quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Marcio Meirelles participa de Encontro Internacional de Economia Criativa


O diretor artístico do Teatro Vila Velha, Marcio Meirelles, participa, nesta quinta-feira, 16h, do Encontro Internacional da Economia Criativa, evento que reúne pesquisadores e gestores do Brasil, da Alemanha e de Portugal para discutir a relação entre cultura e desenvolvimento, a partir do olhar sobre a economia dos diversos setores criativos - música, teatro, moda, gastronomia, design, audiovisual, culturas populares, entre outros.

Marcio Meirelles integra o Painel VI, intitulado "Estado, Mercado e Sociedade: sustentabilidade dos setores criativos", ao lado de Carmen Lima (SECULT) e Marcelo Dantas (UFRB), com início marcado para as 16h. 

O Encontro Nacional da Economia Criativa acontece em 26 e 27 de novembro, durante todo o dia, no Goethe-Institut / ICBA. Acesse a programação completa aqui.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Hamlet e Macbeth: Veja as primeiras imagens de figurino e maquiagem das peças


Nesta quarta, foram feitos os primeiros testes de figurino e maquiagem dos espetáculos Hamlet e Macbeth, dirigidos por Marcio Meirelles, que estreiam em janeiro de 2015 com atores do Teatro Vila Velha. Clique aqui e veja todas as imagens.





Cine Vila recebe cineasta José Araripe Jr. para exibição de Esses Moços

Cena do filme Esses Moços, de José Araripe Jr.
 
Na próxima segunda, dia 24, às 19h, o Cine Vila recebe o diretor José Araripe Jr. para a exibição do filme "Esses Moços". O longa narra a história de Darlene, uma menina que vive nas ruas de Salvador e traz para capital a irmã menor, Daiane, para viverem como pedintes na região do Comércio. Juntas encontram Diomedes, um senhor que foi agredido e está desmemoriado. Misterioso e afável, Diomedes conduz as meninas através da estrada de ferro para o seu mundo de desmemórias, onde inocência e dor compõem a música do tempo.

Leia abaixo, entrevista com o cineasta José Araripe Jr., sobre o filme.

Por que Esses Moços?

Há alguns anos, eu estava em Recife fazendo uma série de programas para TV e resolvi dá uma relaxada inventando uma nova história para um filme. Com certeza, o que me faz ser cineasta é a paixão por inventar e contar histórias. Eu me lembrei de um personagem chamado Diomedes que já existia numa pequena cena de outro roteiro meu chamado Menino de Circo. Saquei Diomedes de lá e trouxe para uma história sua, completa. Meu avô Alencar que morreu com 100 anos, foi a inspiração principal. Ele, nos seus últimos 15 anos vivia suas desmemórias de um portador de Alzheimer, mas me impressionava alguns fatos que eu via, como em alguns momentos, quando reencontrava amigos da mesma idade e a memória voltava, fresca. Era o mesmo homem em dois tempos diferentes.
O Diomedes de Esses Moços traz tudo isso, e é misterioso, - pois, abandonado depois de ser agredido - é adotado por duas meninas, recém chegadas do interior, para viver nas ruas da Cidade Baixa, em Salvador. A música de Lupicínio Rodrigues foi outra inspiração, sensorial, inconsciente - ela sempre esteve no meu imaginário e resolvi seguir esta intuição de que tinha à ver com o personagem, e aos poucos fui descobrindo que Diomedes era um músico...

Como se dá essa narrativa?

Esses Moços é uma fábula urbana contemporânea, um street movie, que nos leva com os três personagens por uma cidade esquecida e abandonada. A cidade também é um personagem que tem memória e sofre com suas desmemorias. A estrada de Ferro é um fio condutor que vai nos apresentando à cidade e ao passado e o presente de Diomedes. A menina maior Darlene, percebe que o velho pode ser útil para pedir esmolas. Assim eles reproduzem toda uma cultura, à que foram submetida nas suas vidas de órfãs. A menina menor, Daiane, menos experiente nas ruas, vê em Diomedes o avô que nunca teve. Elas estabelecem uma sintonia onde a música vai ser o médium da linguagem afetiva.

Você que vem de três comédias, porque um drama?


