sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Desdobramentos do 1º Encontro de Dança Inclusiva

Vocês lembram que no início de setembro, fizemos um post sobre o 1º Encontro de Dança Inclusiva? O evento já acabou mas deixou uma série de discussões acerca da prática de dança por pessoas com e sem deficiência. A especialista Virgínia Souza aborda o tema em post do Idança.net, para saber dos assuntos que foram debatidos. Participem dessa discussão!

Imagem de Judite quer chorar, mas não consegue! idealizado pelo dançarino e ator Edu O., apresentada no 1º Encontro de Dança Inclusiva

"Muito a se pensar sobre a dança inclusiva

Atendendo a uma necessidade no campo das artes, e mais especificamente da dança, realizou-se entre os dias 8 e 12 de setembro de 2010 o 1° Encontro de Dança Inclusiva – O que é isso? em Salvador. O evento foi idealizado pelos dançarinos e pesquisadores Edu O., Fátima Daltro e Eleonora Motta e aconteceu no espaço Xisto.

A proposta deste evento foi realizar uma reunião de artistas com e sem deficiência, pesquisadores em dança, profissionais na área de comunicação, educação, psicologia e produção para promover um debate interdisciplinar sobre a participação efetiva das pessoas com deficiência no processo de inclusão social tão divulgada e difundida nos últimos tempos, sobretudo no campo artístico de dança. As discussões giram em torno de acessibilidade, profissionalização e inserção no mercado de trabalho de artistas/dançarinos com deficiência e que não tiveram acesso à informação e formação em dança nos ambientes acadêmicos e espaços formais de ensino de dança.

Anos atrás, a deficiência era discutida apenas do ponto-de-vista médico, recebendo um tratamento bastante específico e que já não cabe nas discussões de hoje. Não vemos mais a deficiência como problema ou anormalidade, mas sim como uma singularidade do indivíduo. Isso significa que, para a dança, a deficiência se apresenta como uma qualidade de movimento e corpo, encontrada em qualquer dançarino. Há quem diga que o dançarino com deficiência se diferencie em sua qualidade de movimento e solução de objeções, porém, não devemos esquecer que toda pessoa possui habilidades e impedimentos próprios, que todos estamos fazendo escolhas e adaptações constantemente, não sendo isso uma particularidade da pessoa com deficiência.

Embora muito se fale a respeito da dança inclusiva, sabemos que ainda existem diversos questionamentos sobre o tema. Primeiramente, devemos esclarecer que o termo dança inclusiva se disseminou entre os profissionais num momento de dificuldade em encontrar um termo melhor para falar em dança para/com pessoas com deficiência. Esse foi um dos pontos discutidos no evento e pudemos concluir que a até então chamada dança inclusiva nada mais é que dança. Segundo os participantes do encontro, não devemos tratá-la como uma categoria dentro da dança, pois feita por bailarinos, sejam eles com ou sem deficiência, deve chamar-se dança. Além disso, terminologias como ‘inclusivo’ ou ‘inclusão’ indicam que existe a exclusão e as pessoas que trabalham na área adotam um posicionamento contrário a uma dança que inclui pessoas por alguma característica que elas possuam. Aos poucos, a dança abre espaços para bailarinos com corpos e movimentação diversos e assim, aquilo que assemelhava-se a um ‘gueto’ toma outra configuração e se estabelece no cenário artístico.

Iniciativas como as do 1° Encontro de Dança Inclusiva – O que é isso? são capazes de disseminar conhecimento, ajudando na quebra de estereótipos e reconhecimento artístico."

Confira o post na íntegra clicando aqui.

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