quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Festival “A Cena Tá Preta” celebra arte negra com teatro, música, moda, dança e cinema em Salvador

Ó Paí, Ó! Foto: Joâo Meirelles
Realizada pelo Bando de Teatro Olodum, a sétima edição do evento acontece de 4 a 27 de novembro no Teatro Vila Velha

Entre 4 e 27 de novembro, o Bando de Teatro Olodum e o Teatro Vila Velha realizam a sétima edição do festival A Cena Tá Preta. O projeto, que já faz parte do calendário das artes em Salvador, celebra o Mês da Consciência Negra a partir de diferentes linguagens artísticas que apresentam um recorte dos caminhos percorridos pela cultura de legado africano no país. A proposta do festival é fortalecer, divulgar e festejar a arte negra, destacando a sua representatividade na constituição da identidade cultural do povo brasileiro. 

O Festival A Cena Tá Preta surgiu no Teatro Vila Velha em 2003 a partir de uma pro
posta do diretor teatral Marcio Meirelles de reunir espetáculos criados por ele junto ao Bando de Teatro Olodum, de Salvador, e a Cia dos Comuns, do Rio de Janeiro, grupo criado pelo ator e diretor Hilton Cobra. Em sua primeira edição, o festival apresentou as peças “Relato de uma Guerra que não Acabou”, “Oxente, Cordel de novo?” e “Candaces - A Reconstrução do Fogo”, além do lançamento do livro “O Teatro do Bando - Negro, Baiano e Popular”, escrito pelo jornalista Marcos Uzel. De lá pra cá o festival cresceu, experimentou novos formatos e passou a reunir uma diversidade de gêneros e grupos artísticos que têm em comum a valorização da cultura negra, expandindo sua atuação nos campos da dança, música, moda e audiovisual.

“Neste ano, uma das novidades é o ‘Cine na Cena’. Estamos buscando estreitar a relação com o cinema e, no dia 22, apresentaremos três curtas de uma nova geração de mulheres negras baianas que trazem temáticas muito interessantes para o festival”, aponta Valdineia Soriano, atriz do Bando de Teatro Olodum, que destaca a exibição dos filmes “Cinzas”, da diretora Larissa Fulana de Tal, “ÒRUN ÀIYÉ”, de Jamile Coelho e Cintia Maria, e “O Tempo dos Orixás”, da cineasta Eliciana Nascimento. Ainda em audiovisual, o festival apresenta pela primeira vez o documentário “BANDO: UM FILME DE” (24/11) dirigido por Lázaro Ramos e Thiago Gomes, longa que reúne mais de 40 depoimentos e imagens de arquivo que traçam um panorama da história do Bando de Teatro Olodum desde a sua criação nos anos 90.

Entre os espetáculos de teatro estão  “Ó, Paí, Ó!” (4, 5 e 6/11), montagem do Bando de Teatro Olodum dirigida por Marcio Meirelles que abre a programação do festival; “Sobejo” (8/11), peça inédita da Outra Companhia de Teatro, interpretada pela atriz Eddy Veríssimo sob direção de Luiz Buranga; “Rebola”(10 e 11/11), do Teatro da Queda, escrita por Daniel Arcades e dirigida por Thiago Romero; e “O Contentor (O Contêiner)” (12 e 13/11), peça do angolano José Mena Abrantes dirigida por Ridson Reis. O festival apresenta ainda a sessão especial “O Corpo na Cena” (20/11), que reúne as coreografias“Negra Fé” e “Vozes D’África”, da companhia Lekan Dance, e o espetáculo de dança “Da própria pele não há quem fuja” (25 e 26/11), da companhia ExperimentandoNUS.

A música também tem espaço na sétima edição do festival. No dia 18/11, acontece o show “FAIYA”, dirigido por Jorge Washington, que reúne no palco os músicos Dão e Maurício, além da atriz Valdineia Soriano, a ativista e socióloga Vilma Reis, a professora e poeta Livia Natália e a cantora norteamericana Michaela Harrison, além de desfile de moda assinado pela estilista Madá Negrif. A sambista Juliana Ribeiro apresenta o show “Preta Brasileira” (19/11) e a cantora Nara Couto apresenta o show “Outras Áfricas” (27/11).

Sem patrocínios ou qualquer fonte de financiamento, a sétima edição do festival A Cena Tá Preta aposta nas parcerias e convoca o público para atuar também como financiador do projeto, através dos ingressos. “Para realizar o festival buscamos parcerias. O Teatro Vila Velha é o principal dos parceiros e, para compor a programação, convidamos artistas que também estão engajados na valorização da arte negra a partir de seus trabalhos. Esses artistas se tornaram grandes colaboradores”, explica Valdineia Soriano. Os ingressos para o festival podem ser comprados antecipadamente pelo site www.ingressorapido.com.br ou na bilheteria do Teatro Vila Velha, que funciona para vendas antecipadas de terça a sexta-feira, das 15h às 18h, e a partir de 2h antes de cada apresentação. 

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:
Ó Paí, Ó!Um dos grandes sucessos do Bando de Teatro Olodum, o espetáculo Ó Paí, Ó!, criado em 1992, permanece atual pela síntese que faz do modo de ser e sobreviver dos moradores e frequentadores do Pelourinho. No palco, os personagens vivem um dia especial, a tradicional Terça da Benção, quando a movimentação na área é ampliada e também as alegrias e sofrimentos dos moradores de uma região estigmatizada e abandonada pelas autoridades. A realidade do Pelourinho Antigo é apresentada através desses moradores, que dividem o ambiente de um pequeno cortiço, tendo que enfrentar a intolerância de Dona Joana, a religiosa proprietária. São músicos, artistas plásticos, prostitutas, travestis, baianas de acarajé, proprietários de pequenos bares, associações comunitárias, blocos afros, enfim, personagens reais que, pouco a pouco, foram expulsos do local para dar espaço a um fictício shopping a céu aberto.

