quinta-feira, 29 de maio de 2014

Teatro Vila Velha comemora 50 anos com Jango, peça de Glauber

Eduarda Uzêda / Jornal A Tarde

O Tetro Vila Velha comemora 50 anos de fundação em grande  estilo. O diretor teatral Márcio Meirelles, que na última segunda-feira completou 60 anos de idade, anuncia que vai dirigir, com os atores da Universidade Livre do TVV, o único texto para teatro feito pelo cineasta Glauber Rocha.  
Trata-se  da peça "Jango", escrita em 1976, que  aborda a vida do presidente João Goulart durante o exílio, depois de ser deposto pelo Golpe Militar de 1964.

Meirelles, 42 anos de teatro, revela que a montagem, contada a partir do ponto de vista de Jango, conta com personagens  da época, como Luis Carlos Prestes, Carmem Miranda,  Luis Buñuel, Regis Debray e Miguel Arraes. A  previsão de estreia é o dia  31 de julho.

Grande produtividade

Sem dúvida o diretor mais produtivo de teatro este ano - desde janeiro já montou as peças "Troilus e Créssida", "Por Que Hécuba", "O Último Godot",  "Esperando Godot", além de Experimentos Macbeth e Hamlet -, Meirelles anuncia nova montagem do romeno Matéi Visniec.

E mais: em junho, em Cabo Verde, dirige "Em Defesa das Causas Perdidas", peça que dialoga com o filósofo Slavoj Zizek e o clássico "Dom Quixote", de Miguel de Cervantes. "Em Defesa das Causas Perdidas", obra homônima de Slavoj Zizek, investiga o cerne das chamadas políticas totalitárias.

O diretor baiano afirma que a ideia de montar  Jango surgiu quando trabalhava nas peças Hamlet e Macbeth, em comemoração aos 450 anos de Shakespeare.

Golpes

"Estas peças falam de golpes para tomada de poder. Um belo dia, discutindo, caiu a ficha e me lembrei que, desde o final da década de 80, tinha este texto de Glauber, que também fala do golpe e tem tudo a ver com os 50 anos do Vila e 50 anos da ditadura militar", frisa.

Ainda segundo o encenador,   o texto foi escrito durante os dias 13 e 15 de novembro de 1976 e  termina com a morte hipotética de João Goulart.
O que não deixa de ser curioso, pois na vida real, pouco menos de um mês depois, em 6 de dezembro do mesmo ano, Jango morreu durante o exílio em sua fazenda em Mercedes, na Argentina.

A peça, além do regime militar, trata de períodos como a Era Vargas, os governos de Juscelino e Jânio Quadros. Possivelmente, como o cineasta baiano trabalhava com audiovisual, a montagem poderá utilizar deste recurso. "Mas não posso dizer com certeza. São coisas que se decidem durante o processo", enfatiza o diretor.

Admiração por Glauber

Meirelles fala de sua relação com o cineasta: "Tenho grande admiração pelo pensamento político e estético de Glauber Rocha. Ele faz parte da minha formação, assim como Zé Celso, Milton Santos, Celso Furtado, entre outros", acrescenta.

Márcio explica por que a opção de montar o texto com alunos da Universidade Livre do TVV:  "Este projeto, a universidade, é a síntese do que tem sido o Vila Velha, um centro de formação, inovador, de construção de atores políticos, que entendam que fazer teatro implica um compromisso com a sociedade", diz, acrescentando que a juventude não tem referência de quem foi realmente Jango, da sua importância para o país.

"O texto de Glauber mostra que a circunstância é que faz a ação e que quando se está em determinados  lugares e se tem que tomar decisões, nem sempre elas são do seu agrado pessoal. Jango, por exemplo, poderia ter resistido. Ele tinha apoio, mas sabia que poderia haver uma greve civil", frisou.

60 anos

Sobre como encarou fazer 60 anos, Meirelles disse que é um marco que provoca reflexões. "Mas sou muito feliz em ter o privilégio de estar lúcido, produtivo, compartilhando o saber.  Não gosto quando me chamam de jovem. Acho que, com o passar do tempo, temos uma visão mais alargada da vida e nos tornamos mais generosos", concluiu o encenador.

