terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Retábulo e as surpresas do novo


Era para ser uma segunda como qualquer outra, mais um dia de muito trabalho e cansaço vindo do fim de semana. Foi quando soube que Retábulo, espetáculo do Grupo de Teatro Piolin, de João Pessoa, estava em cartaz no Teatro Vila Velha. Ouvi muitos elogios sobre a peça, então decidi assisti-la, na segunda mesmo. Na chegada, notei que o público já enchia a entrada do teatro. Segunda badalada.

Já dentro do Vila, a primeira surpresa da noite. Entram Caetano e sua namorada, a argentina Natália; eles vieram assistir Retábulo. Eu gelei. E óbvio que fui puxar conversa com o ídolo. Entrei pra assistir o espetáculo achando que não ia tirar Caetano da cabeça (e ele estava sentado lá atrás, discreto). Achei que ia ficar admirada por Caê a noite toda e não teria o que escrever sobre a peça.

Engano, ledo engano.

Quando Retábulo começou, hipnotizei-me com os sons, com o texto espetacular, com o correr da trama, que envolvia a platéia cada vez mais profundamente dentro da história de Joana Carolina, a moça a quem foram atribuídos vários milagres. Conhecemos diversas Joanas, a jovem, a anciã, todas corajosas e sofredoras, dispostas a tudo por seus filhos e pelo bem das pessoas ao seu redor.

De repente eu nem lembrava mais do ídolo sentado no fundo da sala principal (que estava cheia, numa segunda!). O barulho do piano sombrio (mais tarde descobri que era um piano antigo, modificado pelo grupo), das batidas dos pés dos atores, do coro constante que ora simulava o eco, ora lembrava lamentos, me fez quase não piscar os olhos. Engraçado foi que, quando a peça acabou (eu não vou contar o final), um grito ecoou pela sala e eu, paralisada, bati palma de boca aberta. Poucos espetáculos fizeram isso comigo.

Afinal, o que é um retábulo? É uma construção de madeira, que fica por trás ou acima do altar, que geralmente conta a história de santos e outras mensagens religiosas. Neste retábulo, a santa é Joana Carolina, que, por sua vez, faz parte da narrativa criada por Osman Lins no livro Nove Novena. O espetáculo tem a direção do ator Luiz Carlos Vasconcelos. Quem topou (eu topei, claro) ainda participou de um debate no final da peça, com direito a matar todas as nossas curiosidades. Os atores dizem que "Retábulo" ainda está em construção: para mim, que esqueci do Caê, enquanto a assistia, está completa.

Aline Cruz

Um comentário:

  1. Aline,

    Assisti Retábulo em João Pessoa. Fantástico o espetáculo, resolvi escrever a respeito no meu blog. Luis Carlos Vasconcelos anda fazendo alterações no espetáculo e está cada vez mais instigante.

    http://ca-li-ce.blogspot.com/2011/01/palavra-resplandece-como-iluminura-do.html

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