quarta-feira, 31 de julho de 2013

Teatro Vila Velha comemora 49 anos

Eduardo Coutinho, integrante da universidade LIVRE, fala sobre o aniversário do Vila e do café da manhã desta quarta-feira

31 de julho de 2013
Café da manhã no Cabaré dos Novos 
Hoje, o Teatro Vila Velha completa 49 anos. Foi em 1964, ano do golpe militar, que um grupo de atores dissidentes da Escola de Teatro da UFBA, a Sociedade de Teatro dos Novos, criou o Vila: referência em movimentos e transformações sociais e artísticas.

Em comemoração ao quase meio século de história, um animado café da manhã reuniu funcionários, membros de grupos residentes, parceiros, amigos e membros fundadores do Vila no Cabaré dos Novos. O evento permitiu o encontro de antigos e novos membros do teatro, que puderam compartilhar histórias, risadas e, claro, muitos doces e salgados. Para Sônia Leite, participante da Universidade Livre de Teatro Vila Velha: “É um momento único, pois aqui estão se encontrando várias gerações do teatro”. Leno Sacramento, do Bando, acrescenta: “Para 49 anos, o teatro está bem jovem. Tem muita gente nova entrando – tanto de teatro quanto de idade – e isso é muito bacana”.

O evento contou com representantes da Petrobrás, o superintendente de cultura do estado da Bahia, Carlos Paiva, e Sônia Robatto, uma das fundadoras do teatro e integrante da Cia Teatro dos Novos. “O Vila Velha tem um ar festivo sempre. Nós gostamos de comemorar a vida. Este teatro pra gente é vida, é casa, é sonho”, disse a atriz. Robatto não escondeu a grande expectativa para os 50 anos a serem comemorados em 2014: “Estamos preparando uma grande comemoração para o ano que vem”, em um breve discurso aos convidados.

Os festejos também acontecem do outro lado do oceano, em São Tomé e Príncipe, no continente africano. O experimento “A Terra dos Homens”, dirigido por Márcio Meirelles para o projeto PSTAGE, acontece hoje. 

E neste clima de confraternização, o Vila reúne antigos e novos em um espetáculo em agosto. Espelho para Cegos terá ensaio aberto no dia 12 de agosto e estréia no dia 16. Baseado no texto “Teatro Decomposto ou O Homem-Lixo” do romeno Matéi Visniec, a peça tem direção de Marcio Meirelles e Bertho Filho. O elenco é composto por Sônia Robatto, Anita Bueno, Zeca de Abreu e participantes da LIVRE. 

Venha e faça parte também desta história. Fique de olho em nossa programação e vá ao Vila, velho!

É hoje! Aniversário do Teatro Vila Velha - 49 anos de atuação política, social e cultural

Questionador por natureza, o Vila completa 49 anos hoje: 31 de julho de 2013. Sempre de portas abertas para o público. 

Movimento Passe Livre Salvador, reunião realizada no Teatro Vila Velha
em 27 de junho de 2013
Desde a sua inauguração, exatos quatro meses após o golpe militar que instalou uma ditadura, cujos efeitos ainda sentimos no Brasil, o Vila é um lugar de liberdade, que entende teatro como uma ferramenta de transformação social. A história começa a partir de um entrave político, quando a primeira turma concluinte da Escola de Teatro da Ufba decide romper com o curso e criar a Sociedade Teatro dos Novos, em 1959, por discordar do método e da direção de Martim Gonçalves, àquela época.

Engajados na busca de um teatro que dialogasse diretamente com a sociedade (perspectiva do Vila até os dias de hoje), o grupo dissidente, formado pelos atores Othon Bastos, Sônia Robatto, Carlos Petrovich, Carmem Bittencourt, Echio Reis, Teresa Sá, Maria Francisca, era liderado pelo então professor João Augusto,  e ainda incorporou outros grandes atores e atrizes, como Nevolanda Amorim, Marta Overbeck, Mario Gusmão, Mário Gadelha e Wilson Mello.

Essa geração, com a fundação do Vila, em 1964, começou a construir um pensamento político em torno da valorização da dramaturgia brasileira e da cultura popular. A peça de estreia do Vila é um exemplo bem claro dessa escolha: “Eles Não Usam Black-Tie”, de Gianfrancesco Guarnieri (ou “Eles Não Usam Bleque-Tai”, na versão de João Augusto). O artista levantava aí um debate sobre o conceito de nacional e inovava, por exemplo, ao incluir a Escola de Samba Juventude do Garcia na encenação.