Clique abaixo para ler a versão impressa da reportagem.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Teatro Vila Velha recebe, no Passeio Público, o cortejo de abetura da 3ª Bienal da Bahia

Atores da LIVRE durante o Experimento 2.2, que anunciou a participação do Vila na Bienal

Nesta quinta-feira, por volta das 20h, a universidade LIVRE de teatro vila velha recebe, no Passeio Público, o cortejo de abertura da 3ª Bienal da Bahia. A LIVRE apresenta um "trailer" do espetáculo que vai comemorar os 50 anos do Teatro Vila Velha, com estreia prevista em 31 de julho. Além dos atores da LIVRE, uma série de artistas, entre músicos, dançarinos, performers e transformistas, participam do evento de abertura que se estende até 23h.

Antes de chegar ao Passeio Público, a abertura começa no pátio do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), a partir das 18h, com a batida de 33 alabês acompanhados pelo canto de Inaicyra Falcão, filha do artista Mestre Didi, e pelo violão de Maurício Lourenço.

Dentro do Casarão do Museu será projetado em tempo contínuo (loop) o filme Mitos e contramitos da família pernambucanobaiana (1974), de Jomard Muniz de Britto, com duração de sete minutos. Nesse mesmo espaço, estarão exibidas cerca de 20 obras da exposição itinerante No Litoral é Assim,  que vai circular por quatro cidades do interior baiano (Juazeiro, Alagoinhas, Feira de Santana, Vitória da Conquista) durante todo o período da Bienal, até o dia 7 de setembro.

Após essa cerimônia de abertura, a artista portuguesa Luisa Mota encabeça um cortejo-performance, com a participação de cerca de 70 voluntários, fazendo o elo entre as ações programadas no Conjunto do Unhão e aquelas previstas para o Passeio Público. Assim, em fluxo, o grupo de performers parte do MAM, segue para o Largo 2 de Julho, passa pela avenida Carlos Gomes e pela avenida 7 de Setembro até chegar ao Passeio Público, onde a multidão se dispersa. A partida do cortejo está prevista para as 19h e a caminhada deve durar 45 minutos.

No Passeio Público, quem chega é recebido pelo grupo da universidade LIVRE de teatro vila velha. Diversas ações estarão acontecendo, espalhadas pelo jardim de árvores centenárias: performance-instalação da artista baiana Ieda Oliveira; apresentação da banda de forró Ceguêra de Nó, da qual faz parte o artista Zé de Rocha; performance de artistas transformistas atuantes em Salvador. Durante toda a noite, o Passeio Público também abrigará um grupo de dança de salão, cujos membros convidam os presentes à festa, que termina com o samba do bloco de rua carnavalesco De Hoje a Oito, formado por artistas e amigos do bairro do Santo Antônio, em Salvador.

Ainda no casarão, a partir das 18h, estará sendo lançado o livro Cultura dos Sertões, coletânea de artigos originados do encontro de estudos II Celebração da Cultura do Sertão, realizado em 2013. Organização de Alberto Freire, Edufba.

A programação completa da Bienal estará disponível em www.bienaldabahia.com.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Bando de Teatro Olodum é atração do Abriu de Leituras nesta terça-feira

Bando de Teatro Olodum no espetáculo "Bença" (2011). Foto: João Milet Meirelles

Com a leitura dramática do texto "Castigo de Oxalá”, o Bando de Teatro Olodum participa, nesta terça-feira (27), do projeto Abriu de Leituras. O evento celebra o centenário de Abdias do Nascimento – referência para a arte negra no Brasil– que seria completado no último dia 14 de março. A programação se estende até o próximo dia 2 (segunda-feira) com entrada gratuita, às 19h, no Espaço Cultural da Barroquinha com financiamento da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

O Bando irá narrar a história de um homem negro que nutre o sonho de ascender socialmente e despreza sua aparência e suas raízes culturais e religiosas. A leitura será interpretada pelos atores Cássia Valle, Cell Dantas, Ednaldo Muniz, Jorge Washington, Merry Batista, Sérgio Laurentino e Valdinéia Soriano. A direção é de Luciana Souza.