No fundo, os meus filmes sempre tratam do mesmo assunto: a luta dos artistas para encontrarem seus espaços de dignidade e trabalho. Assim foi em Mr. Abrakadabra! , onde um mágico encontra um jovem aprendiz; em Rádio Gogó quando um radialista pirata cria seus próprios modelos de narração e transmissão e em O Pai do Rock que narra as aventuras de uma banda de rock fazendo um pacto com os demônios da indústria para fazer sucesso. Poder transitar em gêneros diferentes é um dos meus prazeres na atividade de escrever e filmar. O drama Esses Moços é pontuado por situações poéticas e de humor, que através de situações inusitadas e conflitos sociais e culturais tanto no podem levar às lagrimas como ao riso.

Como foi trabalhar com equipe e elenco locais?


Todo projeto de fazer cinema em Salvador passa por essa formação de pessoas. Estamos trabalhando, procurando sintonia com a comunidade artística do teatro, da música, das artes plásticas, com os profissionais do audiovisual. Ampliar a união profissional só nos fortalece. E hoje sabemos que temos profissionais competentes que podem fazer cinema em qualquer parte do mundo. Talentos com Hamilton Oliveira na Fotografia, Beto Neves na Direção Musical, Gilson Rodrigues na direção de Arte proporciona ao filme um padrão técnico e artístico que orgulha a todos nós nordestinos.

Esses moços é um filme tipicamente nordestino?


A cor local e os elementos do imaginário nordestino estão presentes o tempo todo. Esses Moços é um filme nordestino porque se propõe a captar um pouco dessas identidades e singularidades que fazem do nosso homem um lutador, que sempre usa a arte para refletir e repensar o mundo que nos cerca e nos oprime. O espírito criativo desses brasileiros que vivem driblando as dificuldades e enfrentando preconceitos de toda uma nação, está inscrito no perfil desses personagens que vão além da carência aparente, e resgatam certa ternura e bucolismo presente nos subúrbios.

E o elenco principal, com você chegou a ele?


Inaldo Santana é um ator do teatro baiano que sempre chamou atenção em pequenos papéis em filmes de Edgard Navarro, de Sérgio Machado, Walter Salles, entre outros. Convidá-lo para interpretar Diomedes foi uma conseqüência da nossa opção pelos locais. Ele tem o biótipo e uma aura de dignidade sofrida que o personagem pedia. Ele é um ator de muitos recursos e tem raízes populares como Diomedes. Não foi difícil decidir por ele. As meninas Chaeynd e Flaviana, foram garimpadas entre mais de 300 testes. Na primeira vez que assistí a fita de testes, imediatamente as duas se destacaram e me conquistaram. E para minha sorte já tinham experiência com teatro, e inacreditável: elas eram amigas de infância e vizinhas no mesmo bairro. Coincidentemente de um subúrbio onde parte do filme acontece. Três profissionais talentosos e bem dedicados, que encontraram a química proposta pelo filme. Os outros atores vieram da grande oferta que o teatro em Salvador hoje proporciona. Alguns foram testados, outros convidados e outros não-atores incorporados à partir de encontros afetivos na fase de locação.

Como se deu o processo de escritura do roteiro?


A partir do primeiro argumento escrito em Recife, eu resolvi enfrentar a maratona de escrever umas 80 páginas de roteiro. A primeira versão acabou ficando bem presente na versão final. Mas foram idas e vindas, numa jornada de seis ou sete versões, quando contei com a colaboração dos roteiristas Hilton Lacerda - talentoso roteirista e cineasta do Recife; do escritor jornalista Ricardo Soares e do publicitário Victor Mascarenhas. Um processo à oito mãos que me possibilitou encarar a versão final usando o melhor de todas elas. Em um processo com colaboradores, chegar à versão final é sempre muito difícil, pois há o momento pessoal de optar pelo ethos da história e assumir suas implicações ideológicas, já que tratá-se de uma obra de nítida abordagem social. O próprio modus operandis de filmar nas ruas e seus obstáculos me obrigou a reescrever seqüências inteiras, no set, em nome de soluções de tempo, clima, locação e situações inesperadas. Sem dúvida que escrever com colaboradores enriquece sobremaneira o roteiro.

Como se desenhou a direção de arte?

Eu venho da direção de arte no cinema, é uma área que em fui pioneiro em Salvador. Por isso tenho procurado em meus filmes convidar artistas que admiro o estilo e a forma de trabalhar. Já havia trabalhado com Gilson Rodrigues no Teatro de Cordel, ele é um experiente artista plástico e cenógrafo, e também figurinista. Combinamos de encontrar um equilíbrio entre as paletas escolhidas – sempre tínhamos uma paleta padrão e isso tinha a ver com o conceito da cena, a textura da locação e a progressão da narrativa. Gilson é também um ágil cenotécnico e produtor de arte, que mergulha de corpo e alma do trabalho. Assina também os figurinos realizado à partir de reciclagem.