A trajetória de luta e resistência continua. Dessa história, faz parte o atual diretor artístico do Vila, Marcio Meirelles, responsável pela revitalização do teatro baiano duas vezes: na década de 70, com o Avelãz y Avesturz, e em 1990, com a criação, juntamente com Chica Carelli, do Bando de Teatro Olodum, formado somente por atores negros. O Bando trouxe para o Vila a discussão político-racial, a cultura e o lugar do negro na sociedade. A partir da gestão de Meirelles, o Vila entra numa dimensão de construção coletiva, que mantém seus embriões ideológicos e investe numa geração de criadores das mais variadas linguagens e propostas estéticas, reativando o teatro com os grupos residentes.

Em maio de 1998, o Vila reestreia, completamente reformado, com a montagem "Um Tal de Dom Quixote", que reunia o Bando de Teatro Olodum e trazia de volta à cena a Companhia Teatro dos Novos, núcleo fundador do espaço. Neste mesmo ano, constituía-se o Núcleo Viladança, idealizado pela bailarina, coreógrafa e diretora Cristina Castro. E foi com a artista, em 2007, que se criou o VIVADANÇA Festival Internacional - um mês inteiro de programação para pensar, discutir e celebrar a dança da Bahia, do Brasil e do mundo. Nesse contexto, ainda estão a companhia infanto-juvenil Novos Novos, e os ex-grupos residentes “Vilavox” e a “A Outra Companhia de Teatro”.

São muitos os meios de diálogo e de reinvenção. Incorporado nesse sistema, sempre se explora todas essas possibilidades, estabelecendo conexões com as diversas ciências e campos do saber. O debate sobre a vida política e cultural é uma constante do espaço. Não é à toa que o Vila abriga projetos como “A Cidade Que Queremos”, que surge a partir da manifestação popular e da criação do Movimento Desocupa; e, mais recentemente, demonstrando seu apoio ao Movimento Passe Livre Salvador.

Participativo, o Vila questiona as políticas de fomento à Cultura, as estratégias de formação de platéia e os meios para o fortalecimento da Economia da Cultura, chamando a atenção das instituições e órgãos públicos, das entidades não-governamentais e da sociedade de maneira geral.

Dessas reflexões críticas sobre o papel, a atuação e a forma como essas práticas interferem na configuração social, política, econômica e, principalmente, cultural, surgem os fundamentos para os vários programas e atividades desenvolvidos por esse organismo intenso de idéias e questionamentos, a exemplo da recém criada universidade LIVRE de teatro vila velha (a LIVRE), que se conecta com as idéias do artista visual e ativista político-cultural alemão Joseph Beuys (1921-1986), Zé Celso (Teatro Oficina) e outros artistas e coletivos que pensam a arte como ferramenta política de transformação.

A partir da proposta da LIVRE, o Vila se reinventa continuamente, deslocando a construção dos processos artísticos para lugares em que os participantes exercem plena e conscientemente toda a autonomia criativa e de gestão. Essa consciência se instala por meio de ações multidisciplinares, transversais e poéticas, nos quais os participantes entram em contato com conhecimentos de iluminação, sonorização, cenografia, produção, processos em rede, comunicação e muitos outros que tenham por objetivo a construção de um saber teatral pleno.

Dia 31 de julho, a gente celebra o Vila e parabeniza o público por viver toda essa história com a gente! 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Diário de Bordo: oitavo dia de oficina com o diretor teatral Marcio Meirelles em São Tomé

Convidado pela “Cena Lusófona”, Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, o artista conduz na África, juntamente com António Augusto Barros (diretor da associação), uma seleção de atores para a montagem de um espetáculo com estreia em Portugal. 


