terça-feira, 22 de março de 2016

Espetáculo Compadre de Ogum celebra aniversário de Salvador no Teatro Vila Velha

Montagem foi um dos destaques do teatro baiano em 2014, rendendo a Edvard Passos o Prêmio Braskem de Teatro de melhor direção, além de outras cinco indicações
 

 Compadre de Ogum - Foto Lorena Venturini

O público soteropolitano terá a chance de rever uma das pessoas de maior sucesso do teatro baiano nos últimos dois anos. Adaptação da obra de Jorge Amado assinada por Edvard Passos, Compadre de Ogum apresenta-se no dia 29 de março, terça, 20h, no Teatro Vila Velha, celebrando o aniversário da cidade de Salvador, assim como aconteceu na sua estreia, em 2014, e reestreia, em 2015. Uma segunda apresentação acontece no dia 5 de abril, terça-feira seguinte, também às 20h.

A obra, que já ganhou versão na televisão, em 1994, narra a história do biscateiro Massu das Sete Portas: um homem negro que, com a ajuda de amigos, organiza o batizado na igreja de seu filhinho “galego". Até aí seria pouca novidade se o padrinho da criança não fosse Ogum, que anuncia o batizado dentro da igreja católica. Convivência de credos, diversidade étnica em Salvador e o valor da amizade verdadeira são elementos que permeiam a divertida trama.

A encenação está a serviço do eixo principal do trabalho original, difere apenas em alguns pontos por conta das estratégias da dramaturgia, criadas pelo diretor para aproximar o espectador. A historia se passa em 1950 e foi preciso criar portais que conectem o tempo da trama ao tempo presente. Outras diferenças nasceram da adequação à melhor performance do elenco, como a criação de novos personagens.

“O elenco é um tesouro dessa montagem. Pedras preciosas garimpadas com todo empenho. O teatro que eu faço é um teatro de atores. Quando escolho um elenco levo em consideração a qualidade da resposta em cena. a adequação do perfil e a ética”, diz Edvard Passos. Segundo o próprio elenco, a Aláfia Cia de Teatro de Salvador surgiu da necessidade do grupo estar junto e mostrar o seu melhor, surgiu também do ótimo clima entre os atores.

O espetáculo tem elenco composto por artistas já consagrados do teatro baiano como Diogo Lopes Filho (A Bofetada, As Noviças Rebeldes, Vixe Maria: Deus e o Diabo na Bahia) e Zé Carlos Junior (Volpone, Os Iks, Vixe Maria: Deus e o Diabo na Bahia), por representantes da nova geração de talentos como Alan Miranda (+1 Filmes), Danilo Cairo (Amnésis), Luisa Muricy (Outra

Tempestade), Leandro Villa (Amor Barato), Amós Heber (Ó Paí Ó), Everton Machado (Barrela), Thais Laila (Aventuras do Maluco Beleza) e revelações do Curso Livre de Teatro 2013: Felipe Tanure, Thiago Almasy, Manu Moraes Sulivã Bispo, indicado ao Prêmio Braskem de Ator Revelação pelo trabalho neste espetáculo.

A técnica conta com nomes de peso como os premiados Luciano Bahia (diretor musical), Zuarte Júnior (figurinos), Allisson de Sá (iluminador), Nildinha Fonseca (coreógrafa).

O Teatro Vila Velha é gerido pela Sol Movimento da Cena e conta com o apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia através do Fundo de Cultura.

Serviço:

Compadre de Ogum
Datas: 29 de março e 05 de abril, terças, 20h
Valores: R$30 (inteira) e R$15 (meia)
Local: Teatro Vila Velha
Venda de Ingressos na bilheteria do teatro (segunda a sexta, 15h às 18h, nos finais de semana a partir de 2h antes do início do espetáculo) ou pelo site www.compreingressos.com

quinta-feira, 10 de março de 2016

Terceira edição do LARGO recebe a artista visual Camila Sposati

Encontro de música expandida aborda o "Teatro Anatômico da Terra", trabalho desenvolvido por Sposati durante a 3a Bienal da Bahia

  
O Teatro Anatômico na Terra foi comissionado pela 3a Bienal da Bahia, em 2014

Investigar as fronteiras da criação musical a partir do contato com outras linguagens artísticas, como a dança, a literatura e as artes visuais. Esta é a proposta do LARGO, encontro de música expandida que chega a sua terceira edição e recebe, na próxima terça-feira, 15 de março, 20h, no Teatro Vila Velha, a artista visual Camila Sposati. No dia anterior ao evento, em 14 de março, das 14h às 18h, a artista ministra oficina aberta ao público sobre a interação entre o teatro e as artes visuais.

