararam uma apresentação inédita e afirmam que o público pode ficar atento para algumas surpresas. O UNIDADE DE usará instrumentos musicais - convencionais ou não - e recursos multimídia para fazer uma reflexão sobre o que a data representa a nível mundial. Estruturada em três diferentes focos, a apresentação lança um olhar sobre o momento histórico representado pelo 11 de setembro, em seguida, coloca no palco a visão de gente comum sobre o acontecimento, o modo como ele afetou o cotidiano mundo afora.
O fechamento da apresentação mostra quais são as idéias do próprio grupo sobre os fatos.
O UNIDADE DE nasceu de uma combinação entre inquietação artística e necessidade de espaço para apresentar música cênica. O grupo se aglutinou a partir da apresentação nos Seminários Internos de Música da UFBA. De lá para cá, os jovens artistas vêm combinando suas semelhanças e diferenças para criar peças musicais e performances inusitadas, marcadas pelo improviso, que reúnem técnicas musicais, encenação e uma boa dose de irreverência. Uma vez juntos, estão encontrando forças para produzir eventos e criar campo para suas performances.
E o Vila abraçou a idéia do grupo e agora abre seu espaço para dar apoio a este movimento.
dom, 20h
r$ 14 / 7
DEU NO JORNAL
Corpo a corpo
Cia. de Dança Palácio das Artes apresenta `Coreografia de cordel´, hoje, no Teatro Vila Velha

A Cia. de Dança Palácio das Artes criou a montagem a partir de processo coletivo e de investigação em campo, em espaços como feiras e matadouros de boi

Cláudia Lessa - Correio da Bahia

Na passagem pela cidade mineira de Medina, na região do Vale de Jequitinhonha, os bailarinos da Cia. de Dança Palácio das Artes se debruçaram sobre uma pesquisa sobre a cultura local. Colheram impressões e vivenciaram experiências que foram transfiguradas em dança na Coreografia de cordel - um espetáculo "forte, ousado, denso e poético", como o grupo define. As histórias pessoais dos 22 dançarinos da companhia serviram também de fonte de inspiração para a montagem que tem única apresentação em Salvador, hoje, às 21h, no palco do Teatro Vila Velha.

A montagem é fruto de um projeto homônimo, que inclui ainda intervenções urbanas, vídeos digitais e exposição fotográfica. Dentro da proposta de abrir para outras expressões artísticas, o projeto apresenta amanhã, às 10h30, na popular Baixa dos Sapateiros, a performance A mulher das panelas, um solo com a bailarina Sônia Pedroso. Já no foyer no TVV, antes do início do espetáculo Coreografia de cordel, serão exibidos os vídeos A superfície do abismo e Tonos, respectivamente de Pablo Lobato e Marília Rocha.

Com direção de Tuca Pinheiro, o espetáculo do grupo mineiro fundado há 34 anos pelo ex-bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Carlos Leite (1914-1995), é uma paródia à literatura de cordel - algo genuinamente popular, como as feiras e os matadouros de boi, utilizados pelo diretor como fonte de inspiração para mostrar a luta do dia-a-dia pela sobrevivência. Cordel, no sentido de corda delgada, serve de fio condutor de corpos carregados de histórias e experiências.

Coreografia de cordel é uma reflexão sobre a possibilidade de conhecer, experimentar e trocar. No palco, histórias, dramas, sonhos individuais se entrelaçam a histórias alheias. Gestos, expressões, atitudes, valores, crenças e dores revelados e captados foram traduzidos por corpos em movimento. Outros instrumentos como a voz, a música e os ruídos são utilizados para traduzir esse encontro. "Os bailarinos trouxeram seus corpos por um fio (as mulheres ficam penduradas, mas não caem). As vozes arcaicas do coração do Brasil alimentam nossas almas e samplers dialogam com o tempo em que nos achamos numa sintonia instigante", observa Daniel Maia, que assina a sonoplastia. O projeto de Jamile Tormann, por sua vez, utiliza panelas de alumínio como spots para a iluminação de várias cenas, em tom vermelho, roxo e azul. O figurino é de Marco Paulo Rolla.