esse foi um grande dia:
dia 8

começamos com o aquecimento
cada um canta a canção q trouxe
dividimos os grupos para trabalharem melhor as cenas
trabalho eu próprio cada grupo
tento introduzir as canções
sentimos dificuldade paramos fazemos só as cenas
e vou uma a uma trabalhando
noções de espaço cênico de distância entre os personagens
de olhar de visão de pontos de vista de sonoridades
discutimos conteúdo e forma
sugiro e ouço sugestões a partir do q foi dito ontem
e do q pensamos sobre o q foi dito e o q fizemos
as cenas vão crescendo tomando forma
problema c ausências e atrasos
novos atores introduzem seus personagens em grupos
onde faltaram personagens
esbarramos numa cena q trata da questão do uso de drogas
n é um tema local ainda
n se sabe mto bem ou se confunde a natureza e efeito de cada uma
cheiram liamba fumam droga
maconha deixa as personagens completamente fora de si
sem nenhum controle sem reconhecer os outros
e por fim um professor e uma estranha aparecem e numa recuperação mágica "salvam" os 2 drogados
levam-nos para o hospital para a "cura"
discutimos sobre isso sobre as drogas
e decidimos abandonar o tema
caro às ongs mas alheio ainda ao cotidiano local
q valeria a pena discutir se tivéssemos tempo para desenvolver uma pesquisa e um ponto de vista sobre o assunto
se fôssemos testemunhas deste fato e pudéssemos apresenta-lo para q a platéia tomasse decisões a respeito
o grupo sente-se frustrado
mas vai recomeçar e refazer a cena
pergunto o q este teatro q estamos fazendo tem a ver c o q eles fazem normalmente aqui
quais as diferenças e como podem usar as ferramentas q estamos experimentando ou criando para seu trabalho individual
apesar de às  vezes trabalharem a partir de textos na maioria das vezes trabalham a partir de improvisações
alguém traz um guião e faz a escala de atores/personagens
eles improvisam e estruturam a peça
nunca tinham trabalhado a partir do personagem e de uma criação de roteiro coletivo
n costumam trabalhar c ritmos e canções locais
barros sinaliza a necessidade de compromisso de estudo de pesquisa q poucos trouxeram os textos ou fizeram os trabalhos propostos
q gostam muito de falar e trabalham pouco pra mudar q se querem ser profissionais precisam ter compromisso
q muitos faltam chegam atrasados e atrapalham o andamento c isso
q teatro n é fácil precisa de disciplina e dedicação q os personagens precisam aparecer
q precisam saber sobre o q estão falando qdo falam coisas e a cena da droga foi o exemplo
agradeceram a barros pela fala
falo: meu filho mais velho é biólogo trabalha c corais e mergulha
qdo soube q eu vinha pra s. tomé ficou mto animado pq gostaria de vir e mergulhar aqui 


aqui existe uma riqueza e diversidade mto grandes de vida marinha e ele gostaria de conhecer
daí ele me escreveu um imeio dizendo q eu devia mergulhar pra conhecer o seu universo e assim entende-lo um pouco mais 
isso foi uma indicação
daí nos inscrevemos num mergulho e ontem fomos fazer o primeiro treinamento na piscina
fomos orientados sobre todos os procedimentos e advertidos de todas as dificuldades e perigos
nos ensinaram todos os sinais necessários para o primeiro mergulho
sinais de comunicação c significados específicos p os mergulhadores
ensaiamos o mergulho várias vezes
ensaiamos algumas possibilidades de acidente com seus perigos as alternativas de solução
estávamos aptos a estrear no mar
em pouca profundidade mas no mar
hj fomos ao ilhéu das cabras e ancoramos perto de um navio naufragado
colocamos roupas e equipamento 
o figurino próprio
e mergulhamos
desci segurando a corda da âncora como todos os outros
o ouvido doia um pouco na descida mas fiz o q ensaiei e resolveu
enqto alguns já nadavam c seu instrutor para mais longe da âncora da zona de segurança e mais para perto do navio
eu comecei a achar q n ia dar certo q eu ia entrar em pânico q n ia saber coordenar tudo o q tínhamos ensaiado
subi e desci 3 vezes
o instrutor perguntava através de sinais se estava tudo bem eu dizia q sim mas n estava
da última vez q desci e já ia desistir pensei 
de alguma forma estou aqui representando meu filho 
mergulho por ele q n está aqui para mergulhar e para ele
para entender melhor seu universo
se eu desistir vou falhar c ele e vou perder a experiência de ver a diversidade de vida q existe aqui em baixo
vou perder a aventura
percebi q respirava corretamente e q tudo estava como tinha sido ensaiado
era ir e fui
vivi a aventura até o fim
vi os peixes corais e pedras vi q o navio tinha se transformado num monstro marinho macio ao toque
n mais o toque frio do metal nos dedos era como um animal gelatinoso q alimenta outras vidas em simbiose
vi o universo que fascina e alimenta meu filho e o representei num mergulho q sua ausência geográfica n permitia
assim é o teatro uma aventura 
temos equipamentos/ferramentas e procedimentos q vamos construindo nos ensaios
qdo estamos aptos mergulhamos no palco e representamos o público q n está alí mas espera q o representemos
q vivamos situações q n estão no nosso cotidiano mas q são parte da experiência humana neste universo
as vezes desconhecido
o pânico de entrar no palco e fazer o q ensaiamos pode ser vencido se fizermos exatamente o q ensaiamos
e estivermos preparados pra solucionar problemas e acidentes q por acaso venham a acontecer
daí emergimos outros novos renovados mais ricos possuidores de uma nova vida e experiência
e teremos feito nosso papel - representado e entendido melhor o outro q ao se ver em nós reconhece
o nosso esforço e a sua própria experiência e pode lidar c ela fora de si e corrigir caminhos
e mudar a rota e ser melhor