SERVIÇO:
Quando: 4, 5, 6/11, sexta-feira e sábado às 20h, domingo às 19h
Onde: Teatro Vila Velha - Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação indicativa: 14 anos 

Sobejo 

Violência física, psicológica, violência doméstica, violência que machuca o corpo e fere a alma: este é o cerne do espetáculo Sobejo. A peça, primeiro solo da atriz e produtora Eddy Veríssimo, da Outra Companhia de Teatro, é escrita e dirigida pelo ator, dramaturgo, diretor e figurinista, Luiz Buranga. A peça retrata a biografia fictícia da personagem Georgina Serrat, uma dona de casa que depositou a fé sobre sua felicidade no casamento, e como muitas mulheres do nosso tempo tem seus sonhos frustrados pelas agressões de um marido violento. Num misto de flashbacks e depoimentos, vemos uma mulher enclausurada em suas memórias, detalhando um cotidiano cruel e desenrolando uma teia que desemboca num final surpreendente. Dentro de um contexto de agressões, o espetáculo expande as fronteiras das violências, abordando, além da violência doméstica, a violência estética, religiosa, racial, questiona o machismo incutido na sociedade brasileira, a dominação do homem sobre a mulher, e reflete sobre as fragilidades afetivas que fazem das mulheres permaneçam em casamentos infelizes, sendo violentadas até sexualmente por seus parceiros.
 

SERVIÇO:
Quando: 8/11, terça-feira, 20h
Onde: Teatro Vila Velha - Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação indicativa: 15 anos

Rebola
A peça teatral discute a necessidade de espaços onde a comunidade LGBTQI se encontre para se divertir, se articular e, principalmente, existir. Problematizando a questão da invenção do gueto, Rebola é uma homenagem à criação e resistência de espaços de articulação para a comunidade LGBTQI ganhar o mundo afora. Em cena, os atores do Teatro da Queda atuam ao lado do ator Hamilton Lima, especialmente convidado para o projeto. O espetáculo é dirigido por Thiago Romero, com texto de Daniel Arcades e direção musical de Jarbas Bittencourt. Lobo, dono do teatro-bar Xampoo, decide fechar seus estabelecimento diante da atual situação dos espaços gueis da cidade. Uma trupe de jovens atores transformistas decide ‘rebolar’ para salvar o espaço e constrói uma noite trash-cômica- dançante entre números, churrias, entrevistas e intrigas para provar a Lobo, cansado e desacreditado, que Xampoo não poderá ficar fechada.


SERVIÇO:
Quando: 10 e 11/11, 
quinta e sexta-feira, 20h
Onde: 
Teatro Vila Velha - Sala Principal
Valor: 
R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 16 anos

O Contentor (O Contêiner)
Três africanos de nacionalidades diferentes embarcam como clandestinos num navio cargueiro rumo à Europa. Chegando lá são descobertos e aprisionados num contêiner, enfrentando temperaturas de 60° C, durante o dia, e quase 0º C, à noite. A peça tem dramaturgia do premiado autor angolano José Mena Abrantes e marca a estreia como diretor de Ridson Reis, reconhecido pelo trabalho que realiza há dez anos como ator e músico no Bando de Teatro Olodum. O espetáculo traz à tona questões como imigração, direitos humanos e a busca de um sonho. No palco, ao lado do próprio Ridson, estão os intérpretes Eddy Firenzza e Cell Dantas.

SERVIÇO:
Quando: 
12 e 13/11, sábado às 20h, domingo às 19h
Onde: 
Teatro Vila Velha - Sala Principal
Valor: 
R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 12 anos
 

Show “FAIYA” 
FAIYA é um espetáculo dirigido pelo ator Jorge Washington, uma viagem musical que nasce do encontro do cantor e compositor Dão com o multi-instrumentista Maurício Lourenço. São também convidadas quatro negras mulheres de fibra: a atriz Valdineia Soriano, a ativista negra e socióloga Vilma Reis, a professora e poeta Livia Natália e a cantora norteamericana Michaela Harrison, de Nova Orleans, que mistura os ritmos negros do jazz, soul e blues a sua poderosa voz. Os antigos Yourubanos quando queriam trazer encanto e sedução aos presentes em suas rodas de danças, nas suas mais variadas formas de fazer cantigas, emitiam um grito que exprimia total felicidade. Esse grito era o Faiya, que em Yourubá significa seduzir, encantar. A proposta desse espetáculo é justamente seduzir através do encanto ancestral e a mãe África, como será sempre fonte de sabedoria, inesgotável pote de água límpida, útero materno e liderança matriarcal. Os músicos prometem revisitar grandes clássicos de compositores negros e outros bambas do passado. Serão nomes que podemos chamar de responsáveis diretos por grandes sucessos do nosso cancioneiro popular. Além de mostrarem suas releituras, os artistas tocarão composições autorais repletas de influências vindas nos porões com um cheiro de tristeza e ao mesmo tempo com sabor de luta, com sabor de resistência A noite conta também com o desfile “Sexta do Branco”, apresentando indumentárias produzidas por Madá Negrif, todas na cor branca, simbolizando a PAZ e quebrando paradigmas por meio de uma moda singular que expressa os referentes culturais afro brasileiros. A afirmação da altivez, da força e da Beleza Negra será representada pelo mosaico de corpos que mostrarão a essência de ser mulher acima dos 35 anos com suas diferentes alturas, estilos, volumes e formas.
 