A criação do LARGO é assinada pelo coletivo Beto Junior, formado pelos músicos João Milet Meirelles, Pedro Filho Amorim e Uru Pereira, e pela Duna, ambiente criativo da artista visual Lia Cunha. Os encontros acontecem mensalmente no Teatro Vila Velha e, em outras edições, já receberam o coreógrafo Leonardo França e o grupo Tiragem - Laboratório de Livros (EBA/UFBA).

Teatro Anatômico da Terra

O encontro da próxima terça tem início com uma palestra integrada com música conduzida pela artista visual Camila Sposati sobre a experiência do Teatro Anatômico da Terra, projeto de sua autoria comissionado pela 3a Bienal da Bahia, em 2014, executado ao longo dos 100 dias do evento, na Ilha de Itaparica. O relato da artista terá intervenções sonoras produzidas ao vivo pelos músicos anfitriões, além de comentários e trechos de entrevistas gravados previamente com outros artistas, executados através de processamento eletrônico.

Camila Sposati apresenta ainda a obra Phonosofia, composta de texto e de uma série de objetos em cerâmica construídos por ela a partir dos princípios do Teatro Anatômico da Terra. Em seguida, o público confere a música criada pelo coletivo Beto Junior a partir das temáticas e estímulos da artista visual ao longo da palestra.

Oficina

Em sua passagem pelo Teatro Vila Velha, à convite do LARGO, Camila Sposati ministra ainda a oficina "Pelo real: moldura ou base da obra de arte", aberta ao público, que acontece no dia 14 de março, das 14h às 18h. Na oficina, serão abordadas diferentes relações e interações entre as artes visuais e o teatro, além de como lidam os artistas com o "real" no palco e na moldura.

Sobre o Teatro Anatômico da Terra

O Teatro Anatômico da Terra foi comissionado pela 3 Bienal da Bahia em 2014, na Ilha de Itaparica. Baseado no Teatro de Anatomia (Italia, 1594), uma forma de teatro que tem a função de amplificar vozes, expandir conhecimento, controlar, influenciar, tirar vantagens - o que a artista e autora Camila Sposati chama de Phonosophia. “Enficado” (construído por escavação) cinco metros abaixo do solo, atrás da fachada em ruínas de um casarão do século XIX, no centro histórico de Itaparica, cidade fundada coincidentemente também no século XVI, como o teatro de Padova. A “dissecação” acontece no corpo da terra, pois a escavação para formar o teatro levantou questões sobre como a terra se apresenta em sua forma subterrânea, a ampliação da visibilidade e acústica pelo formato cônico e íngreme, e a abolição da fronteira entre o palco e os bastidores, além de simbolizar o espaço interior se abrindo para uma comunicação cósmica, segundo os preceitos da Eubiose. O projeto envolveu uma gama de instituições, como: Biblioteca Nacional de Paris, Biblioteca de Medicina de paris, Teatro de Padova, advogados, geotécnico, arquiteto, engenheiro de solo, carpinteiro, arqueólogo, Instituto do Patrimonio Historico e Artistico Nacional - IPHAN, Instituto do Patrimonio Artistico e Cultural da Bahia - IPAC, Sociedade Brasileira da Eubiose, e Prefeitura de Itaparica.

Sobre Camila Sposati

Mestre pela Goldsmiths College of London em Fine Arts (2003) com o apoio das bolsas: CAPES/apARTES e VIRTUOSE (Ministério da Cultura). Pós-graduada em Fotografia pelo Centro di Ricerca de la Fotografia em Pordenone, Itália (1998) e Bacharelado em História pela PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1996). Sua pesquisa levou-a para locais na Amazônia, Turcomenistão, Uzbequistão , Guatemala, Europa e Japão. Ela tem sido apoiada por organizações como o Ministério da Cultura; Petrobras; British Council; University College London; Royal Geological Survey; Tokyo Wonder Site; Montehermoso, Espanha; o programa de Residência Internacional em Recollets e Cite des Arts, França; e Sacatar, Bahia. Teve trabalhos expostos em Museus e Bienais: 3ªBienal da Bahia (2014), Musee de la Chase et de la Nature (2012), Lustwarande (2011), The Great Glen Artist Airshow (2010), 7ª e 10ª Bienal do Mercosul (2009 e 2015), Seoul Platform (2009), Tate Modern, Londres (2007), "Green Dyed Vulture", Highland Institute of Contemporary Art in Scotland (HICA), Centro Cultural Montehermoso. Expôs nas galerias Eleven Rivignton (NY), com os trabalhos Earth’s Earth (2013) e Active forms (2008); e Casa Triangulo (SP), com Darvaza (2012) e Nucleação (2009).