24/07/2013

Diário de Bordo: sétimo dia de oficina com o diretor teatral Marcio Meirelles em São Tomé

Convidado pela “Cena Lusófona”, Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, o artista conduz na África, juntamente com António Augusto Barros (diretor da associação), uma seleção de atores para a montagem de um espetáculo com estreia em Portugal. 


dia 7

mudo a configuração do espaço
crio um corredor com espectadores dos dois lados
e isso deve ser levado em conta
retomamos as cenas
cada grupo apresenta de novo o q fez
agora mais estruturado
menos improvisado
uma certa e primeira consolidação
ou edição do q fizeram no dia anterior
depois de apresentarem sentam e escutam as perguntas e questões
dos outros atores q devem
falar sobre o q viram e n sobre o q gostariam de ter visto
falar sobre o q foi feito e n sobre o q fariam
dizer as dúvidas q surgiram
fazer perguntas q tentem elucidar aspectos dúbios ou pouco claros da cena e das relações entre os personagens
falar sobre as relações e objetivos dos personagens q lhe sugerem as ações apresentadas
fazer uma crítica n de valor mas de pertinência do apresentado no sentido de o q vi foi isso e me escaparam mtas coisas pq…….
apresentar um espelho para q o grupo q apresentou possa ver o q foi feito através dos olhos dos outros
o grupo q apresentou n fala nada
escuta e vai procurar responder reformulando a cena
ou clareando a narrativa das ações
o trabalho acabou bem tarde e n pudemos fazer a roda final
poucos trouxeram o q pedi ontem
textos canções cenas escritas

23(26)/07/2013

Diário de Bordo: sexto dia de oficina com o diretor teatral Marcio Meirelles em São Tomé

Convidado pela “Cena Lusófona”, Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, o artista conduz na África, juntamente com António Augusto Barros (diretor da associação), uma seleção de atores para a montagem de um espetáculo com estreia em Portugal. 



dia 6

mudamos de espaço
de manhã fomos eduardo pinto (produtor) e eu
ao liceu tentar local mais amplo pra nossos encontros
a sala da casa da cultura é mto pequena
falamos c o diretor 
e conseguimos pq a cenalusófona já tinha mandado uma carta há uma semana ou mais solicitando 
e todas essas formalidades epistolares parecem fazer parte dos ritos locais
são levadas muito a sério
n sei se para retardar ações ou se pela sacralização das instituições
para q elas tenham valor e sentido
de outra forma q valor tem uma instituição se vc pode resolver as coisas pessoalmente?
fomos então um pouco antes da hora do ensaio
para a casa da cultura a princípio para trabalhar lá mesmo
mas decidimos ir para o liceu
mesmo pq a chave da sala onde ensaiamos está na mão de alguém q n se acha
e hj tem um seminário sobre direitos de propriedade intelectual
organizada até onde pude entender por uma organização internacional
faz parte do festival gravana
e mtos ligados à cultura oficial estão envolvidos nele
no liceu
a sala ampla e empoeirada
foi arrumada 
temos 24 atores hj
o número varia entre 24 e 31 a cada dia
mais para o fim do ensaio chegam mais 3 e participam como observadores
no início 
depois do aquecimento em q caminhamos respiramos
reconstruímos personagens
fazemos uma grande roda e um ator vai até o centro e apresenta o seu
outro ator vai até lá e contracena c ele
o primeiro sai e chama outro q vem e contracena c o q ficou
assim vão aparecendo relações
basicamente contam trechos de coisas q viveram em outros exercícios
é a proposta
apresentam o personagem agora a partir n só da imaginação
mas tb de experiências q ele teve com outros personagens feitos pelos outros
depois escolho seis atores q contaram experiências 
q podem gerar discursos e peço q escolham seu time
assim formamos 6 grupos de 4 atores
peço q improvisem uma cena coletivamente
e começamos a criar as 6 cenas c as quais trabalharemos
eles apresentam as cenas em cima de um pequeno palco q existe na sala
estar um palco foi um diferencial
pedi q