SERVIÇO:
 
Quando: 18/11, sexta-feira, 19h30
Onde: 
Teatro Vila Velha - Sala Principal
Valor: 
R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: LIVRE
 

Juliana Ribeiro - Show “Preta Brasileira”
No repertório, a cantora e compositora Juliana Ribeiro traz canções lançadas recentemente, como a homônima “Preta Brasileira”, de sua autoria, “Canto de Olorum”, de Gerônimo, “Cantador do Sertão”, de Seu Reginaldo Souza, e “Rainha Ginga”, uma homenagem da artista à eterna Clementina de Jesus, em parceria com Lia Chaves. A canção “Preta Brasileira” fala de miscigenação racial e das inúmeras denominações para os tons de pele do brasileiro. A letra é sobre a mulher negra contemporânea, inspirada na própria vivência da artista. Neta de Herondino Ribeiro, um dos 11 estivadores que fundaram o Afoxé Filhos de Gandhy, a cantora irá reverenciar os 67 anos de existência do grupo, revivendo laços familiares e contando as história que ouviu do seu avô. O show tem direção artística e concepção de Juliana Ribeiro e direção musical de Marcos Bezerra.

SERVIÇO:
Quando: 19/11, sábado, 20h
Onde: 
Teatro Vila Velha - Sala Principal
Valor: 
R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 14 anos

O Corpo na Cena Como parte do VII Festival A Cena tá Preta realizado pelo Bando de Teatro Olodum, “O Corpo na Cena” reúne as coreografias “Negra Fé” e “Vozes D’África”, da companhia Lekan Dance. Negra Fé” é baseada nos itans do Phateon Africano onde bailarinos movem-se com força e graça, revelando a autenticidade em movimentos que não negam as suas raízes negras, mas que exploram a liberdade em formas variadas, abertas e contemporâneas sempre cheias de sentido. A dança traz a alegria de Deuses negros, a sua fartura, paz, temperança, riqueza, liberdade e o seus sofrimentos pelos mortos, às vezes agressivos, amantes, mas sempre gratos podendo sentir o pulsar de uma África, a sua força flamejante e seus temidos segredos. Já a coreografia “Vozes D’África” traz toda luta do povo negro por sua liberdade desde o início na época da escravidão. Liberdade de expressão, liberdade para poder “falar”, poder ser o que ele quer na sociedade, no mundo, fazendo uma fusão do passado com o presente do povo negro.

SERVIÇO:
Quando: 20/11, domingo, 19h
Onde: 
Teatro Vila Velha - Sala Principal
Valor: 
R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 14 anos

Cine na CenaNo dia 22 de novembro serão apresentados três curtas: Cinzas, da diretora Larissa Fulana de Tal; ÒRUN ÀIYÉ, das diretoras Jamile Coelho e Cintia Maria; e O Tempo dos Orixás, da cineasta Eliciana Nascimento. Após a exibição dos filmes, haverá um bate-papo com elenco e equipe, sobre a criação dos curtas e a nova geração de cineastas baianas. 

CINZAS 
Direção: Larissa Fulana de Tal
Toni é um jovem negro universitário que trabalha como operador telemarketing na empresa Tumbeiro, para sustentar-se na conhecida cidade da alegria, Salvador. Ônibus lotado, atraso no salário, exigência de pontualidade no trabalho, descrença nos estudos, falta de grana, polícia, solidão... As angústias diárias de Toni, que se assemelham às de tantos outros personagens da vida real, são expostas em um filme ficcional, adaptado do conto homônimo do escritor Davi Nunes. 

ÒRUN ÀIYÉ
Direção: Jamile Coelho e Cintia Maria
Com mais de 25 mil clicks, o mito da criação do universo será contado pela técnica do stop motion no curta ÒRUN ÀIYÉ, uma realização da Estandarte Produções, produtora baiana que reuniu um time de renomados profissionais para dar vida à animação inédita, que está sendo produzida em Salvador e Camaçari. O curta traz a trajetória de Oxalá para cumprir sua missão junto a outras divindades, em uma envolvente narração de 12 minutos, carregada de simbolismos da cultura afro-brasileira. A animação é inclusiva e, por meio de recursos como audiodescrição, subtitulação e janela de Libras, estará disponível para o público surdo e cego, além de estar disponível em mais seis línguas – português, inglês, francês, espanhol, yorubá e Língua Brasileira de Sinais.

O TEMPO DOS ORIXÁS
Direção: Eliciana Nascimento
A cineasta baiana, residente dos Estados Unidos, vêm a terra natal para lançar o seu premiado filme The Summer of Gods, com título em Português de O Tempo dos Orixás. O filme teve lançamento internacional no Festival de Cannes em 2014 e desde então vem sendo exibido em várias partes do mundo e já recebeu cinco premiações em festivais de cinema nos Estados Unidos e Cabo Verde, dentre estas, três de melhor filme. O Tempo dos Orixás, que foi resultado de sua tese de mestrado em cinema realizado pela San Francisco State University na Califórnia, é um curta de gênero fantasia que trata da aventura de uma menina de seis anos que ao visitar a sua avó no interior da Bahia descobre que tem uma missão com os Orixás. A menina é levada pelos Orixás em uma aventura mística que simboliza a sua iniciação à tradição de seus ancestrais. O Filme tem atraído seguidores de várias partes do mundo. Antes de ser produzido, várias pessoas contribuíram através de uma campanha online que a cineasta fez para arrecadar fundos para rodar o filme. O talento da diretora chamou a atenção do ator e ativista Hollywoodiano, Danny Glover que deu depoimento no vídeo de sua sua campanha.

SERVIÇO:
Quando: 22/10, terça-feira às 19h
Onde: 
Teatro Vila Velha - Cabaré dos Novos
Valor: 
R$ 20 e 10
Classificação Indicativa: 12 anos


Da própria pele não há quem fuja  
O espetáculo “Da própria pele não há quem fuja” parte da pesquisa sobre a diversidade no contexto cultural afro-brasileiro. As coreografias exploram ideias de elementos como a simbologia de orixás e aspectos das manifestações populares, como Zambiapunga e Mandus, através de um olhar contemporâneo. A dramaturgia transita entre memórias pessoais, e nas ressignificações destas manifestações na composição coreográfica. O corpo festivo e sagrado se apresenta como encruzilhada, lugar de encontros e desencontros, lugar de chegada e partida de identidades em fluxo e compartilhamentos de heranças/legados ancestrais afro-brasileiros. A casa, a roupa, a fala, o santo, o retrato, o gesto, o trabalho, o canto, a dança, a festa, a pele, o apito, a enxada, a hipoderme, o grito, Tupã, o pano, a batucada, Xangô, a pesca, o índio, a voz, os avós. A ancestralidade na tez.” 

