sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Carta ao Jornal A Tarde

Senhores,
Sobre a matéria Os efeitos da censura do regime militar na cena teatral baiana, publicada no Caderno 2 +, em 03 de setembro de 2009, gostaríamos de ressaltar o valor de iniciativas como esta, que revisitam um capítulo importante da história da produção teatral brasileira.
O Teatro Vila Velha, sendo parte valorosa desse período e revendo sua traajetória nesses 45 anos de existência, propõe-se a contribuir com algumas informações.
O Vila, em plena ditadura militar, conseguiu realizar montagens como Stopem Stopem, Eles não usam blequetai, Teatro de Cordel, Quem não morre não vê Deus, As artes do criolo doido no reino de Quijipó enquanto o milagre não vem, O banquete dos mendigos ou a morte de Carmen Miranda. Foram espetáculos cujo conteúdo criticava claramente o regime militar e a moral burguesa estabelecida, além de se posicionar contra as atitudes do governo, defendendo os processos democráticos nas diversas esferas da vida social e política.
Vale ressaltar ainda que alguns espetáculos levados à cena nesta casa tiveram seus textos cortados ou até mutilados pelos censores, e que peças montadas aqui foram proibidas de se apresentar em outros estados do país, como Teatro de Cordel 3 (1973), em São Paulo.
Dessa forma, gostaríamos de lembrar que o Teatro Vila Velha, que nasceu no mesmo ano da ditadura (1964), foi um destacado espaço de resistência contra os militares, através de encontros estudantis, realizados em festivais artísticos e seminários. Foi, assim, um espaço que fomentou e assegurou a expressão artística na Bahia.
Atenciosamente,
Teatro Vila Velha

Um comentário:

  1. Vitor Pinheio5/9/09 14:29

    Viva a arte vivo o novo , viva a libedade de expressão ... Vida eterna ao Vila Velha...

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