Processo criativo - Coreografia de cordel é fruto de um "processo colaborativo", como ressaltou a diretora artística, Cristina Machado, que assumiu a companhia em 1989 apostando no dançarino-criador. As imagens recolhidas no local foram transformadas em movimentos e trazidas para o corpo conforme a criatividade do repertório de cada bailarino. "Tivemos nesse trabalho total liberdade de transformar e de agregar informações vindas do próprio público", completa.

A interatividade entre bailarinos e platéia é possibilitada graças à idealização do teatro de arena como espaço para exibir a montagem. "O espetáculo foi concebido para ser apresentado entre duas arquibancadas, como se o palco fosse uma passarela. O Teatro Vila Velha é ideal, já que oferece essa mobilidade".

Realçar a potencialidade criadora dos bailarinos, incentivando e fomentando a pesquisa em dança - em contrapartida ao passado do grupo, ligado ao balé clássico - tem sido o ideal de Cristina Machado. A ex-bailarina da companhia vem investindo há cinco anos na elaboração de produtos artísticos - para os quais o bailarino é fonte de inspiração e co-autor das obras - e na realização de espetáculos que promovam a circulação e a aproximação com o público.

A primeira fase do processo de criação de Coreografia de cordel foi dirigida pela pesquisadora e coreógrafa Graziela Rodrigues (coordenadora da Escola de Dança da Universidade de Campinas). Durante dez dias de 2003, o grupo viveu a liberdade de escolher seu próprio espaço e criar sua própria célula coreográfica. Na segunda etapa, o bailarino e coreógrafo Tuca Pinheiro, responsável pelas oficinas de criação e aulas de técnica contemporânea da companhia, veio com a proposta de montar um espetáculo com o material trazido pelos bailarinos.

Os resultados iniciais de Coreografia de cordel foram mostrados para os moradores de seis cidades do Vale de Jequitinhonha, em julho do ano passado, com a realização de ensaios abertos em galpões, praças públicas e ruas. Dois meses depois, estreou em Belo Horizonte e, recentemente, foi exibido na França. "Criamos um trabalho que leva o público a transitar num espaço entre a espiritualidade e a insanidade. É tocante o espetáculo", arremata Cristina Machado.

FICHA
Espetáculo: Coreografia de cordel
Elenco: Cia. de Dança do Palácio das Artes (MG)
Direção: Tuca Pinheiro
Dia/horário: hoje, às 21h
Local: Teatro Vila Velha
Ingresso: R$5 (preço único promocional)

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

BAKULO - OS BEM LEMBRADOS
e-mail enviado pela viúva de Milton Santos a Wilson Cobra, diretor da Cia. dos Comuns



foto: Ierê Ferreira

Cobra,

infelizmente não deu para lhe dar um abraço ontem. Assistir a Bakulo, foi um privilégio que agradeço.

Primeira exclamação: Vocês são bonitos! luminosos! num cenário de penumbra inquietante. Essa elegante roupa branca, a coregrafia e a música fazem de Bakulo uma peça visualmente bonita.

No conteúdo, vocês não hesitaram em colocar em cena suas contradições e dúvidas, sua rica complexidade... e seu riso.


Gente bonita, forte, ciente de sê-lo. Um grande abraço!

Marie-Hélène T. Santos

terça-feira, 6 de setembro de 2005


Hoje, às 19:00, acontece uma mesa-redonda que faz parte da programação de preparação de Processo Marighella, espetáculo do Bando de Teatro Olodum que estréia em novembro. O grupo, que vem pesquisando sobre a vida e obra do revolucionário baiano Carlos Marighella, convida especialistas e recebe o público para mais uma atividade de seu "processo" de criação.

Os palestrantes do Fala Vila de hoje serão os professores José Carlos Peixoto (Jornalismo), que falará da imprensa na ditadura e na relação com o militante Marighella; Juvenal de Carvalho (História), com o tema luta armada como forma de resistência à ditadura e Riccardo Cappi (Direito), que fará uma reflexão sobre as relações entre transgressão, justiça, contexto político e definição do que é crime.