É um filme onde a direção de fotografia se destaca?

Com certeza, sim. Hamilton Oliveira foi parceiro de outros filmes, ele é minucioso e perfeccionista. E para Esses Moços optamos por um cromatismo suave que envolve e aconchega como a história pede. As temperaturas então suaves e ajudam construir um clima subjetivo fundamental para a narrativa. A maior parte do filme acontece na rua, há grandes espaços e grandiloquentes paisagens, onde é possível perceber uma harmonia com a direção de arte que permeia todo o filme.

Trata-se de uma história sobre música, e com a trilha foi construída?

A versão de Gilberto Gil para esse clássico de Lupicínio Rodrigues, tocando um violão e acompanhado pela flauta de Tuzé de Abreu parece ter sido feita para um dia embalar essa fábula.
Um filme em que a música também é protagonista ao ponto de ser o título do filme, é aparentemente simples, mas acaba tornando-se complicado. Aliás, acho que o som e a música, fazem parte de um estágio em que precisamos evoluir muito. Culturalmente esses itens na produção de um filme, se encontram sempre em segundo plano. O músico Beto Neves partiu de um desenho que o próprio roteiro já pedia e realizou um trabalho de misturar algumas referências mais históricas e experimentais como Smetack à uma música original, e sentimental do personagem principal, somadas à canções temáticas desenvolvidas para os três personagens. No filme a música existe como co-narrador e vai cumprindo seu papel de nos lembrar que estamos vivendo uma ficção próxima da realidade, mas que trata-se o tempo inteiro de um espetáculo artístico, e ela está lá para pontuar, reforçar e emocionar. Duas presenças especiais na trilha; Jorge Alfredo com o tema de Diomedes e Rebeca Matta – uma cantora e compositora baiana que transcende emoções - fechando o filme com um belíssima canção.

Nestes tempos do digital e do transfer, qual o papel da montagem no filme?


Eternamente a montagem será o grande momento artesanal do filme, independente de computador ou moviola. O computador, sem dúvida agiliza e permite múltiplas versões – o que às vezes pode ser um complicador. Em Esses Moços eu trabalhei com Jefferson Cysneiros, parceiro de outros filmes. Ele é um jovem e experiente montador que se destaca por uma extrema sensibilidade e inteligência aliados à uma percepção de ritmo que em obras musicais com essa é o leite e o pão. Sei sempre o que quero a partir do roteiro e do copião, mas confio no talento do especialista, o que só traz lucro para o filme. Temos uma montagem sem sobressaltos, que flui com pequenas elipses, com alguns rompantes de ritmo, que pontuam principalmente o núcleo da gang do Piolho. O grande mérito de toda a montagem é parecer invisível.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Teatro Vila Velha e Zeca de Abreu apresentam Bonde dos Ratinhos


Figura conhecida nos palcos baianos, Zeca de Abreu tem se dedicado cada vez mais ao seu trabalho como diretora. O infanto-juvenil Bonde dos Ratinhos, com sua direção, é a mais nova aposta do Teatro Vila Velha. Com texto de Isac Tufi, a peça narra a história de três ratinhos que resolvem fazer um "rolezinho" no shopping center. A aventura pode ser conferida entre 15 e 30 de novembro, aos sábados (16h) e domingos (11h), no Teatro Vila Velha. O espetáculo, acessível a pessoas com deficiência visual através de audiodescrição, integra um dos projetos de extensão da universidade LIVRE de teatro vila velha, programa de formação do Vila.

De forma divertida, a peça faz referência ao "rolezinho", encontro de jovens da periferia que passou a acontecer em shopping centers das grandes capitais, em 2013, e chamou a atenção da sociedade para uma série de questões como o preconceito social e racial. Ao fazer o tal "rolezinho", os ratinhos são barrados por ratos-seguranças que dizem que shopping não é lugar para rato. Revoltado com o tratamento dado pelos seus "semelhantes", o trio decide voltar pra casa, mas acaba se perdendo e parando num laboratório, onde conhecem ratinhos utilizados em testes feitos pelos humanos. A partir daí, a missão dos três passa ser libertar as dezenas de ratinhos presos no laboratório.

