segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Show do Retrofoguetes no Teatro Vila Velha é adiado para 23 de março

O Teatro Vila Velha informa que o show do grupo Retrofoguetes que aconteceria no dia 8 de fevereiro, como parte do Amostrão Vila Verão, foi adiado para o dia 23 de março, quinta-feira, às 20h. Os ingressos para a nova data estarão à venda nos próximos dias na bilheteria do teatro ou através do site www.ingressorapido.com.br.

No dia 8 de fevereiro, quarta-feira, às 20h, a programação do Amostrão Vila Verão será ocupada com uma sessão extra de Ó Paí, Ó!, do Bando de Teatro Olodum, espetáculo que comemora 25 anos em 2017 e teve todas as sessões lotadas ao longo da temporada de janeiro, no Teatro Vila Velha.

O Vila pede desculpas por possíveis transtornos e informa que já está em contato com aqueles que adquiriram ingressos para o show que aconteceria no dia 8. Para conhecer a programação completa do Amostrão Vila Verão, que ocupa o Teatro Vila Velha de terça a domingo até 17 de fevereiro, o público pode acessar o site www.teatrovilavelha.com.br.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Lavagem do Vila reúne samba, cortejo carnavalesco e banho de mangueira à fantasia

O evento é aberto ao público e reúne o grupo Amigos do Samba com participação especial de Nara Couto e Juliana Ribeiro

No dia 5 de fevereiro, domingo, a partir das 12h, todos os caminhos levam ao Teatro Vila Velha, onde acontece mais uma edição da Lavagem do Vila. Organizada pela atriz e diretora Zeca de Abreu, a festa é comandada pelo grupo musical Amigos do Samba, com a participação das cantoras Juliana Ribeiro, que será condecorada a Rainha da Lavagem, e Nara Couto, escolhida para ocupar o posto de Princesa. O evento é aberto ao público e os ingressos, já à venda pelo telefone 991111667, dão direito a uma feijoada assinada pelo ator e agitador cultural Jorge Washington, do Bando de Teatro Olodum.

A Lavagem tem início com um cortejo musical carnavalesco com concentração ao meio dia, que parte do Passeio Público em direção ao Cabaré dos Novos, no Teatro Vila Velha, a partir das 13h. Além do samba e da feijoada, o público é convidado para um banho de mangueira e de piscina de plástico à fantasia. A ideia é fazer mais uma grande festa para famílias e amigos, reunindo artistas, funcionários, parceiros e, é claro, o público do Vila.

No repertório do grupo Amigos do Samba, do samba duro ao samba de roda, passeando ainda por compositores como Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, Roque Ferreira, Batatinha, Noel Rosa, Gilberto Gil, entre outros ícones da música popular brasileira.

Lavagem do Vila
Amigos do Samba com participação especial de Juliana Ribeiro e Nara Couto
Dia 5 fevereiro, domingo, a partir das 12h
Teatro Vila Velha
Ingresso + Feijoada: R$25

Solo “KODAK” é atração para público infantojuvenil no Amostrão Vila Verão

O espetáculo de Neto Machado já viajou por mais de 10 estados e festivais de artes cênicas no Brasil e chega ao Teatro Vila Velha para três apresentações em janeiro e fevereiro

Nos próximos sábados, dias 28 de janeiro e 04 e 11 de fevereiro, sempre às 16h, o Amostrão Vila Verão apresenta “Kodak”, solo de Neto Machado para crianças de todas as idades – inclusive as adultas! A montagem com classificação livre é uma dança em frames, um toyart coreográfico, uma peça analógica sobre uma era digital.

Em cena, mais de 100 caixas de arquivo morto coloridas constroem um mundo de plástico onde nada é feito para durar. Movimento e coreografia entrecortados de um stopmotion ao vivo colocam o Godzilla e o Homem de Ferro pra rebolar. A partir de memórias de sua infância, o artista coloca para dançar personagens como monstros, heróis, ninjas e mangás que, em movimento, se distorcem e se modificam, estimulando uma reflexão sobre os estereótipos de gênero, de cidade e de mundo. A peça se constrói a partir de diferentes referências do universo pop que vão de Minecraft e Lego ao rock de David Bowie e REM. Este espetáculo já foi apresentado em mais de 10 estados brasileiros nos principais festivais de Artes Cênicas do país.

Como afirmam os realizadores, “Kodak” é uma peça com um monte de coisa misturada. Tem dança, tem teatro, tem cinema, tem herói, tem monstro, tem ninja, tem rosa, tem azul, tem movimento, tem ação, tem robô, tem gente, tem gigante, tem morte, tem vida, tem barulho, tem silêncio e, agora, também tem você.

Sobre o Amostrão Vila Verão
O Teatro Vila Velha, como já é tradição, abre o ano de 2017 com uma intensa programação artística na 14ª edição do Amostrão Vila Verão. Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, 15 espetáculos e shows ganham o palco do Vila, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente.
Realizado de forma independente pelo Teatro Vila Velha em parceria com a Carambola Produções, o Amostrão movimenta a cena cultural baiana oferecendo alternativas de programação ao público soteropolitano e aos turistas, em um momento em que predominam festas e shows pré-carnavalescos.

Sobre Neto Machado
Neto começou a fazer cena aos 09 anos por causa do Michael Jackson e do Castelo Ra-tim- bum. Mestre em Artes Cênicas pela UFBA, Neto já morou na França, nos EUA e num castelo alemão, com uma bolsa de criação do Instituto Akademie Schloss Solitude. Neto já se apresentou em mais de 50 cidades brasileiras e 10 países.