escrevam sobre o personagem
tragam canções q lembrem o personagem ou a cena
tragam textos q quueiram ler e tenha a ver c os personagens ou cenas
escrevam as cenas

22(26)/07/2013

Diário de Bordo: quinto dia de oficina com o diretor teatral Marcio Meirelles em São Tomé

Convidado pela “Cena Lusófona”, Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, o artista conduz na África, juntamente com António Augusto Barros (diretor da associação), uma seleção de atores para a montagem de um espetáculo com estreia em Portugal. 


dia 5

hj n tem encontro na oficina
tem abertura do festival gravana
gravana é a estação seca q dura dois meses depois das chuvas
e corresponde a julho/agosto
é um festival de cultura q envolve os fazeres das ilhas
quatro participantes da oficina se apresentam num grupo de dança tradicional
por isso discutimos ontem como seria
houve consenso em suspendermos a oficina
abertura oficial c o ministro da educação cultura e formação 
o diretor de cultura o de turismo e outra coisa q esqueci
o diretor da cst telefônica q tem o monopólio dos celulares e internet
e q cobra um absurdo pelo serviço
mas q está patrocinando o evento
com muitas discussões sobre isso
principalmente por causa da assinatura da cst
no banner do festival
coisa q no brasil nem se questiona mais
nem se percebe
nem se vê
mas há uma disputa acirrada entre criadores de material gráfico
produtores e agentes do patrocinador
tb na mesa o presidente da cenalusófona
falas música 
qdo vai começar a dança falta luz
esperamos
falta gasóleo [disel] no gerador
volta a luz
dançam um pouco visivelmente constrangidos
os atores q trabalham conosco na oficina
falta luz
há já gasóleo liga-se o gerador
fim da abertura oficial
perguntas
pra quem foi aquela abertura?
q público se espera para o festival?
quais são os critérios de seleção das apresentações?
temos discutido mto isso de público e políticas culturais.
o fato é q hj n temos encontro para a oficina
mas este encontro aqui c a cultura sãotomense e c a política do setor no país
valeram como um aprendizado
como colocar isso no palco
no experimento q faremos?
logo ao sair do arquivo histórico nacional onde o festival foi aberto
deparamos com um outro festival de rua de rap hip hop onde jovens de atitude ao som de djs dançam e fazem rimas
repistas dão seu recado put your hands up put your hands up
no duplo sentido da frase estadounidense mas universal
mostram a indignação em relação ao mundo e nos manda colocar as mãos ao ar
como dizíamos qdo eu era criança e brincava de polícia e ladrão
quem são os ladrões?

19/07/2013_27/07/2013

domingo, 21 de julho de 2013

Ganhando o mundo entre a África e o Japão


A Coluna 7 Dias de Therezinha Cardoso, no Caderno 2 do jornal A Tarde de hoje, destaca as viagens de pesquisa e trabalho do diretor teatral Marcio Meirelles, do músico e fotógrafo João Meirelles e do doutorando em Biologia (UFRJ) Pedro Meirelles. O mês de julho é de grata coincidência na carreira dessa talentosa família. 