Com a participação de cinco grupos e um total de 75 artistas, o projeto Abriu de Leituras – que celebra o teatro negro da Bahia e do Brasil – é uma iniciativa da Cia Teatral Abdias Nascimento (CAN) que foi fundada há 10 anos pelo ator, diretor e dramaturgo Ângelo Flávio inspirado na trajetória do ativista.

Debates, performances e leituras dramáticas ocorrerão ao longo da semana também com a participação de convidados como o diretor cubano, dramaturgo e doutor em Artes Julio Moracen, a pesquisadora Elisa Larkin (viúva de Abdias) e o ator e instrumentista Bida Nascimento (um dos filhos do homenageado).

Os textos trabalhados nas apresentações são do repertório do Teatro Experimental do Negro (TEN), companhia criada por Abdias em 1944. Cada leitura é precedida por uma intervenção musical dirigida pelo músico Maurício Lourenço com a ação 'Música de Cabeceira'.

O Encerramento Abriu de Leituras será com o músico Tiganá que apresenta o show 'A Invenção da Cor', às 19h.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Marcio Meirelles comemora 60 anos


por Caio Terra

Hoje, 26 de maio, comemoramos, no Cabaré dos Novos, o aniversário do nosso querido diretor artístico Marcio Meirelles. O encenador, que já tem mais de 90 peças montadas, comemorou junto com funcionários, família, amigos, Bando, LIVRE... com uma feijoada.

Aos 60 anos, Marcio diz que ser feliz é uma opção e que ele próprio escolheu ser. Em poucas palavras, disse também que não esperava chegar nessa idade, mas que teve o prazer de o fazer.

Agora o diretor pensa na sua próxima montagem em comemoração aos 50 anos do Vila, que acontecerá no dia 31 de julho.

Nós, do Teatro Vila Velha, agradecemos e parabenizamos esse grande artista!





sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sergio Laurentino, ator do Bando, participa da série O Caçador

Sergio Laurentino na pele de Paulo Sultão, na série O Caçador


Quem tem acompanhado a série O Caçador, às sextas-feiras, na Rede Globo, deve ter notado um rosto conhecido. Quem dá vida ao personagem Paulo Sultão é o ator Sergio Laurentino, do Bando de Teatro Olodum.


O personagem interpretado pelo baiano é um traficante que quer vingar o sequestro do seu filho, supostamente planejado pelo ex-policial André, interpretado por Cauã Reymond. O ator foi convidado depois de chamar a atenção de uma produtora de elenco da Rede Globo, e está satisfeito com o resultado. "É muito bom saber que a gente, do Bando de Teatro Olodum, é reconhecido pelo nosso trabalho. Isso já vem de Besouro", comenta, se referindo ao filme lançado em 2009, que narra a história do capoeirista Besouro Mangangá.

Sobre a participação do personagem Paulo Sultão na trama, Sérgio brinca “Vão vendo porque, quando eu apareço, é tiro, porrada e bomba!”.

Sergio Laurentino no papel de Exú, no filme Besouro (2009)


Sérgio integrou e integra o elenco de diversos espetáculos do Bando de Teatro Olodum, como "Áfricas", "Bença", "Cabaré da RRRRRaça" e "Dô". Além disso, já marcou presença na série "Ó Paí, Ó", da Rede Globo, e no longa "Jardim das Folhas Sagradas", de Pola Ribeiro. Sérgio participou recentemente das gravações do longa Tropykaos, do diretor Daniel Lisboa, que ainda será lançado em breve.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Esperando Godot investe em tecnologia

Um programa foi criado exclusivamente para que os atores possam interagir e provocar mudanças na trilha sonora através de dois computadores

Esperando Godot. Foto: João Milet Meirelles

Em cartaz no Teatro Vila Velha, o espetáculo Esperando Godot causa surpresa em quem já assistiu alguma das inúmeras versões do clássico do escritor irlandês Samuel Beckett, um dos textos teatrais mais importantes do século 20. Na mais recente versão baiana, dirigida por Marcio Meirelles, a peça começa com a conversa entre os protagonistas, Estragon (Claudio Simões) e Vladimir (Celso Jr.), através de um “chat” na internet.