SERVIÇO:
Quando: 
25 e 26/11, sexta-feira e sábado, 20h
Onde: 
Teatro Vila Velha - Sala Principal
Valor: 
R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 14 anos

 Nara Couto
A cantora baiana Nara Couto apresenta show sob a direção artística de Elísio Lopes Jr. Com o show, a artista busca estabelecer uma ponte musical entre o continente africano e a Bahia, com releituras contemporâneas de canções clássicas e novas propostas sonoras. Sofisticada e com elementos do jazz e música africana, a artista começou a pesquisar, ainda adolescente, sobre a origem da cultura afro-brasileira e a relação da musicalidade baiana com o continente africano. Dançarina especializada em dança afro contemporânea, Nara atuou no Balé Folclórico da Bahia e acompanhou grandes artistas da Axé Music, em turnê pelo mundo, como Daniela Mercury, Ivete Sangalo e Margareth Menezes. Após nove anos como bailarina, começou a atuar como backing vocal, acompanhando diversos artistas, até ingressar na Orquestra Afrosinfônica em 2009, como vocalista mezzo soprano. Todo o trabalho realizado com o Balé Folclórico da Bahia e, posteriormente, com a Orquestra Afrosinfônica, deu a Nara uma carga afetiva e uma experiência empírica que faz do trabalho musical desta artista uma das grandes ‘jóias’ da nova música produzida na Bahia.


SERVIÇO:
Quando: 
27/11, domingo, 19h
Onde: 
Teatro Vila Velha - Sala Principal
Valor: 
R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 12 anos

Núcleo Viladança exibe resultado de residência artística do colombiano Vladimir Rodríguez com bailarinos baianos

foto: Andréa Magnoni

foto: Andréa Magnoni


"Jauría" reúne 13 intérpretes e tem apresentação única neste sábado, 29 de outubro, 19h, no Teatro do Movimento (Escola de Dança da UFBA)

No dia 29 de outubro de 2016, 19h, o Teatro do Movimento – Escola de Dança da UFBA sedia a apresentação de “Jauría”, resultado da terceira residência artística realizada pelo Núcleo Viladança. O projeto selecionou 13 artistas baianos para participar de um processo de residência artística sob a orientação do coreógrafo colombiano Vladimir Rodríguez e da coreógrafa italiana Elena Ciavarella, ambos radicados na França.

Como parte da busca que vem desenvolvendo há alguns anos, Vladimir Rodríguez pergunta-se novamente sobre o lugar do artista no Teatro, sobre o alcance da comunicação no palco e sobre a encarnação do espaço pelo corpo intencionado. O título escolhido para o resultado artístico, "Jauría", significa matilha.

“Jauría é uma tribo que tenta se comunicar. Seus integrantes às vezes falam sozinhos, às vezes em grupo. Às vezes gritam e às vezes observam silenciosos. Às vezes não sabem o que fazer, mas na maioria das vezes querem saber o quê e como fazer. Estão famintos por decifrar sua própria comunidade. Eles não representam os outros. Eles apresentam-se a si mesmos buscando construir a fragilidade de sua comunidade sob o olhar de outra tribo: Vocês.”, convida o coreógrafo, em breve texto de apresentação do resultado artístico.

Esta é a terceira edição do projeto Viladança em Residência, que em 2015 trouxe a Salvador a Cia Los INnato, da Costa Rica, e o coreógrafo Asier Zabaleta, da Espanha, para trabalhar com intérpretes baianos. “O objetivo do projeto Viladança em Residência é estimular o intercâmbio entre artistas internacionais e locais, ser um elo entre culturas, novas ideias e novos fazeres”, comenta a coreógrafa Cristina Castro, diretora do Núcleo Viladança."Além da criação artística, o resultado está também na ampliação dos horizontes dos participantes, que investem em uma formação diferenciada, em descobertas de novas parcerias. A cada residência aprendemos uma nova língua, um novo vocabulário corporal, que vem de culturas diferentes”, complementa.

"A dança tem como princípio o deslocamento. A dança que é local é a dança tradicional, que tem a força da permanência, da insistência no local. Mas a dança contemporânea tem que viajar para ganhar sentido. Tem que viajar com todos os seus problemas, suas questões e inclusive suas cargas identitárias", comenta Vladimir, que acumula experiências em países como Itália, França, México e República Tcheca. "Uma residência é um lugar onde desenvolvemos toda a nossa antropologia e toda a nossa sociologia. É um lugar privilegiado de investigação. É um lugar onde uma comunidade de seres humanos se reúne para ter toda uma experiência, um laboratório. Não tem apenas consequências artísticas, mas consequências profundamente sociológicas. A residência artística é um laboratório de humanidade", complementa.

A terceira edição do projeto Viladança em Residência tem o patrocínio do Iberescena, Funarte, Ministério da Cultura e Governo Federal, é realizado pelo Núcleo Viladança e pela Manga Rosa Produções, e conta com o apoio institucional do Teatro Vila Velha.

Sobre Vladimir Rodriguez:

Vladimir Rodriguez é bailarino e coreógrafo. Em 2003, fundou a companhia de dança contemporânea Cortocinesis com a qual desenvolve investigações e apostas coreográficas através da construção do sistema de treinamento “Piso Móvil”. Tem colaborado como bailrino em diferentes companhias e associações como Coleletivo Único (França), Faizal Zeghoudi (França), Esther Aumatell (França), Adarte (Itália), Déjà Donné (Itália), entre outras. Como coreógrafo foi convidado por Delfos Danza Contemporánea, Tumak’at, Danza Joven de Sinaloa, La Bruja, Andanza, todas companhias mexicanas. Como docente e coreógrafo colaborou com instituições como a Academia Superior de Artes de Bogotá (Colômbia), a Escuela Profesionalde Danza de Mazatlán (México) e o DuncanCentre en Praga (República Checa), entre outras. En 2010 ganhou o Premio Nacionalde Danza en Colombia com o espetáculo “Papayanoquieroserpapaya”. Entre 2011 e 2013 desenvolveu o projeto “ESCrito Absurdo” junto ao bailarino mexicano Omar Carrum. Em 2013 obteve diploma Master Pro “Mise en Scène et Dramaturgie” de la Universidad de Nanterre Paris X (Francia).