Este Fala Vila também celebra a assinatura do convênio entre o Teatro Vila Velha e as Faculdades Jorge Amado, que possibilitará a realização de diversas atividades interdisciplinares através do projeto VilaJorge.

sexta-feira, 2 de setembro de 2005


CACILDA volta a cartaz depois de 10 anos. O texto, criado em 95 por Bertho Filho na Escola de Teatro da UFBA, retorna pelas mãos da sua diretora original: Cristiane Barreto, que comemora também seus 10 anos de carreira. O texto tem como base a linguagem do teatro do absurdo e foi concebido como uma homenagem a Eugene Ionesco um dos grandes nomes do estilo. A peça trata das relações humanas contemporâneas e o paradoxo com a incomunicabilidade que enfrentamos no cotidiano dos grandes centros urbanos. Confira agora o que a diretora traz ao público com essa montagem que traz, de um lado, marido e mulher que jogam cartas e se comunicam através delas, uma empregada e um estranho visitante. Do outro, um casal que vai ao teatro, mas não concorda quanto ao dia e o horário do espetáculo.

Por que montar Cacilda novamente, 10 anos depois?

Essa peça foi o começo de tudo. Foi minha primeira direção e na época eu nem pensava nessa possibilidade, cursava interpretação - e hoje dirijo mais do que atuo. Foi o primeiro texto de Bertho, escrito para a disciplina Dramaturgia I, de Cleise Mendes, dedicada ao estudo do teatro do absurdo. Éramos colegas e ele me chamou para dirigir essa peça em que ele faz uma homenagem a Eugéne Ionesco. Para mim foi um marco, porque me abriu outras possibilidades na escola. Na época, a peça foi encenada com os atores Arthur Brandão, Widoto Áquila, Gil Cortes e Rino de Carvalho, pelos quais tenho grande respeito e consideração, e teve uma boa repercussão no meio acadêmico e artístico. O tema continua sendo atual.

O que mudou para você optar por seguir na carreira de diretora?

A partir daquele momento, vi que sou uma "pessoa de teatro". Hoje sou atriz, diretora, professora... Mas para atuar, interpretar "o outro", é preciso estar com a cabeça livre de preocupações e sem grana não dá para ser assim. Na direção, consigo trabalhar sem ser afetada por essas preocupações, mas para viver uma personagem, não.

No elenco de Cacilda, há somente homens e você afirma que foi uma interferência sua sobre o texto. Há alguma razão especial para isso?

Quando li o texto de Bertho, achei muito bom, mas as indicações com homens e mulheres poderiam cair no besteirol, que na época era muito explorado nas montagens daqui, como A Bofetada, que tinha homens vestidos de mulheres. Não queria ficar presa a uma fórmula, por isso optei pela alteração. Foi também nessa época que eu assisti ao filme Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino. Aquela atmosfera masculina, então, me influenciou muito - ternos, jogo de cartas, cigarro. Além disso, gosto muito de dirigir homens. Acho que existe uma afinidade, a relação não tem muitos melindres. Me sinto mais à vontade. Mas isso não chega a ser uma regra, é só uma peculiaridade que eu tenho.

Por que Tarantino?

Acho que o cinema de Tarantino tem muito do teatro do absurdo. Aquela seqüência inicial de Cães de Aluguel mesmo: os caras estão se preparando para um assalto a banco e estão conversando sobre bobagens. Isso é absurdo! Ele trabalha muito bem com essa inadequação entre situação e ação. Não sei se é algo consciente por parte dele, mas muitas vezes a linguagem é desconexa ou contradiz as ações ou situações vividas pelos seus personagens. E tem o universo masculino com signos bastante fortes.

Como foi que você chegou ao elenco atual?

A maior parte dos atores que pensei para este elenco estavam ocupados em outros projetos. Todo mundo está se desdobrando no trabalho, não foi fácil encontrar os meninos, mas felizmente encontrei eles, que estão fazendo mil coisas, mas tentamos adequar nossas disponibilidades e os ensaios foram regados a muito humor. . Estava atrás também de alguns tipos físicos específicos ? queria um ator negro, por exemplo. Acho que o mercado profissional teatral baiano precisa ser renovado. Acho bobagem de alguns diretores, atores e atrizes já consagrados daqui, falarem em entrevistas que em Salvador não tem acontecido nada de novo nem na área de direção, nem na área de interpretação. É querer tapar o sol com a peneira. Tem muita gente boa sim e muita gente fazendo um tipo de teatro mais alternativo, mais ousado, sem grana, sem a figura de um grande produtor e sedando muitissímo bem. Infelizmente, o que falta é espaço e grana para todos,oportunidades e muita ética também.