Quer saber mais coisa? É só entrar aqui: www.netomachado.com

Ficha Técnica “Kodak”
Concepção, Direção e em Cena Neto Machado Assistência de Direção e Colaboração
Contínua: Jorge Alencar
Concepção de Luz: Fábia Regina
Operação e Acompanhamento de Luz: Moisés Victório
Som: Rodrigo Lemos e Leonardo França
Colaborações na Criação: Cândida Monte, Ellen Mello, Fábia Regina, Leonardo
França, Jorge Alencar e Wellington Guitti
Produção: Dimenti

Serviço:
Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

Kodak
28/01, 04 e 11/02 // sábados // 16h
R$ 40 (inteira) e R$20 (meia)
Teatro Vila Velha

Solo “Mamba Negra” reestreia no 14º Amostrão Vila Verão

Foto: Taylla de Paula
Com estética afropunk, espetáculo dirigido e interpretado por Diego Alcântar faz duas apresentações no Teatro Vila Velha

Depois de chamar atenção em temporada de estreia na Barroquinha, e de se apresentar no Festival Internacional de Artes Cênicas - FIAC, o solo Mamba Negra chega ao palco do Teatro Vila Velha para duas apresentações no Amostrão Vila Verão: nas próximas sextas-feiras, dias 27 de janeiro e 3 de fevereiro, às 20h. Criado e performado por Diego Alcântara, o espetáculo inspira-se na estética afropunk e na atmosfera dos quadrinhos para criar uma personagem anti-heroína, do mundo underground. “Mamba Negra aponta caminhos e soluções agressivas na busca de ser diferente, construir um deslocamento diante das velhas lógicas binárias homem x mulher, branco x preto, bem x mal, centro x periferia. É uma espécie de mensageira do apocalipse, que apesar de anunciar um outro tempo também reverencia a ancestralidade”, explica o artista.

O visual transita entre o masculino e o feminino sem demarcar lugares fixos, nem se tornar uma drag queen. No palco, Diego Alcantara é acompanhado pelo duo ciberpunk liderado por Jadsa Castro e Filipe Mimoso, que não apenas tocam ao vivo, mas assinam também a direção musical do espetáculo.

Sobre Diego Alcântara
Formado em interpretação teatral pela Universidade Federal da Bahia, onde participou de espetáculos como A RAMPA, de Kleia Cardoso, e outras mostras Universitárias. No grupo Via magia de teatro participou de importantes festivais nacionais e internacionais de teatro desde 2005. Participou do VI, VII, VIII, IX e X Mercado Cultural na função de ator. No Ponto de Cultura do Solar Boa Vista, integrou o elenco e participou do Espetáculo PAVIO CURTO dirigido por Fernanda Julia. É integrante do Grupo Base – Grupo de Pesquisa sobre o Método da Atriz desde 2012, onde atuou em espetáculos como “Oroboro” e “A Bunda de Simone”.

Ficha Técnica “Mamba Negra”
Ator, performer e diretor geral: Diego Alcântara
Performer e assistente de direção: Malayka SN
Direção musical e Banda: Jadsa Castro, Felipe Mimoso
Cenografia: Antonio Tarcis e Diego Alcantara
Técnico de Iluminação Antonio José
Tecnico de som: Gabriel Franco

Sobre o Amostrão Vila Verão

O Teatro Vila Velha, como já é tradição, abre o ano de 2017 com uma intensa programação artística na 14ª edição do Amostrão Vila Verão. Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, 15 espetáculos e shows ganham o palco do Vila, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo
público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente. Realizado de forma independente pelo Teatro Vila Velha em parceria com a Carambola Produções, o Amostrão movimenta a cena cultural baiana oferecendo alternativas de programação ao público soteropolitano e aos turistas, em um momento em que predominam festas e shows pré-carnavalescos.

Serviço:
Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br
Mamba Negra
27/01 e 03/02 // sextas-feiras // 20h
R$ 40 e 20
Teatro Vila Velha

"Looping: Bahia Overdub" realiza apresentação única no Teatro Vila Velha

Trabalho foi considerado pelo jornal O Globo um dos dez melhores espetáculos de dança apresentados no Rio, em 2016 

Apresentação de "Looping: Bahia Overdub" no Coaty
 

As festas de largo e suas contradições são a paisagem predominante de Looping: Bahia Overdub, uma plataforma de dança que emerge no encontro entre pensamento sonoro e pensamento coreográfico que acontece no dia 01 de fevereiro, às 20h, no palco principal do Teatro Vila Velha, compondo o Amostrão Vila Verão. Na véspera da festa de Yemanjá, Looping antecipa a celebração na sua festa sensorial e política.

Looping resulta do agrupamento de artistas cujas trajetórias atravessam a dança, o teatro e a música. "O projeto surge a partir de uma investigação sobre repetição e acumulação, procedimentos que relacionamos com uma discussão sobre a cultura local, com suas reiterações e transformações, afirmações e deslocamentos. Utilizamos estes procedimentos tanto na composição coreográfica, quanto sonora", define Rita Aquino, artista e educadora, que responde pela concepção e direção do espetáculo, ao lado de Felipe de Assis e Leonardo França.

"Looping: Bahia Overdub" foi considerado pelo jornal O Globo, ao lado de "Ouriço", solo assinado também pelo coreógrafo Leonardo França, um dos dez melhores da dança que se apresentaram no Rio de Janeiro, em 2016, segundo a jornalista e crítica de dança Adriana Pavlova.

O encontro entre som e coreografia está explicito na presença maciça da caixas de som em Looping. As caixas funcionam como uma síntese: são ao mesmo tempo elementos cênico, objeto de pesquisa coreográfica e aparelho de transmissão sonora.

Leonardo, artista da dança, coloca em destaque o aspecto musical e complementa: "a auto-referência e o isolamento cultural são questionados, ao passo em que se abrem possíveis vinculações destas com outras referências culturais – como os paredões de reggae do Maranhão e as aparelhagens de Belém do Pará”. Além deles, integram o projeto Isaura Tupiniquim, Jaqueline Elesbão, Jorge Oliveira, Bruno de Jesus e Talita Gomes.