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Exposição reúne no Vila fotografias pela conscientização sobre o cancêr de mama




foto: Lany Cruz


A Mostra Vila Rosa é resultado da Oficina “Um Olhar Fotográfico” ministrada em setembro no Vila por Andréa Magnoni

Estão expostas até 31 de outubro no Teatro Vila Velha fotografias que fazem parte da Mostra Vila Rosa, que apresenta o trabalho dos participantes da Oficina “ Um Olhar Fotográfico” ministrada pela fotógrafa Andréa Magnoni. A mostra coletiva tem o tema “Outubro Rosa”, em sincronia com a campanha nacional de conscientização e prevenção do câncer de mama. A visitação acontece de segunda a sexta, das 13h às 18h, e para o público dos espetáculos, a partir de 1h antes de cada apresentação.

Segundo a foto-ativista Andréa Magnoni, o desafio dos alunos foi construir esse ensaio pensando a fotografia como um instrumento de conscientização. “Eu me denomino foto-ativista porque a minha proposta é de uma fotografia ativa, ativista, que passe uma mensagem, que vá além de um retrato, uma ilustração, um enfeite” completou Magnoni. A mostra reúne oito fotografias de Adriano Oliveira, Cláudio Varela, Lany Cruz e Lis Pedreira.

A oficina foi uma das ações realizadas de forma espontânea em apoio à manutenção do Teatro Vila Velha. Ao ter contato com a campanha “Cole com o Vila, velho”, Andréa Magnoni procurou o teatro e se disponibilizou para colaborar através do seu trabalho. “Eu acredito muito no Vila e na sua importância na vida de tantos artistas. Me senti no dever de fazer algo para ajudar de forma mais significativa”, comentou a artista, em entrevista ao jornal Correio.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

"Teatro da Bahia" é tema de debate com Sonia Robatto, Marcio Meirelles e Antônio Godi no projeto "Conversando com a sua História"

A atriz Sonia Robatto, fundadora do Vila, é uma das convidadas do debate. Foto: Rafael Grilo

Dando continuidade a uma série de palestras sobre as memórias contemporâneas da cultura e da política na Bahia, o projeto Conversando com a sua História (CSH), realizado pelo Centro de Memória da Bahia – vinculado à Fundação Pedro Calmon/ SecultBA, volta a acontecer às segundas-feiras, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, conhecida como Biblioteca dos Barris. Os debates serão protagonizados por personagens e pesquisadores que abordam a influência de instituições educacionais e culturais na formação do campo cultural e artístico baiano da segunda metade do século XX. Na segunda-feira (24), às 17h, o CSH tem como tema o Teatro na Bahia.

A mesa tratará da trajetória da arte nas últimas quatro décadas, relatada pelos olhares de atores e diretores que foram atuantes na época. Reflexões sobre as mudanças no campo teatral nesse período serão abordadas pela atriz, escritora, bibliotecária, jornalista e empresária, Sonia Robatto, uma das fundadoras do Teatro Vila Velha. Ela que foi aluna da primeira turma da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde atuou em espetáculos como “As três irmãs”, “A Almanjarra” e “A Via Sacra”. Em 2001, sua obra mais importante, “Pé de Guerra”, foi adaptada para o teatro por Márcio Meirelles e recebeu o prêmio Copene de melhor montagem de 2001. O diretor teatral, cenógrafo e figurinista, Márcio Meirelles, também participará deste debate. Márcio foi diretor do Teatro Castro Alves e, em 1990, ao lado de Chica Carelli, criou o Bando de Teatro Olodum. Entre 2007 e 2010 foi secretário de Cultura do Estado da Bahia e hoje é diretor artístico do Teatro Vila Velha, onde criou, em 2013, a Universidade Livre, para formação de artistas alinhados com a estética, os processos e a política praticados no Teatro. O terceiro convidado para a mesa de debates é o ensaísta e pesquisador da cultura negra, artista plástico, ator, diretor e produtor de espetáculos de Teatro, Dança, Música e Cinema, Antônio Godi. Estudou na Escola de Belas Artes da UFBA e formou-se ator e diretor teatral na mesma instituição. Godi é mestre em Ciências Sociais e em Comunicação e Culturas Contemporâneas, além professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Em 1976 criou o Grupo de Teatro Palmares Iñaron – Teatro, Raça e Posição, que se inspirava nas questões étnicas, sociais e culturais e ajudou a estabelecer reflexões poderosas sobre a construção de uma identidade étnica e social num contexto, pós-ditadura, marcado por perseguições e censuras.

O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon (FPC), da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.

Conversando com Sua História - "O Teatro na Bahia"
Com Sonia Robatto, Marcio Meirelles e Antônio Godi
Data: 24 de outubro, segunda-feira, 17h
Local: Biblioteca Pública do Estado da Bahia

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Peça angolana “O Contentor” discute imigração e marca a estreia de Ridson Reis como diretor


Três homens africanos, de diferentes países, decidem imigrar ilegalmente para a Europa. Durante a viagem, feita no porão de um navio, compartilham suas histórias de vida e elaboram planos para um futuro próximo, mas, na chegada, são descobertos e aprisionados dentro de um contêiner (ou "contetor", no português de Angola). Este é o mote da peça "O Contetor", escrita em 1995 pelo dramaturgo angolano José Mena Abrantes a partir de um fato real que aconteceu no Porto de Lisboa. Em Salvador, o texto ganha nova montagem com apresentações nos dias 21, 22 e 23 de outubro, sexta e sábado, 20h, e domingo, 19h, no Teatro Vila Velha.