O espetáculo tem trilha sonora original de Ray Gouveia, executada ao vivo por três músicos-ratos. Um dos recursos que chama a atenção do público é a projeção de desenhos feitos ao vivo, em diálogo com o que está acontecendo em cena. A peça teve uma prévia no mês de outubro, em quatro sessões realizadas em parceria com o projeto de acessibilidade Teatro para Sentir, quando foi testada e aprovada pelo público.


Bonde dos Ratinhos
15 a 30/11 | sáb: 16h | dom: 11h
R$ 30 e R$15 | sala principal

Inscrições abertas para as Oficinas Vila Verão 2015


As Oficinas Vila Verão já são uma tradição no verão soteropolitano, e permitem o contato do público com as diversas formas de arte, como teatro, dança, música, cinema, circo, além de áreas técnicas como edição de vídeo e sonorização. Em 2015, além das oficinas voltadas para o contato inicial com as artes, um dos grandes atrativos das Oficinas Vila Verão, serão oferecidos cursos para artistas profissionais, como o workshop "Um Ponto de Vista sobre os ViwePoints", com o português Carlos Nicolau Antunes (Portugal), e o curso "MÚSICA: palavra, silencio e gesto", com o diretor Marco França, do Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare (RN). Outra novidade são as Oficinas de Musicalização para crianças de 0 a 6 anos, ministrada pelo grupo Canela Fina. Ao todo, são vinte oficinas com profissionais reconhecidos nas suas áreas de atuação.

As inscrições já estão abertas e acontecem, presencialmente, de segunda a sexta, das 14 às 19h, no Teatro Vila Velha, até 19 de dezembro - depois retomam de 5 de janeiro até o início das oficinas. Quem se inscrever ainda neste ano tem 10% de desconto. As oficinas acontecem do dia 10 de janeiro ao dia 1 de fevereiro, data em que será apresentada uma mostra com o resultado das oficinas. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Cinema baiano em destaque no Cine Vila




 

No mês de novembro, o cinema baiano toma conta do Cine Vila. O cineclube do Teatro Vila Velha, que a partir de agora passa a acontecer semanalmente - sempre às segundas-feiras, 19h -, recebe três cineastas baianos para a exibição de quatro filmes. 

No dia 10 de novembro, para marcar o Mês da Consciência Negra, será exibido o longa Jardim das Folhas Sagradas, que narra a história de Bonfim, ex-bancário que resolve fazer um terreiro de candomblé modernizado e descaracterizado, por questionar o sacrifício de animais. Após a sessão, teremos um bate-papo com o diretor Pola Ribeiro.

Na semana seguinte, em 17 de novembro, recebemos o cineasta Thiago Gomes para a exibição do curta Braseiro e do longa Tudo que Move. Braseiro se passa no sertão nordestino, início do século XX, momento em que avô, pai, mãe e filho tentam encontrar uma maneira de salvar o filho mais velho, que foi pego roubando nas terras do vizinho. Já Tudo que Move é um documentário construído com base no seguinte questionamento: como se dão os movimentos da nossa existência? Ao completar 30 anos e percebendo o fechamento de um ciclo, o diretor procura responder a essa pergunta, entrevistando homens e mulheres com pelo menos o dobro da sua idade.

Para encerrar o mês, o Cine Vila exibe, em 24 de novembro, o filme Esses Moços, com a presença do cineasta José Araripe Jr. O longa narra o encontro de duas meninas, que tornaram-se pedintes na região do Comércio, com um senhor que foi agredido e está desmemoriado.

Para assistir aos trailers, basta clicar em cima do título de cada filme. O Cine Vila acontece toda segunda-feira, às 19h, no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha. Nos vemos lá!

Lázaro Ramos apresenta série e participa de Cabaré da RRRRRaça no Vila


Neste sábado, 6 de novembro, o ator e diretor Lázaro Ramos vem ao Teatro Vila Velha com uma missão dupla. Às 16h, ele apresenta ao público o programa piloto da série infantil Do Outro Lado de Lá, dirigida por ele. Em seguida, no mesmo dia, ele faz participação especial no espetáculo Cabaré da RRRRRaça, peça clássica do Bando de Teatro Olodum, que, inclusive, já teve Lázaro no elenco.