Sobre Beto Junior

Beto Junior é um grupo de noise e improvisação livre formado por João Milet Meirelles, Pedro Filho Amorim e Uru Pereira. Eletrônica, guitarra "preparada" e fagote dialogam buscando novas possibilidades sonoras.

Sobre Duna


Duna é um ambiente criativo da artista visual Lia Cunha. Incorpora projetos de edição de livros, objetos, obras, design gráfico e direção de arte para projetos autorais, colaborativos e comissionados.

LINKS

Largo
instagram.com/plataformalargo/
facebook.com/plataformalargo

Camila Sposati
camilasposati.com

Beto Junior
soundcloud.com/betojunior

Duna
instagram.com/duna.processo

SERVIÇO

Oficina "Pelo real: moldura ou base da obra de arte"
Data: 14/03/2016, segunda-feira, das 14h às 18h
Inscrições no Teatro Vila Velha, de segunda a sexta, das 15h às 18h
Investimento: R$ 30
Local: Teatro Vila Velha

LARGO Teatro Anatômico da Terra
Data: 15/03/2016, terça-feira, 20h
Valor: R$ 20 (inteira) e 10 (meia)
Local: Sala Principal do Teatro Vila Velha

quinta-feira, 3 de março de 2016

Projeto une arte e educação para jovens de Salvador no Teatro Vila Velha

Mais de 4500 crianças e adolescentes de instituições da capital terão acesso às atividades entre março e junho de 2016



Entre os meses de março e junho de 2016 acontece a primeira edição do Pé de Feijão – Arte e Educação no Teatro Vila Velha. A iniciativa promoveações educativas de artes cênicas para crianças e adolescentes de instituições sociais e educacionais de Salvador e região.
 
Espetáculos Infanto-Juvenis
As ações do projeto são pautadas na promoção da sensibilização, conhecimento e contato com as artes cênicas durante o processo de formação e aprendizado dos jovens. A programação inclui o espetáculo de dança “Da Ponta da Língua à Ponta do Pé”, do Núcleo Viladança, e de teatro“Remendo Remendó”, de A Outra Cia de Teatro. As apresentações acontecem no palco principal do Teatro Vila Velha.

Ações Educativas

O projeto realiza ainda um acompanhamento pedagógico junto a educadores. Desde o primeiro contato com as instituições, uma equipe de arte-educadores oferece orientações sobre o desenvolvimento da temática artística e do conteúdo dos espetáculos apresentados para a sala de aula. As atividades duram até o momento após o espetáculo, através da entrega de um material contendo orientações sobre como desenvolver o conteúdo artístico em programas de ensino – estimulando desdobramentos que vão além do espaço do Teatro.

“Ter uma programação dedicada especialmente para crianças e adolescentes é fundamental para toda a cidade", destaca Cristina Castro, gestora cultural, coreógrafa e coordenadora geral do projeto. Ana Paula Carneiro, arte-educadora e coordenadora da área de mediação cultural do Pé de Feijão, complementa o pensamento, apontando a apreciação e o encantamento como elementos fundamentais para a formação de novos públicos e futuros artistas. Ela ainda afirma que “o grande diferencial do projeto é a aplicação de atividades de arte e educação a partir do tema e da estética decada espetáculo, visando uma imersão que começa antes do dia da apresentação e permanece nas atividades de desdobramentos sugeridas com os professores.”

"É muito bom neste momento ter o Pé de Feijão no Teatro Vila Velha, porque há muito tempo apostamos na relação com as escolas, com a formação. Existe um caminho rico de ações que unam cultura e educação. A gente quer que as escolas se aproximem e proponham ações conjuntas com o Vila", comenta Marcio Meirelles, diretor artístico do Teatro Vila Velha.