Como você definiria o clima da peça?

Cacilda é cheia de signos masculinos, é um universo masculino que passa pela música de Jeff Beck que escolhi como trilha, pelo figurino, pela ambientação. Por outro lado, provoca indagações sobre gênero e suscita curiosidade, porque não tem uma seqüência lógica. Tem um ar de mistério sobre as relações entre aqueles personagens, mas há também coisas risíveis do cotidiano que se tornam mais engraçadas por causa dessa dubiedade. Mesmo assim, a peça não traz "caco", é precisa para dar destaque às relações.

O que vocês querem dizer ao público através de Cacilda?

As dificuldades de relacionamento já estão aí há um bom tempo, talvez hoje a coisa esteja pior do que há 10 anos. A incomunicabilidade é algo presente nos grandes centros, porque apesar do fluxo de informação ser grande, dos mecanismos de comunicação terem avançado - telefone, celular, e-mail, internet... - as pessoas não conseguem se relacionar ao vivo. Falamos do esvaziamento das relações, usamos símbolos dos veículos de comunicação, da globalização para fazer uma crítica a tudo. Cacilda é só um suporte.

sex/sab
19h
$ 5

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

:: ESTRÉIA! :: ESTRÉIA! :: ESTRÉIA! ::
BAKULO - OS BEM LEMBRADOS
Cia dos Comuns volta à cena num espetáculo que evoca os mitos passados para retratar as inquietações da comunidade negra frente ao mundo globalizado.
A partir do dia 02 de setembro às 19:30h no Teatro Nelson Rodrigues
A premiada Cia dos Comuns, grupo teatral carioca integrado somente por atrizes e atores negros, criado e dirigido pelo ator Hilton Cobra, volta à cena sob a direção de Marcio Meirelles para encenar seu mais novo espetáculo teatral: Bakulo - Os Bem Lembrados.

Evocando mitos passados e com uma narrativa fortemente baseada no pensamento do Professor Milton Santos e sua obra Por uma outra globalização, Bakulo - os bem lembrados traz também aspectos da genialidade de Glauber Rocha na construção de um texto cuja força está na palavra e na discussão de temas como a ocupação dos territórios, exclusão social e políticas para negros, tudo dentro de uma contextualização inquietante, seca e direta - sem metáforas e mais realista.

Com uma estética que valoriza a música - executada ao vivo por um quinteto acústico; BAKULO flerta com a linguagem do cinema a partir da construção de cenas que são apresentadas como um roteiro cinematográfico. "O espetáculo corre em quatro linhas que se cruzam e interagem entre si: o texto de Milton Santos; os personagens contemporâneos que falam através desse roteiro; os personagens ancestrais presentes ao longo da peça e a trilha musical harmonizando as situações retratadas no palco. Optamos por apresentar essas cenas de forma fragmentada, instigando o espectador a criar a sua própria edição" afirma Marcio Meirelles, diretor do espetáculo.

Processo de construção coletiva do espetáculo parte das percepções de cada ator na construção dos personagens - em cena, nove atores dão vida e forma às diversas inquietações presentes no dia-a-dia do negro, e que são fruto de uma sociedade contemporânea onde a globalização e a informação não são utilizadas em beneficio da comunidade, mas sim de uma forma perversa, que só faz aumentar a exclusão e o abismo entre os que possuem e os que não possuem.

Retratando esse abismo social, personagens que transitam entre as zonas norte e sul do Rio de Janeiro - entre o morro e o asfalto, em busca da realização dos seus sonhos e de uma vida melhor. São tipos comuns que buscam tornarem-se mais do que um simples número de registro no censo demográfico - e por esse motivo lutam cotidianamente para fazer respeitar a sua história de vida: o Rapper que sonha montar uma rádio para unir toda a comunidade e estabelecer uma ligação com outras mais distantes; ou ainda a jovem mais interessada em se dar bem na vida, não importando os meios; o cineasta que em toda carreira só conseguiu realizar um curta-metragem e vive a perseguir o melhor ângulo para retratar as mazelas daquele lugar; ou a professora universitária que escreve uma tese ambientalista sobre a ocupação desenfreada de território e de como as comunidades pobres são predadoras do próprio local em que vivem.