A montagem marca a estreia como diretor de Ridson Reis, artista reconhecido pelo trabalho no Bando de Teatro Olodum há dez anos, onde atuou em diversos espetáculos, como Bença,  e Cabaré da RRRRRaça, e no Teatro Vila Velha, onde assinou a direção musical de peças como O Quarto do nunca e a remontagem de Ó Paí, Ó! com a Oficina de Performance Negra. No espetáculo "O Contetor", Ridson também atua ao lado dos intérpretes Eddy Firenzza (Erê, Áfricas, Diálogos do Imaginário) e Cell Dantas (Material Fatzer, Primeiro de Abril, Sonho de uma Noite de Verão).

A ideia da montagem surgiu em 2013, quando Ridson realizava intercâmbio artístico em Portugal e foi apresentado a este e a outros dois textos de Mena Abrantes, que compõem a trilogia O Pássaro e a Morte. "Me apaixonei imediatamente pelo jeito de escrever, pela história, e naquele momento decidi que iria montá-lo algum dia. Queria falar da realidade de um povo que também faz parte de mim", conta. Na ocasião, em Coimbra, o artista integrava o elenco da peça As Orações de Mansata, que reunia atores e atrizes de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Portugal, sob direção de António Augusto Barros. Depois da estreia em Portugal, a montagem viajou pelo continente africano.

"Estar em África e ver a realidade daquele povo também me motivou muito a montar esse texto. Entender, mesmo que de forma rasteira, porque eles saem dos seus países em busca de uma outra realidade", conta Ridson, que chama a atenção para a atualidade do texto e para as semelhanças que carrega em relação ao que se vive no Brasil. "O texto tem muito a ver com o Brasil, numa outra escala. A violência que o negro enfrenta na sociedade brasileira não se compara à realidade de alguns países africanos. Aqui tentamos imigrar para outro patamar social, educacional, e os 'donos dos navios' não querem que a gente saia da guerra civil que travamos diariamente. Lá, eles lutam para poder sobreviver. Embora nós, negros brasileiros e favelados, também lutemos para estar vivos todos os dia", explica.

A montagem conta ainda com codireção de Roquildes Júnior, artista integrante d'A Outra Companhia de Teatro, de Salvador, desde a sua fundação, e produção de Inah Irenam, experiente no campo da produção em dança na Bahia.

Serviço

O Contentor (O Contêiner) 
Datas: 21, 22 e 23 de outubro - sexta e sábado, 20h, domingo, 19h
Local: Teatro Vila Velha - Av. Sete de Setembro, s/n - Passeio Público - Campo Grande – Salvador
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Vendas na bilheteria do teatro ou pelo site Ingresso Rápido (https://www.ingressorapido.com.br/compra/?id=53535#!/tickets)

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Nona edição do Palco Aberto é adiada

--> A nona edição do Palco Aberto, que aconteceria na próxima terça-feira, 18 de outubro, no Teatro Vila Velha, com o tema "Uma Nova Educação", será adiada por conta das agendas dos participantes contatados. Uma nova data será divulgada em breve, junto à programação das demais edições.

O Palco Aberto, realizado pelo Vila desde junho de 2016, foi criado para debater o atual momento político do país, através de convidados especiais, intervenções artísticas e microfone aberto para o público. Em sua última edição, que aconteceu em 11 de outubro, dentro do projeto "Ditadura Não Mais", o projeto recebeu o jornalista Luís Nassif, a procuradora da república e presidente da Comissão Nacional sobre Mortos e Desaparecidos Políticos Eugenia Gonzaga, os dramaturgos e diretores teatrais Paulo Henrique Alcântara e Daniel Arcades, além de intervenções do Coletivo Arte Resistência, com Sandra Simões, Marcelo Neder, Seu Paulinho e Deco Simões, e da atriz Vivianne Laert, da peça A Lira dos Vinte Anos.

sábado, 8 de outubro de 2016

Inscreva-se nas Oficinas do Vilerê!





Oficina de Cupcake
Facilitadora: Marísia Motta
12/10 // quarta-feira // 9h às 12h
Faixa etária: a partir de 7 anosInscrições: https://www.ingressorapido.com.br/compra/?id=53216#!/
R$ 50 (R$40 cada, na inscrição de duas crianças feita na bilheteria)
A oficina aborda a história do Cupcake, os diferentes ingredientes e confeitos, as formas de preparo, e como fazer um cupcake com a sua marca. Passeia ainda por temas como "o que é um mise en place?" e pelas diferentes peças que compõem uma "brigada de cozinha".

Oficina de Jardinagem CriativaFacilitadora: Marísia Motta
15/10 // sábado //9h às 12h
Faixa etária: a partir de 7 anos
R$ 50 (R$40 cada, na inscrição de duas crianças feita na bilheteria)Inscrições: https://www.ingressorapido.com.br/compra/?id=53214#!/tickets
A oficina aborda a história da jardinagem e a criação de jardins imaginários a partir de desenhos. São discutidas ainda a importância da jardinagem, o jardim no vaso, plantas suculentas, defensivos agrícolas x adubo natural e, por fim, "meu jardim no vaso".

Oficina de Games22/10// sábado// 9h às 12h
Faixa etária: 10 a 13 anos
Facilitador: Maurício Juliano
R$ 50 (R$40 cada, na inscrição de duas crianças feita na bilheteria)
Inscrições: https://www.ingressorapido.com.br/compra/?id=53704#!/
A oficina vai ensinar, de forma prática, fundamentos de Game Design. O que é um jogo? Por que eles são importantes? Também serão abordadas as regras, o que são e como elas definem jogos. Como exercício serão modificados jogos simples para deixá-los mais divertidos. Maurício Juliano é formado em design gráfico pela UNEB e Mestre em Game Design pela New York University.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

MAJOR OLIVEIRA VOLTA EM CARTAZ NAS SEGUNDAS DE OUTUBRO

Depois de uma primeira temporada nas quartas e quintas de agosto no Teatro Vila Velha, Major Oliveira retorna a casa nas segundas de outubro e como parte do projeto "Ditadura Não Mais".  Além do monólogo farão parte do projeto a estreia da peça "A Lira dos Vinte Anos" de Paulo César Coutinho com direção de Paulo Henrique Alcântara, duas edições do Palco Aberto, além da exposição audiovisual "Conhecer para não esquecer", produzida pela TVE Bahia.