A trilha sonora é desenvolvida ao vivo, determinando e sendo determinada pela pulsação do aqui e agora. Composta de fragmentos de referências da cultura afro-brasileira, a exemplo do Ijexá e os clarins do Afoxé Filhos de Gandhi, de células de músicas populares, como o tarol do samba-reggae ou a “violeira” do pagode, e sonoridades urbanas diversas. A trilha provoca a relação com o público, que não se posiciona de maneira “tradicional”, mas é convidado à participação.

“Looping propõe um espaço compartilhado entre artistas e espectadores, promovendo arranjos coletivos que articulam cumplicidade e risco. A força das referências culturais contribui para o envolvimento do espectador, pulsando o público em direção à cena” observa Felipe de Assis, diretor teatral que, neste projeto, assume ainda a aparelhagem musical, ao lado de Mahal Pita.

Serviço

Looping: Bahia Overdub
01/02 // quarta-feira // 20h
Teatro Vila Velha

Valores:
R$ 30 e 15 (preço promocional até 31/01)
R$40 e 20 (no dia da apresentação)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Comédia musical "Na Coxia" reestreia no Amostrão Vila Verão

Espetáculo do Coletivo Quatro apresenta-se às quintas-feiras, sempre às 20h, no Teatro Vila Velha

Um dos destaques da cena teatral baiana no ano de 2016, o espetáculo "Na Coxia - O Musical" reestreia nesta quinta-feira, 19 de janeiro, no Amostrão Vila Verão, e permanece em cartaz no Teatro Vila Velha sempre às quintas, 20h, até 16 de fevereiro. Visto por mais de 3 mil pessoas no último ano, o espetáculo do Coletivo Quatro inaugurou e movimentou o Galpão Wilson Melo, no Forte do Barbalho, espaço artístico alternativo.

Com texto de Fernanda Paquelet e direção colaborativa assinada pelos integrantes do Coletivo Quatro, a montagem reúne no elenco artistas reconhecidos como Alexandre Moreira, Cibele Marina, Diogo Lopes Filho, Fernanda Beltrão, Igor Epifânio, Jarbas Oliver, Luis Pepeu, Marília Castro e a própria Fernanda Paquelet. A direção musical é assinada por Ângelo Rafael, a direção coreográfica por Roberto Montenegro, a preparação corporal por Roberto Montenegro e a preparação vocal por Carlos Eduardo Santos.

O espetáculo narra de forma bem humorada o processo criativo e as relações interpessoais constituídas nos bastidores de uma peça teatral formada por um grupo de atores que, após um longo período sem contato, resolveu se reencontrar. O galpão onde reside o grupo é marcado por uma tragédia, onde o mentor do grupo foi assassinado aos olhos de toda trupe e de seu filho. Recheada de amores, desafetos e recomeços, a estória é contada através de releituras de grandes sucessos do cantor e compositor Fábio Júnior.

Sobre o Amostrão Vila Verão

Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, no Teatro Vila Velha, a 14ª edição do Amostrão Vila Verão apresenta ao público mais de 15 espetáculos e shows, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente. Os ingressos já estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br com preços promocionais para quem comprar antecipadamente.

Realizado de forma independente pelo Teatro Vila Velha em parceria com a Carambola Produções, o 14º Amostrão Vila Verão movimenta a cena cultural baiana oferecendo alternativas de programação ao público soteropolitano e aos turistas, em um momento em que predominam festas e shows pré-carnavalescos.

Serviço

Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

Na Coxia - Coletivo Quatro
19, 26/01, 2, 9, 16/02 // quintas-feiras // 20h
R$ 40 e 20 
Teatro Vila Velha

Ficha Técnica - Na Coxia

Texto: Fernanda Paquelet
Direção: Coletivo Quatro
Direção Musical: Ângelo Rafael
Direção Coreográfica: Roberto Montenegro
Com Alexandre Moreira, Cibele Marina, Diogo Lopes Filho, Fernanda Beltrão,Fernanda Paquelet, Igor Epifânio, Jarbas Oliver, Luis Pepeu e Marília Castro
Preparação Corporal: Roberto Montenegro
Preparação Vocal: Carlos Eduardo Santos
Bases Instrumentais: Jarbas Bittencourt
Cenário: Coletivo Quatro
Figurino: Maurício Martins e Coletivo Quatro
Iluminação e Operação de Luz: Rangell Souza
Operação de Som: Roberto Montenegro
Técnico de Som: Cássio Pinchemel
Fotografia: Roberto Montenegro

Encontro musical LARGO comemora um ano de existência com performance “Remontagem” no Amostrão Vila Verão

Comandado pelos artistas João Milet Meirelles, Lia Cunha, Pedro Filho e Uru Pereira, evento acontece nesta quarta-feira, 18 de janeiro, no Teatro Vila Velha
Nesta quarta-feira, 18 de janeiro, às 20h, o 14º Amostrão Vila Verão recebe o LARGO, encontro de música expandida que vem movimentando o Teatro Vila Velha há 12 meses. Nesta edição comemorativa de um ano de existência, que tem como título “Remontagem”, os artistas do LARGO propõem uma composição sonora-corporal-visual que joga com a idéia de remontar o tempo e o espaço.

Como o próprio nome dessa edição sugere, esse evento de arte expandida será um largo remontar – uma ocupação gráfica, sonora e corporal do espaço utilizando a própria maquinaria técnica de cabos, caixas, tripés e instrumentos como elementos de composição.

LARGO pode ser entendido e desentendido como um espaço na cidade e no próprio corpo para beber, pensar e mover ideias diferentes e pode ser desentendido e entendido como um ambiente experimental de composição expandida.

Te explicando pra te confundir e te confundindo pra te esclarecer – ao modo anárquico de Tom Zé - os artistas João Milet Meirelles, Lia Cunha, Pedro Filho e Uru Pereira irão montar e desmontar o espaço como um grande jogo cênico, sonoro e visual.