Clique na imagem para ampliá-la:


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Carla Ceci, aluna do Mestrado em Literatura e Cultura da Ufba, entrevista o ator Fernando Fulco


Fulco relatou suas experiências no grupo "Amador Amadeu", na década de setenta (1975), sob a direção de Rogério Menezes. O grupo tinha como objetivo a realização de um teatro político e engajado, buscando interagir com o público e  rompendo os limites do teatro, indo aonde o povo estava, em espaços públicos, praças, igrejas e bairros populares. Fulco falou também sobre a relação do "Amador Amadeu" com outros grupos baianos da mesma categoria, abordando a censura de textos teatrais e a relevância do apoio do Teatro Vila Velha, naquele momento histórico. 

Conheça mais sobre a obra desse grande artista clicando aqui




Diário de Bordo: quarto dia de oficina com o diretor teatral Marcio Meirelles em São Tomé

Convidado pela “Cena Lusófona”, Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, o artista conduz na África, juntamente com António Augusto Barros (diretor da associação), uma seleção de atores para a montagem de um espetáculo com estreia em Portugal. 


dia 4

os personagens saem dos ritmos de cada um
surgem "como se estivesse vendo meus vizinhos"
os vizinhos q vão servir pra falar coisas
quem são eles?
surgem como dançarinas jogadores atletas policiais
trabalhadores pequenos proprietários c as terras invadidas
o q dizer c eles?
os personagens são como instrumentos q os atores devem saber tocar
e produzir a música q quiserem
ouvir os outros personagens
produzir uma música coletiva
q diga coisas
parte-se de mtos lugares
nós partimos da respiração q começa com caminhar
os participantes trouxeram tambores de seus grupos
lindos cheios de histórias
hj os ritmos são produzidos por tambores 
q conduzem as ações
meio elenco toca meio elenco improvisa
apresentam os personagens e partem para uma jam session
os tambores guiam as ações
cada tocador com seu ritmo conduz um personagem do outro ator
há uma inversão
agora é meu ritmo q conduz seu personagem
faço c q entrem em cena intensifico as situações aumentando o volume ou andamento
tiro o seu personagem de cena parando de tocar
no intervalo outra explosão
tambores e danças
por fim
falar
dar nomes aos personagens e organizar sua memória
o q aconteceu?
em roda cada personagem se apresenta e diz o q faz
em roda são feitas perguntas para q se possa conhecer melhor cada um deles
as improvisações continuam como fala
cada personagem interfere na história do outro
afirmando coisas atos q mtas vezes o personagem arguido tenta negar
e mtas vezes o interlocutor diz tenho provas
e as provas são aceitas
mesmo se n expostas
é o princípio do jogo teatral
o outro nos conduz tb
as perguntas q fica é
q perguntas n foram feitas?
quem é seu personagem e o q vc vai fazer dele?
sobre isso vamos trabalhar segunda feira

18/07/2013





quinta-feira, 18 de julho de 2013

Diário de Bordo: terceiro dia de oficina com o diretor teatral Marcio Meirelles em São Tomé

Convidado pela “Cena Lusófona”, Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, o artista conduz na África, juntamente com António Augusto Barros (diretor da associação), uma seleção de atores para a montagem de um espetáculo com estreia em Portugal. 


dia 3

no início reflexão pq da ausência de um manual escrito
teatro se escreve a cada dia em cada novo projeto
c cada novo agrupamento humano q quer fazer
e isso é claro pra mim
principalmente agora q trabalho c a UNIVERSIDADE LIVRE DE TEATRO VILA VELHA
o CURSO LIVRE DE TEATRO DA ETUFBA
preparo a encenação de ESPELHO PARA CEGOS
e faço esta oficina em s tomé
cada um um teatro
cada um um processo
a mesma base
mas como fixar um cânone
como estruturar um método
se n reescrevendo a cada dia o método
se n transgredindo e desobedecendo o planejado
passamos quase duas horas organizando os trinta toques e sons
em dois "conjuntos" sonoros de 15 toques cada
em dois objetos musicais
os ritmos se desencontravam
começavam casando um toque c outro
outro toque era acrescentado e se encaixava e iam se encaixando e de repente tudo começava a atravessar e recomeçar e encaixar e desencaixar
conseguimos montar os dois poliritmos com a ajuda de alguns facilitadores entre eles uns já tem estrada nos sons e instrumentos
depois retomar os personagens
uma longa caminhada
o início é sempre caminhar
um caminho q vai do primeiro dia até sempre
respirar
atenção
consciência da respiração
mudar
lembrar
voltar à respiração cotidiana
retomar a respiração imaginada e construída
a memória e o poder de reconstruir qdo quiser a partir de nenhum estímulo outro q n a vontade de mudar de assumir um outro estado provocado pela memória física da respiração
do ritmo e da pulsação
por fim os personagens retornam
e aceleram a respiração e o ritmo do andar
o andamento
em busca de alguma coisa q se quer muito
e por fim se chega ao lugar onde estaria o q se quer
onde aconteceria o necessário
e n sucede
n se encontra o buscado
relatar o q se buscou
e o exercício era relatar c sons 
os sons construídos até então
o som de cada um como uma digital como a identidade a fala
usar os sons produzidos como linguagem
depois substituir a linguagem dos sons por palavras
o primeiro a relatar n encontrou mais uma festa
o segundo embarcou na festa q era de crianças e q tinha q acabar cedo
e tinha bebida alcoólica
levada por mães
e as crianças sumiram
e n tenho nada a ver c isso
e um longo discurso cênico sobre a isenção de responsabilidade da sociedade em relação aos problemas coletivos
vou resolver o meu
o outro resolva o seu
na roda final a cobrança de concentração
de q se escute a proposição e se execute o proposto
teve gente q fez
teve gente q
teve gente
e o debate sobre a diversidade dos participantes
mtos c experiência estrada formação
outros iniciando
excluir ou incluir
ajudar o outro a ser tb
ou ser e ir?

