quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

TEATRO DE GRUPO E GRUPO DE TEATRO


A Bahia nunca deixou de ter o Teatro de Grupo como uma grande força, por vezes, fundamental nas artes cênicas. Podemos relembrar alguns nomes, como "Teatro dos Novos", "Avelãz y Avestruz", "Teatro Livre da Bahia" e "Carranca", entre outros tantos, não menos importantes; e os mais recentes, surgidos a partir da década de oitenta, noventa: "Los Catedrasticos", "Cia. Baiana de Patifaria" e "Bando de Teatro Olodum" - alguns dentre eles ainda em plena atividade.

Outra fase e safra de grupos locais me parece ter se formado pela iniciativa do Teatro Vila Velha, a partir de 94, ao criar os "grupos residentes" do teatro. Outro fator importante foi a criação da Cooperativa Baiana de Teatro , que tanto recebeu grupos quanto os incentivou surgir, e o papel da Escola de Teatro, com alguns grupos idealizados lá, formados por alunos, ex-alunos e professores. Ainda é preciso salientar o papel do Teatro de Rua, movimento que ganhou ainda maior expressividade nos últimos anos.

Bom, o título deste pequeno texto sugere uma diferença entre o Teatro de Grupo e o Grupo de Teatro. O primeiro, no meu entender, aquilo que resulta do trabalho contínuo de um Grupo de Teatro, que contempla outras atividades para além da cena, artísticas ou não, que fomentem a discussão estética, ética e política do fazer teatral. O segundo, um agrupamento de atores - circunstancial ou de forma mais duradoura - para fazer teatro.

Grupos de Teatro podem ou não ter como resultado um Teatro de Grupo. Nisso não faço absolutamente nenhum juízo de valor ao espetáculo, à performance deste ou daquele grupo, mas sim, uma justa clarificação do que seja uma coisa e outra. Não podemos confundi-las. A relevância desta distinção entre Teatro de Grupo e Grupo de Teatro me parece importante nesse momento do teatro em Salvador e em nosso Estado - mesmo que eu tenha levantado alguns grupos do interior, este intercâmbio capital/interior é muito discreto, assim como modesta é, infelizmente, a nossa relação com o Nordeste.

Digo que o Teatro de Grupo nos é importante hoje porque poderia assumir algum lugar no "pensamento" das artes cênicas local. Quem estaria hoje discutindo o nosso teatro? Quem estaria hoje propondo ações para além da cena? Quem estaria hoje ocupando grande parte das salas, ruas e espaços alternativos da na cidade? O subjuntivo está em cada pergunta por que tenho a impressão que, apesar de grande esforço nesse sentido, e felizmente, algum resultado, nós não estamos fazendo isto a contento. Ou estaríamos?

Gordo Neto
Grupo Vilavox

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