O diretor optou por transferir para o meio virtual parte dos diálogos e também algumas ações presentes no texto original. Estragon e Vladimir se vêem através da webcam e se falam utilizando microfones, além de terem ganho avatares que são controlados pelos atores durante o espetáculo.

Para que tudo isso fosse possível, foi preciso montar um time preparado. “Formei uma equipe com um animador e um programador e desenhei o projeto”, explica Ângelo Thomaz, diretor de tecnologia do espetáculo. O animador, Dario Vetere, criou os avatares e as ações executadas pelos bonecos, já o programador, Cristiano Figueiró, criou um software exclusivo para a peça.

Esperando Godot. Foto: João Milet Meirelles

O espetáculo foi construído de modo que algumas ações realizadas pelos atores dessem origem, automaticamente, a mudanças no vídeo e até na trilha sonora. “Tem uma hora em que os personagens estão no chat e provocam uma animação no avatar. Isso está associado a uma mudança de trilha sonora e a outros eventos que vão acontecer depois de um tempo determinado”, explica Ângelo. Na linguagem da computação, cada ação que dá origem a outras é chamada de “bang”. Ao longo da peça, são acionados 78 “bangs”.

A trilha sonora, assinada por Ângelo em parceira com Jarbas Bittencourt, é outra novidade. A música do espetáculo é feita com composições aleatórias, criadas de foma randômica por um programa  também desenhado pela equipe. A cada apresentação, o programa gera uma nova música, e a trilha sonora nunca será igual a do dia anterior.


Esperando Godot fica em cartaz às sextas e sábados, 20h, e aos domingos, 19h, na sala principal do Teatro Vila Velha, até 8 de junho. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e 15 (meia).

segunda-feira, 19 de maio de 2014

LIVRE apresenta propostas de cena de MacBeth

   
No último sábado, integrantes da universidades LIVRE de teatro vila velha propuseram versões para as cenas do primeiro ato de MacBeth, peça do dramaturgo William Shakespeare. Os atores utilizaram diversos espaços do Vila, como as salas de ensaio, o palco principal, um dos corredores do teatro e o Cabaré dos Novos. Neste dia, estiveram presentes estudantes do Bacharelado Interdisciplinar da UFBA, que assistiram às apresentações e conheceram um pouco sobre a proposta da LIVRE e do Teatro Vila Velha.

MacBeth é uma tragédia que narra o assassinato do rei da Escócia pelo comandante do seu exército, MacBeth, junto à sua esposa, Lady MacBeth, que passam a assumir o poder. Desde março, a LIVRE tem se debruçado sobre a obra e sobre o universo de Shakespeare, realizando propostas de cena e pesquisas sobre o período histórico em que se passam e foram escritas as peças do dramaturgo inglês.

Fotos: Eduardo Coutinho













Meu 1° Clássico: O ator Tiago Querino escreve sobre a experiência no espetáculo Esperando Godot

Tiago Querino em cena no espetáculo Esperando Godot

por Tiago Querino*

Um dia como os outros estava no Cabaré, naquela escadinha que dá acesso ao Passeio Público quando Seu Meirelles me chamou pra fazer o espetáculo: "tenho um personagem para vc, mas não sei se vc vai querer fazer uma peça fora da LIVRE". Não pensei duas vezes e aceitei. Depois de ter aceitado o convite sem saber de nada devido a minha emoção, perguntei o que ia fazer. "Vou fazer o que Meirelles?". Até então não sabia o Barril que eu estava me metendo. A primeira leitura o Barril de pólvora estourou, nego. Não podia dar pra trás. Eu pensava durante a leitura: "se eu desistir Meirelles vai ficar puto comigo." Fiquei quieto e deixei rolar.