Diário de Bordo: Segundo dia de oficina com o diretor teatral Marcio Meirelles em São Tomé

Convidado pela “Cena Lusófona”, Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, o artista conduz na África, juntamente com António Augusto Barros (diretor da associação), uma seleção de atores para a montagem de um espetáculo com estreia em Portugal. 


dia 2

no segundo da oficina em s tomé dia fui brindado com uma suite de danças populares s tomenses
e de outras áfricas tb
uma explosão de alegria no final do encontro
uma celebração
foi um dia em q partimos dos ritmos e da concentração já iniciados no primeiro
daí surgiu o movimento e a semente de personagens
personagens fôlôs - quase um início de ESSA É NOSSA PRAIA
podemos fazer se quisermos um belo painel de personagens e situações locais como na TRILOGIA DO PELÔ q tb começou assim em oficina
a noção clara pra alguns de q é assim q se constrói dramaturgia
de q o texto surge
qdo se tem o q dizer
qdo se tem concentração
a pergunta de amador pinto fernandes ator do grupo OS CRIATIVOS
o marcio tem esse método escrito como um manual
resposta
não 
pq vou inventando a cada dia
o ator deve ir estruturando seu próprio manual
um roteiro de como ele se prepara e constrói o seu discurso
ele autor de sua própria representação do mundo do qual é testemunha
temos uma base
a imaginação (e a indignação) é a matéria prima do ator
a partir dai pode-se preparar um discurso
movimento concentração respiração olhar redes entre olhares observação atenção em si no outro 
no todo 
busca de um ritmo exteriorização do ritmo em sons 
afinidade de sons volume melodia dinâmica andamento 
volta a respiração a novas pulsações
ao movimento
daí em roda
como no samba
na capoeira
dialogar provocar com sons e movimentos
criar situações
a situação proposta começou com 
eu só vim avisar q o passarinho dela fugiu
daí uns se interessaram outros desviaram 
novos assuntos foram inseridos
e fechou-se c o aviso de q o passarinho dela fugiu
a memória
a memória imediata de c quem contracenei e o q disse e qual a sensação
a memória cumulativa de guardar ritmos outras situações olhares rostos dos outros transformações provocadas por mudanças de respiração e imaginação nos outros e em cada um
hj e ontem e desde o início
e por fim a celebração detonada pelas palmas e ritmos e vontades
s tomé - a beleza
alguma coisa como ilhéus itaparica
cacau orla mar
abundância de peixes de frutas
é como se fosse um paraíso mas há o dinheiro
há o poder
há os interesses
há o mundo real pralém do imaginado
pralém do prazer
há as diferenças mantidas como garantia e dominação
há a falta de indústria pro bem e pro mal
há a ausência

terça-feira, 16 de julho de 2013

Diário de Bordo: o diretor teatral Marcio Meirelles fala de suas primeiras impressões no país de São Tomé e Príncipe

Convidado pela “Cena Lusófona”, Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, o artista conduz na África, juntamente com António Augusto Barros (diretor da associação), uma seleção de atores para a montagem de um espetáculo com estreia em Portugal. 