A série Do Outro Lado de Lá conta a história de Pitoco, menino de 10 anos que deseja ir além e conhecer o que está fora dos limites impostos às crianças. Nesta viagem, Pitoco é acompanhado pelo seu avô, o Veio Ngongo, cujo conhecimento e sabedoria popular emociona e diverte através de histórias curiosas. O diálogo entre o mundo real (dramaturgia feita por atores) e o mundo fantástico (animação), sempre conduzem a um desfecho surpreendente. Todas as histórias do mundo fantástico são inspiradas em contos africanos, e espelham a liberdade e o pensamento fantasioso que só a criança é capaz de criar. A série tem roteiro de Chica Carelli e Elisio Lopes Jr. e produção de Tânia Rocha.

A peça Cabaré da RRRRRaça, maior sucesso de público do Bando de Teatro Olodum, é uma revista musical que levanta discussões bem humoradas sobre negritude, racismo e a participação do negro no mercado de consumo. Em cartaz há 17 anos, é uma mistura de um talk-show e desfile de moda, onde vemos o “Negro Fashion” vestido por estilistas baianos. Nesta curtíssima temporada, conta com as participações especiais de Cyda Lyma (7/11), Lázaro Ramos (8/11) e Dão (9/11).

Do Outro Lado de Lá
8/11 | sáb | 16h
gratuito | sala principal

Cabaré da RRRRRaça
7, 8 e 9/11 | sex e sab: 20h | dom:19h
R$ 30 e 15 | sala principal

 






Vila é homenageado com a Comenda do Mérito Cultural

A atriz fundadora Sonia Robatto recebe a Comenda. Foto: Carla Ornelas/GOVBA

Na noite da última quarta-feira, o Teatro Vila Velha foi homenageado com a Comenda do Mérito Cultural, em reconhecimento à sua contribuição para a Cultura na Bahia ao longo dos seus 50 anos de atividades. A cerimônia aconteceu na sala principal do Teatro Castro Alves, onde outras 29 instituições e artistas foram homenageados.

Representando o Teatro Vila Velha, a atriz fundadora Sonia Robatto subiu ao palco para receber a Comenda do Mérito. "O Teatro Vila Velha, por estes 50 anos de trabalho, e por esta condecoração, agradece ao público, que é por quem e para quem o teatro existe, e a todos os artistas, funcionários, técnicos, gestores, apoiadores e patrocinadores que ajudaram a construir e manter este espaço de encontros. 'E o nosso sonho não morre...'", dizia o texto de agradecimento do Vila, projetado no palco do TCA enquanto Sonia recebia o prêmio. 

A noite rendeu momentos emocionantes, como as homenagens póstumas ao cineasta Glauber Rocha, ao compositor Dorival Caymmi, ao geógrafo Milton Santos,  ao escritor Jorge Amado e ao reitor Edgard Santos. Além deles, grupos como o bloco afro Ilê Aiyê, a Imandade da Boa Morte e Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu – ACBANTU, também foram homenageados. Personalidades como a ialorixá Mãe Stella de Oxóssi, a escritora Myriam Fraga, o cantor Carlinhos Brown e os atores Aldri Anunciação e Laila Garin também estiveram presentes para receber as homenagens.

O espetáculo da cerimônia teve coreografia de Zebrinha e direção musical de Jarbas Bittencourt, dois dos diretores do Bando de Teatro Olodum, e direção geral de Elisio Lopes Jr. O público pôde assistir a apresentações da Orquestra Santo Antônio, de Rebeca Matta, Carlinhos Brown, além de um belíssimo dueto de Saulo Fernandes e Laila Garin. Uma noite pra ficar na memória.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Teatro Vila Velha é homenageado com a Comenda do Mérito Cultural


Nesta quarta-feira, Dia Nacional da Cultura, o Teatro Vila Velha será homenageado com a Comenda do Mérito Cultural, em reconhecimento à contribuição e valorização da cultura no estado. Em cerimônia no Teatro Castro Alves, às 21h, o Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura, pela primeira vez irá premiar instituições e personalidades pelo trabalho em favor da cultura.

A homenagem acontecerá anualmente e, excepcionalmente nesta primeira edição, serão entregues 30 comendas. Os homenageados são divididos em três categorias, cada uma delas contendo dez integrantes: Júnior, Sênior e Póstuma. Para conhecer os outros 29 homenageados, clique aqui.

domingo, 2 de novembro de 2014

Novembro é negro no Teatro Vila Velha


 
Imagem do espetáculo Cabaré da RRRRRaça (2014)

No Vila, em novembro e no resto do ano, fazemos teatro negro. Teatro que pensa a nossa história, que reflete sobre o que nos construiu, mas que não tira os pés do presente e os olhos do futuro. Teatro que, sendo linguagem, inventa sua própria poética, inspira e busca inspiração. Teatro que fala o que percebe que tem ser dito, que formula perguntas, em busca de respostas. O nosso teatro, negro, está atento ao fato de que o racismo persiste, mas modifica a sua forma de se manifestar. Por isso o nosso teatro se reinventa, muda as suas armas de ataque e defesa. O nosso teatro está lá, adiante. 
Aqui, fazemos teatro negro mesmo quando não falamos do negro. Fazemos teatro negro quando falamos da mulher. Quando discutimos a violência contra a mulher. 