Pontuando cada cena, além da música, elementos cenográficos que são uma espécie de bancos coloridos. Marcio Meirelles explica que cada seqüência do espetáculo é ilustrada por determinada cor - branco, vermelho, amarelo e preto, que na cultura banto representam um tempo de vida, semelhante ao ciclo solar. "O sol nasce, cresce, chega ao ápice, declina, fica oculto e depois retorna. Assim também é a vida. Usamos também o azul (o mar e o céu) e o prata (urbano) na delimitação desse tempo" conta Marcio Meirelles.

Espetáculo fecha uma trilogia homenageando os Bakulos dos nossos tempos - segundo Hilton Cobra, fundador e diretor da Cia dos Comuns, Bakulo - Os Bem Lembrados fecha uma trilogia que trata dos temas contemporâneos do negro, da ancestralidade e dos valores da herança cultural africana, iniciada em 2001 com a encenação do espetáculo A Roda do Mundo, e depois em 2003 com Candaces - A Reconstrução do Fogo.

"Em A Roda do Mundo nossa temática abordava o quanto o negro precisa vender seus valores para sobreviver. Já Candaces era uma reação a isso - de um lado as mulheres preservando a ancestralidade e de outro, os homens rompendo com a herança dos antepassados. Agora em BAKULO os valores ancestrais, presente e futuro se fundem num grande amálgama" revela Hilton Cobra.

Cobra também destaca a importância de Milton Santos para o espetáculo: "em 1999 eu já planejava montar BAKULO. Desde aquela época a obra do Professor Milton norteou sua criação - e tive o privilégio de conversar com ele a respeito. Trabalhar com a obra desse grande Mestre é muito excitante - ele era muito verdadeiro, tinha um domínio absoluto sobre a geografia humana e sobre os territórios, além de uma crítica profunda sobre essa globalização. E mais recentemente buscamos referência em Glauber Rocha e identificamos que suas idéias, expressadas genialmente em sua obra, também são muito nossas".

Não por acaso, Milton Santos, Glauber Rocha, Lélia Gonzáles, Zózimo Bulbul, Abdias Nascimento e tantos outros, de uma forma ou de outra, estão presentes e são referência para BAKULO - nome dado àquelas pessoas que vieram ao mundo e fizeram algo positivo e importante. Serão sempre lembradas porque acreditaram que era possível mudar e viver numa sociedade justa, igualitária e fraterna.

"Quero desenvolver a minha arte fundada na realidade. Não quero discutir o mundo: quero transformar o mundo, através das experiências de vida desses Bakulos" afirma Hilton Cobra.
:: ANOTE :: ANOTE :: ANOTE ::
O que? Bakulo - Os bem lembrados
Com quem? Cia. dos Comuns
Que dia? De quinta a domingo
Que horas? 19:30
Até quando? 2 de outubro
Quanto é? R$ 10 (inteira) / R$ 5,00 (meia) / R$ 3,00 (promocional para grupos comunitários e ONGs)
Onde? Teatro Nelson Rodrigues - Conjunto Cultural da Caixa
(Av. Chile - 230 - Centro - Rio de Janeiro)
outro dia.

outro dia no fundo do ônibus:
"(), sua marca até debaixo d'água. "

no lado do mesmo ônibus:



esse pessoal de comunicação inventa.

Grande Feijoada da Companhia Teatro dos Novos!

Prepare sua pança para dar uma força à CTN. No dia 18 de setembro, vem aí uma grande feijoada para arrecadar fundos para a Companhia, que depois de tantas montagens acabou extrapolando o orçamento. Teremos palco, público, instrumentos e atores à disposição. Algumas surpresas estão no forno, além de um bom feijão. Tudo pode acontecer! Vai ter roda de samba, Bando, Viladança, Novos Novos, Vilavox e A Outra. Se você gosta de teatro e também gosta de feijão, reserve já o seu ingresso - R$ 10,00. E traga seus amigos!


A venda já está rolando aqui no Vila com os nossos artistas.
+ info: 71 3336-1384