Essa primeira leitura do texto foi um desastre. Rapaz, eu li mal pra caramba. Foi um tal de cuspir texto, intenção errada, gaguejei, falei baixo, a dicção péssima, me arrepiava toda hora, ficava louco qnd minha vez de ler tava chegando, acelevara as minhas falas pra acabar logo. Foi uma catástrofe. Assim que acabamos de ler não conseguia nem olhar pros atores. Fiquei na merda. Silêncio profundo. Meirelles esperou todo mundo ir embora e veio todo feliz com o seu sorriso do Kaos: "achou o que da leitura?" respondi que gostei e que tinha muito trabalho pra fazer. Na verdade eu não tinha entendido nada. Texto maluco da porra. Meirelles como todo diretor que conhece bem com quem trabalha foi logo na ferida: "ficou tímido pq? tá comedo? eles são atores como vc."

A cada leitura o medo me acompanhava. Namorei com o medo o processo todo. Os ensaios só faziam confirmar que quem tem, tem medo, pai. Errava tudo. Não entendia o que tava dizendo. Eu demorava meia hora para falar a intenção certa. Conversava comigo mesmo em casa: "esse texto não é pra mim, velho". As vezes queria sair correndo dos ensaios. Eu só fazia besteira. Por outro lado ganhei um presente. Estava ao lado de atores. Grandes atores. Já tinha visto os três em cena. Gosto muito do trabalho deles. E ter a sorte de presenciar o processo de cada um foi lindo. Levo pra minha vida. Ficava olhando a forma como eles faziam as cenas. Era de arrepiar. Que facilidade. Tinham momentos que preferia ficar só observando os três. Me divertia horrores. Queria que a LIVRE tivesse vivenciado isso. Celso Jr e Claudio Simões foram feitos um para o outro. São amigos de muito tempo. Bonito de ver. Sabem jogar. Jogo limpo sem carrinho por trás.

As piadas, conversas de bastidores, saudosismo me levavam pra outro mundo. Gargalhei muito. Os ensinamento então nem se fala. Suguei tudo. Celso, meu Vladimir, é mais objetivo, é pontual com horário, divertido, gosta de tudo certinho. As vezes impaciente como eu na vida, não larga sua garrafinha verde pra nada. Claudio, meu Estragon, é mais tranquilo, divertido tbm, não tão pontual como Celso, mas é calmo, tem um tempo que é só dele. Igor, meu Lucky, é sossegado, silencioso, fala qnd precisa, me auxiliou bastante. Os três me salvaram. Agradeço de coração. Meirelles é outro a quem devo muita coisa. Obrigado por me botar em risco o tempo todo. Não gosto. Mas sei que é preciso. Não entendo. Mas acho que não é pra entender. É pra fazer. Como Shakespeare. Como a LIVRE. Tbm como Marcio nunca esperei por Godot e nem nunca pensei em encontrá-lo. Sei que Godot não vem. O importante é o que vamos fazer até a sua chegada. E esse fazer nos move para onde a gente quiser. Como Estragon e Vladimir, que brincam, jogam conversa fora, brigam, fazem as pazes e estão sempre elaborando alguma coisa pra dar a impressão de que existem. Um dia não é o bastante para nós. Um dia, como os outros, ficaremos mudos, cegos e surdos. No mesmo dia e no mesmo instante o teatro pode fechar. Para isso não acontecer temos que esperar Godot.

Seguimos!!!


* Tiago Querino é ator da universidade LIVRE de teatro vila velha e integra o elenco do espetáculo Esperando Godot, dirigido por Marcio Meirelles, em cartaz no Teatro Vila Velha.

Esperando Godot
16/05 a 08/06 | sex e sáb: 20h | dom: 19h
sala principal | R$ 30 e 15

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Os atores Leno e Vinícius participam ao vivo do programa Desabafo, na rádio Metrópole

Leno e Vinícius em O Último Godot. Foto: João Milet Meirelles

Nesta quinta-feira, a partir das 23h, os atores Leno Sacramento e Vinícius Bustani participam ao vivo do programa Desabafo, na Rádio Metrópole (103.1 FM). Leno, ator do Bando de Teatro Olodum, e Vinícius, da universidade LIVRE de teatro vila velha, vão falar sobre o espetáculo O Último Godot.

A peça narra o encontro imaginário entre o dramaturgo irlandês Samuel Beckett e o personagem Godot, criador e criatura. O texto do dramaturgo romeno Matéi Visniec faz uma reflexão sobre o lugar do teatro na sociedade contemporânea. Com direção de Marcio Meirelles, a montagem fica em cartaz às terças e quartas, 20h, até o dia 4 de junho, no Cabaré dos Novos.