Aqui, discutimos o nosso país mesmo quando não falamos do nosso país. Refletimos sobre o Brasil quando encenamos o que acontece na Bósnia. Ou na Faixa de Gaza.

Aqui, refletimos sobre o nosso tempo mesmo quando não falamos do nosso tempo. Pensamos o agora quando encenamos a deposição de João Goulart pelo Golpe Militar em 1964.

Em novembro, o público tem a chance rara de, num único mês, poder ver/rever, pensar/repensar,  junto conosco, muito do que o Teatro Vila Velha vem discutindo e construindo há muitos anos.  

Para marcar o Mês da Consicência Negra, o Bando de Teatro Olodum traz à cena dois espetáculos clássicos, que fazem reflexões sobre o lugar do negro na sociedade, cada uma a seu tempo. Cabaré da RRRRRaça, que se apresenta nos dias 7, 8 e 9, segue em cartaz há 17 anos, sempre com casa cheia, provocando e fazendo pensar. Já Relato de uma guerra que (não) acabou - montado em 2002 para discutir a violência sofrida na periferia de Salvador, com a greve das polícias civil e militar - volta aos palcos nos dias 14, 15 e 16, como resultado da II Oficina de Performance Negra, coordenada pelos atores do Bando, que formou 30 jovens atores negros durante seis meses de trabalho. 

No dia 8 de novembro, recebemos em nosso palco o ator e diretor Lázaro Ramos, uma das crias do Teatro Vila Velha e do Bando de Teatro Olodum, para apresentar o episódio piloto da série infantil Do Outro Lado de Lá, realizado em parceria com Chica Carelli e Elísio Lopes Jr., que busca inspiração em contos africanos para falar de temas como liberdade, sabedoria popular e amizade. 

No primeiro Cine Vila do mês, no dia 10 de novembro, exibimos Jardim das Folhas Sagradas, filme de Pola Ribeiro que discute o candomblé. Em novembro, a partir do dia 21, ainda temos o prazer de receber a temporada de estreia do espetáculo Sortilégio II: Mistério Negro de Zumbi Redivivo, dirigido por Ângelo Flávio, que celebra os 10 anos da Cia de Teatro Abdias do Nascimento (CAN) e o centenário do escritor e teatrólogo Abdias Nascimento. A programação é também um aquecimento para o festival A Cena Tá Preta, que, excepcionalmente em 2014, acontece em dezembro.

Em novembro, recebemos pela segunda vez o dramaturgo romeno Matéi Visniec para assistir a três montagens de sua autoria, dirigidas por Marcio Meirelles, que reapresentamos a público entre 1 e 5 de novembro: Por que Hécuba, que integra a programação do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia - FIAC, e nos dias 4 e 5, O Último Godot e A Mulher como Campo de Batalha. 

Neste mês, mudamos o formato do Cine Vila, que passa a acontecer semanalmente. Desse jeito, cumprimos ainda melhor o nosso objetivo de abrir espaço para a exibição e discussão das produções baianas. No dia 10, junto com Pola Ribeiro, exibimos Jardim das Folhas Sagradas; no dia 17, o cineasta Thiago Gomes apresenta os filmes Tudo Que Move e Braseiro; em 24, quem participa é o diretor José Araripe Jr., com o filme Esses Moços.

No palco do Vila, tem espaço também para música, com o Tropical Selvagem, projeto dos músicos Ronei Jorge e João Milet Meirelles, que neste mês recebem o guitarrista Junix, além de Manuela Rodrigues (13), Rebeca Matta + Luvebox FX (20) e Tuzé de Abreu (27). Além disso, apresentamos novamente o espetáculo infantil Bonde dos Ratinhos, dirigido por Zeca de Abreu, que movimentou o Vila e agradou a criançada durante o mês de outubro. Concurso Miss Brasil Gay, que comemora 20 anos, sob o comando de Bagagerie Spielberg, no dia 3 de novembro.