quarta-feira, 8 de julho de 2009

manifestação



Eu respeito a história do teatro baiano e, a partir desse pensamento, eu respeito a classe; mas chamo de classe aquela que inclui a todos - ou, pelo menos, a maoria dos trabalhadores de arte do nosso estado. E na classe defendida por Fernando Marinho não me vi incluso, nem a muitos outros artistas. Não por concordar ou discordar do pensamento expresso na "Carta Aberta aos Artistas Baianos", mas porque o motivo que levou ao protesto no dia 2 de julho não foi divulgado a todos de modo que a classe realmente pudesse ser representada.

Tenho uma opinião diferente dessa, se a cultura do estado está ou não morrendo - acho que o problema não é esse. Me interesso por conhecer os fatos que nos levaram à cena que temos hoje na Bahia, incluindo o interior do estado. Sei o quanto foi produzido e o que se comunicou ao público da década de 60 para cá. E, partindo desse conhecimento, acho ingenuidade acreditar que Marcio Meirelles é contra a Produção Cultural Baiana, ou que as suas ações como Secretário da Cultura estariam desvinculadas de um pensamento de Governo.

Falo isso porque está escrito no e-mail circular redigido pelo presidente do SATED que houve um desmonte da produção artística na bahia. Concordo que parte - digo parte - da PRODUÇÃO DE ESPETÁCULOS (mais especificamente de teatro) foi desmontada, mas não a cultura. Em contrapartida, a cultura baiana ganhou com o fato de que projetos do interior do estado estão sendo incentivados o quanto no governo passado não eram. Não podemos falar que o estado parou de incentivar a arte, isso não é real. O que aconteceu foi que o foco mudou. E isso acontecerá sempre, de governo para governo; ridículo pensarmos que os mecanismos de apoio estatal estarão sempre à disposição de qualquer um, independente dos interesses dos governantes e de seus pensamentos para o desenvolvimento do estado.

Se de um lado o governo, por interesses próprios, parou de investir em certos seguimentos artísticos, por outro, os artistas que eram beneficiados - e que não eram muitos, não projetaram o futuro, prendendo-se à realidade passada, de governantes com posturas específicas. Agora mudou, o partido é outro, as "ideologias" são outras e assim será a cada mandato, não nos enganemos quanto a isso.

Contrariamente a defender a saída do secretário de cultura, acredito que a classe defendida pelo sindicato tenha capacidade e competência para sentar na mesa com qualquer secretário de estado, seja Marcio Meirelles ou qualquer outro, para propor e discutir soluções que realmente possam fazer do estado um incentivador da cultura e não seu mantenedor. Porque, se essa mesquinhez continuar, teremos a cada representate que sentar na cadeira de governador a criação de duas classes de produtores e artistas: uma que apoia e outra que desaprova batendo em panelas quando "injustiçados", ou se omitindo quando "contemplados", e eternos dependentes da máquina pública para poder produzir.

Digo também que, quem quer que tenha organizado o protesto, não convocou toda a classe, porque, entre outras razões, não fui convocado e nem percebi reverberações desse chamado para o protesto. Mas concordo, sim, que A CLASSE tenha que sentar junto ao estado para exigir suas reivindicações e protestar se suas expectativas não estiverem sendo cumpridas.


Vinicio de Oliveira Oliveira
Diretor de Teatro

Um comentário:

  1. É vini depois da reuniao entao la no Palacio o que voce fala fica ainda mais evidente e contundente.

    bravissimo !!!!!!!!

    abç,

    Franklin

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