Major Oliveira - Foto: Andrea Magnoni

Um Major abandonado no asilo pelos filhos logo após a instalação da Comissão da Verdade no Brasil tenta encontrar, de alguma forma, o controle sobre algo em sua vida. Esse é o mote de Major Oliveira, monólogo escrito por Daniel Arcades, interpretado por Antonio Fábio e dirigido por ambos. Nesta curta temporada, serão três apresentações (03,10 e 17 de outubro), mais cedo, às 19h.

Ao perceber que a situação de seu corpo, de sua família e da política do país não mais é controlada por ele, o Major se coloca em teste resolvendo perturbar a paz daqueles que o visitam na manhã de domingo onde o espetáculo se passa. A visita de um enfermeiro e umaTestemunha de Jeová naquele dia levam o Major a tentar bruscamente relembrar seus tempos de torturador durante o Regime Militar. O confinamento no asilo conduz o protagonista da peça a refletir sobre as convicções morais, filosóficas e religiosas tidas durante a vida. Para o dramaturgo e diretor Daniel Arcades, “Major Oliveira é um espetáculo para estampar a face do opressor e contar uma história de derrota, como pouco vemos nesses casos. Estamos acostumados a ver indivíduos como o Major apenas em situação de poder. Partimos da falência destas pessoas, queremos saber o que eles sentem quando não conseguem mais oprimir. É uma história sobre envelhecer, sobre como nossas convicções são postas à prova no momento da velhice”.

Antônio Fábio, ator que dá vida ao personagem e diretor também da obra, que além do espetáculo teatral aparecerá na televisão no seriado “Nada será como antes” da rede Globo, ao falar sobre o desafio de encarar personagem tão forte em um monólogo afirma que “todas as características de um sujeito com uma formação ditatorial está lá: ele é misógino, racista, homofóbico e tudo que se possa pensar sobre preconceito. Mas é preciso conhecer essa face, inclusive, para poder se brigar com ela. Dar vida ao Major é prestar atenção nos nossos pais, avós, nos coronéis, nas famílias tradicionais. É saber que além de uma corpo se findando, existem ideias que permanecem”. A montagem partiu de um convite do ator ao dramaturgo para falar sobre a velhice e a tentativa do mundo de romantizar essa etapa da vida numa peça de teatro. A partir daí, foram quase dois anos de criações de histórias, motes e debates para se chegar ao Major Oliveira. Depois de conceberem o que seria a peça, perceberam que ambos estavam tão imbuídos do projeto que seria difícil chamar alguém para dirigir trabalho tão pessoal.

A equipe cresce com a contribuição da Direção Musical de Ronei Jorge que assina a trilha sonora tensa e soturna. Edeise Gomes assina a direção de movimento e Nando Zâmbia a iluminação do espetáculo. A peça, definida por eles como “espetáculo em um ato com descontrole dos fatos”, recorta cenas desta madrugada e deste amanhecer de domingo, trazendo fragmentos não-lineares destes momentos que a plateia poderá vivenciar junto ao Major. A equipe promete ocasiões de tensão e de muita reflexão diante das nossas crenças éticas, morais e religiosas.

A montagem foi executada com recursos independentes e segue com investimento dos artistas envolvidos acreditando na arte como espaço de fomento à sensibilidade diante de momentos onde prevalece o discurso de ódio nas grandes mídias. Mas contou com forte apoio da Academia Villa Salute, o Armazém cenográfico e o Acervo Boca de Cena. Além disso, o Teatro Vila Velha também entra como parceiro na temporada.

Olhar a complexidade que cerca um sujeito como este é o que o espetáculo pretende alcançar, os discursos totalitários junto à sua fragilidade enquanto ser humano são um prato cheio para pensarmos como pode-se chegar e modificar indivíduos que passam a vida acreditando em verdades como as que o Major tanto acredita.

Projeto "Ditadura Não Mais" reúne espetáculos, debates e exposição no Teatro Vila Velha

A Lira dos Vinte Anos - Foto: Davi Arteac
Entre 7 e 19 de outubro, o Teatro Vila Velha convoca o público para discutir o tema "ditadura" a partir de programação especial que reúne espetáculos, debates e exposição audiovisual. A abertura do projeto "Ditadura Não Mais" acontece no dia 7, próxima sexta-feira, 20h, com a estreia da peça "A Lira dos Vinte Anos", de Paulo César Coutinho, com direção de Paulo Henrique Alcântara, que segue em cartaz às sextas e sábados, 20h, e dominhos, 19h, até 16/10. O espetáculo, que se passa em 1968, “o ano que não terminou”, narra a história de jovens que enfrentam a
ditadura militar e perdem a inocência quando se comprometem ativamente com os destinos da nação. Já nos dias 10 e 17, segundas-feiras, 19h, o público assiste ao monólogo "Major Oliveira", com texto de Daniel Arcades e interpretação do ator Antônio Fábio, que assina também a direção ao lado do autor. Na peça, as reflexões de um ex-militar que é abandonado em um asilo pelos filhos assim que sabem sobre as investigações feitas pela Comissão da Verdade no país.