Sobre o Amostrão Vila Verão

Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, no Teatro Vila Velha, a 14ª edição do Amostrão Vila Verão apresenta ao público mais de 15 espetáculos e shows, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente, com ingressos à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br com preços promocionais para quem comprar antecipadamente. O festival é realizado de forma independente pelo Teatro Vila Velha em parceria com a Carambola Produções.

Serviço:
Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

LARGO Remontagem
18 de janeiro, quarta-feira, 20 horas 
Teatro Vila Velha 
Ingressos: 1º lote: R$ 20 e 10 (até dia 17/01) 2º lote: R$ 40 e 2

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Solo “Remedeia” explora limites da ficção e realidade a partir de mito grego

Espetáculo de Lara Duarte integra a programação do 14º Amostrão Vila Verão com apresentações nos dias 13 e 20 de janeiro, no Teatro Vila Velha



A atriz Lara Duarte leva ao palco do Teatro Vila Velha, nos dias 13 e 20 de janeiro, sextas-feiras, às 20h, o solo “Remedeia”, que integra a 14ª edição do Amostrão Vila Verão, festival que movimenta a cena cultural baiana durante os meses de janeiro e fevereiro com 50 apresentações de teatro, dança e música. A atriz revisita o mito de Medeia, da tragédia grega de Eurípedes, a partir de diálogo e interação com o público. 

O espetáculo integra a pesquisa artística "Tem Drama! Construções dramatúrgicas de uma realidade ficcionada", iniciada pela artista no grupo Teatro Base. “O trabalho propõe, em linhas gerais, o estudo teórico e prático do diálogo ficção-realidade. Adensa o estudo sobre a narrativa do mito, que até então serviu de pano de fundo e justificativa ficcional. Ou seja, dar sentido a uma história que perdeu o sentido”, explica Lara. Na encenação, é estabelecido um pacto com o público: por uma hora, todos são mães da atriz em cena, e a recepção desse público de mães é apaixonada-patológica tal qual as apresentações escolares. Acordo feito, a narrativa do mito é trabalhada por meio de dispositivos previamente estabelecidos e tudo acontece com base nessa troca. Em cena outros artistas criam luz, som, adereços e imagens a partir das proposições do público. 

A pesquisa iniciou-se através do Teatro Base, grupo de pesquisa sobre o método da atriz, e teve como primeiros resultados o experimento cênico “Medeia” – realizado na Casa de Iemanjá, em Salvador; a revista “A Letra M” -  Onde mulheres descreveram sua relação com o arquétipo MÃE, abordando temas como maternidade, aborto, ausência, ser filha, entre outros;  e o solo “Como Medéia Para Minha Mãe” – Realizado no Espaço Cultural da Barroquinha, em Salvador, em que a mãe da atriz-performer também estava em cena criando um paralelo entre o mito de Medéia e a trajetória biográfica mãe-filha de quem se separou ainda na infância. O solo “Como Medéia Para Minha Mãe” levantou questões acerca dos entendimentos sobre presença, performance, ancestralidade, recepção do público, acontecimentos e feminismos. Novas questões e interações surgem em “Remedeia”.


Fizemos algumas perguntas a Lara sobre este novo trabalho:

 
De que fala REMEDEIA?


- Reavaliar, recontar, remontar, rever o mito de medeia (tanto as ações que integram a peça de Eurípedes como o antes e o depois) e abrir um espaço de dialogo com o público a cerca da heroína trágica...


- Explorar as interações performer-público através da presença, da troca, do “em aberto” e repensar o espaço teatral enquanto um corpo capaz de propor novas realidades

- Colocar em foco a recepção e a performance do público e suas narrativas pessoais

O que há de novo ou de repetição em relação ao "Como medeia para minha mãe"?


É um processo de pesquisa continuada...  A partir da pesquisa “tem drama” outras formas de pensar dramaturgia me foram reveladas, formas que construíram também Oroboro e a Bunda de Simone, ganhando um caráter mais formal e objetivo em Como Medeia Para Minha Mãe... Uma dramaturgia que flerte com a realidade e a teatralidade ao mesmo tempo, sem definir muito bem onde começa um e termina o outro. Em “como medeia” tinha-se o recorte ficcional: o mito, e o recorte biográfico-real: minha história com minha mãe... Existe um lugar em que medeia e minha mãe se encontram num dialogo tão potente que eu só posso é dar passagem...

Na ficção me interessa a possibilidade de criar novas interações, novas realidades de propor dramaturgias que são ditas todo dia por aí e a gente nem vê.

- Por que mamãe te disse que remake é tendência?


Pergunta pra ela!



Ficha Técnica “REMEDEIA”


Criação e Performance: Lara Duarte e grande elenco
Colaboração artística: Olga Lamas e Daniel Guerra
Visualidades: Diego Alcântara
Sonorização: Mirela Gonzalez, Gleise Reis, Fábio Lima e Giovani Cidreira
Assistência sonora: Gustavo Carvalho
Dramaturgia: Lara Duarte
Voz em Off: Emanuel  Coutinho Lopes Junior
Iluminação: Pedro Dultra
Cartaz: Bruna Nolasco
Foto: Diego Tavares
 
Serviço

Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

REMEDEIA | Lara Duarte
13 e 20/01// sextas-feiras // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 12/01)
Teatro Vila Velha

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Baixista Luciano Calazans abre programação musical do 14º Amostrão Vila Verão


O show “Baixo, Café e Ciranda” chega ao palco do Vila com participação dos músicos Marcelo Brasil e Luizinho Assis
Vencedor do Grammy Latino e reconhecido como um dos mais expressivos baixistas da atual música brasileira, Luciano Calazans abre a programação musical do 14º Amostrão Vila Verão no dia 11 de janeiro, quarta-feira, às 20h, com o show “Baixo, Café e Ciranda”. Nesta segunda edição do projeto - a primeira contou com a participação de Saulo -, Luciano garante mais um show único e reluzente, comemorando seus 30 anos de carreira num concerto instrumental com os convidados Marcelo Brasil e Luizinho Assis, que formaram com ele o Serviço Despertador, no final do século passado. A programação musical do Amostrão ocupa as quartas-feiras de janeiro e fevereiro com nomes da música baiana, que trazem sempre convidados especiais. Os ingressos estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br e na bilhteria do Teatro Vila Velha.

