segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Luiz pelo Nordeste

foto: Cacau Stúdio

Desde o último dia 06 de outubro, Luiz Antônio Jr - integrante d'A Outra Companhia de Teatro, está circulando por cidades do Nordeste com seu solo "Véu - uma poética do só", que discute a violência contra a mulher, trazendo à cena uma colcha de retalhos feita por dados estatísticos, depoimentos e confissões de diferentes figuras envolvidas coma temática, histórias e casos verídicos e até mesmo conhecidos nacionalmente, músicas e fragmentos de textos poéticos.

O projeto que foi contemplado com o Prêmio BNB de Cultura 2010, propõe a circulação do espetáculo e de duas oficinas artísticas (teatro e criação de bonecas), além da realização de uma pesquisa de rua com mulheres, por 09 cidades do interior da região Nordeste. Até agora, já foram visitadas as cidades de Picos (PI), Crato (CE) e Mossoró (RN).

Na primeira cidade, as atividades aconteceram na 9º Gerência Regional de Ensino, com o apoio do Grupo Cultural Adimó, parceiro d'A Outra Companhia desde 2008, quando o grupo esteve em Picos realizando a turnê dos espetáculos "Arlequim servidor de dois patrões" e "Debaixo d'água em cima d'areia" através do projeto Reduzindo Distâncias. Com a realização de Véu, a parceria entre os grupos avança, lançando até sementes para novos projetos artísticos que aproximem ainda mais o trabalho dos dois grupos.

No Crato, o projeto teve o apoio do SESC, onde aconteceram as atividades. Lá, conheci grupos e artistas fantásticos. Me deparei com uma região onde a cultura pulsa e muito. O Cariri é um lugar onde as pessoas precisam ir. A Fundação Casa Grande que desenvolve um trabalho incrível em Nova Olinda, o BNB e o SESC em Juazeiro do Norte, a URCA em Barbalha... uma região muito viva culturalmente!

Entretanto, percebi que nessa região o machismo é muito forte. Conversando com as mulheres nas ruas, percebi o quanto elas se sentem sozinha e como é geral o pensamento da não denúncia por medo do agressor. Muitas afirmam que não denunciaram uma agressão com medo de que o homem depois de solto voltasse e lhes fizesse algo ainda pior. Muitas dizem que deixariam com Deus - "ele sabe o que tá acontecendo aqui". Isso porque são muitos os casos de violência contra a mulher seguidos por morte. Mesmo com a presença de uma Delegacia de Defesa da Mulher instalada na cidade, as mulheres daquela região se apegam na fé e se mantém nos véus do silêncio. Diferente do que ocorre em Picos, onde também existe uma unidade da delegacia da mulher - lá é alto o índice de violência doméstica e infantil, em especial, mas as mulheres se mostram muito mais valentes e dispostas a denunciar, acreditam na Lei Maria da Penha e se olham, se ajudam.

Em Mossoró, as atividades aconteceram na I Feira Estadual de Economia Feminista e Solidária, uma ação do Grupo Mulheres em Ação, que reuniu mulheres de diferente cidades do oeste potiguar, realizando palestras, oficinas, apresentações artísticas e uma grande feira onde cada uma delas expôs e vendeu seus produtos. Aqui, pude perceber que as mulheres são muito articuladas e que batalham por mais espaço na sociedade patriarcal brasileira. Com elas aprendi muito e percebi outras articulações para futuros desdobramentos do projeto Véu. Conheci ainda, nesta cidade bela do Rio Grande do Norte, o Grupo Escarcéu de Teatro que há mais de 20 anos desenvolvem trabalhos artísticos por lá, e os Coletores de Sonhos, encontros felizes que espero dêem frutos lá na frente!

Voltando a Salvador, hoje, ainda faltam percorrer as cidades de Arari (MA), Lagarto (SE), Arapiraca (AL), Campina Grande (PB), Tuparetama (PE) e Ilhéus (BA).

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