Claudio Simões, Analu Tavares e Aicha Marques apresentam Desabafo

O Desabafo é apresentado pelas atrizes Analu Tavares e Aicha Marques e pelo ator e dramaturgo Claudio Simões. O programa vai ao ar todas as quintas e sextas, das onze da noite até uma hora da manhã. Na roda de conversa, muita cultura e humor. Fique ligado!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

GODOT invade o Teatro Vila Velha

O personagem da emblemática obra Esperando Godot, uma das mais importantes peças do século 20, chega com tudo ao Teatro Vila Velha. O diálogo entre Esperando Godot, que estreia nesta quinta-feira, e O Último Godot, em cartaz desde o início do mês, acontece dentro e fora dos espetáculos.

Em Esperando Godot, texto do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, os personagens Vladimir e Estragon aguardam, numa estrada deserta, a chegada de Godot, um homem de que se sabe muito pouco. A longa espera, acompanhada por brigas e reflexões filosóficas, se estende por dias, e é interrompida sempre com a notícia, trazida por um mensageiro, de que Godot talvez chegue no dia seguinte. Na montagem baiana, recursos tecnológicos são usados para abordar os temas existenciais evocados pelo texto, representando um mundo, ao mesmo tempo, hiperconectado e inóspito.

 Esperando Godot. Foto:Leonardo Pastor

A peça O Último Godot, escrita pelo romeno Matéi Visniec, narra o encontro hipotético entre Samuel Beckett e Godot, criador e criatura. A inusitada conversa entre o autor e o personagem, até então desconhecido, faz uma reflexão sobre o lugar do ator e do teatro na sociedade contemporânea.

O Último Godot. Foto: João Milet Meirelles


Os dois espetáculos têm direção de Marcio Meirelles e permanecem em cartaz até a primeira semana de junho no Teatro Vila Velha. Esperando Godot tem no elenco Celso Jr., que é também o idealizador do projeto, e conta ainda com os atores Claudio Simões, Igor Epifânio, Wallas Moreira e Tiago Querino, integrante da universidade LIVRE de teatro vila velha. Já O Último Godot conta com os atores Leno Sacramento, do Bando de Teatro Olodum, e Vinícius Bustani, também da LIVRE.

O Último Godot
13/05 a 04/06 | ter e qua | 20h
cabaré dos novos | R$ 20 e 10

Esperando Godot
16/05 a 08/06 | sex e sáb: 20h | dom: 19h
sala principal | R$ 30 e 15

terça-feira, 13 de maio de 2014

A todo vapor

Segunda-feira normalmente é dia parado. À noite, então, nem se fala. Muitos bares não abrem, museus não funcionam, teatros muito raramente tem alguma programação. Ontem, no Teatro Vila Velha, não foi segunda-feira.

No Cabaré dos Novos, o coreógrafo e performer Leonardo França apresentava ao público o solo Ouriço. Na Sala João Augusto, integrantes da Oficina de Performance Negra participavam da roda de conversa “Arte Negra e Militância”, com o escritor Mandingo e o poeta Nelson Maca. Ao mesmo tempo, no palco principal, os atores e equipe do espetáculo Esperando Godot ensaiavam para a estreia que acontece nesta quinta. Na Sala Mario Gusmão, atores da universidade LIVRE de teatro vila velha faziam a primeira leitura do texto que vai celebrar, no palco, os 50 anos do Teatro Vila Velha.

Nesta segunda-feira, o Vila era exatamente o que foi durante os seus 50 anos: um espaço vivo, político, casa de múltiplos artistas e múltiplas linguagens. E ainda há muito pela frente!


Mais uma primavera para o ator Vado Souza



Hoje, 13 de maio, comemoramos o aniversário do ator Vado Souza, integrante da universidade LIVRE de teatro vila velha. Vado começou sua carreira em 2005, fez parte do grupo de teatro Ditirambos, com direção de Bertho Filho, com quem trabalhou nos espetáculos O Mala Nada na Lama e Câncer. Integra a LIVRE desde abril de 2013 e já participou dos espetáculos Por que Hécuba Frankenstein. Nossos votos de vida longa e uma carreira repleta de sucesso. Merda!