O Baixo, instrumento principal de Luciano, o Café, que representa a informalidade e casualidade, e a Ciranda, que marca a rotatividade de lugares e convidados, comunicam a proposta do projeto. São encontros especiais com artistas que representam parte significativa da caminhada de Luciano Calazans, em apresentações originais que evidenciam o lado B da carreira dos convidados e ampliam para o público o conhecimento das possibilidades do contrabaixo elétrico, além de evidenciarem a pluralidade do trabalho artístico do anfitrião: diretor musical, arranjador, produtor, maestro, compositor, considerado o Jaco Pastorius brasileiro.

Luciano Calazans já dividiu o palco com artistas como Flávio Venturini, Marisa Monte, Ivete Sangalo, Lenine, Carlinhos Brown, Milton Nascimento, Fafá de Belém, Gilberto Gil, Salif Keita, Slanley Jordan e diversos outros. O seu nome consta na ficha técnica de mais de 500 álbuns gravados por artistas. Mas não pára por aí. No currículo, coleciona trabalhos variados, trilhas e composições. Também é dele o primeiro disco de um Baixista produzido no Estado da Bahia: o Contrabaixo Astral. A serviço do que ele veio fazer no mundo – arte - Luciano é um inquieto. Responde como professor, tanto por muitos músicos hoje já consagrados quanto no Projeto TAMAR, onde desde 2010 desenvolve um trabalho com crianças da região de Mata de São João; responde como produtor musical e diretor em diversas obras de artistas consagrados nacionalmente; e responde também como arranjador de grandes concertos sinfônicos e populares executados em Salvador e fora dela, inclusive pela OSBA e NEOJIBÁ. Em 2016, inovou e montou a sua própria Orquestra, a Soteropolifônica, nela também responde como maestro regente, além de gestor.

Sobre o Amostrão Vila Verão

Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, no Teatro Vila Velha, a 14ª edição do Amostrão Vila Verão apresenta ao público mais de 15 espetáculos e shows, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente. Os ingressos já estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br com preços promocionais para quem comprar antecipadamente. No Amostrão, há ainda espaço para quem quiser experimentar o fazer artístico através das Oficinas Vila Verão, que oferecem experiências em teatro, dança, música, audiovisual, circo, games, gastronomia, entre outras áreas, com inscrições no site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao. Realizado de forma independente pelo Teatro Vila Velha em parceria com a Carambola Produções, o 14º Amostrão Vila Verão movimenta a cena cultural baiana oferecendo alternativas de programação ao público soteropolitano e aos turistas, em um momento em que predominam festas e shows pré-carnavalescos.

Serviço:

Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

BAIXO, CAFÉ E CIRANDA | Luciano Calazans
11/01 // quarta-feira // 20h
R$40 e 20
R$30 e 15 (lote promocional até 10/01)
Teatro Vila Velha

“Anoitecidas” leva discussões sobre racismo, homofobia e intolerância religiosa ao 14º Amostrão Vila Verão


Espetáculo do grupo Teatro da Queda ocupa as terças-feiras de janeiro em festival realizado pelo Teatro Vila Velha

O espetáculo “Anoitecidas”, do grupo Teatro da Queda, apresenta-se nas terças-feiras de janeiro, dias 10, 17, 24 e 31/01, sempre às 20h, no Teatro Vila Velha. A montagem, dirigida por Thiago Romero, integra a programação do Amostrão Vila Verão 2017, festival que ocupa o Vila de terça a domingo, com mais de 50 apresentações de teatro, música e dança. Nas terças-feiras de fevereiro, dias 7 e 14/02, “Anoitecidas” cede espaço para outra montagem do Teatro da Queda, o solo “Kaiala”, com o ator Sulivã Bispo, indicado ao Prêmio Braskem de Teatro 2016 de melhor ator por este e outros trabalhos.

Em “Anoitecidas”, três personagens recriam a África, o Brasil, o homem, a mulher, o mito, o amor, o batuque do candomblé e desadormecem histórias. As personagens Koanza Aundê, Dandara Byonce e Mamma interpretadas pelos atores Anderson Danttas, Diogo Teixeira e Sulivã Bispo, encontram-se em um tempo imaterial e lançam mão de suas memórias. Segundo o diretor Thiago Romero, são vozes que ocupam o espaço, vozes muitas vezes caladas, silenciadas, que tornam o espetáculo lírico, passeando entre o drama e a comédia para discutir temas urgentes como racismo, intolerância religiosa, ancestralidade e homofobia.


O ano de 2016 foi de intensa produção artística para o grupo Teatro da Queda e rendeu indicações ao Prêmio Braskem de Teatro por diferentes trabalhos. Além da categoria melhor ator para Sulivã Bispo, pelo desempenho em “Kaiala” e “Rebola”, a companhia foi indicada em melhor espetáculo adulto, melhor direção (Thiago Romero) e melhor texto (Daniel Arcades) pelo espetáculo “Rebola”. O Teatro da Queda foi criado em 2004 na cidade do Rio de Janeiro, e em 2007 veio para Salvador. O grupo vem se aprofundando em pesquisas que possibilitem uma linguagem cênica reveladora no teatro, desafio proposto pelo diretor e ator Thiago Romero. As pesquisas visam também o diálogo entre as múltiplas linguagens artísticas como performance, dança contemporânea, cinema, artes plásticas e literatura, com o objetivo de suprir uma necessidade de estudar e experimentar novas possibilidades e fronteiras.