Incentivo à Literatura

Entre os meses de março e junho, o projeto instalará ainda no Teatro Vila Velha o Cantinho da Leitura, como forma de estimular o hábito da leitura entre os pequenos. Esta ação é realizada em parceira com a Rede de Bibliotecas Comunitárias de Salvador. Ao final de cada apresentação, será sorteada entre as crianças uma série de livros infantis, doados ao projeto pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. A primeira edição Pé de Feijão atenderá a mais de 4500 crianças e adolescentes durante os quatro meses de atividades do projeto.

O projeto tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

SERVIÇO*

O quê: Estreia do projeto Pé de Feijão – Arte e Educação no Teatro Vila Velha
Espetáculo: Remendo Remendó – A Outra Cia de Teatro
Quando: 8 e 9 de março
Onde: Teatro Vila Velha

Agenda completa:

Da Ponta da Língua à Ponta do Pé – Núcleo Viladança
12 e 13 de abril | 24 e 25 de maio

Remendo Remendó – A Outra Cia de Teatro
8 e 9 de março | 7 e 8 de junho

Local: Teatro Vila Velha

*Apresentações realizadas exclusivamente para as instituições participantes do projeto.

Universidade LIVRE do Teatro Vila Velha tem inscrições abertas para nova turma

Em três anos de atividades, o programa de formação realizou 17 espetáculos teatrais, além de oficinas, seminários e participação em festivais

Universidade LIVRE em Oficina - Foto Marcio Meirelles


Depois de encerrar temporada do espetáculo "7 contra Tebas", que marcou a formação da sua primeira turma de atores, a Universidade LIVRE do Teatro Vila Velha abre inscrições para novo processo seletivo. As inscrições devem ser feitas presencialmente até o dia 7 de março, de segunda a sexta, das 15h às 18h, no Teatro Vila Velha.

Os candidatos participam de uma oficina com duração de três dias (8, 9 e 10 de março) e os selecionados seguem para uma oficina preparatória e classificatória, que acontece de 14 de março a 9 de abril. Na oficina de um mês, que tem supervisão de Marcio Meirelles, os integrantes terão contato com diversas áreas como interpretação (com Bertho Filho), voz e canto (Marcelo Jardim), percussão (Ridson Reis),dança (Marcelo Galvão) e yoga (Anita Bueno), além de experiências nas áreas de gestão, técnica, comunicação, nos diversos setores do teatro.

"A Universidade LIVRE é um programa de formação que tem mostrado resultados. A gente tem trabalhado a partir de montagens, da atividade de palco e da atividade para estar no palco. Não tem grade curricular, ementa... A gente tem um sistema, um processo", conta o diretor Marcio Meirelles, que adianta que em 2016 o trabalho vai ser em torno da obra de William Shakespeare.

Criada em 2013, a Universidade LIVRE foi responsável pela realização de 17 produções teatrais próprias, algumas delas apresentadas em festivais internacionais, como o Festival de Curitiba (peça Espelho para Cegos), Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (Por que Hécuba), Festival Santista de Teatro (A História dos Ursos Pandas), além da 3a Bienal da Bahia (Jango: Uma Tragedya). O programa realizou ainda seminários, leituras dramáticas e exibição de filmes, além de oficinas com artistas como Tadashi Endo (Japão), Jean Jacques Lemetre (França), Marko Fonseca e Raúl Martínez (Costa Rica), Hema Bharathi Palani (Índia), Colby Damon (EUA), Douglas Irvine (Escócia), além dos brasileiros Cibele Forjaz, Cacá Carvalho, Vinicius Piedade e Carlos Simioni.

"Neste ano, a gente está planejando um sistema mais permeável. A ideia é realizar oficinas e módulos mais isolados e dar a possibilidade de que as pessoas participem de uma etapa específica do processo, junto à turma original, a exemplo da voz, do canto, na obra de Shakespeare", conta Meirelles.

Serviço

Seleção para Universidade LIVRE do Teatro Vila Velha
Inscrições: até 07/03, de segunda a sexta, das 15h às 18h
Oficina de seleção: 8, 9 e 10/03, das 9h às 13h (valor R$50)
Oficina preparatória: 14/03 a 09/04, de segunda a sábado, das 9h às 13h (valor R$400, com abatimento dos R$50 correspondentes à oficina de seleção)