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Espetáculo Mangiare é destaque do Cardeno 2


O espetáculo Mangiare, em cartaz hoje e sábado, 20h, e domingo, 19h, no Teatro Vila Velha, foi destaque no Caderno 2 desta sexta-feira. A comédia do Grupo Pedras, do Rio de Janeiro, segue o roteiro de uma refeição e permite que o público experimente as comidas preparadas pelas atrizes em cena. Leia mais na matéria!

09 a 11/05 | sex e sáb: 20h | dom: 19h
sala principal | R$ 20 (mesa) e 10 (arquibancada)

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Mangiare, o inusitado espetáculo-degustação, chega a Salvador

Entrada, prato principal, sobremesas, vinho e chá fazem parte do cardápio cênico 



Neste fim de semana, o espetáculo Mangiare chega a Salvador pela primeira vez para três apresentações no Teatro Vila Velha. A peça, que segue o roteiro de uma refeição, dá ao público a oportunidade de experimentar as delícias preparadas pelos atores em cena. O espetáculo fica em cartaz na sexta (9) e no sábado (10), às 20h, e no domingo (11), às 19h. 

Como entrada, uma salada oriental é preparada e servida ao público por uma mãe e duas filhas que expõem seus conflitos e intimidades. O prato principal é feito por divertidas máscaras balinesas que sonham com a fortuna ao preparar um nhoque de inhame. Histórias e segredos culinários são confidenciados ao público por personagens que se sentam à mesa e o tema da compulsão é abordado com música, tragédia e humor. No final as sobremesas; rocambole, palha italiana e goiabada com queijo são oferecidas numa brincadeira de tentação e desejo. Alimentado por música ao vivo, o espetáculo é antes de tudo uma celebração à vida! 

Esta é a terceira montagem do Grupo Pedras, que, assim como as anteriores, é fruto de dramaturgia coletiva. Selecionado pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura – 2013-2014, Mangiare chegará a Salvador para ser apresentado no icônico Teatro Vila Velha, no ano em que comemora 50 anos. “Um prato cheio”, brinca a atriz Marina Bezze também criadora.

Sobre o Grupo Pedras (RJ)

Já faz 13 anos que alguns jovens atores se encontraram e descobriram afinidades. Vindos na sua maioria do grupo teatral carioca Atores de Laura, decidiram com coragem e espírito de aventura fundar seu próprio grupo e assim nasceu o Pedras. De lá pra cá muita estrada foi trilhada, sempre com uma assinatura cuidadosa em pesquisa, elaboração de dramaturgia e escolhas de parceiros. Seus talentos foram reconhecidos no meio cultural e absorvidos de forma individual, levando todos eles a viverem experiências paralelas consistentes no cinema e TV.Para Ana Paula Secco, uma das atrizes fundadora do Pedras e co-criadora de Mangiare, “O nosso ideal de grupo sempre foi o de praticar um espaço de criação autoral“.

“A curiosidade pelos temas que gostaríamos de explorar em cena sempre nos moveu, fazendo com que aprofundássemos a pesquisa. Isso já fez com que mergulhássemos fundo no universo dos Mamulengos de Pernambuco, dos cordéis, da poesia, resultando em diferentes espetáculos. E agora o tema da comida, a importância do alimento e o quanto celebramos afeto com ele”, complementa Georgiana Góes, também fundadora e co-criadora de Mangiare.Mas falar de comida sem prová-la não teria o efeito que o Pedras gostaria de causar nas pessoas. Com a colaboração da diretora Fabianna de Mello e Souza na ocasião da criação, recém chegada de Paris onde fez parte por 18 anos do conceituado grupo Thêatre de Soleil de Arianne Mouskine, ousaram criar um jantar efetivamente, onde o público é convidado a se sentar em três grandes mesas e comer até sair do espetáculo saciado.