Sobre o Amostrão Vila Verão

O Teatro Vila Velha, como já é tradição, abre o ano de 2017 com uma intensa programação artística na 14ª edição do Amostrão Vila Verão. Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, mais de 15 espetáculos e shows ganham o palco do Vila, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente. Os ingressos já estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br com preços promocionais para quem comprar antecipadamente. No Amostrão, há ainda espaço para quem quiser experimentar o fazer artístico através das Oficinas Vila Verão, que oferecem experiências em teatro, dança, música, audiovisual, circo, games, gastronomia, entre outras áreas, com inscrições no site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao.

FICHA TÉCNICA “ ANOITECIDAS”:

Direção: Thiago Romero Textos: Daniel Arcades, Fernanda Julia, Lipe Costa, Marcelo Ricardo, Sulivã Bispo, Thaís de Oyá, Thiago Romero Elenco: Anderson Danttas, Diogo Teixeira e Sulivã Bispo Direção Musical: Gabriel Carneiro e Roquildes Junior Figurino: Thiago Romero Coreografia: Edeise Gomes Iluminação: Luiz Antônio Sena Jr Produção: Bergson Nunes, Diego Moreno, Luiz Antônio Sena Jr (DA GENTEProduções)

Serviço:

Amostrão Vila Verão 2017
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br
ANOITECIDAS | Teatro da Queda
10, 17, 24 e 31/01 // terças // 20h
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 9/01)
Teatro Vila Velha

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Romeu & Julieta por Elizabeth Ramos


Cena de "Romeu & Julieta". Foto: Diney Araujo

Assisti à nova encenação de Romeu e Julieta sob a direção de Márcio Meirelles, no Teatro Vila Velha. Mais uma vez, impressionou-me sua criatividade, pois Márcio vai além da superfície do texto, conhecido simplesmente como romântico, em torno amor impossível entre jovens. Aqui, o público é apresentado à desconstrução dessa simplicidade. A montagem confirma que Romeu e Julieta é também uma das peças mais obscenas de Shakespeare, em particular, com relação à linguagem da Ama, de Mercúcio e dos criados Gregório e Sansão, personagens irreverentes, donos de falar e gestos lascivos, que Márcio Meirelles traz ao palco com maestria.

No entanto, a linguagem lasciva não se limita a esses personagens. Mostra-se também de maneira indireta, metafórica, alusiva, repleta de eufemismos e jogos de palavras na fala de outros personagens, inclusive dos próprios protagonistas.

Ao apresentar esse aspecto ao público, Márcio Meirelles confirma que, associar a sexualidade à obscenidade vulgar significa adotar uma posição reducionista. A nova Romeu e Julieta nos apresenta o sexo de forma dramática, poética e não menos maliciosa.

Marcante é a decisão de Márcio de romper com a tradicional posição de um ator para cada personagem. Todos são Romeus, Julietas, Amas, Mercúcios... confirmando a pluralidade dos nossos papeis no mundo e rompendo com os maniqueísmos, traço tão próprio da produção de William Shakespeare. A plateia vê-se, pois, diante dos diversos jovens amantes que, contrariando todas as expectativas realizam seu amor, mas são destruídos pelas múltiplas forças hostis do destino e da sociedade.

Alguma coisa diferente do que encontramos nosso cotidiano hostil?
No mais, vale a pena assistir à peça e construir novas interpretações.

Parabéns, Márcio!

Beth Ramos*


*Elizabeth Ramos é Mestre e Doutora em Letras e Lingüística pela Universidade Federal da Bahia (1999 e 2003, respectivamente), onde é Professor Associado I, no Departamento de Letras Germânicas e no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura. Desenvolve pesquisa no campo dos Estudos Shakespearianos e da Tradução (literária e intersemiótica), dedicando-se, em particular, às relações entre literatura e cinema. Nesses campos, orienta alunos de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Em paralelo, dedica-se, esporadicamente, a pesquisas relacionadas a Graciliano Ramos. Em março de 2014, concluiu estágio de Pós-Doutorado na Univesidade de São Paulo (USP), onde desenvolveu pesquisa sobre a tradução da obscenidade na comédia shakespeariana.

SOBRE ROMEU & JULIETA - por José Roberto O'Shea

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Cena de "Romeu & Julieta". Foto: Diney Araujo

A julgar pela concepção, preparação e pela encenação, em si, espectador nenhum sairá de casa em vão para assistir à montagem de Romeu e Julieta, dirigida por Marcio Meirelles, à frente dos participantes da Universidade Livre do Teatro Vila Velha.

Na coletânea de textos compilados no programa do espetáculo, Marcio assina um ensaio intitulado “N é a Cotovia é o Rouxinol”, de onde se depreende sua sofisticada e clara concepção -- plena consciência mesmo – acerca da complexidade de se montar Shakespeare, em geral, e R&J, em particular. No plano geral, montar Shakespeare, para Marcio, é atravessar “densas camadas de academicismo erudição inócua despolitização puritanismo lançadas com o tempo sobre um teatro popular político vivo ativo erótico violento cruel (sic)”. No plano específico, Marcio aponta que R&J costuma ser apresentada apenas “como uma comovente história de amor malsucedido” e, já sinalizando sua visão não-reducionista, propõe a peça como “uma luta entre gerações um confronto de gêneros uma disputa entre razão e paixão (sic)”. Mais do que um texto lírico e romântico, R&J é concebido por Marcio como “uma peça sobre as consequências do ódio da disputa política da quebra da ordem e da busca por uma nova ordem (sic)”.