No projeto, acontecem ainda duas edições do projeto "Palco Aberto", que debatem os temas "A dramaturgia do Golpe",no dia 11 de outubro, terça, 19h, com a participação do jornalista Luis Nassif e dos dramaturgos Paulo Henrique Alcântara e Daniel Arcades, e "Uma Nova Educação", no dia 18, terça, 19h, que discute os rumos da educação com as reformas propostas no país, tendo como convidados educadores, estudantes, gestores e um representante do Ministério da Educação. O projeto conta ainda com a exposição audiovisual "Conhecer para não esquecer", produzida pela TVE, que reúne 100 depoimentos de personalidades baianas sobre o período da ditadura.

"Tem pessoas que não acreditam que no Brasil houve uma ditadura que deixou sequelas, prejudicou, matou e fez desaparecer pessoas. Assim como tem gente que não acredita que acabou de acontecer um golpe. Isso é fruto de uma dramaturgia, de uma narrativa, construída para recontar a historia do país nos últimos anos. O teatro precisa discutir isso", comenta Marcio Meirelles, diretor artístico do Teatro Vila Velha, espaço fundado em 31 de julho de 1964, exatos quatro meses após o Golpe Militar, reconhecido como um dos mais importantes centros de resistência à ditadura.
“A proposta de encenação é um convite para que o público mire, através do palco, no nosso passado histórico e que seus acontecimentos nos sirvam de alerta contra qualquer ameaça à democracia", comenta o diretor Paulo Henrique Alcântara sobre o espetáculo “A Lira dos Vinte Anos”, montagem que marca também os seus 20 anos de carreira como diretor.

“Quando planejamos o ‘Major’ queríamos mostrar como o opressor está desesperado para retomar o poder, diante de algumas conquistas nossas. Mas hoje, no período de estreia do espetáculo, percebemos o quanto eles se articulam para voltar. E estão voltando. A peça parte para pensar como estão e onde estão estes sujeitos que foram tão cruéis durante num período horroroso da nossa história. Vivos eles estão, punidos, não”, comenta o dramaturgo Daniel Arcades sobre o monólogo “Major Oliveira”.

Programação "Ditadura Não Mais"



A Lira dos Vinte Anos
7 a 16 de outubro, sextas e sábados, 20h, e domingos, 19h
Sessões extras nos dias 14 (sexta) e 19 (quarta), às 15h
Ingressos: R$30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Classificação indicativa: 16 anos


A Lira dos Vinte Anos - Foto: Davi Arteac
Em 1968, “o ano que não acabou”, um grupo de amigos da faculdade atravessa passeatas, manifestações, bradam contra a opressão instalada com o golpe militar de 1964 que derrubou o governo do Presidente João Goulart, debatem suas convicções políticas, entram para a clandestinidade e desnudam seus amores. Ao percorrer os Anos de Chumbo, a peça faz um recorte destacado no ano de 1968, quando o sistema se fechou ainda mais com a decretação do Ato Institucional número 5 (AI-5). Os personagens, em meio a gritos de protesto e corações apaixonados, perdem a inocência, comprometem-se ativamente com os destinos da nação e assumem os riscos de várias escolhas no âmbito coletivo e pessoal. Temas como repressão, feminismo e homofobia são discutidos ao som de tiros e canções tropicalistas, vindo à tona cenas sobre a memória histórica do Brasil, contadas ao som da lira de jovens de vinte anos que sonharam e lutaram por liberdade. Jovens que voltam à cena “para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça”. O espetáculo, que tem texto de Paulo César Coutinho e encenação de Paulo Henrique Alcântara, celebra os 20 anos de carreira como diretor de Alcântara e marca o surgimento do Grupo de Teatro Minotauro. No elenco, Edu Coutinho, Ícaro Bittencourt, Isadora Moraes, Jell Oliveira, Raphael Mascarenhas, Tiago Anjos e Viviane Laerte.

Major Oliveira
10 e 17 de outubro, segundas-feiras, 19h
Ingressos: R$30 (inteira) e 15 (meia)
Classificação indicativa: 14 anos

Major Oliveira - Foto: Andrea Magnoni
“Major Oliveira” tem direção de Antônio Fábio (também intérprete do monólogo) e Daniel Arcades (autor da obra). A peça discute a valia dos idealismos políticos diante da não melhoria do caráter humano. O ‘Major’, velho militar orgulhoso de sua história, é abandonado em um asilo pelos filhos que acreditam na revolução política do país assim que sabem sobre as investigações feitas pela Comissão da Verdade no país. Depois de meses sem visita e sem telefonema neste asilo, o protagonista começa a elucubrar diversos questionamentos sobre a vida politicamente correta tão defendida na contemporaneidade.

Palco Aberto - A Dramaturgia do Golpe
11 de outubro, terça-feira, 19h
Ingresso: pague quanto quiser

A oitava edição do projeto Palco Aberto discute o golpe de 1964 e o golpe que culminou no impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, a partir de um olhar sobre as suas narrativas. Participam do debate o jornalista Luis Nassif e os dramaturgos e diretores teatrais Paulo Henrique Alcântara e Daniel Arcades, além de intervenções artísticas e microfone aberto para o público.

Palco Aberto - Uma Nova Educação
18 de outubro, terça-feira, 19h
Ingresso: pague quanto quiser

A nona edição do projeto reúne debatedores e convida representante do Ministério da Educação para discutir as mudança e o rumo da educação no país.

Conhecer para não Esquecer - Exposição Audiovisual
7 a 18 de outubro, Cabaré dos Novos
Aberta a partir de 1h antes de cada evento do projeto "Ditadura Não Mais"

Exposição audiovisual que reúne 100 depoimentos de personalidades baianas sobre o período da ditadura militar, produzida pela TVE Bahia.
 Entre os entrevistados, nomes como Sérgio Guerra, Oldack Miranda, Haroldo Lima, Emiliano José e Carlos Marighella Jr. A série de vídeos teve direção de Geraldo Moraes e projeto de gravação de José Araripe Jr. e integrou as atividades do projeto “Ditadura Militar – Direito à Memória: 50 anos do golpe de 1964”, desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia, em parceria com a Secretaria de Cultura.