CARDÁPIO:

Entrada - Gadô Gadô - salada quente de legumes 
Prato principal - Nhoque com molho de tomate
Sobremesas - rocambole com geleia de morango/ goiabada com queijo e palha Italiana

Pão/água e vinho

09 a 11/05 | sex e sáb: 20h | dom: 19h
sala principal | R$ 20 (mesa) e 10 (arquibancada)

Marcio Meirelles participa de mesa de abertura do Fórum Shakespare, em São Paulo

Coluna VIP, Jornal Correio, 07/05

O diretor teatral Marcio Meirelles participa nesta quarta-feira, em São Paulo, da mesa-redonda que abre o Fórum Shakespeare, intitulada "Shakespeare, Nosso Contemporâneo Brasileiro". O diretor artístico do Teatro Vila Velha discutirá a influência de William Shakespeare na dramaturgia contemporânea, ao lado do diretor Antônio Abujamra, além de Paul Heritage, professor da Queen Mary University of London, e Fernando Yamamoto, diretor do grupo Clowns de Shakespeare.

Marcio Meirelles já dirigiu montagens de MacBeth, Sonhos de uma Noite de Verão e Troilus e Créssida, obras do dramaturgo inglês, e, desde março, tem trabalhado com a universidade LIVRE de teatro vila velha os textos Hamlet e MacBeth.

Saiba mais sobre o Fórum Shakespare São Paulo clicando aqui.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Turma da II Oficina de Performance Negra dá show de atuação e conscientização

Texto: Meire



O resultado do  primeiro módulo da II Oficina de Performance Negra, projeto do Bando de Teatro Olodum, empolgou a plateia. Os 36 participantes mostraram, no último domingo, dia 4, no Teatro Vila Velha, o que aprenderam na primeira parte do curso, que segue até setembro. Em quadros dirigidos pelos atores do grupo - Merry Batista e Cássia Valle; Valdinéia Soriano e Leno Sacramento, e Jorge Washington e Jamile Alves-, eles abordaram temas como estética, o espaço da mulher negra no Brasil e debates sobre o preconceito racial.  

Jamile Ferreira, 20 anos, elogiou o espetáculo. "Foi superinteressante. Eles mostram de uma forma bem realista a realidade do negro na sociedade. O espetáculo surpreendeu as minhas expectativas”. Presidente da Fundação Palmares, Hilton Cobra, destacou três principais características na apresentação. “Quantos artistas nós temos ali naqueles 36 atores e atrizes. Outra coisa boa é o que se fala no palco: política, estética. É muito interessante. Outra coisa que não podemos deixar de perceber é a plateia majoritariamente negra, coisa que é rara nos grandes centros culturais do país. Isso é o que nos traz o Vila Velha e o Bando de Teatro Olodum”.




A diretora teatral Petinha Barreto também aprovou o espetáculo."Foi fantástico, deve ser mais divulgado e ir a outras lugares”. Para Jorge Washington, um dos diretores do espetáculo,a primeira fase do projeto já demonstra o cumprimento dos objetivos do projeto, que contribui, principalmente, para a formação de novos atores em uma estética muito própria do Bando. "Teatro é isso. É ver que seu trabalho está dando fruto. É ver o público entender, participar e refletir junto com a gente”, acrescentou.

Thiago Almazi, 25 anos, membro do grupo dirigido pela dupla Valdinéia Soriano e Leno Sacramento, conta que esse foi o seu primeiro trabalho com o Bando. “Está sendo ótimo porque a gente não trabalha só com atuação, mas também com música, dança, discurso político e o audiovisual. Hoje foi lindo e eu espero que os próximos sejam ainda mais bonitos”.



A oficina, que tem o  apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) por meio do Edital Setorial de Teatro,é dividida em três módulos e segue até setembro. A supervisão geral é feita pelos diretores Márcio Meirelles e Chica Carelli– que responde pela coordenação geral do projeto–, pelo diretor musical Jarbas Bittencourt e pelo coreógrafo Zebrinha.

Os participantes do projeto têm aulas de dança, canto, instrumentos, interpretação, produção e gestão sempre voltadas para a temática negra desenvolvida pelo Bando que conta hoje com 15 atores e atrizes. O último módulo será a encenação da versão de uma das montagens do repertório do Bando de Teatro Olodum.