terça-feira, 19 de junho de 2007

E se Cristo viesse ao mundo no Sertão?


Finos Trapos pelo olho de Márcio Lima

Até um Cristo renascido no sertão da Bahia estaria sujeito às mazelas desta terra. É com este argumento que a Cia Finos Trapos, de Vitória da Conquista, encena Auto da Gamela, uma recriação nordestina do Auto de Natal. A peça chega a Salvador através do projeto O QUE CABE NESTE PALCO, no Palco Principal do Teatro Vila Velha, com apresentações de sexta a domingo, de 08 de junho a 01 de julho, sempre às 20h.

Inspirada nos textos do livro Auto da Gamela de Esechias Araújo Lima e Carlos Jehovah, lançado pela Ed. Jose Olympio, a montagem incorpora elementos nordestinos e misticismo à história do menino Jesus. Nela, Francisco, o novo Cristo, em vez da manjedoura, tem na gamela o seu primeiro abrigo. Nascido pela mão de uma aparadeira, Francisco é encontrado pelos Três Reis ‘Magros’ e presenteado com um candeeiro, alavanca, foice e uma viola para seguir com seus pais pelos caminhos das Gerais. Perambulando pelo sertão, a família do novo Cristo, canta suas mazelas. E é cantando que a Cia Finos Trapos mostra seu lado mambembe. “A poesia escorre pelo texto e tem uma grande densidade dramática e era preciso conferir na montagem uma certa leveza pra que não fosse redundante uma poética presente no texto.” diz o diretor, Roberto de Abreu.

A história do menino Francisco é contada por uma trupe de comediantes pícaros que, depois de muita discussão, decide montar o Auto da Gamela num lugarejo imaginário do Nordeste. Aportam no palco com sua carroça e escalam os personagens em cena e ali, como se fosse um improviso, criam uma peça dentro da própria peça. Cada ator veste-se e despe-se em cena, lembrando à platéia que ali acontece uma narrativa. A beleza plástica conferida à cena fornece também a leveza necessária à encenação do texto que, em seu cerne, conserva um amargor denso das fatalidades da vida do sertanejo. Encenar a peça dentro da peça permitiu criar, através da metalinguagem, uma segunda natureza ainda mais lúdica que a linguagem com qual a Cia Finos Trapos vem se comunicando com o seu público. "Num dos artigos do Jehovah que li, ele investigava o teatro nordestino e relatava a possibilidade da presença de trupes de teatros lusitanas, inspiradas na comédia dell' art italiana, que faziam números dramáticos pelos vilarejos do nordeste. Verdade ou não, essa era a peça que faltava pra que a gente montasse nosso jogo dramático. E então a gente optou pelo meta-teatro", continua Abreu.

A adaptação de Auto da Gamela pela Cia. Finos Trapos foi premiada com o Miriam Muniz de Teatro da Funarte em 2006 e através desde recurso foi que tornou-se possível sua montagem.


Para não ter erro:

Auto da Gamela (Teatro)
Texto original: Carlos Jehovah e Esechias Araújo Lima
Adaptação e Direção: Roberto de Abreu
Elenco e realização: Companhia Finos Trapos
Dias: sexta a domingo
Temporada: até 1°/07/2007
Horário: 20h
Onde: Palco principal do Vila
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)

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