São Tomé é lindo
pode-se ver nas fotos
mas é terrível tb
é pobre controlado uma sociedade q vive sob….
a colonização ainda n acabou
basta ver-se a internet é mto cara e mto complicada e mto lenta
como pode haver desenvolvimento de um povo neste século
sem acesso à informação e a conexões?
sem comunicação…
na televisão passa o pior das produções brasileiras e portuguesas….
como se constrói uma identidade assim?
mas há o povo
o milagre do povo
q continua
q avança e constrói e mantém alguma coisa essencial e necessária
as oficinas apenas começaram começo a conhecer melhor cultura e povo e fato e história
o teatro revela representa e é uma história
o modo com q se faz tb
vários grupos: fôlô blági (forro - o povo daqui - brasil), parodiantes da ilha, os criativos, caravana africana, légi téla (raiz da terra), boneco animado da ilha, os brincalhões, gente de dor alegre, faz tudo - como se faz teatro aqui?
e muitos atores que participam mtas vezes de vários grupos, com nomes esssencialmente sãotomenses: admilze allainy ateriana azinilda edzanea henayelde mardiginia regner virginito wademeide wazilânia entre charles e odair e osvaldo e sandra e nelson e outros
um início tímido um chegar sem pressa com cautela quem sou eu quem é este?
um início lindo de aproximação de culturas de teatros de histórias 










segunda-feira, 15 de julho de 2013

Diário de Bordo: o diretor teatral Marcio Meirelles conduz oficina de seleção de atores em terras africanas


O diretor teatral Marcio Meirelles embarcou na última quinta-feira, 11/07, para São Tomé e Príncipe, no continente africano, onde permanece até o dia 5 de agosto. 
Convidado pela “Cena Lusófona”, Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, o artista acompanha, juntamente com António Augusto Barros (diretor da associação), uma seleção de atores para a montagem de um espetáculo com estreia em Portugal. 
O processo é por meio da terceira oficina de interpretação, no âmbito do projeto P-STAGE – IV Estágio Internacional de Actores, promovido pela Cena Lusófona. 
Co-organizada pelo Centro de Intercâmbio Teatral de São Tomé (CIT São Tomé)  e destinada a atores e atrizes, com mais de 18 anos, a oficina teve início no dia 08 de julho e tem duração de quatro semanas. O primeiro resultado é a apresentação de um exercício-espetáculo, no dia 2 de Agosto. Do grupo de formandos, serão selecionados dois atores ou atrizes para integrar o elenco internacional da produção “As Orações de Mansata”, do escritor guineense Abdulai Sila.

Universidade Livre resenha

Patrícia de Carvalho, integrante da Universidade Livre de Teatro Vila Velha, lança um olhar sobre "O Diário de Genet", espetáculo da companhia ATeliê VoadOR. 


Patrícia de Carvalho
O espetáculo reúne muita coisa boa e interessante. Reúne uma história, uma ideologia comum em torno dessa mesma história (de preconceitos e das "prisões" em que vivemos todos os dias), a que somos induzidos sem sequer notar, muitas vezes, que talvez sejamos parte disso. O espetáculo traz uma outra visão da homossexualidade, das formas de ver e de explorar isso, dos dogmas impostos pela sociedade, desconstruindo toda essa visão estigmatizada, e que na maioria das vezes nos prende a conceitos incoerentes e desnecessários. 


Hoje, na maioria das vezes, isso se resume apenas a uma figura construída pelos preconceitos sobre os desejos, mas o indivíduo é muito mais que apenas os seus desejos. A peça mostra a necessidade de transformar, reformular nossas ideias, já que nós vivemos numa sociedade onde tudo é muito quadrado... E falando sobre a visão do ator, o que vi no palco foi um espetáculo com muito corpo, sintonia de trabalho, concentração, prontidão, experiências que também vivenciamos no trabalho da Universidade Livre de Teatro Vila Velha. Me chamou a atenção a improvisação que os atores exploram ao máximo no palco e o uso das mais diversas formas do corpo; essa ferramenta do ator, com forma, tamanho... Um espetáculo de palavras rebuscadas, muito texto, um trabalho lindo. Adorei o Diário de Genet.