Plenamente consciente da complexidade do desafio imposto por esse R&J que pretende ir além da dimensão lírica e romântica, Marcio investe na preparação do elenco e do espetáculo. No ensaio já citado, ele registra a imperiosa necessidade de se ter um elenco, e se refere ao jovem elenco da Universidade Livre, composto por atores em plena formação, uma trupe com idade média de 22 anos, sendo a maioria de 18 a 20. A fim de que essa montagem de R&J fosse transformada em experiência pedagógica e social para um elenco jovem e relativamente inexperiente, a preparação foi intensa, envolvendo um total de 65 colaboradores. Foram criados quatro experimentos, iniciando pelo estudo e interpretação de sonetos shakespearianos, passando por leituras diversas, discussão de espaços e chegando ao que se denominou “caminhada geográfica”, quando o grupo saiu às ruas, ao Campo Grande, como Montéquios e Capuletos, improvisando lutas e até distribuindo “romeus e julietas” (queijo com goiabada), testando ideias, ouvindo transeuntes. Esse tipo de preparação não apenas inseriu os jovens atores no conturbado contexto social e político que naquele momento os cercava, como ensejou a sempre desejada construção coletiva e colaborativa, o “teatro coral” que configura, precipuamente, a proposta engajada da Universidade Livre.

O resultado da “caminhada geográfica”, da ida às ruas, reforçou a concepção não-reducionista do encenador, que topicalizava a noção de confronto, de um confronto de todos nós, noção esta que, por sua vez, desaguou na bastante original ideia “SomosTodosRomeuEJulieta”, que, por seu turno, propiciou a igualmente original identidade visual do espetáculo, bem capturada no cartaz em preto e branco, com o ousado beijo de todas e todos. A partir dessa democratização temática, concebe o encenador: “todos amamos e somos vítimas do ódio e das disputas políticas q n levam em conta o bem estar coletivo e a nossa capacidade de amar (sic)”.

E dada essa democratização temática, se somos todos Romeu e Julieta, somos todos, Ama, Páris, Príncipe Éscalo, Frei Lourenço, etc. Portanto, na encenação desse R&J, coadunando-se com a proposta temática, temos uma atrevida e desafiadora democratização dos papéis: diversos atores desempenham os mesmos personagens, a despeito de gênero. Se, de início, esse doubling – aliás, “Elisabetano” -- talvez crie alguma dificuldade de compreensão para alguns espectadores, marcantes signos de figurino (por exemplo, guirlandas, uma guitarra, um manto, uma coroa, colares) logo promovem a elucidativa mediação do “truque”. O palco – novamente, “Elisabetano” – surge, leve e agil, ora como Verona, ora como Mântua, muitas vezes adornado, coreografado, pela eloquente (e nem sempre verbal) dramaturgia do povo da cidade e dos perplexos criados das duas abastadas famílias. E a democratização temática se traduz, ainda, na presença igualitária e solidária dos atores em cena, atuando ou enquanto espectadores, produzindo música e paisagem sonora diegética e extradiegética.

Diante dos desafios impostos e confrontados pelo encenador, não apenas espectador nenhum sairá ileso. Tampouco ator algum sairá imune desse intenso “processo como produto”, seja enquanto praticante de Arte Dramática, seja enquanto cidadão Livre.

05/01/2017
José Roberto O’Shea*

*O´Shea é bacharel pela Universidade do Texas, mestre em Literatura pela Universidade Americana e PhD em Literatura Inglesa e Norte-Americana pela Universidade de Norte Carolina. Como research fellow , realizou estágios de pós-doutoramento no Instituto Shakespeare da Universidade de Birmingham e na Universidade de Exeter.

Espetáculo "Romeu & Julieta" retorna aos palcos do Teatro Vila Velha

Cena da peça "Romeu & Julieta". Foto: Diney Araújo

Depois de levar 1.192 pessoas ao Teatro Vila Velha durante o último mês de dezembro, o espetáculo Romeu & Julieta, de William Shakespeare, sob direção do encenador Marcio Meirelles, retorna à cartaz como parte do 14º Amostrão Vila Verão, projeto que movimenta a cena cultural baiana durante a estação. A montagem ocupa o Teatro Vila Velha aos domingos de janeiro e fevereiro, sempre às 19h, até 12 de fevereiro. Os ingressos estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br.


O espetáculo, fruto de um longo ano de trabalho da universidade LIVRE do teatro vila velha, programa de formação de artistas mantido pelo teatro, leva à cena 24 atrizes e atores. A recepção do público e crítica foi positiva. "A julgar pela concepção, preparação e pela encenação, em si, espectador nenhum sairá de casa em vão para assistir à montagem de Romeu e Julieta, dirigida por Marcio Meirelles, à frente dos participantes da Universidade Livre do Teatro Vila Velha", escreveu José Roberto O'Shea, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, tradutor e especialista em literatura inglesa.

"Mais uma vez, impressionou-me sua criatividade, pois Márcio vai além da superfície do texto, conhecido simplesmente como romântico, em torno do amor impossível entre jovens. Aqui, o público é apresentado à desconstrução dessa simplicidade. A montagem confirma que Romeu e Julieta é também uma das peças mais obscenas de Shakespeare, em particular, com relação à linguagem da Ama, de Mercúcio e dos criados Gregório e Sansão, personagens irreverentes, donos de falar e gestos lascivos, que Márcio Meirelles traz ao palco com maestria", escreveu a professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal da Bahia, Elizabeth Ramos, especialista na obra de Shakespeare.

Em cena, diferentes atores e atrizes revezam-se na interpretação dos papéis, aspecto da montagem destacado pela jornalista e crítica teatral Eduarda Uzêda. "Não é fácil trabalhar com 24 atores jovens (a média de idade é de 22 anos), com pouca experiência teatral em obra canônica (em verso), mas o diretor concebe encenação ousada, onde os intérpretes desempenham vários papéis, de homens e mulheres, independente do sexo do personagem, além de dançar e tocar", escreveu, em crítica publicada no jornal A Tarde.


Outros desafios estiveram presentes no processo de montagem, que incluiu um longo e intenso trabalho de pesquisa, envolvendo consultas de diferentes textos, traduções, filmes, artigos e documentos que auxiliassem nas escolhas textuais para trechos diversos da obra. "A maior dificuldade para se montar um Shakespeare é atravessar todas as densas camadas de polimento, academicismo, erudição, despolitização, puritanismo lançadas com o tempo sobre um teatro popular, político, vivo, ativo, erótico, violento, cruel e recuperar tudo isso", declara o encenador Marcio Meirelles, que dirige pela sexta vez uma peça de Shakespeare. O resultado pode ser visto no palco.

Sobre o Amostrão Vila Verão

O Teatro Vila Velha, como já é tradição, abre o ano de 2017 com uma intensa programação artística na 14ª edição do Amostrão Vila Verão. Entre 7 de janeiro e 18 de fevereiro, 15 espetáculos e shows ganham o palco do Vila, em um total de 50 apresentações de teatro, dança e música. Neste ano, o festival faz um panorama da produção artística baiana realizada em 2016, em sua diversidade de estilos, estéticas e gêneros, sem deixar de contemplar espetáculos consagrados pelo público. A cada dia da semana, sempre de terça a domingo, o público pode assistir a uma atração diferente. Os ingressos já estão à venda pelo site www.teatrovilavelha.com.br com preços promocionais para quem comprar antecipadamente. No Amostrão, há ainda espaço para quem quiser experimentar o fazer artístico através das Oficinas Vila Verão, que oferecem experiências em teatro, dança, música, audiovisual, circo, games, gastronomia, entre outras áreas, com inscrições no site www.sympla.com.br/oficinasvilaverao.

Realizado de forma independente pelo Teatro Vila Velha em parceria com a Carambola Produções, o 14º Amostrão Vila Verão movimenta a cena cultural baiana oferecendo alternativas de programação ao público soteropolitano e aos turistas, em um momento em que predominam festas e shows pré-carnavalescos.

Serviço

Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

Romeu & Julieta
8, 15, 22 e 29/01, 05 e 12/02 // domingos // 19h
R$ 40 e 20 (lote promocional por R$30 e 15 até 7/01)
Teatro Vila Velha

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Espetáculo “AVESSO” convida público infantojuvenil para o 14º Amostrão Vila Verão


Livremente inspirado na animação “Divertida Mente”, montagem recebeu três indicações ao Prêmio Braskem de Teatro 2016 e apresenta-se no Teatro Vila Velha a partir deste sábado

Um dos destaques da cena teatral baiana de 2016, o espetáculo infantojuvenil “AVESSO” retorna aos palcos de Salvador a partir deste sábado, 7 de janeiro, como parte do Amostrão Vila Verão 2017, festival realizado há 14 anos pelo Teatro Vila Velha. A montagem, que recebeu três indicações ao Prêmio Braskem de Teatro 2016 nas categorias melhor espetáculo infantojuvenil, melhor texto (Gildon Oliveira) e categoria especial, pelo cenário, figurino e adereços (Agamenon de Abreu), apresenta-se nos dias 7, 14 e 21 de janeiro, sempre às 16h, no palco principal do Teatro Vila Velha.


Dirigida por Guilherme Hunder, a montagem é livremente inspirada na animação “Divertida Mente”, vencedora do último Oscar e narra a história de uma cidade que foi dominada pelo medo, e cujos moradores estão paralisados devido à tamanha força desse sentimento. No enredo, a garota Cecília – personagem que, por ter suas amígdalas calcificadas, não sofre com o impacto do medo sob a cidade – assume a difícil tarefa de derrotá-lo e salvar a todos. No decorrer da história, a menina adentra a cabeça de seu pai e de sua irmã para conhecer seus verdadeiros medos e consegue libertar sua família e toda a cidade.

“Hoje nós vivemos mergulhados no medo, somos nós quem o provocamos e somos nós quem o propagamos, constituindo um enorme ciclo. Ao longo desse processo, o mais instigante e valioso foi buscar artifícios para tratar deste assunto tão relevante na atualidade para o público infantojuvenil, trazendo uma abordagem não somente do medo da criança, mas o que todos somos alvo e dependentes e ainda compreender a sua relevância para nossa existência”, comenta diretor do espetáculo, Guilherme Hunder, que recentemente dirigiu o infantojuvenil “Paco e o Tempo”, indicado ao Prêmio Braskem na categoria melhor espetáculo infantojuvenil - 2015. A produção “Avesso” conta ainda com orientação de Gil Vicente Tavares e direção musical de Ray Gouveia. Além disso, reúne 16 atores no elenco e uma banda que executa, ao vivo, as canções inéditas criadas para o espetáculo.

FICHA TÉCNICA
Texto - Gildon Oliveira
Direção - Guilherme Hunder
Diretores assistentes - Otávio Correia, Letícia Biachi e Isadora Werneck
Direção Musical - Ray Gouveia
Preparação corporal e coreografias - Daniela Botero Marulanda
Cenário, Figurinos e Maquiagem - Agamenon de Abreu
Iluminação - Marcus Lobo
Elenco - Bruna Lima, Catarine Barreto, Caíque Copque, Ceia Correia, Clara Troccoli, Fabiane Leal, Felipe Calicott, Felipe Vigne, Giovanna Boliveira, Hyago Matos, Izabella Vaz, Larissa Libório, Leonardo Teles, Natalyne Santos, Queila Queiroz, Sidnaldo Lopes.

Serviço:
Amostrão Vila Verão
7 de janeiro e 18 de fevereiro de 2017 no Teatro Vila Velha
Programação completa e venda de ingressos no site www.teatrovilavelha.com.br

AVESSO | Cooxia Coletivo Teatral
7, 14, 21/01 // sábados // 16h
Teatro Vila Velha
R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 para vendas até 6/01)
Classificação: Livre